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A VISÃO COMO REQUISITO PARA CONHECIMENTO DE FENÔMENOS FÍSICOS: UM ESTUDO DA OPINIÃO DE LICENCIANDOS

Estéfano Vizconde Veraszto, Eder Pires De Camargo, José Tarcísio Franco De Camargo

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVI
Ano
2016
Data
06/09/2016
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A VISÃO COMO REQUISITO PARA CONHECIMENTO DE FENÔMENOS FÍSICOS: UM ESTUDO DA OPINIÃO DE LICENCIANDOS*

## VISION AS A REQUIREMENT FOR UNDERSTANDING PHYSICAL PHENOMENA: A STUDY OF THE OPINION OF UNDERGRADUATE STUDENTS

## Estéfano Vizconde Veraszto , Eder Pires de Camargo , José Tarcísio Franco de 1 2 Camargo 3

1 Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação da Universidade Federal de São Carlos, Campus Araras, SP, estefanovv@cca.ufscar.br

2 Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Faculdade de Engenharia, Departamento de Física e Química, UNESP, Ilha Solteira, camargoep@dfq.feis.unesp.br

3 Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal, UNIPINHAL, jtfc@bol.com.br

*Pesquisa financiada pela FAPESP

## Resumo

A pesquisa é amparada no fato de que o Ensino de Ciências para indivíduos cegos congênitos (ou deficientes visuais) constitui-se como um dos maiores desafios da área, visto que o ensino tradicional é pautado em padrões adotados para alunos videntes, excluindo alunos cegos e com deficiências visuais do processo de ensinoaprendizagem. Partindo da análise da percepção de licenciandos na área de Ciências da Natureza, procurou-se verificar como os mesmos entendem a ausência de visão como sendo fator limitante para a compreensão de fenômenos físicos por indivíduos cegos congênitos. Este trabalho teve como público alvo cinquenta e três alunos de graduação de cursos de licenciaturas, sendo dezenove alunos de Ciências Biológicas, vinte e três alunos de Física e onze alunos de Química, de duas universidades públicas do interior do Estado de São Paulo. A escolha da amostra priorizou alunos de graduação em vias de concluir o curso, considerando que os mesmos já tenham tido experiência docente, seja nas disciplinas de estágio, em programas de iniciação à docência ou como professores regulares. Para a análise da questão buscou-se fundamentos metodológicos com base em pressupostos mistos, conjugando técnicas de metodologia quantitativa com procedimentos qualitativos de análise. Os dados foram analisados de forma complementar através de método de análise de Classificação Hierárquica Descendente e de técnicas de Análise de Conteúdo. As respostas sinalizaram que os alunos investigados, em sua grande maioria, consideram possível que um indivíduo cego congênito venha a conhecer fenômenos físicos, desde que o auxílio do meio e a utilização de recursos de apoio contribuam para tal feito.

Palavras-chave : visão, cegueira congênita, fenômenos físicos, Ciências da Natureza, inclusão escolar.

## Abstract

This research is supported in the fact that the teaching of sciences for congenitally blind individuals (or visually impaired) constitutes one of the greatest challenges in the area, considering that the traditional teaching is guided by standards adopted for non blind students, excluding blind students and visually impaired of the teaching-learning process. Starting from the analysis of the perception of undergraduates in the field of Natural Sciences, sought to verify how they understand the lack of vision as a limiting factor for the understanding of physical phenomena by congenitally blind individuals. This study had as target audience fifty three undergraduate students of degree courses, being nineteen students in Biological Sciences, twenty-three students in Physics and eleven students in Chemistry, from two public universities in the state of São Paulo. The choice of the sample prioritized undergraduate students in the process of completing the course, considering that they have already had teaching experience, either in the stage of disciplines in initiating programs to teaching or as regular teachers. For the analysis of the matter we sought to methodological foundations based on premises mixed, combining quantitative methodology techniques with qualitative analysis procedures. The data were analyzed in a complementary way by the analysis method of Descending Hierarchical Classification and content analysis techniques. The answers showed that the students investigated, in their great majority, consider it possible that a congenitally blind person may understand physical phenomena, with the aid of the environment and the use of support resources to assist him.

Keywords : congenital blindness, teacher training, Natural Sciences, Physics, scholar inclusion.

## Introdução

Um indivíduo cego de nascimento poderia vir a compreender conceitos e fenômenos físicos? Essa questão abre espaço para discussões diversas e a intenção da pesquisa não é esgotar o assunto. O objetivo é o de conhecer o posicionamento de licenciandos na área de Ciências da Natureza no intuito de contribuir para a desmistificação de certas concepções sobre a aprendizagem de fenômenos científicos por indivíduos cegos.

