INVESTIGANDO UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM ASTRONOMIA: O DESENVOLVIMENTO DE PRÁTICAS REFLEXIVAS DE PROFESSORES VOLTADAS À OBSERVAÇÃO DO CÉU
Fabiana Andrade De Oliveira. Rodolfo Langhi
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2016
- Data
- 04/09/2016
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2016
Texto completo
## INVESTIGANDO UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM ASTRONOMIA: O DESENVOLVIMENTO DE PRÁTICAS REFLEXIVAS DE PROFESSORES VOLTADAS À OBSERVAÇÃO DO CÉU
## INVESTIGATING A TEACHER'S COURSE IN ASTRONOMY: THE REFLECTIVE TEACHER PRACTICES FOCUSED IN THE SKY OBSERVATION
## Fabiana Andrade de Oliveira , Rodolfo Langhi 1 2
## Resumo
A presença de dificuldades associadas ao ensino de astronomia nas escolas, a falta de contato de professores com essa ciência durante a formação inicial e a necessidade de formar indivíduos cientes acerca do céu noturno nos motivaram a propor um curso de formação continuada com ênfase na observação do céu. Este trabalho envolve o estudo de um curso de formação continuada em astronomia com relação ao desenvolvimento profissional reflexivo de professores. Com efeito, os movimentos realizados em prol de um diálogo entre teoria e prática se deram a partir do trabalho colaborativo entre os professores e pesquisadora, sendo o processo reflexivo sustentado sob três aspectos: uma situação prática desses professores, reflexões em coletivo e apresentação de pesquisas acadêmicas sobre ensino de astronomia. Os dados foram constituídos a partir de um questionário e grupos focais realizados em dois encontros com os professores. Apoiando-se metodologicamente na Análise de Conteúdo, os resultados apontam para indícios da contribuição do curso com relação ao desenvolvimento de práticas reflexivas. A partir dos momentos dedicados à discussão coletiva por meio de grupos focais, os professores desenvolveram práticas reflexivas que lhes permitiram analisar e propor possíveis soluções para uma situação de conflito vivenciada na prática. Dessa forma, encontramos que as condições de reflexão em coletivo mostraram-se efetivas ao permitir que situações reais de ensino fossem discutidas e estudadas entre os pares, possibilitando também o envolvimento dos professores nas decisões com relação ao curso.
Palavras-chave : educação em astronomia; formação continuada; observação do céu; Análise de Conteúdo
## Abstract
There are some difficulties associated with astronomy education which refers to a lack of teacher's education on the subject and the necessity to teach students about the night sky, motivated us to propose a continuing education course with emphasis on observation of the sky. So this forwarded to a teacher's course with focus in this context. This work involves the study of a teachers education course in
astronomy through a reflective professional development. Indeed, this work was looking for a dialogue between theory and practice from the collaborative work between teachers, researcher and the reflective process. It was sustained under three aspects: a practical situation of these teachers, reflections on collective and presentations of papers about astronomy education. Data were recorded from a questionnaire and focus groups conducted in two meetings with the teachers. Methodologically it was used Content Analysis in the interpretation of data which the results demonstrated a contribution in the development of reflective practice. From the moment devoted to collective discussion through focus groups, teachers developed reflective practices that allowed them to analyze and propose possible solutions to a conflict experienced in practice. Therefore, we find that the reflection conditions in collective allows discuss and study real teaching situations together and also enabling the involvement of teachers in decisions about the course.
Keywords : astronomy education; continuing teacher's education; observation of the sky; Content analysis.
## Discutindo o ensino de Astronomia na formação docente
O ensino de astronomia está distante do cenário escolar devido a uma série de fatores, dentre eles, os cursos de licenciaturas quase não oferecem disciplinas específicas em astronomia e, quando oferecem, geralmente são disciplinas optativas ou facultativas (BRETONES, 1999) e (LANGHI, 2012). Conforme pesquisas, nota-se a presença de conceitos espontâneos de astronomia em professores, tais conceitos podem ser oriundos da trajetória formativa inicial, ou seja, na infância enquanto alunos e equivocadamente reelaborados ao consultar livros didáticos que apresentam erros conceituais ((CANALLE et al. ,1997), (LANGHI, 2011)).
