RITA: A PERCEPÇÃO DE ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO SOBRE O ROCK EM PROJETOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA ESCOLA
Emerson Ferreira Gomes, Luís Paulo De Carvalho Piassi
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2016
- Data
- 04/09/2016
- Linha de pesquisa
- Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## RITA: A PERCEPÇÃO DE ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO SOBRE O ROCK EM PROJETOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA ESCOLA
## RITA: THE PERCEPTION OF HIGHER EDUCATION STUDENTS ABOUT THE USE OF ROCK IN A SCIENCE POPULARIZATION PROJECT IN ELEMENTARY SCHOOLS
## Emerson Ferreira Gomes 1 , Luís Paulo de Carvalho Piassi 2
1
IFSP- Câmpus Boituva/emersonfg@ifsp.edu.br USP/Escola de Artes, Ciências e Humanidades/lppiassi@usp.br
2
## Resumo
A presença da tecnociência como tema de produtos culturais e artísticos vem sido debatida em alguns trabalhos da área de Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente. Neste trabalho, buscamos contribuir nessa interface, analisando o uso de canções do rock na investigação sobre temas CTSA, realizados numa situação de ensino por um projeto interdisciplinar. Esse projeto, denominado R.I.T.A. (Rock n' Roll na Investigação da Tecnociência para Adolescentes), foi formado por pesquisadores e estudantes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Nesse projeto, estudantes do ensino fundamental, de uma escola da rede municipal de São Paulo, em período contrário ao de seu estudo, eram apresentados a temas relacionados à exploração espacial e seu contexto tecnocientífico. O uso do rock justificou-se pelo fato de temas sobre exploração espacial aparecerem no trabalho de diversos artistas desse gênero musical, permitindo reflexões em nível conceitual, epistemológico e sociopolítico sobre a ciência, a tecnologia e suas relações com a sociedade e o ambiente. Para a aplicação das atividades foram articulados os referenciais socioculturais de Georges Snyders, Lev Vigotski e Paulo Freire. Nesta pesquisa, analisamos a recepção de estudantes de graduação sobre o uso da canção em projetos de divulgação científica na escola, utilizando como técnica o grupo focal. Para análise das manifestações dos estudantes, utilizamos referenciais semiodiscursivos, articulando a análise de discurso de Bakhtin com a semiótica de Greimas. Verificamos que o rock permitiu, num processo de ensino informal, aspectos de divulgação científica e uma reflexão crítica acerca da relação da tecnologia com a sociedade, a partir de relato dos graduandos participantes do projeto.
Palavras-chave : Divulgação Científica; Educação Não-Formal; Rock
## Abstract
The presence of techno-science as the theme of cultural and artistic products has been discussed in some works of science area, Technology, Society and Environment. In this paper, we seek to contribute to this interface, analyzing the use of rock songs in research on Science, Technology, Society and Environment themes, performed in a teaching situation for projects. This interdisciplinary project, called R.I.T.A. (Rock n 'Roll in Research Technoscience for Teens), was formed by researchers and students from the School of Arts, Sciences and Humanities of the University of São Paulo. In this project, students from an elementary school, from the
city of São Paulo, in contrast to the period of their study, were presented on issues relating to space exploration and its techno-scientific context. The rock of the use was justified by the fact that themes of space exploration appear in the work of several artists of this musical genre, allowing reflection on the conceptual level, epistemological and sociopolitical on science, technology and their relationship with society and the environment. For the implementation of these activities were articulated sociocultural references of Georges Snyders, Lev Vygotsky and Paulo Freire. In this research, we analyze the reception of undergraduate students on the use of the song in popular science projects at school, using as technique, the focus group. For analysis of the manifestations of students use semiodiscursives references, articulating Bakhtin's discourse analysis with Greimas semiotics found that the rock has, in a formal education process, science communication aspects and critical reflection on the relationship of technology with society.