Além disso, cabe salientar que o atendimento das diferentes necessidades educacionais de alunos com e sem deficiências consolida-se como um dos mais importantes desafios da atividade docente. A busca por uma didática inclusiva é um desafio que precisa superar os tradicionais modelos pedagógicos, consolidando a implantação de uma educação para todos. É preciso que, tanto professores atuantes no ensino regular como aqueles que estão em processo de formação, superem concepções pré-estabelecidas de que a deficiência é um fator limitante e impeditivo no processo de ensino-aprendizagem. De forma complementar, ainda é importante destacar que um dos maiores desafios da educação inclusiva é o de ensinar conceitos e fenômenos naturais e científicos para alunos com deficiência visual. Estudos na área (CAMARGO, 2012a, 2012b, 2011, 2010, 2008; CAMARGO, NARDI, VERASZTO, 2008; CAMARGO et. al. , 2009) corroboram com essa afirmação. Assim, faz-se necessário que professores desenvolvam habilidades para conceber, criar e aplicar diferentes procedimentos didáticos e metodológicos que, de fato, garantam a inclusão do aluno com necessidade especial. É preciso que, tanto

professores atuantes no ensino regular, como aqueles que estão em processo de formação superem concepções pré-estabelecidas de que a deficiência é um fator limitante e impeditivo no processo de ensino-aprendizagem (CAMARGO et. al. , 2009). Nesse sentido, atender alunos com diferentes necessidades especiais aumenta o desafio docente. Por um lado, propostas educacionais inclusivas têm sido desenvolvidas de forma eficiente, mas por outro o sistema educacional brasileiro ainda carece de profundas alterações, tanto em relação à infraestrutura adequada, quanto aos aspectos atitudinais de professores e gestores que precisam aprender a lidar com ambientes inclusivos. Assim, esse artigo foi concebido visando desenvolver um trabalho voltado para a percepção de professores em formação nas áreas de ciências da natureza. A intenção é pesquisa a percepção acerca do processo de conceitualização em ciências em indivíduos cegos congênitos.

## Objetivo e justificativa da pesquisa

Este trabalho busca analisar as concepções de professores em formação da área de ciências da natureza (física, química e biologia) acerca da ausência da visão se configurar como impeditivo para que cegos congênitos venham a conhecer (e compreender) fenômenos físicos. Contudo, faz-se necessário explicar o termo cegueira congênita . Assim, de acordo com o decreto 5.296 (BRASIL, 2004) são considerados deficientes visuais duas categorias de pessoas: os cegos e os que possuem baixa visão. Cego é aquele cuja acuidade visual, no melhor olho, e com a melhor correção óptica, é menor que 20/400 (0,05), ou seja, essa pessoa vê a 20m de distância aquilo que uma pessoa de visão comum veria à 400m. Desta maneira, o entendimento de cegueira como ausência de visão, não é explicitado legalmente. Pessoas com acuidade visual menor que a citada são consideradas cegas mesmo que sejam capazes de ver vultos ou alguma imagem; é considerado com baixa visão todo indivíduo cuja acuidade visual, no melhor olho, e com a melhor correção óptica, é menor que 20/70 (0,3) e maior que 20/400 (0,05). Ou ainda, os casos onde a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60 o ; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores (CAMARGO, 2012a). Por outro lado, Vigotski (1997) aponta que a cegueira não é apenas a falta da visão ou o defeito de um órgão singular, mas também uma característica que provoca reestruturação profunda de todo o organismo e da personalidade do indivíduo que a possui. A cegueira, ao criar uma configuração da personalidade, origina forças inexistentes nos indivíduos, modifica funções do organismo, reestruturando e formando de maneira criativa e orgânica as características psicológicas do homem. Assim, sem adentrar na discussão sobre qual abordagem epistemológica seria mais próxima da realidade (a do vidente ou a do não vidente), o trabalho é fundamentado em aspectos que se amparam na ideia de que a inclusão é o caminho mais aceitável para que as diferenças possam vir a se complementar no processo de ensino-aprendizagem.

## Fundamentos teóricos: compreendendo o termo fenômeno

Considerando que o trabalho aborda a compreensão de fenômenos físicos por cegos congênitos, também é necessário esclarecer como o termo fenômeno é aqui entendido. Assim, tomando como partida o ponto de vista do filósofo Immanuel Kant (2009), os fenômenos constituem o mundo experimentado, ao contrário do mundo como existe independentemente das experiências dos indivíduos. Segundo