Conforme Gatti (2008), uma das razões para realizar cursos de formação continuada no Brasil provém da constatação de que os cursos de formação inicial não fornecem a formação necessária aos futuros professores. Nesse contexto, ações de formação continuada em astronomia surgem enquanto uma possibilidade para atenuar as lacunas formativas dos professores. Consequentemente, nota-se que ações de formação continuada em astronomia priorizam um viés conteudista, sendo voltados à consolidação de saberes disciplinares dos professores. Por outro lado, Iachel (2013) destaca que as ações de formação em astronomia quando possuem um formato exclusivamente conteudista não conseguem promover mudanças efetivas no trabalho docente.
No que se refere à formação de professores, as preocupações centram-se no que se espera da escola e de seu ensino frente às novas demandas sociais (IMBERNÓN, 2010). Assim, ações de formação continuada tornam-se mais significativa quando aliada aos interesses dos professores, representando algo que vai ao encontro de sua realidade e de suas expectativas (IMBERNÓN, 2010). Em outras palavras, o engajamento do docente está relacionado àquilo que julga como pertinente ao seu trabalho. A formação coletiva, transpondo o isolamento da sala de aula, permite ao professor olhar indeterminações de seu ofício em diferentes perspectivas.
Dessa forma, subjaz enquanto possibilidade uma ação de formação continuada a favor de um desenvolvimento profissional reflexivo e em sintonia com os pressupostos de Zeichner (1993) e Imbernón (2010). O conceito de professor
reflexivo envolve a compreensão de situações recorrentes em sala de aula, por meio de um espaço colaborativo entre os pares. A reflexão, aqui pretendida, não é um atributo dos professores, tampouco é uma técnica a ser ensinada. Assim, é necessário em programas de formação continuada condições que permitam práticas profissionais reflexivas, cujas ações não partam de cima para baixo, desconectadas da realidade cultural e institucional dos professores e tornando o professor agente de seu próprio desenvolvimento profissional
Conforme indica Pimenta (2002), há de se considerar o papel da teoria na reflexão e que práticas reflexivas ocorrem necessariamente em coletivo. Destarte, entende-se que o saber docente não é composto apenas da prática do professor, sendo também nutrido pelas teorias da educação, o que permite distanciamento crítico do professor, relativizando teoria e prática, por meio de um processo reflexivo que lhe confere condições de deliberar sobre o processo ensino e aprendizagem de seus alunos e das condições sociais que influenciam em seu ensino. Conforme esta autora, 'assim, a teoria como cultura objetivada é importante na formação docente, uma vez que, além de seu poder formativo, dota os sujeitos de pontos de vistas variados para uma ação contextualizada' (PIMENTA, 2002, p.26).
Diante do exposto, este trabalho consiste em um estudo sobre o desenvolvimento de práticas reflexivas de professores do Ensino Médio, tendo como mote a astronomia observacional, durante encontros de formação continuada sob um modelo formativo que visou superar uma abordagem exclusivamente conteudista (LANGHI, 2012).
Portanto, a partir deste contexto teórico, entendemos que o curso a priori buscou subsidiar conceitualmente os professores e, concomitantemente, criou condições de práticas reflexivas ao longo das discussões. Assim, as condições de exercício desenroladas partiram de três pilares: problematização das práticas dos professores, a formação em coletivo e as produções acadêmicas da área que conceberam saberes teóricos orientadores ao longo dos encontros.
## Encaminhamentos metodológicos
A pesquisa sucedeu a partir de uma parceria entre a Diretoria de Ensino da Região de Bauru e o Observatório Didático de Astronomia "Lionel José Andriatto' (Unesp/Bauru), sendo todos os professores de Ensino Médio convidados a participar do curso de Astronomia. O grupo de análise foi composto por professores de Ensino Médio com graduações nas áreas: Física, Biologia, História, Geografia e Letras.
Esta investigação é de natureza qualitativa FLICK, 2004), cujos métodos de ( constituição dos dados deram atenção às impressões dos professores acerca do processo desenvolvido ao longo dos encontros realizados, em um contexto cujo encaminhamento estava sob a influência de aspectos sociais, não passíveis de previsão. O estudo desenvolveu-se conforme um estudo de caso (LUDKE e ANDRÉ, 1986), tendo como pano de fundo as seguintes características:
- a) Estudo exploratório: essa fase envolveu o estudo bibliográfico de produções acadêmicas sobre o ensino de astronomia, além de leituras sobre a fundamentação teórica e metodológica. Pode-se afirmar que os encontros foram exploratórios à medida que estes ocorriam, pois eles não foram planejados de forma engessada, sendo remanejados sistematicamente conforme aconteciam as discussões sobre os estudos de pesquisas em educação em astronomia e se
apresentavam as necessidades dos professores participantes ao longo do curso. Portanto, à medida que os sete encontros se desenrolavam, foram sistematicamente registradas todas as impressões, discursos, atividades e reações dos professores participantes, por meio de questionários, entrevistas coletivas e grupos focais (GATTI, 2012), sem a escolha imediata de quais dados especificamente a pesquisadora escolheria.