Keywords : Science Communication; Non-Formal Education; Rock
## Introdução
O uso da canção no ensino de ciências vem sendo debatido por alguns autores acerca das possibilidades desse produto cultural como: uma ferramenta interdisciplinar para cursos de formação continuada (SILVEIRA e KIOURANIS, 2008); uma forma de refletir historicamente sobre a relação entre arte e ciência (MOREIRA e MASSARINI, 2006); e um instrumento estimulador de aprendizagem (FRAKNOI, 2007).
Nesta pesquisa, analisamos a recepção de estudantes de graduação sobre o uso da canção em projetos de divulgação científica na escola, utilizando o grupo focal como técnica de coleta de dados. Para análise das manifestações dos estudantes utilizamos referenciais semiodiscursivos, articulando a análise de discurso de Bakhtin com a semiótica de Greimas
## Grupos Focais, Análise de Discurso e Semiótica
O grupo focal é uma técnica de pesquisa qualitativa a partir de interações em grupos. Nesse grupo, discute-se um tópico sugerido pelo mediador. Conforme Gondim (2003, p. 151), essa metodologia 'ocupa uma posição intermediária entre a observação participante e as entrevistas em profundidade'.
A análise de discurso, conforme nos aponta Maingueneau (2008, pág. 153), é uma prática interdisciplinar que integra a 'natureza da linguagem e da comunicação humana' com a sua 'dimensão cognitiva', inscrita em atividades sociais. Nesse sentido social do discurso, podemos refletir sobre as condições em que ele foi produzido. Além das condições de produção e da dimensão social do texto, a Análise de Discurso possibilita investigar o aspecto ideológico do texto, o que nos leva a Bakhtin, que verifica no discurso um significado ideológico além do texto (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2006, p. 31).
A semiótica estruturalista de Greimas possibilita a análise do plano do conteúdo das letras das canções, apontando o que tal autor denomina como 'isotopia do discurso' (1976, p. 117), que garante a homogeneidade do discurso enunciado, suprimindo suas ambiguidades (GREIMAS e COURTÉS, 2008, p. 248). Essa teoria volta-se para a estrutura interna do texto e relaciona-se com a estrutura
textual da narrativa, sendo vinculada ao 'percurso gerativo do sentido no texto', que pode ser definido em 'três níveis: fundamental, narrativo e discursivo' (FIORIN, 2009, p. 20). O primeiro nível está relacionado à caracterização do sujeito, identificando o objeto de valor e o antissujeito. O segundo nível carateriza-se pela análise da estrutura narrativa e o terceiro nível está vinculado ao processo em que o discurso é produzido, analisando a figurativização, a espacialidade e a temporalidade do mesmo.
## O projeto RITA e suas atividades de divulgação científica a escola numa perspectiva sociocultural
A possibilidade de aplicação da pesquisa em projeto de divulgação científica, na escola, surgiu em atividades de contraturno, numa escola municipal de ensino fundamental na região da zona leste em São Paulo. Temos identificado que propostas para ampliação da jornada escolar têm ganhado espaço nas pesquisas educação (CASTRO; LOPES, 2011). Nesse aspecto, propostas de divulgação científica como feiras de ciências, iniciações científicas e mostras culturais apresentam-se como possibilidades de popularização da ciência nas escolas. O projeto Rock na Investigação da Tecnociência para Adolescentes (RITA), cujo título homenageia a artista Rita Lee, era formado por estudantes de graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Esses graduandos eram responsáveis pela execução desse projeto na escola.
