PLANEJAMENTO DO ENSINO DE FÍSICA. ANALISANDO PROPOSTAS DE FUTUROS PROFESSORES
Tatiana Salazar, Roberto Nardi
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2016
- Data
- 06/09/2016
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PLANEJAMENTO DO ENSINO DE FÍSICA. ANALISANDO PROPOSTAS DE FUTUROS PROFESSORES
## PLANNING OF PHYSICS TEACHING. ANALYZING FUTURES TEACHERS' PROPOSALS
## Tatiana Salazar , Roberto Nardi 1 2
1 Unesp/Faculdade de Ciências/Pós-graduação em Educação para a Ciência, tatasalo2013@gmail.com
2 Unesp/Faculdade de Ciências/Departamento de Educação nardi@fc.unesp.br
## Resumo
Apresentamos aqui resultados parciais de uma pesquisa que tem como propósito investigar a construção e o desenvolvimento de saberes docentes em licenciandos durante estágios supervisionados curriculares que ocorrem nos dois últimos anos de um curso de licenciatura em Física de uma universidade pública. O exercício de planejar é uma tarefa importante na prática da profissão docente, além de ser um processo de múltiplas escolhas significativas para o ensino e aprendizagem da Física, e um momento que favorece a articulação dos saberes construídos até esta altura do currículo. Nesta comunicação apresentamos dados constituídos a partir da análise dos planejamentos de ensino de temáticas relacionadas à Mecânica, Eletromagnetismo e Física Moderna. Essas ementas foram elaboradas pelos licenciandos, com a finalidade de serem ministradas em estágio de regência a estudantes do ensino médio de escolas públicas da região. Os conteúdos, metodologias e processos de avaliação presentes nas ementas foram analisadas por meio da análise de conteúdo. De forma geral os resultados revelam propostas de ensino preocupadas por apresentar uma Física relacionada ao cotidiano dos alunos e ao desenvolvimento de conceitos físicos visando superar visões ingênuas sobre a ciência. Identificamos nos planejamentos limitações com relação a conteúdos procedimentais e atitudinais, bem como a propostas de avaliação.
Palavras-chave : Planejamento, Ensino de Física, Formação de professores, saberes docentes, Estágio Supervisionado.
## Abstract
We present here partial results of a research that aims to investigate the acquisition and development of teaching knowledge in undergraduate curriculum for supervised internships that take place in the last two years of a degree course in physics at a public university. The exercise of planning is an important task in the practice of the teaching profession, as well as being a process of multiple choices, significant to the teaching and learning of physics, at a time that favors the articulation of knowledge built up this curriculum height. In this paper, we present data that area based on the analysis of issues of educational planning related to mechanics, electromagnetism and modern physics. Licensees have prepared these
plans, in order to teach these subjects in a conducting training course to high school students from public schools in the region. We analyzed contents, methodology and evaluation processes present in the plans using content analysis. Overall the results show teaching proposals concerned by presenting a related physics to the daily lives of students and the development of physical concepts aiming to overcome naive views about science. We identify planning limitations with respect to procedural and attitudinal contents and the evaluation proposals.
Keywords : School Planning, Physics Education, Teacher education, teaching knowledge, Supervised Training.
## O Ensino de Física e a Sociedade
Uma das primeiras reflexões a fazer sobre o planejamento do Ensino da Física implica ter uma visão complexa do papel do Professor, da Física, da Escola e da Sociedade. Neste sentido, é importante que o futuro professor de Física compreenda que sua proposta de ensino e sua prática é um processo que tem relação direta com a sociedade, pois, por meio destes processos estão-se formando os cidadãos. Portanto, os processos desenvolvidos na escola trazem consequências para a conformação das sociedades; dessa forma a escola não pode ser pensada como uma instituição isolada de um contexto maior e, neste caso, o ensino de Física deve gerar reflexões para compreender o papel da Física no desenvolvimento da sociedade.
