UTILIZANDO VÍDEOS COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO PARA O ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO
Joelma Sousa Dos Santos, José Alvino Sousa Ferreira, Maria Consuelo A. Lima
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2016
- Data
- 06/09/2016
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UTILIZANDO VÍDEOS COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO PARA O ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO
## USING VIDEO AS AN INSTRUMENT FOR TEACHING PHYSICAL EDUCATION IN SECONDARY EDUCATION
## Joelma Sousa dos Santos 1 , José Alvino Sousa Ferreira , Maria Consuelo A. 2 Lima 3
1 Universidade Federal do Maranhão/Licenciatura em Física, joellma.santtos@hotmail.com
2 Secretaria de Educação do Estado do Maranhão/Centro de Ensino Cidade São Luís,
- josealvinosf@hotmail.com
3 Universidade Federal do Maranhão/Departamento de Física, mconsuelo@ufma.br
## Resumo
Esse estudo tem como ponto de partida o entendimento de que, nos dias atuais, o uso de novas metodologias de ensino se tornou imperativo no auxílio à aprendizagem dos alunos. A insatisfação dos jovens com as práticas de ensino tradicional baseadas em aulas quase exclusivamente expositivas, as mais frequentes nas escolas brasileiras, tem exigido mudanças. Nessa perspectiva, encontramos na tecnologia possibilidades de inovações metodológicas de ensino em que a aprendizagem faça sentido para o aluno. Para isso, tratamos conteúdos sobre as três leis de Newton nas aulas de Física inicialmente a partir de vídeos de curta duração, seguido por discussões e finalizado com uma avaliação escrita. O uso frequente de vídeos para o entretenimento no cotidiano dos jovens foi, a princípio, o que nos levou acreditar na utilização de vídeos para promover o interesse do aluno pela aprendizagem em sala de aula. A aferição do método proposto, a partir de avaliações aplicadas sobre os conteúdos estudados e de observações sobre a participação dos alunos nas atividades, nos pareceram motivadoras para a adoção do método. Em relação às avaliações sobre os conteúdos da Física, a média de acertos foi acima de 70% nas quatro turmas analisadas, e nos leva acreditar que a aprendizagem foi motivada, em grande parte, pela participação dos alunos nas discussões. Constatou-se, também, que a discussão em sala de aula foi além daquelas da pauta, por ter levado os alunos a pesquisar sobre assuntos afins à Física, muitas vezes em situações enriquecedoras, conduzindo a discussões correlatas aos conteúdos da aula.
Palavras-chave : Ensino de Física; Leis de Newton; Ensino Médio; Aula com vídeos; Escola pública.
## Abstract
This study has as its starting point the view that, nowadays, the use of new teaching methodologies became imperative in assisting student learning. The dissatisfaction of young people with traditional teaching practices based on lessons almost exclusively expository, the most common in Brazilian schools, has required changes. In this perspective, we find in technology possibilities of methodological innovations of education where learning makes sense to the student. For this, we
treat content on the three laws of Newton in physics classes initially from short videos, followed by discussions and finalized with a written evaluation. The frequent use of video for entertainment in the daily lives of young people was, at first, which led us to believe in the use of videos to promote student interest in learning in the classroom. The assessment of the proposed method, based assessments applied to the studied content and comments on the participation of students in activities proposed in seemed motivating for the use of the method. Regarding the reviews of the contents of physics, the mean score was above 70% in the four analyzed groups, which leads us to believe that learning was motivated largely by participation in student discussions. It was found also that the discussion in class was beyond those of the agenda, to have led students to research topics related to physics, often in enriching situations, leading to discussions related to the lesson content.
Keywords : Physical education; Newton's laws; High school; Class with videos; Public school.
## Introdução
A prática escolar mostra que o professor em sala de aula é também um educador e nesse sentido um dos seus maiores desafios atual tem sido promover o interesse dos alunos pela aprendizagem. Para Barbosa e Silva (2008) a origem das dificuldades no ensino da Física pode ser atribuída à metodologia utilizada pelo professor, geralmente baseada na memorização de fórmulas e soluções algébricas de exercícios. Esses métodos tradicionais são os mais utilizados e não se adequam aos jovens atuais, pois não se dão por satisfeitos com lições aprendidas pelo método 'decoreba', nem com lições longas e cansativas sem nenhuma relação com sua realidade cotidiana.