Entendendo que essa intervenção na escola possuía um caráter sociocultural, nos valemos: da hipótese freireana de que 'o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que, ao ser educado, também educa' (FREIRE, 2013, p. 96) buscando temas geradores tanto na concepção de atividades junto aos graduandos, quanto nas aplicações com os estudantes do ensino fundamental; na perspectiva de satisfação cultural, de Snyders (1988), abordando, assim, especificamente a cultura jovem e o papel dos produtos e das práticas culturais cotidianas na cultura primeira. Nesse sentido, era preciso refletir como a canção permitira esse processo, ampliando reflexões e acesso à ciência e, também, estabelecendo conexões com a 'cultura elaborada' (SNYDERS, 1988, p. 46) de modo que essa satisfação cultural rompa a efemeridade. A essas noções, acrescemos a teoria sociocultural de Vigotski (2001), especialmente no que se refere ao conceito de 'zona de desenvolvimento imediato', cujo ponto principal é o processo de colaboração entre os pares, que implica em um processo de aprendizagem em que a criança revela-se 'mais forte e mais forte do que trabalhando sozinha (VIGOTSKI, 2001, p. 329).
Para tais aplicações, partimos da concepção freireana de problematização inicial, que 'visa à ligação desse conteúdo com situações reais que os alunos conhecem e presenciam' (DELIZOICOV; ANGOTTI, 1990, p. 38) e, a partir da contextualização das canções, por meio de leitura, escuta e contextualização da obra do artista, é construído o contexto de exploração do espaço. Em seguida, as atividades previam uma organização do conhecimento, em que se buscou aprofundar mais as reflexões, por meio de outros produtos culturais como vídeos e experimentos. A última etapa do processo era a aplicação do conhecimento, em que os estudantes produziam, a partir da orientação dos graduandos, produtos e narrativas relacionadas aos saberes.
Nessas atividades, o foco de nossa pesquisa era relacionado não apenas ao processo de ensino-aprendizagem desses estudantes, mas principalmente à recepção e satisfação dos graduandos em aplicar essas atividades. Para isto, os graduandos concebiam um diário de bordo, em que registravam suas impressões acerca das atividades aplicadas por seus pares. Ao final dos semestres, foram estrutura dos grupos focais (GONDIM, 2003), em que os graduandos relatavam suas percepções acerca das atividades com o RITA.
No caso do RITA, no 1º semestre de 2015, a turma era formada por aproximadamente 20 estudantes e, em seguida, a segunda turma teria aproximadamente 10 estudantes. Identificamos, no decorrer desse semestre, que essa mudança prejudicou a frequência dos estudantes. Devido a essa constatação, no 2º semestre de 2015, os estudantes da escola tinham a liberdade de escolher um único grupo para participar, sendo assim, no segundo semestre foram 9 encontros com esses estudantes, contando com a participação de 12 estudantes. A preparação e a elaboração dos materiais a serem utilizados nos encontros foram realizadas pelos graduandos e pela coordenação do grupo. Os encontros para tal tarefa aconteciam na semana anterior ao encontro com os estudantes. Sendo assim, o grupo possuía um intervalo de uma semana para preparar as atividades. As atividades planejadas encontram-se na tabela a seguir:
Tabela 1: Atividades planejadas pelo RITA
## O grupo focal e sua análise
Para avaliar o impacto que a participação no grupo proporcionou à formação dos graduandos, realizamos dois grupos focais . O primeiro foi realizado em 6 de 1 julho de 2015, contando com a presença 7 graduandos. O segundo, no dia 1 de dezembro de 2015, com a participação de 11 graduandos. O perfil desses graduandos, todos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) está na tabela a seguir:
Tabela 2: Membros do grupo RITA
Em nosso primeiro grupo focal, discutimos as atividades realizadas no 1º semestre de 2016. Observou-se no discurso desses graduandos que o principal motivo de participarem do grupo foi a possibilidade de utilizarem o rock em atividades de educação em ciências. Parte desses graduandos haviam participado do curso de formação continuada, sobre o uso do rock no ensino de ciências, em janeiro de 2016 - A1, V e O, sendo que esses dois últimos eram bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) - outros outros receberam o convite para voluntariar-se no projeto enquanto cursavam a disciplina 'Ciências da Natureza' do ciclo básico da EACH - B, C e J - e uma graduanda - G1 - voluntariou-se após conhecer as atividades do grupo. É válido ressaltar que, excetuando-se V e O, que tinham experiência em projetos de divulgação científica, os integrantes do grupo focal afirmaram que não haviam tido nenhuma experiência prévia em sala de aula. Os graduandos ainda discorreram sobre o processo de interação com os estudantes do ensino fundamental.