A partir de uma perspectiva crítica sobre o Ensino, e particularmente embasado em reflexões propostas por Giroux (1997), consideramos a escola como local que permite a reprodução da sociedade, mas também pode ser local que possibilita a transformação das realidades sociais. Desta forma, é importante entender a escola dentro de um contexto politico, econômico, social e cultural maior, com a intenção de ensinar, refletir, criticar e emancipar o papel que cada indivíduo exerce na sociedade. Portanto, Giroux considera a escola como uma esfera publica democrática que permite a formação de cidadãos críticos e ativos da sociedade, insistindo na necessidade de superar a simples formação de trabalhadores.
A escola também é considerada como o local no qual é legitimada a autoridade, os tipos de conhecimento, formas de regulação moral e versões do passado e futuro, que devem ser transmitidas aos estudantes (GIROUX,1997). Neste sentido, uma reflexão que não pode faltar na formação do futuro professor é sobre os conteúdos da Física que são legitimados na escola e as visões de ciências que são expressas por meio do ensino. É preciso, portanto, que o futuro professor questione o currículo, o que é ensinado da Física e o porquê isso é ensinado às novas gerações de cidadãos. Dessa forma, espera-se que o professor de Física reflita sobre os conteúdos definidos e contribua na formação de cidadãos críticos, que permita gerar mudanças na ordem social atual, procurando a emancipação das limitações impostas pelo sistema e permita a construção de uma consciência social que procure a superação das desigualdades, possibilitando a consolidação de sociedades mais equilibradas.
## O Planejamento e o Ensino de Física
A proposta de Giroux (1997) de assumir o professor como um Intelectual crítico e a escola como uma esfera pública democrática, carrega consigo implicações fundamentais, entre elas a autonomia na construção das propostas curriculares. Isto significa considerar o professor como um profissional construtor de currículos e não como um simples administrador de currículos criados em e por outras instâncias. Quando os professores não são os construtores do currículo, sua função fica restrita à transmissão de atitudes, normas e crenças, sem quaisquer questionamentos, ou seja, transmissor de ideologias legitimadas por outras instâncias, sem qualquer reflexão.
Ter autonomia no desenvolvimento das propostas curriculares é fundamental pois, sua construção implica pensar as ações educativas que vão ser trabalhadas em sala de aula. Neste sentido, são definidos elementos significativos como: para que ensinar, o que ensinar, o porquê ensinar, como ensinar e como e quando avaliar. Essas reflexões devem ser realizadas pelos professores e não definidas por outras instâncias, já que a resposta a essas questões implica pensar a sala de aula com um contexto maior. Bastos (1997) propõe uma série de perguntas significativas para serem refletidas no momento de construir propostas curriculares. Compartilhamos com este autor sua preocupação em fazer do ensino um processo crítico, que passa por questões como:
...'... será que os processos gerais que se desenrolam nas sociedades contemporâneas estão conduzindo ao aprofundamento das desigualdades sociais e à formação de extensas massas de indivíduos miseráveis e sem perspectivas? Pode-se realmente dizer que as pessoas comuns têm acesso à saúde, à educação, ao lazer, à vida cultural, a empregos e salários dignos etc.? Ou será que tais possibilidades estão reservadas somente a uma minoria privilegiada? Pode a educação de algum modo contribuir para o enfrentamento de tais questões? Como? De que maneira o ensino escolar deve articular-se ao contexto econômico, social, político e cultural de nosso país e de nossa época? Isto é, que papel que atribuímos à escola?'
A reflexão sobre essas questões mais amplias geram a necessidade de se refletir sobre questões mais particulares na sala de aula, sem perder de vista esse nexo com o contexto maior. Portanto, os professores, quando constroem seus planejamentos devem se questionar, por exemplo, sobre: como por meio do ensino, possibilita-se a construção da aprendizagem nos estudantes; como a avaliação contribui para melhorar os processos de ensino; quais materiais de ensino utilizar; quais práticas experimentais inserir nas aulas.