Kant (2009), os seres humanos não podem saber da essência das coisas em si. Eles podem saber apenas das coisas segundo esquemas mentais que permitem apreender a experiência. Nessa linha de pensamento, a redução fenomenológica é o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência, em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. Desta maneira, segundo Galeffi (2000), a palavra fenômeno, do grego phainómenon , significa aquilo que aparece. Essa palavra deriva do verbo grego phainomenai : que significa aparecer. Portanto, o que aparece é aquilo que se mostra à luz, o brilhante ( phaino ). Entretanto, apesar do termo fenômeno designar aquilo que aparece, também é usado preferencialmente para designar o próprio aparecer. Desta forma, com uso ambíguo, a palavra fenômeno favorece equívocos, pois o próprio aparecer torna-se objeto de investigação. Isso significa que

o próprio sujeito do conhecimento é investigado na sua estrutura de comportamento, em virtude da correlação essencial entre o seu aparecer e o que aparece. Trata-se, no caso, de uma relação interdependente entre o aparecer e o que aparece, entre o sujeito do conhecimento e o mundo conhecido, entre a consciência que conhece e o mundo ou objeto que aparece ou se mostra cognoscível. Nesse sentido, a palavra 'fenômeno' é para a fenomenologia algo que compreende, simultaneamente, tanto o aparecer quanto aquilo que aparece: a relação indissociável entre o sujeito e o mundo, a consciência e seus objetos (GALEFFI, 2000)

Por outro lado, Lopes (1994) afirma que a partir do século XX avanços científicos ocorreram sem que pesquisadores tivessem contato direto com os fenômenos. Assim, a relação do observador mediatizada pelo instrumento deixou de existir. Nessa perspectiva, Lopes aponta Bachelard como um dos principais nomes na reconstrução do termo fenômeno através da construção da categoria fenomenotécnica sintonizada com a concepção de fenômenos da ciência contemporânea. Para Bachelard, o fenômeno deve ser considerado como sendo um tecido de relações, pois é construído a partir de métodos múltiplos, pois a ciência instrumentada é transcendente à ciência da observação natural (aquela para qual os sentidos são intermediários do conhecimento). Dessa forma, o fenômeno científico é uma construção instrumental e ao mesmo tempo teórica. Para Masini (1994), fenômenos não são coisas, mas acontecem no campo do que o sujeito faz parte. Assim, sujeito e fenômenos são, juntos, um sistema.

## Metodologia

A pesquisa contou com um público de 53 alunos de graduação de cursos de licenciaturas da área de Ciências da Natureza, sendo 19 alunos de Ciências Biológicas, 23 alunos de Física e 11 alunos de Química. Todos, alunos de duas universidades públicas do interior do Estado de São Paulo. A amostragem priorizou alunos de licenciaturas em vias de concluir o curso, considerando que os mesmos já tenham tido experiência docente, seja nas disciplinas de estágio, em programas de iniciação à docência ou como professores regulares. Para a análise dos dados recorreu-se a uma abordagem mista, adotando técnicas quantitativas e qualitativas. Nesta perspectiva, assume-se que a análise de aspectos qualitativos e quantitativos do objeto de estudo não são contraditórias, mas sim complementares, pois juntas, trazem entendimentos melhores elaborados sobre o referido objeto.

## O instrumento de pesquisa

- O trabalho selecionou um conceito específico da Física, apresentando-o na forma de questionário para alunos de licenciaturas em cursos de Física, Química e Ciências Biológicas. As questões do instrumento de pesquisa foram elaboradas a partir do referencial teórico de Leontiev (1988) que

se mentalmente excluirmos a função das cores, a imagem da realidade em nossa consciência adquirirá a palidez de uma fotografia branca e preta. [...] Todavia, uma pessoa cega pode tornar-se cientista e criar uma nova teoria, mais perfeita, sobre a natureza da luz, embora a experiência sensível que ela possa ter da luz seja tão pequena quanto aquela que uma pessoa comum tem da velocidade da luz (LEONTIEV, 1988, p.13)

Essas considerações motivaram a elaborar o instrumento de pesquisa. Todavia, de forma específica, este artigo busca tratar somente da seguinte questão: A visão não constitui requisito para o conhecimento de alguns (ou muitos) fenômenos físicos (e de outras naturezas). Você concorda ou não com a afirmação apresentada? Explique . Esta escolha analítica sintetiza de forma completa parte dos resultados obtidos na pesquisa maior, financiada pela FAPESP e mencionada anteriormente. Outras etapas da investigação e da análise foram submetidas e apresentadas em dois trabalhos adicionais no mesmo evento. Tal procedimento justifica-se em função da dimensão permitida para a elaboração dos artigos e por considerar que cada artigo fecha conclusões de ciclos investigativos interdependentes, concisos e objetivos.