Mediador: E falando dessa questão de interação, como que foi a questão de vocês com a interação com os adolescentes e entre vocês nas aplicações?
- J: Achei que os mais novinhos falavam mais. Eles se envolviam mais do que a outra turma. A segunda turma era mais velhinha né? O pessoal tinha mais a mesma idade ali, não era?
- V: Eu achei legal o fato de; é bem legal quando você pergunta e eles respondem e você pode trabalhar em cima das respostas deles; eu só achei um pouco mais complicado quando eles faziam uma pergunta e eu não sabia responder, eu ficava meio sem jeito de falar: 'Ah, não sei! ', sabe, é que você é uma figura que tá ali e você tem, você não tem que saber tudo, mas pra eles você é uma figura que tem que sabe tudo, então é meio complicado falar 'não sei disso'. Então é aquilo que a J falou, de ter mais gente, achei bem legal porque fica interdisciplinar, porque não tem gente só de ciências, e achei legal, também, assim, na hora da gente planejar a aula ficou diferente, e ter alguém, dava mais confiança. Mas assim, no geral acho que foi legal a interação.
- G1: Até mesmo na questão das músicas né, por exemplo teve uma música que eu não consegui desenvolver muito bem e aí vocês interviram e ficou bem legal, gostei bastante, ficou mais dinâmico e eu não me senti sozinha e nem insegura nem com tanto medo de, sei lá.
- J: Parece que fica mais rico né, porque você já tá falando aí já vem a outra pessoa e complementa seu raciocino e traz uma ideia legal. E parece que é algo interessante pra eles também né.
Mediador: E teve uma ocorrência no início do segundo grupo? Lembram?
V: É, teve um aluno que falou que rock era muito chato né. E eu perguntei pra ele na última aula e ele disse que ia começar a escutar mais rock agora. Pois ele gostou das nossas atividades.
G1: Foi meio que nesse dia que eu pensei: Nossa, quero continuar nessa área! Eu quero estudar a educação e tudo mais!
Observa-se nesses relatos, a importância das interações graduandoestudantes e graduando-graduando. Nesse sentido, quando um graduando tinha alguma dúvida quanto ao tema da aplicação, havia a colaboração dos outros integrantes do grupo. Percebemos com isso uma articulação das teorias de Vigotski -em que a colaboração entre pares torna o sujeito mais 'forte e inteligente' (VIGOTSKI, 2001, p. 329) - e de Snyders - quando afirma que o grupo dá segurança e um sentimento de força comum à juventude (SNYDERS, 1988, p. 26).
Verifica-se ainda que a graduanda G1 manifesta-se euforicamente quanto ao desempenho do estudante, que, em princípio, não gostava de rock, mas se interessou pelas atividades do grupo, de modo a despertar interesse por esse estilo musical. Neste caso, a euforia não se deu apenas por conta dos interesses culturais do estudante, mas principalmente devido à participação efetiva desse estudante nas atividades do grupo.
A respeito de suas formações, os estudantes de bacharelado mostraram-se receptivos às propostas do grupo e que as mesmas permitiram aplicar aspectos de suas áreas que só haviam sido vistos na teoria. Era o caso das graduandas de Gestão de Políticas Públicas, que foram convidadas a analisar a estrutura da escola e do projeto Mais Educação. Para o graduando em Gestão Ambiental, por sua vez, o trabalho interdisciplinar do grupo permitiu o acesso à pesquisa acadêmica . Já os licenciados, foi observado em seus discursos, um discurso eufórico quanto às possibilidades de entrarem em contato com a escola, lecionando, divulgando a ciência e enfrentando as dificuldades que os professores enfrentam em seu cotidiano.