Quando os professores não levam em consideração a importância de planejar seu ensino, este exercício fica restrito a uma rotina sem reflexão e o ensino corre o risco de limitar-se a uma cultura pedagógica do senso comum, no qual as decisões fundamentais sobre o que, como e para que ensinar e avaliar são determinadas pelos materiais didáticos ou planejamentos antigos, carentes de análise, reflexão e propostas de melhoramento (BASTOS, 1997). Esta cultura sobre o planejamento tem trazido poucas soluções aos problemas atuais da educação, portanto, deve ser uma prática superada.
## Os Conteúdos no Planejamento do Ensino da Física. Uma reflexão sobre o Conhecimento
Uma importante reflexão a se fazer no momento de planejar, tem a ver com os conteúdos que serão ensinados. Diferentes linhas de pesquisa na área de Ensino de Ciências trazem como conclusões a necessidade de modificar a forma tradicional de se desenvolver os conteúdos. Particularmente, no caso de conteúdos de Física, a pesquisa revela a necessidade de superar o ensino limitado à resolução de listas de exercícios, uma vez que essa prática dificilmente permite veicular elementos conceituais, procedimentais e atitudinais, importantes para o aluno. Alias, é necessário um ensino de Física que permita pensar a Física e suas implicações nas sociedades; isto significa refletir criticamente sobre o desenvolvimento desta ciência e as implicações desta na sociedade.
Giroux (1997) já discute a forma como os conhecimentos que são traduzidos em conteúdos de ensino são assumidos no modelo curricular dominante. O autor manifesta que estes são apresentados como um domínio de fatos objetivos que deve ser transmitido na sala de aula; isto significa que o conhecimento é uma construção externa ao sujeito, que deve ser imposto a ele. Esta forma de apresentar o conhecimento carrega consigo a ideia do conhecimento ser uma questão a ser administrada, dominada e transmitida pelo professor, que deve ser imposto ao estudante. Neste sentido, a relação entre conhecedor e conhecido é eliminada e o propósito do conhecimento fica restrito à acumulação e categorização, e não à construção de sentidos para agir e criticar o mundo.
Assumir a postura de construção de conhecimentos implica compreender o conhecimento como um elo entre estudantes e professores, pois estes dois são sujeitos construtores de conhecimentos. Isso exige pensar o conhecimento a partir de uma perspectiva problematizada, como objeto de pesquisa a ser trabalhado entre os dois, de forma que estudantes e professores sejam sujeitos reais de construção e reconstrução de conhecimentos (FREIRE, 1996). A partir da discussão gerada neste item, pode se concluir que refletir sobre o conhecimento e construir uma postura crítica sobre este, implica em os sujeitos assumirem posturas diferentes na forma de pensar, relacionar, ensinar, aprender e avaliar este conhecimento. Portanto, pensar o conhecimento deve ser uma reflexão obrigatória nos cursos de formação de professores, pois, acredita-se que uma nova interpretação sobre ele, possibilita uma transformação nas práticas de ensino.
Concluímos estas breves reflexões teóricas, com as mudanças propostas por Giroux (1997), que implicam um desafio para pensar a formação de professores. O professor deve ser considerado como intelectual crítico, superando modelos de formação tecnicistas, que não permitem a formação de um sujeito crítico sobre o ensino e sua ligação com a sociedade. O estudante deve ser um sujeito ativo e crítico dentro da sociedade; portanto, a escola deve ser considerada uma esfera pública democrática. Isto implica em privilegiar a democracia e refletir sobre as ideologias impostas, para abrir a discussão a novas possibilidades que sejam construídas a partir do coletivo e não iniciativas de grupos privilegiados. Finalmente, o conhecimento deve ser considerado como objeto de investigação, para ele ser compreendido como uma construção humana, que não é privilegio dos gênios. As mudanças necessárias para pensar a educação de forma crítica, como proposta pelos autores acima citados não são instantâneas; demandam tempo para serem
consolidadas na prática docente; entretanto, se forem discutidas já na formação inicial, possibilitam abrir caminhos para novas formas de compreender o mundo.