## Métodos de análise de dados

Partindo das respostas transcritas, o material foi analisado e classificado até a obtenção das categorias a partir de duas etapas distintas

- a) Primeira etapa: análise estatística textual: As respostas dos alunos foram transcritas, organizadas e importadas pelo software IRAMUTEQ que gerou relatórios e análises. Correspondente ao número de respostas, o software analisou 53 textos, que foram subdivididos pelo mesmo em 87 segmentos de textos, contendo 2797 ocorrências (total de palavras).
- b) Segunda etapa: análise de conteúdo: Para complementar a análise estatística, foram empreendidas técnicas de Análise de Conteúdo. Todo o material reunido passou por um processo de análise e classificação de dados até a obtenção das variáveis (BARDIN, 1991).

## Análise dos dados

As respostas dos alunos indicaram, na sua grande maioria, que os futuros professores consideram que um indivíduo pode conhecer fenômenos físicos mesmo tendo nascido cego. Partindo das respostas apresentadas, uma análise de frequência simples foi desenvolvida (Tabela 1).

Tabela 1: Possibilidades de um cego congênito vir a ser um cientista: frequência das respostas.

Para a criação das categorias, inicialmente foi adotado o método de análise de Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e escolhido o módulo Simple Sur Textes , que realizou a análise considerando os textos sem dividi-los. Esta análise é recomendada para respostas curtas. Através da CHD, o software dividiu o corpus em 7 clusters (classes ou categorias), em um tempo de análise de 7 segundos. Os critérios para inclusão dos elementos em suas respectivas classes são a frequência (f) maior que a média de ocorrências no corpus e também a associação com a classe determinada pelo valor de qui-quadrado ( Χ 2 ) igual ou superior a 3,841, tendo em vista que o cálculo para este teste é definido segundo grau de liberdade 1 e significância 95% (LEVIN, FOX, 2004). O resultado a análise da CHD pode ser verificado na figura 1.

Figura 1: Dendograma obtido pelo método CHD: clusters da análise

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Assim, a análise estatística permitiu a categorização inicial das respostas, que estão sintetizadas na tabela 2. Essa tabela mostra a definição de cada cluster e o percentual que cada categoria representa no corpus do texto analisado.

Tabela 2: Categorias de análise.

Cabe salientar que os percentuais apresentados na Tabela 2 são provenientes da análise estatística. Os mesmos foram calculados pelo software Iramuteq, mostrando a carga fatorial que cada agrupamento representa no montante de corpus analisado. Além disso, a leitura das respostas sinalizou um elemento não identificado na análise estatística. Assim, a partir de Análise de Conteúdo, a categorização foi completada pela categoria presente na Tabela 3.

Tabela 3: Categorias adicionais da análise de conteúdo.

Em relação à frequência das respostas, cabe salientar que a análise de conteúdo identificou as mesmas categorias anteriormente descritas e os percentuais foram: Papel da sociedade (ou mediação social) (não apareceram registros); Depende (8,7%); Capacidade (26,1%); Recursos de apoio (8,7%); Cognição e Percepção (13%); Impossibilidade (4,3%); Modificações e adaptações do meio (17,4%); Compensação por outros sentidos (17,4%). Além disso, é possível apontar que, mesmo tendo valores distintos dos encontrados pela análise CHD, as categorias foram as mesmas encontradas em duas análises distintas.

## Considerações finais

A partir dos resultados é possível verificar que existe a noção clara de que os alunos investigados aliam capacidades individuais de indivíduos cegos congênitos com o auxílio do meio e do auxílio de recursos de apoio para a eficiência do processo de ensino e aprendizagem dessas pessoas. Assim, consideram possível que um indivíduo cego congênito venha a conhecer fenômenos físicos. Essa ideia é amparada nas colocações de Camargo (2012b) quando este sinaliza que a construção do conhecimento sobre determinado fenômeno é dada pela observação orientada pela interpretação subjetiva. E essa interpretação é sempre amparada em dado referencial teórico. Assim, em termos de representação mental, o conhecimento tem bases em imagens internas que vem à tona quando o sujeito pensa. Desta forma, quando um conhecimento é veiculado, seja pela palavra oral, escrita, gestual, etc, aquele que recebe a informação a interpreta a partir de seus próprios conhecimentos. Nesse processo, o interpretante faz vir à tona um conjunto de imagens que representam para si o conhecimento veiculado. Sendo assim, a compreensão de fenômenos físicos é possível para indivíduos cegos congênitos considerando a forma como processos comunicacionais são estabelecidos entre o mesmo e os sujeitos do seu entorno. Nesse contexto, o processo de comunicação acontece primeiro na codificação da informação pelo emissor, e na posterior descodificação da mesma pelo receptor. Portanto, a comunicação de determinada informação se dá na medida em que emissor e receptor compartilham informações. Esse compartilhamento sempre depende do conhecimento do código por meio do qual a informação é veiculada e as condições de acessibilidade ao mesmo. Desta forma, diante de certos fenômenos ou conceitos físicos, cegos e videntes muitas vezes estão em pé de igualdade em processos subjetivos de interpretação e entendimento.

## Referências

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