Sobre a possibilidade desses estudantes realizarem aplicações com essas canções quando fossem lecionar, assim que concluíssem a graduação, verificou-se uma consonância discursiva. Todos afirmaram que utilizariam essas atividades quando exercerem a docência. O uso das mesmas é justificado pelos resultados obtidos até o momento. É válido ressaltar que o RITA se tratava de um projeto não formal de divulgação científica e ensino na escola, evidentemente na carreira docente desses graduandos, o uso da canção ocorreria em atividades pontuais durante o ano letivo, como bem apontou a graduanda O, que teria aproximadamente 5 canções em seu plano de ensino anual.
Para o 2º semestre de 2015, tivemos o ingresso de novos voluntários no grupo, sendo: 1 graduanda de Licenciatura em Ciências da Natureza (R) e 1 graduando em Matemática (G2), que utilizariam as atividades do grupo para seus projetos na disciplina 'Ciências da Natureza'; 2 graduadas de Licenciatura em Ciências da Natureza (A2 e G3) que iriam aproveitar as atividades do grupo para o estágio de observação da escola na disciplina 'Orientações de Estágio Obrigatório 1', em que deveriam participar de algum projeto em escola.
Nesse grupo focal, realizado em 1º de dezembro de 2015, direcionamos os diálogos iniciais a esses novos integrantes do grupo, perguntando o motivo de se interessarem pelas atividades do RITA. No discurso desses estudantes, verificou-se que o motivo principal de participar das atividades do RITA era a possibilidade do
uso do rock na educação em ciências. No caso das graduandas A2 e G3 houve também o interesse devido ao relato de um integrante do grupo a respeito das atividades realizadas na escola. Foram debatidas ainda, as suas expectativas desses integrantes quanto às aplicações no RITA:
G3: Esperava que o pessoal ia gostar, que ia ser uma coisa que ia chamar a atenção e que seria uma coisa nova. E realmente foi. Uma coisa que eu achei meio ruim era quando não havia participação dos alunos: de perguntarem alguma coisa e eles não responderem, ou demorarem muito tempo ou não querer responder mesmo. Mas aí no último encontro que eu fui eu percebi que já teve mais participação e eles não nos decepcionaram, porque depois eu vi que eles realmente participaram.
A2: Eu achei interessante, pois desconfiava que os alunos saberiam bem menos dos assuntos de ciências que a gente tratou, e no final eles sabiam mais, eles eram interessados, eles pareciam querer saber sobre o conteúdo, mesmo quando eles não participavam, eles eram bem atentos. O que encontro que eu achei mais legal foi o do 'Mistério do Planeta', que foi o que eu achei que eles mais se divertiram; e eles andaram, correram, e foram atrás dos mistérios lá, tanto que um dos alunos falou que estava se divertindo, que fazia tempo que ele não se divertia assim. Acho que pelo fato deles serem adolescentes, não fazem mais essas brincadeiras, mas acho que eles ainda sentem um pouco de falta disso, então que foi legal pra eles se mexerem mais.
O antissujeito da narrativa pessoal desses graduandos é a indiferença dos estudantes ou a baixa frequência em algum dia de curso. Novamente, verifica-se que os momentos em que encontraram receptividade e alegria por parte dos estudantes durante as atividades são destacados euforicamente no discurso desses graduandos.