## Metodologia
Partimos da ideia que a análise dos planejamentos elaborados pelos licenciandos pode revelar indícios sobre os saberes docentes (disciplinares, curriculares, profissionais e experienciais) construídos e sua articulação para a construção de uma proposta de ensino (TARDIF, 2002). Levando em consideração essa premissa, apresentamos a metodologia utilizada para analisar esses planejamentos.
Primeiro é necessário contextualizar o local no qual foram constituídos os dados. Esses planejamentos elaborados pelos licenciandos constituem-se em um dos produtos finais de avaliação do Estágio Supervisionado III, disciplina localizada no último ano (7º período) do curso de Licenciatura em Física. Nesta altura da estrutura curricular espera-se que os licenciandos tenham passado por discussões realizadas nas cinco disciplinas de Metodologias e Práticas de Ensino de Física (que se iniciam no primeiro semestre do curso), discussões em disciplinas como História da Ciência, Ciência Tecnologia Sociedade e Ambiente, os estágios supervisionado que se realizaram nos dois semestres anteriores. Neste sentido, é possível afirmar que os licenciandos já passaram por discussões que oferecem subsídios para a construção de saberes disciplinares, profissionais e, de alguma maneira, por saberes curriculares e experienciais.
A disciplina de Estágio Supervisionado propõe-se à construção de sequências de ensino sobre diferentes temáticas da Física que, se constituem em minicursos que, no conjunto forma um curso a ser ministrado posteriormente (Estágio IV) nas escolas de educação básica. Os planejamentos analisados foram os referentes aos minicursos de Mecânica, Eletromagnetismo e Física Moderna. Os grupos de licenciandos responsáveis por cada uma dessas sequências levaram em consideração que estas poderiam ser aplicadas com a duração máxima de nove horas-aula. Essas 'ementas' constituem-se, portanto, em documentos, de autoria dos licenciandos, que descrevem suas opções por objetivos de ensino, conteúdos programáticos, metodologias possíveis de abordar esses conteúdos, bem como os mecanismos de avaliação de aprendizagem para alunos de educação básica, na disciplina de Física. A análise realizada contempla cada um desses itens.
## Dados e Discussões
Sobre os Objetivos do Ensino propostos. Os objetivos de ensino propostos evidenciam as intenções que os licenciandos têm a respeito dos aprendizados que devem ser construídos pelos estudantes. Neste ponto do planejamento foi possível evidenciar que os licenciandos têm preocupação com uma aprendizagem de física relacionada a um contexto de desenvolvimento no qual são estabelecidas relações entre a Física e a Sociedade, com a intenção de promover construções alternativas sobre a natureza da ciência, na qual sejam superadas visões absolutas e a-históricas da ciência. De uma forma geral, pode-se dizer que no desenvolvimento dos objetivos os licenciandos superam a simples preocupação pelos aprendizados dos conteúdos conceituais da Física, abrindo a possibilidade de desenvolver os conteúdos procedimentais e atitudinais. Alguns dos objetivos presentes nos planos de ensino propostos:
## Mecânica
...'estimular a participação dos alunos na elaboração de hipóteses através de atividades experimentais e discussões... ....'Partir do levantamento de concepções espontâneas dos alunos e desmistificar a ciência como verdade absoluta'.
## Eletromagnetismo
...' Compreender e ser capaz de explicar fenômenos eletromagnéticos ligados ao seu cotidiano. Criar analogias que expliquem os conceitos envolvidos na aula. Trabalhar em grupos'.
## Física Moderna
... 'Relacionar as aplicações da tecnologia no dia a dia com a evolução da ciência. Entender a importância da ciência para a sociedade e como sua compreensão nos torna cidadãos mais críticos e participativos. Refletir sobre o contexto histórico e o desenvolvimento dos conceitos de relatividade e sobre a ciência em geral enquanto construção humana'.