Em muitas escolas, o ensino tem como meta preparar o aluno para o ingresso em instituições de ensino superior, dando ênfase excessiva a resolução de exercícios que parecem descontextualizados para o aluno. Essa conduta das escolas, segundo Bonadiman e Nonenmacher (2007), tem produzido alunos com grandes dificuldades na aprendizagem de conteúdos de Física, induzindo o distanciamento e o pouco apreço do estudante pela disciplina. Por outro lado, outras metodologias propõem criar ferramentas alternativas que auxiliem no processo de aprendizagem do aluno, acompanhando a evolução das necessidades atuais, saindo do uso exclusivo de quadro e livro. Silva e Oliveira (2010) endossam a alternativa do uso de tecnologias na sala de aula, por possibilitar a inovação na prática de ensino e viabilizar a circulação de informações de forma atrativa e facilitadora para a aprendizagem.
Vicentini e Domingues (2008) afirmam que entre várias tecnologias em destaque nos últimos anos, o vídeo tem sido uma das mais populares, como resultado do avanço da televisão, da popularização da Internet e do custo reduzido das filmadoras e máquinas digitais, possibilitando às pessoas produzirem e distribuírem o próprio material audiovisual. Para Arroio e Giordan (2006), as informações na sociedade provêm principalmente da televisão e, por isso, as pessoas estão habituadas e receptivas a receber informações através de imagem e som. Pereira (2008) ressalta que os vídeos didáticos ou vídeo-aulas se caracterizam como um recurso que pode ajudar o professor de Física a proporcionar aos seus alunos uma melhor compreensão do conteúdo em questão. Para Almeida e Moran (2005), o vídeo é um instrumento que toca todos os sentidos humanos, podendo
facilitar o processo de ensino, auxiliando na eficácia das aulas de Física. Em outras referências, como em Almeida e Moran (2005) e Moran (1995), observa-se a popularização do vídeo associada aos benefícios que sua linguagem traz, por responder à sensibilidade dos jovens e da grande maioria da população adulta, em que a comunicação resulta do encontro entre palavras, gestos e movimentos, distanciando-se do gênero do livro didático, da linearidade das atividades da sala de aula e da rotina escolar. Considerando que o dinamismo dos vídeos dirige-se antes à afetividade do que à razão.
No entanto, a adoção de tecnologias pelas instituições de ensino e pelos professores não tem sido tão simples quanto pode parecer. Vicentini e Domingues (2008) destacam que grande parte dos profissionais da educação enfrenta dificuldades para empregar a tecnologia audiovisual como um recurso pedagógico. Um dos motivos, como aponta Moran (1994), é que, desde quando as escolas admitiram a possibilidade de inserção dessa tecnologia no ambiente escolar, pouco se investiu em programas de formação para capacitar os professores e melhor a uso do vídeo e/ou para o real aproveitamento do potencial didático educativo deste recurso.
Alguns pesquisadores, a exemplo de Carli, Teixeira e Silveira, (2013) acreditam que a superação do desafio da aprendizagem pode ser significativamente alcançada se os estudantes forem expostos, não só a explanação do professor, mas também a outros recursos audiovisuais, como imagens, vídeos e sons. Para Silva (2011):
Cabe ao professor apoderar-se dessa tecnologia para proporcionar a seus alunos aulas interessantes, diversificadas e participativas; com o vídeo, o professor pode pausar as cenas, as imagens, para discuti-las; retroceder para lembrar e também avançar. Se o uso desse recurso for organizado, torna-se uma fonte de informação alternativa, propicia ao aluno conhecer a realidade na qual estão inseridas outras comunidades, outras realidades, além de construir seu próprio conhecimento, ajudado pelo direcionamento do professor (SILVA, 2011, p. 43).