Sobre a abrangência de temas que as canções permitiram no processo de divulgação científica, os graduando relataram 'a importância de buscar a inserção de temas transversais aos conceitos científicos ', especialmente sobre o ' papel histórico e social da ciência ', evidenciando a necessidade de 'discutir temas ambientais na escola' e apontando de ordem histórica-epistemológica no processo de se ' antecipar os problemas ambientais '. Essas observações foram importantes para o uso aspectos dos estudos de Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente em nossa pesquisa, de modo a apontar as conexões entre os aspectos conceituais, epistemológicos e sociopolíticos na investigação das letras, para que depois fosse realizada a transposição desses saberes nas atividades do grupo. Ainda nessa perspectiva de transposição dos saberes, buscou-se realizar atividades lúdicas nos últimos encontros desse semestre, principalmente para que houvesse um processo de interação mais evidente. Eles importante a presença de recursos lúdicos no processo de ensino-aprendizagem junto às canções. Tendo em vista que foram os momentos em que eles observaram uma alegria mútua entre os graduandos e estudantes, no momento da execução das atividades.
Além disso, vale destacar que o objetivo do projeto era de divulgar a ciência na escola, buscando evidenciar aspectos de satisfação cultural dos estudantes, contudo, mais do que isso, permitiu evidenciar aspectos dessa satisfação entre os graduandos que aplicaram as atividades. Nesse sentido, esse ambiente - em que as culturas primeiras dos graduandos e estudantes aspiraram a temas da cultura elaborada - permitiu interações em que houvesse aprendizagem nas interações graduando-estudantes e graduandos-graduandos. O que permitiria, inclusive, a adoção dessas práticas em seus futuros cotidianos escolares.
## Considerações Finais
Nossos resultados indicaram que, apesar das atividades de educação na escola de ensino fundamental serem apoiadas em um projeto de educação não formal e de divulgação científica, os graduandos atuaram no sentido de ensino e não de divulgação das ciências. Quando eles se referiam aos receptores da pesquisa, denominavam-os de 'alunos' e não de 'público'. Apesar de terem evitado o uso da palavra 'aula' durante os encontros, em diversos momentos em suas respostas e relatos, os graduandos denominavam nossas atividades como 'aulas' e não como 'atividades de divulgação científica'. Acreditamos que a explicação para o fato está no próprio espaço em que foram desenvolvidas as atividades: a escola. Isso se deve ao fato de que qualquer atividade que seja realizada dentro do espaço escolar fatalmente será classificada como 'aula' e como 'educação formal'.
Apesar de nossas intervenções na escola serem oficialmente em projeto de contraturno ao período em que os estudantes estavam matriculados, o espaço que os graduandos utilizavam para aplicar o projeto era o da sala de aula. Nesse sentido, ficou ainda mais difícil estabelecer o caráter de não-formal e de divulgação científica. Assim sendo, a alternativa encontrada pelos graduandos foi a de articular as atividades de leitura das canções com experiências lúdicas e jogos. A colaboração entre esses futuros educadores aliada à receptividade dos estudantes permitiram que nossas pesquisas tangenciassem a divulgação científica e evidenciassem aspectos de satisfação cultural em ambos os níveis.
## Referências
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CASTRO, A; LOPES, R. E. A escola de tempo integral: desafios e possibilidades In: Ensaio : aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 19, n. 71, p. 259-282, abr./jun. 2011
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A. P. Metodologia do ensino de ciências . São Paulo: Cortez, 1990.
FIORIN, J. L. Elementos de Análise de Discurso . São Paulo: Contexto, 2009.
FRAKNOI, A. The Music of the Spheres in Education: Using Astronomically Inspired Music. In: Astronomy Education Review , vol. 5, p. 139-153, nov. 2007.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2013
GREIMAS, A. J . Semântica estrutural . São Paulo: Cultrix, Edusp, 1976a.
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SNYDERS, G. A Alegria na Escola. São Paulo: Ed. Manole, 1988.
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A escola pode ensinar as alegrias da música? São Paulo: Cortez, 2008.
SILVEIRA, M.P; KIOURANIS, N.M.N. A Música e o Ensino de Química. In: Química nova na escola , São Paulo, n. 28, p. 28-31, maio 2008.
VIGOTSKI. L. S. A Construção do Pensamento e da Linguagem. São Paulo. Editora Martins Fontes. 2001.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.