Sobre os Conteúdos. Neste ponto do planejamento é possível identificar que os licenciandos só consideram os conteúdos conceituais, uma vez que apenas listam os conceitos a serem desenvolvidos. O fato do planejamento apresentar-se dessa forma, ou seja, apenas uma lista de conceitos, evidencia limitações na formação dos licenciandos, pois, pode-se interpretar que a discussão sobre os diferentes conteúdos programáticos não leva em consideração a formação pensada. Além disso, isto entra em contradição com os objetivos propostos, pois, embora os objetivos parecem superar a simples aprendizagem de conteúdos conceituais, isso não aparece na proposta dos conteúdos. Alguns exemplos de propostas para os conteúdos:
## Mecânica
'Conceitos de grandezas escalares e vetoriais , massa, peso, força, velocidade' ...
## Eletromagnetismo
'Descargas elétricas e o experimento de Benjamin Franklin. Comportamento de cargas e campos elétricos' ...
Física Moderna
'O problema da Luz. Os Postulados da Teoria Especial da Relatividade.' ...
Sobre as Metodologias de ensino. Nas metodologias de ensino é possível perceber proposta de valorização de um ensino de Física alternativo ao usual (no qual o professor, em geral, limita-se a explicar itens teóricos e a desenvolver exercícios sobre os mesmos). Nas propostas dos licenciados aparece a inclusão da experimentação como um elemento importante para trazer mudanças ao ensino usual e a promoção do aprendizado dos estudantes. Considera ainda as concepções alternativas dos estudantes como um referencial importante para orientar a proposta de ensino. Como nesses casos:
## Mecânica
'Experimentos com caráter investigativo , explorando a participação dos alunos no desenvolvimento de hipóteses. Discussões com a participação de professor e alunos, visando o levantamento de concepções espontâneas e o desenvolvimento de diá logo e argumentação'...
## Eletromagnetismo
'Para a realização deste minicurso, buscamos uma participação ativa dos alunos no processo de ensino-aprendizagem. Iniciamos com ideias gerais sobre o conteúdo,
estimulando os alunos a refletirem sobre situações cotidianas. Posteriormente, os conteúdos são aprofundados no decorrer da aula com participação dos alunos em todos os processos. Daremos enfoque ao cotidiano do aluno, levando para a sala de aula coisas que estão acostumados a ver diariamente e também avanços tecnológicos que não estão sempre ao alcance.'
## Física Moderna
'Aula dialogada, com a intenção de fazer o aluno interagir e expor seus conceitos. Abordagem de concepções espontâneas com utilização de meio computadorizado e aula expositiva. Experimentos mentais. Experimentação'
Sobre os processos de avaliação . É possível identificar nos planejamentos dos licenciandos uma avaliação centrada nos processos de ensino e de aprendizagem, ou seja, uma avaliação formativa, na qual pretendem gerar contribuições para superar as dificuldades de aprendizagem. Aparece também, a concepção sobre avaliação como processo final do ensino, que só traz informações sobre questões relacionadas à aprendizagem dos alunos. Uma dificuldade que se percebe nas propostas de avaliação dos licenciandos está relacionada ao fato de não considerar conteúdos procedimentais e atitudinais, que constam dos objetivos. As falas abaixo mostram esses aspectos:
## Mecânica
'30% - Listas de exercícios. 40% - Resolução de questionários em sala de aula. 10% - Participação em discussões.20% - Participação em experimento em sala de aula'
## Eletromagnetismo
- ' A avaliação da aprendizagem nesse minicurso terá caráter diagnóstico e processual. O desenvolvimento do aluno será acompanhado gradualmente durante todo o curso. Dessa forma, o professor é capaz de acompanhar de perto o desenvolvimento do aluno, identificando as principais dificuldades e assim, cuidando para solucionar problemas no decorrer da aula. Sendo assim, será levada em conta a participação ativa dos alunos nas discussões e atividades propostas e entrega das atividades solicitadas'
## Física Moderna
- ' A avaliação será baseada nos questionários dados ao fim de cada aula, onde será analisado: 1º se houve mudança nas concepções espontâneas dos alunos e qual sua nova visão sobre ciência e como a mesma é construída. 2º compreensão dos alunos referente as concepções de espaço e tempo de Einstein e como chegou-se a elas. Participação no experimento através de questões referentes a ele'