O alcance de resultados efetivos com o uso de vídeos está relacionado com aulas bem planejadas. Como afirma Mandarino (2001, p.2) 'os vídeos ou a televisão, por si só, não garantem uma aprendizagem significativa. A presença do(a) professor(a) é indispensável' para acompanhar o aprendizado do aluno. O professor é capaz de perceber, com sua experiência, a melhor forma e a melhor ocasião para o uso de vídeos como ferramenta na sala de aula, para favorecer tanto ao processo de ensino como o da aprendizagem do aluno. Embora os vídeos possam exercer um papel importante na sala de aula, a presença do professor não poderá ser substituída somente pelos vídeos. Nesse sentido, Gadotti releva suas concepções, enfatizando que 'a educação sendo essencialmente a transmissão de valores, necessita do testemunho de valores em presença. Por isso, os meios de comunicação e a tecnologia não podem substituir o professor' (1994, p.6).
A utilização de recursos tecnológicos durante a prática de ensino, para a facilitação da didática metodológica, é sugerida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (BRASIL, 1997). Os vídeos podem ser úteis para introduzir um novo assunto, para despertar a curiosidade e a motivação para novos temas (FERRES, 1996, p.2), tornando um bom recurso no ensino de Física no Ensino Médio, em concordância com as propostas sugeridas pelos PCN+Ensino Médio Física (2002), segundo o qual
o ensino de Física tem enfatizado a expressão do conhecimento aprendido através da resolução de problemas e da linguagem matemática. No entanto, para o desenvolvimento das competências sinalizadas, esses instrumentos seriam insuficientes e limitados, devendo ser buscadas novas e diferentes formas de expressão do saber da Física, desde a escrita, com a elaboração de textos ou jornais, até o uso de esquemas, fotos, recortes ou vídeos, até a linguagem corporal e artística (BRASIL, 2002, p. 84).
Os PCN e as perspectivas indicadas pela literatura nos motivaram ao uso de vídeos em sala de aula como recurso didático para o estudo das Leis de Newton numa escola pública do ensino médio. Os resultados desse estudo serão apresentados suscintamente a seguir.
## Desenvolvimento da Proposta e Metodologia
Esse estudo analisa aulas com 40 alunos do 1º ano do Ensino Médio na escola Centro de Ensino Cidade São Luís (MA), no segundo semestre de 2014, realizadas pela primeira autora deste trabalho e graduanda do curso de Física.
As atividades foram desenvolvidas na escola durante um período de quatro semanas, em quatro turmas, durante as aulas de Física. Todo o trabalho desenvolvido na escola teve a supervisão de um professor de Física da turma em que o projeto estava sendo desenvolvido. As atividades em cada turma foram divididas em dois momentos: realização de três aulas utilizando vídeo e, na segunda etapa, a aplicação de um questionário para analisar a possível eficiência desse recurso didático no aprendizado dos alunos.
Os vídeos de curta duração (um e dois minutos) exibiram conceitos sobre as três leis de Newton e estavam disponíveis na internet (PRIMEIRA, 2013; SEGUNDA, 2013; TERCEIRA, 2013). Antes da apresentação de cada vídeo os estudantes receberam duas questões para responder logo após a exibição de cada vídeo. O primeiro vídeo utilizado na sala (Fig. 1A) explica a primeira lei de Newton também conhecida como lei da inércia, nele o autor explica inicialmente o vocabulário envolvido no enunciado e em seguida faz demonstrações com animações. O vídeo utilizado na segunda aula (Fig. 1B) aborda a segunda lei de Newton, também conhecida como princípio fundamental da dinâmica, discute fenômenos e explica a lei com animações. O último vídeo (Fig. 1C) apresentado abordou a terceira lei de Newton, lei da ação e reação, explicando a teoria com exemplos do nosso cotidiano.
Após a aplicação dos vídeos, os alunos elaboraram perguntas para o professor da disciplina com o propósito de esclarecer dúvidas e, no decorrer das aulas, os alunos fizeram relatos de acontecimentos do dia a dia comparando-os com as situações dos vídeos. Esse momento de ativa participação dos alunos revelou uma relação de proximidade e afetividade entre o professor e os alunos que podem ter contribuído para maior aprendizagem do tema em estudo.
Figura 1 - Imagens dos vídeos sobre as leis de Newton (PRIMEIRA, 2013; SEGUNDA, 2013; TERCEIRA, 2013).