- b) A delimitação do estudo: houve sete encontros presenciais no período noturno, das 19 h às 23 h, em um total de 28 horas, os quais contaram com aulas expositivas e orais de tópicos e conteúdos em astronomia, oficinas e atividades práticas, simulação do céu noturno no software gratuito Stellarium, elaboração de materiais didáticos, discussões, grupos focais.
- c) A análise sistemática e a elaboração do relatório: essa fase seguiu os procedimentos da Análise de Conteúdo (BARDIN, 2009) dos dados constituídos a partir das respostas dos questionários e de dois encontros em que ocorreram os grupos focais.
- A seleção de indicadores que correspondessem aos propósitos dessa pesquisa, se deu a partir das respostas dos professores ao questionário inicial e transcrições das falas durante o grupo focal. Extraímos unidades de registro que indicassem elementos em comum no texto e que estivessem de acordo com o objetivo. A partir de uma intensa leitura do material, pode-se observar que surgiram índices conforme surgiam alguns temas em comum nas falas dos professores.
## Análise e discussão dos resultados
Os trechos transcritos foram extraídos dos vídeos gravados durante os encontros e sendo especificados os intervalos de tempo em que aparecem. O anonimato dos professores foi respeitado e codificamos as suas falas. Dessa forma, baseando-se no tema do curso 'Observação do Céu', propusemos as categorias para análise: necessidades formativas dos professores, situações de conflito na prática e a reflexão coletiva. Salientamos que, devido ao espaço limitado deste texto, apresentamos neste trabalho uma parcela dos resultados obtidos.
Necessidades formativas: esta categoria visou traçar o perfil dos professores, bem como aspectos que julgam relevantes ao ensinar e que deveriam ser incluídos no curso.
Ao longo da conversa inicial, os professores em nenhum momento explicitaram uma atitude de avaliação crítica com relação às fontes de consulta e estudo em astronomia. O professor C, por exemplo, apontou que tinha dificuldades quanto às fontes de consulta em seus estudos.
Pesquisadora: Na sala de aula, supondo que você não trabalha com a OBA. O professor de Geografia tem que abordar astronomia, então qual é o recurso utilizado por vocês?
Professor B : Principalmente o livro didático.
Professor C: Só, voltar um pouquinho nos materiais aí. Um pouco assim, nesse curso, eu até assim, pensei nisso. Entendeu? Talvez eu vá e encontre, dicas de vídeo [...]. Ou pedaços de filme, ou materiais
Professor J: Indicação de vídeo.
Professor C: Para quem não conhece, nunca utilizou, assim... Não sei, você poderia [..] no google materiais para aula de astronomia.
Analisando a fala dos professores C e J, o curso deveria contemplar a discussão sobre fontes para estudo de astronomia. Entretanto, em nenhum momento dessa discussão, não foi explícito uma preocupação quanto aos resultados de pesquisas sobre análise de livros didáticos. Dessa forma, entendemos que era relevante a abordagem, por exemplo, sobre as figuras estereotipadas presentes em livros didáticos ou em sites, as definições incompletas ou equivocadas, erros conceituais em imagens e textos, dentre outros.
Assim, solicitamos aos professores que levassem os seus livros didáticos e outras fontes de consulta para que realizassem análises em um de uns nossos encontros posteriores, quando eles tivessem atingido um maior desenvolvimento de sua atitude crítico-reflexiva, bem como um lastro mais ampliado dos saberes disciplinares sobre astronomia (TARDIF, 2007). Isso consistiu em uma forma de estabelecer uma relação entre o que os professores se instrumentalizam e os resultados de pesquisas sobre o conteúdo de astronomia em livros didáticos, visando atingir o que Zeichner (1993) questiona, a saber, as teorias produzidas nas universidades, por vezes, são dissociadas da realidade do professor.
Figura 1: Elementos que subsidiam o professor em seus futuros estudos (fonte: autora).
Professores afirmam que gostariam de um curso que fornecesse fontes confiáveis para consulta; desconhecem pesquisas que analisam livros didáticos.
Necessidade de abordar os resultados de pesquisa na área por meio de uma discussão sobre erros comumente encontrados em livros e outras fontes de estudo.
Professores realizam análises críticas dos próprios materiais didáticos.
