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CONTEXTO OU PRETEXTO: UMA ANÁLISE DO PAPEL DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA NAS PROVAS DO ENEM

Winston Gomes Schmiedecke, Ana Paula Bispo Da Silva

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVI
Ano
2016
Data
04/09/2016
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CONTEXTO OU PRETEXTO: UMA ANÁLISE DO PAPEL DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA NAS PROVAS DO ENEM

## CONTEXT OR PRETEXT: AN ANALYSIS OF HISTORY OF SCIENCE'S ROLE ON ENEM TESTS

## Winston Gomes Schmiedecke 1 , Ana Paula Bispo da Silva 2

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Departamento de Ciências e Matemática, winston.fisica@gmail.com

2 Universidade Estadual da Paraíba/Departamento de Física, anabispouepb@gmail.com

## Resumo

A presença da História da Ciência nas aulas de Física - na Escola Básica e, por consequência, nos cursos de formação de professores - é há tempos defendida no meio acadêmico e recomendada pelos principais documentos que regem o ensino de ciências no Brasil. Todavia, muitas são as dificuldades inerentes à efetivação da História da Ciência enquanto aliada dos professores de Física em suas aulas, os quais atribuem especial destaque para a ausência de uma cobrança formal da mesma nas questões que compõe os principais vestibulares do país. Nesse contexto, pela importância adquirida ao longo dos últimos anos, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) apresenta-se como merecedor de um olhar ainda mais atento e crítico. Tomando como ponto de partida as provas do chamado 'Novo ENEM', este trabalho apresenta as principais características das raras questões de Física identificadas como contemplando a presença da História da Ciência em sua formulação. Os resultados preliminares indicam a superficialidade com a qual essa inserção é concretizada, uma vez que as personalidades, fatos e períodos históricos destacados não promovem qualquer tipo de discussão ou reflexão a ser efetivamente levada em consideração na resolução das questões. A História da Ciência desempenharia um papel meramente alegórico e inócuo na formulação dessas questões, servindo de pretexto para uma contextualização que, de fato, prescindiria de uma suposta abordagem histórica. Contudo, uma leitura meticulosa da Matriz de Referência do ENEM permitiu-nos identificar uma habilidade que, a princípio, poderia ser explorada com o intuito de proporcionar elaborações de questões verdadeiramente comprometidas com os atuais propósitos de inserção da História da Ciência na educação científica. Para isso, alguns ajustes deveriam ser efetuados na redação da aludida habilidade, de modo a conferir-lhe coerência em relação aos principais critérios historiográficos contemporâneos.

Palavras-chave : História da Ciência - historiografia contemporânea da ciência - ENEM - matriz de referência

## Abstract

History of Science in Physics classes - and in teacher training courses - has long been advocated in academic literature and recommended by the main official documents on Science Teaching in Brazil. However, there are many difficulties inherent in the execution of the history of science as an ally of physics teachers in their classes. Physics teachers argue that the absence of History of Science in

official exams and tests is one of the reasons that discourage its implementation in their classes. This point of view emphasizes that the official exams, as the High Scholl National Exam (ENEM), are used as parameters to the school curriculum and Physics classes. Therefore, if the official exam ENEM asked for knowledge about History of Science in its issues, teachers would be stimulated to include this in their classes. Taking as a starting point the so-called "New ENEM", this paper presents the main features of the rare physical issues identified that contemplate the presence of the History of Science in its formulation. Preliminary results indicate the superficiality with which this integration is achieved, since the personalities, events and prominent historical periods do not promote any kind of discussion or reflection to be effectively taken into account in resolving the issues. The History of Science play a purely allegorical and innocuous role in formulating these issues, serving as a pretext for a context that, in fact, would forgo a supposed historical approach. However, a careful reading of ENEM Reference Matrix allowed us to identify a skill that, in principle, could be exploited in order to provide issues truly committed to the current purposes of the History of Science in Science Education. For this, some adjustments should be made in writing of the aforementioned skill, so as to give it consistency in relation to major contemporary historiographical criteria.

Keywords : History of Science - contemporary historiography of science ENEM - reference matrix

## Introdução

As recomendações para a inserção da História da Ciência (HC) nas aulas de Física têm presença cativa nos diversos documentos oficiais que regem o Ensino no Brasil, principalmente naqueles elaborados nas duas últimas décadas.

Por exemplo, as Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCN+) enfatizam a importância de se oferecer aos alunos efetivas condições para que possam 'compreender a construção do conhecimento físico como um processo histórico , em estreita relação com as condições sociais, políticas e econômicas de uma determinada época' (BRASIL, 2002, p.14. Grifo nosso).

Assim sendo, a HC viabilizaria a interlocução da ciência a ser desenvolvida nas salas de aula da Educação Básica com o cotidiano dos alunos, ao agregar a dimensão cultural aos respectivos conteúdos teóricos desenvolvidos. Nesse sentido, as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCEM) reforçam que

os conteúdos ensinados na escola constituem um novo saber, deslocado de sua origem. Um tratamento didático apropriado é a utilização da história e da ÞlosoÞa da ciência para contextualizar o problema, sua origem e as tentativas de solução que levaram à proposição de modelos teóricos, a Þm de que o aluno tenha noção de que houve um caminho percorrido para se chegar a esse saber (BRASIL, 2006, p. 50.Grifo nosso).