## Algumas conclusões
Dos planejamentos de ensino construídos pelos licenciandos emergem importantes contribuições para pensar a formação inicial dos futuros professores de Física pois, nesses planejamentos, os licenciandos apresentam suas concepções sobre Ensino, Aprendizagem e Avaliação, concepções derivadas das experiências prévias que vivenciaram em sua experiência anterior ou via tradição pedagógica (GAUTHIER, 1998), bem como dos saberes disciplinares, curriculares e profissionais construídos na formação inicial. Neste sentido, identificar limitações ou lacunas na planejamentos desses futuros professores, permite localizar dificuldades na formação inicial, revela a importância de se fazer análise aprofundada nos planejamentos dos licenciandos. Na perspectiva de identificar lacunas/limitações na formação inicial dos professores de Física, localizamos três sentidos:
- 1) Dificuldades com relação ao planejamento, metodologias e avalição dos conteúdos procedimentais e atitudinais. Esta situação evidencia que os licenciandos possuem poucos elementos para pensar o desenvolvimento destes outros
conteúdos no ensino da Física. Situação que pode ser atribuída à falta de discussões na formação inicial sobre estes aspectos, ou à superioridade atribuída ao desenvolvimento do conteúdo conceitual.
- 2) Dificuldades com relação ao processo de avaliação. Os licenciandos possuem concepções da avaliação limitadas à valorização dos aprendizados dos estudantes, mas não como um processo que avalia as condições do ensino e permite identificar as limitações nos aprendizados para propiciar novas oportunidades de construção de conhecimento. Este resultado alerta sobre a necessidade de aprofundar a discussão sobre o processo de avaliação na formação inicial de professores.
- 3) Dificuldades relacionadas à proposta de Ensino da Física para a formação crítica de cidadãos. Apesar de os licenciandos propõem objetivos que consideram a participação dos estudantes no processo de aprendizado, o conhecimento objeto de ensino limita-se aos conteúdos conceituais da Física, sem tecer relações entre estes e o contexto social, politico e econômico no qual estão inseridos. Embora apareçam elementos sobre a historia e filosofia da ciência para criticar concepções sobre a ciência, estas reflexões não aparecem explicitas nos conteúdos, nem na avaliação.
De uma forma geral é possível perceber nos planejamentos analisados que os licenciandos inserem nas suas propostas resultados derivados da área de pesquisa em Ensino de Física. Nesse sentido, encontramos nos planejamentos elementos relacionados à História e Filosofia da Ciência, Concepções Alternativas, Experimentação e Analogias. Ou seja, os licenciandos parecem articular saberes docentes derivados da sua formação inicial nos planejamentos, o que significa que estes poderão aparecer na sua futura prática trazendo mudanças ao Ensino da Física.
Finalmente, podemos concluir que os Estágios Supervisionados são espaços nos quais é possível articular os diferentes saberes docentes na formação inicial dos professores. Portanto, estas disciplinas devem gerar reflexões sobre as concepções de ensino, aprendizagem e avaliação construídas até o momento pelos licenciandos e as futuras práticas que desenvolverão. Essas reflexões, entretanto, precisam vir acompanhadas de referenciais teóricos, como subsídios na solução de problemáticas da prática do Ensino de Física, e assim, superar as reflexões de senso comum sobre o Ensino.
## Referências
BASTOS F. Planejamento do processo de ensino . Departamento de Educação. Faculdade de Ciências. Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'. UNESP, Campus de Bauru. Texto não publicado. 1997, 32p.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia : saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GIROUX, H. Os professores como intelectuais : rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
GAUTHIER, C et al. Por uma teoria da Pedagogia . Ijuí: Editoria Unijuí, 1998.
TARDIF. M. Saberes docentes e formação profissional . Petrópolis: Editora Vozes, 2002.
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