Na direção do desenvolvimento de práticas críticoreflexivas, proporcionando segurança em abordar astronomia.
Situação e conflito na prática: No primeiro encontro buscou-se problematizar a prática destes professores, a fim de obter elementos significantes a partir de uma realidade concreta e que sustentasse a reflexão.
A professora F relatou uma situação de conflito vivenciada em sua prática. Segundo a professora, sempre há problemas quando solicita aos seus alunos realizarem atividade de observação da Lua. Consideramos que a situação oriunda da experiência dessa professora, merecia destaque, uma vez que permitia que outros professores também refletissem sobre essa questão. De fato, conforme Pimenta (2002), não podemos entender a prática reflexiva de forma individual, pois o conceito de professor reflexivo demanda espaço para a discussão coletiva, tempo e pesquisa da prática. Como, normalmente, tais condições de trabalho não são contempladas no contexto escolar, encontramos nos encontros desse curso a possiblidade de uma prática reflexiva por parte dos professores. O trecho abaixo ilustra parte desse momento de reflexão coletiva relacionado à situação de conflito mencionada pela professora F.
Professora F: Outra dificuldade [é] uma situação de aprendizagem que o aluno tem, ele precisa observar, aí é assim: Turminha, estamos na lua, então começa hoje a observar,
vocês tem uma semana para observar, desenha e anota horário. Na semana seguinte: turminha ainda estamos na lua, não esquece de desenhar anotar horário. Na semana seguinte, acabou a lua: Alguém anotou? Ai sai correndo e olhando: Não
Pesquisadora: Mas por que será que eles não têm interesse em olhar?
Professora F : Uma meia dúzia ali tem, mas eu acho assim, que eles esquecem, que a noite tem outros afazeres, tem celular, internet, computador, que eles acabam esquecendo (...). Então nessa situação eu tenho dificuldade. Conclusão: eu não consigo fechar.
A reflexão em coletivo A figura a seguir demonstra o processo reflexivo entre os professores, em que debatem para encontrar a razão pela qual os alunos da professora F não realizaram a atividade de observação da Lua, permitindo o surgimento de diferentes pontos de vista, assim como a necessidade de propor uma estratégia de ensino no que se refere à motivação dos alunos quanto à prática de observação. Assim, a discussão em coletivo subjaz enquanto possibilidade de um processo dialógico que permite aos professores uma visão menos individual, transcendendo os limites isolados da sala de aula. Assim, conforme Imbernón (2009), procuramos por um clima de colaboração, respeito aos professores e às suas opiniões, permitindo a participação dos professores no processo de elaboração da sua própria formação.
Figura 2: Esquema da reflexão em coletivo sobre a situação de conflito vivenciado pela professora F (fonte: autora).
<!-- image -->
O estudo em coletivo permitiu a troca de experiência entre os professores de áreas diferentes, no sentindo de compreender o conteúdo que estava sendo abordado e também sobre as possibilidades de abordá-lo em sala de aula. Para os professores, a reflexão em conjunto sobre a situação de aprendizagem, a qual a professora F não conseguia desenvolver com seus alunos, foi significativa.
Dessa forma, no encontro que abordarmos a Lua e suas fases apresentamos as principais concepções sobre este tópico, a saber: a Lua aparece durante o dia, não existem apenas quatro fases da Lua, a Lua cheia não é a melhor para se observar o céu e dentre outras. Mediante o uso do software Stellarium, discutiu-se as mudanças na porção iluminada da Lua e as informações as quais a situação de aprendizagem solicitava aos alunos. Assim, demonstrou-se para a professora outra estratégia para desenvolver esta atividade e, também, uma tentativa de despertar em seus alunos a cultura de observar o céu, motivando-os para que então realizem a atividade proposta no material didático.
Assim, inferimos a partir desta situação vivenciada por uma professora, que ao realizar atividades de observação, é preciso uma sensibilização anterior aos alunos, haja vista que não há uma preocupação por parte dos mesmos em observar o céu, tampouco condições de realizá-la sozinhos sem uma preparação prévia. Assim, os planejamentos destas atividades supõem considerar aspectos que interferem diretamente em seu desenvolvimento e que serão vivenciados na prática pelo professor: não há uma cultura de observação do céu por parte dos alunos (nem mesmo de professores), conhecerem antecipadamente a poluição luminosa da cidade e as condições climáticas do céu.