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Um questionário com oito perguntas foi aplicado como atividade final. Quatro questões foram conceituais: Como você explicaria a terceira lei de Newton para uma
pessoa que nunca ouviu falar nessa lei? O que diz a terceira lei de Newton? O que diz a segunda lei de Newton? Em nosso cotidiano é muito comum observar a terceira lei de Newton. Dê exemplos de situações do cotidiano em que você identifica a ação da terceira lei de Newton . As outras quatro questões procuraram identificar a capacidade do aluno em resolver problemas: Coloca-se um cartão sobre um copo e uma moeda sobre o cartão. Puxando-se bruscamente o cartão, a moeda cai no copo. O fato descrito ilustra: a) inércia; b) aceleração; c) atrito; d) ação e reação; e) nenhuma das anteriores. Identifique a lei de Newton que se refere a tirinha abaixo (Figura 2). Uma pessoa na Terra pesa 80 kg. Se ela estivesse na Lua, qual seria o peso dela? (Considere a aceleração gravitacional da Terra 9,8m/s² e da Lua 1,6m/s²); Como você explica o movimento de um barco a remo, utilizando a terceira lei de Newton?
Figura 2 - Tirinha ilustrativa de questão no questionário final (SOUZA, 2015).
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Para a análise do questionário foi atribuído um valor para o aprendizado em cada pergunta/problema e estimado um valor a partir do qual seria um indicativo para aprovar ou rejeitar o uso dos vídeos com instrumento de apoio às aulas.
## Resultados e Discussão
Nos gráficos da Figura 3 pode-se observar o desempenho dos alunos nas quatro turmas (A, B, C e D) com relação à média de acertos e erros nas oito questões sobre as leis de Newton propostas como atividade final.
Figura 3 - Média de acertos e erros das questões aplicadas nas Turmas (A), (B), (C) e (D).
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Os dados da Figura 3 nos permitem aferir a média de acertos acima de 70% nas quatro turmas, um resultado satisfatório em qualquer tipo de avalição escolar. Associado ao uso dos vídeos, esse resultado vai ao encontro das contribuições
identificadas por Moran (2009), que destaca: (a) maior interesse dos alunos; (b) aulas mais atraentes; (c) comunicação audiovisual; (d) melhor fixação dos assuntos principais; e (e) complementação das discussões propostas inicialmente.
No ensino de Física, o uso de vídeos, nas condições de sala de aula, pode ser relevante também na construção de conceitos de fenômenos físicos, conseguindo substituir, por vezes, as demonstrações experimentais in loco (PEREIRA et al., 2005). Em outra investigação sobre vídeo-aula como estratégia de ensino em Física, Clemes, Gabriel Filho e Costa (2012) questionaram aos alunos participantes do estudo se as vídeo-aulas trouxeram resultados positivos ou negativos para o ensino de Física. Todos afirmaram que esse tipo de recurso didático contribui positivamente para as aulas, justificando a importância da quebra de rotina das aulas expositivas, pelo tipo de aula permitir maior clareza no entendimento do conteúdo e por reforçar a explicação do professor.
Na prática investigada, o envolvimento dos alunos nas discussões em sala de aula nos permitiu observar que o uso dos vídeos sobre as leis de Newton deu visibilidade aos fenômenos físicos estudados em situações do cotidiano, evidenciando a aprendizagem dos alunos à medida que eles se manifestavam para opinar sobre situações exibidas nos vídeos comparativamente a situações vivenciadas por eles.
## Considerações Finais
Metodologias de ensino em que os procedimentos sejam mais centrados nos alunos e menos no professor e que fazem uso de tecnologias para apoio didático, a exemplo do uso de vídeos em diferentes situações de aula, têm demostrado importantes contribuições para o educador no enfrentamento de situações vivenciadas especificamente em aulas em ensino das ciências.
Como base nesse estudo, consideramos que as relações de interações entre alunos e professor promovidas durante as aulas podem produzir aprendizagens muito além dos conteúdos planejados relativos à disciplina. Nesse sentido, o papel do professor nas aulas com vídeos é essencial. Ele deve atuar planejando todas as etapas da sequencia didática, começando pela escolha dos vídeos, promovendo discussões durante as aulas a partir de questionário elaborado antecipadamente e analisando a aprendizagem dos alunos.
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