Destaca-se que, devido às dificuldades quantos aos saberes disciplinares para realizar atividades voltadas à observação do céu, a professora F sentia-se insegura, acarretando no distanciamento ou não cumprimento das atividades vinculadas à observação do céu noturno propostas no material didático. O curso, nesse sentido, foi ao encontro de uma situação da prática específica desta professora, questionando o material didático que ela utilizava, propondo a abordagem de novas alternativas, as quais foram sugeridas pelos professores e pela pesquisadora após os momentos de reflexões coletivas, como a História da Astronomia, a poluição luminosa, o uso do Stellarium e por meio de resultados de pesquisa, refletindo-se sobre tais estratégias.
Assim, esta situação da prática foi desenvolvida seguindo os três pilares propostos para o desenvolvimento de práticas reflexivas pretendido no curso:
- · Problema da prática: Os alunos não observam a Lua;
- · Reflexão em coletivo: aponta para a motivação dos alunos;
- · Produções teóricas: Concepções espontâneas e uso de TICs no ensino por meio do Stellarium.
## Considerações
Os resultados apontam para o interesse premente dos professores desse curso quanto à necessidade de conteúdos de astronomia, sugestões de atividades práticas para o ensino e de fontes seguras para consulta. Os grupos focais potencializaram a condução das discussões para um viés que primou pela reflexão coletiva, não apenas e exclusivamente conteudista. As práticas reflexivas desenvolvidas pela maioria dos professores do curso proporcionaram-lhes a competência de analisar
criticamente seus próprios materiais didáticos usados em suas escolas, sendo capazes de identificar erros conceituais referentes a alguns dos conteúdos de astronomia observacional abordados ao longo dos encontros. Assim, o desenvolvimento de práticas reflexivas atribuiu aos professores a capacidade de se autocriticarem com fundamentação teórica da área e em resultados de pesquisas, uma vez que foram capazes de identificarem necessidades de mudanças em sua atuação docente: que seria preciso ganhar a atenção dos alunos para atividades de observação do céu, ter condições favoráveis para a realização de atividades nas escolas e optar por metodologias de ensino alternativas.
- O tema astronomia observacional representou um fio condutor para discussões e reflexões em coletivo para uma abordagem que contemplassem a formação dos sujeitos, e as relações construídas pelos professores sobre as estratégias e metodologias abordadas nos encontros com o contexto da sala de aula, demonstraram que os professores relativizaram as discussões com a sua prática em sala de aula. Os professores foram atuantes em seu processo formativo e desenvolvimento profissional, estabelecendo um diálogo entre o contexto real e as aulas de conceitos de astronomia as quais foram fundamentadas em produções acadêmicas.
## Referências
BARDIN, L. Análise de Conteúdo . 4ed. rev. Atual. Lisboa: Edições 70, 2009.
BRETONES, P. S . Disciplinas introdutórias e Astronomia nos cursos superiores do Brasil . 1999. 187 f. Dissertação (Mestrado em Geociências) - Instituto de Geociências, UNICAMP, Campinas.
CANALLE, J. B. G. et al. Análise do conteúdo de Astronomia de livros de geografia de 1º grau. Caderno Catarinense de Ensino de Física , v. 14, n. 3, p. 254- 263, 1997
FLICK, Uwe . Introdução à pesquisa qualitativa . Porto Alegre: Artmode, 2009.
GATTI, B. A. Análise das políticas públicas para formação continuada no Brasil, na última década . Revista Brasileira de Educação , v.13, n.3, 2008
GATTI, B.A . Grupo focal na pesquisa em Ciências sociais e humanas . Brasília: Liber livro, 2012. (Série Pesquisa, v.10)
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social . 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
IMBERNÓN, F. Formação continuada de professores . Porto Alegre: Artmed, 2010.
IACHEL, G. Os caminhos da formação de professores e da pesquisa em ensino de Astronomia , 2013. 201 f. Tese (Doutorado em Educação para Ciência ) -Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Bauru, 2013.
LANGHI, R.; NARDI, R. Educação em Astronomia : Repensando a formação de professores São . Paulo: Escrituras, 2012.
LANGHI, R. Educação em Astronomia: da revisão bibliográfica sobre concepções alternativas à necessidade de uma ação nacional. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v.28, n.2, p. 373-399, 2011.
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional . Petrópolis: Vozes, 2007.
PIMENTA, S.G. O professor reflexivo construindo uma crítica. PIMENTA, S. G.; GHEDIN, E. (Orgs.). : Professor reflexivo no Brasi l: gênese e crítica de um conceito. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002, p.1752.
ZEICHNER, K. M. A Formação Reflexiva de Professores , Idéias e Práticas. EDUCA, Lisboa, 1993.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.