Como forma de valorização da HC nesse processo, seria de se esperar que as provas dos principais vestibulares nacionais apresentassem sistematicamente questões voltadas à verificação da capacidade de seus candidatos no tocante à articulação dos conhecimentos de ciência com os conhecimentos sobre ciência inerentes aos respectivos conteúdos programáticos cobrados.

Contudo, no caso particular da Física - e tendo como referência a opinião de professores e licenciandos -, essa realidade parece ainda não estar suficientemente delineada, fato sinalizado por alguns trabalhos da área de Ensino de Física que apontam para o ceticismo dos professores de Física em relação à valorização da HC nas provas vestibulares.

Martins (2007), por exemplo, destaca a influência dos vestibulares no direcionamento dos conteúdos trabalhados no Ensino Médio, enfatizando que '[o]s livros e os vestibulares representam, há muito tempo, protótipos para os currículos de Física nas escolas de nível médio' (MARTINS, 2007, p. 122). Como os vestibulares não valorizam a HC na composição das questões de Física, o trabalho com a HC nas salas de aula seria, portanto, facultativo.

De forma complementar, Schmiedecke (2016) traz a opinião de licenciandos em Física sobre aqueles que seriam obstáculos contumazes para a inserção da HC em suas ações docentes. Como resultado, há a constatação de que

o fato de a HC não ser formalmente cobrada nos vestibulares segue para os licenciandos como uma forma de enfraquecer sua valorização, que concorre com as dificuldades encontradas pelos professores nos momentos em que solicitam aos seus alunos a leitura dos textos que dão suporte às discussões implementadas em aula (SCHMIEDECKE, 2016, p. 127).

Como parte do caminho a ser trilhado com o objetivo de justificar a presença da HC nas avaliações de larga escala abarcando o Ensino de Ciências praticado na Educação Básica - caso do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) -, faz-se necessária a identificação da vertente historiográfica mais adequada aos propósitos de educação científica que subjaz tais prescrições.

Todavia, dadas as peculiaridades que caracterizam a HC enquanto ramo do conhecimento a ser estudado, não é de se estranhar que as discussões abarcando o histórico e os critérios básicos da historiografia da ciência não sejam frequentes no processo de formação dos professores de Física. Afinal, conforme já declarou uma notória historiadora da ciência de formação,

não basta juntar História e Ciência para que o resultado final provavelmente seja História da Ciência [...] a História da Ciência, que se desenvolveu no interior da Ciência, sempre esteve mais próxima da Filosofia (Lógica, Epistemologia, Filosofia da Linguagem) do que da História. (ALFONSOGOLDFARB, 1994, p. 8)

Desse modo, faz-se necessária a escolha de uma linha historiográfica que esteja em sintonia com as prescrições presentes nos documentos oficiais, a partir do diálogo com os trabalhos de pesquisadores atuantes na interface entre o Ensino de Ciências e a História da Ciência.

Este trabalho advoga em favor da utilização da historiografia contemporânea da ciência , explorada, por exemplo, por Baldinato e Porto (2008), Forato et. al. (2011) e Schmiedecke (2016). Em linhas gerais, essa linha historiográfica está comprometida com: a análise pontual de estudos de caso; a valorização das controvérsias, dos aspectos socioculturais e das particularidades das diversas fontes utilizadas na formulação das teorias científicas; a contextualização das ideias no recorte temporal em que foram propostas; e o reconhecimento da importância de outras tradições intelectuais no desenvolvimento da ciência.

Retomando a temática 'provas vestibulares', decidimos verificar se procede a aludida ausência de questões valorizando de forma efetiva a presença da HC no

processo de compreensão e resolução dos conteúdos da Física. Para tanto, procedemos a leitura sistemática de todas questões das denominadas Ciências da Natureza (CN) - Biologia, Física e Química - do ENEM.

No caso, elegemos como início o ano de 2010, quando o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pela elaboração e aplicação do ENEM, altera os critérios de elaboração e revisão das questões e o Governo Federal estabelece como um dos objetivos da avaliação a seleção para o Ensino Superior ('Novo ENEM'). A partir desse ano, constata-se a 1 utilização gradual do ENEM como única forma de seleção para a imensa maioria das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

Portanto, em consonância com o que declarou Martins (2007), o que se percebe desde então é que os conteúdos e a forma de estruturação e abordagem promovidas pelas questões do ENEM passam a influenciar, direta ou indiretamente, a constituição dos currículos dos cursos de Ensino Médio das redes pública e particular de ensino do país.

Esse foi o pano de fundo utilizado neste trabalho para a identificação de como a HC estaria (ou não) presente nas questões do ENEM, visando promover sua inserção em sintonia com o que recomenda os documentos oficiais e os acadêmicos que investigam essa aproximação.

## A Física e a História da Ciência nas provas do ENEM

O período escolhido para a seleção e análise das questões (2010 a 2015) ofereceu-nos doze (12) provas, visto que o Inep aplica a versão regular do ENEM tradicionalmente no final do mês de outubro de cada ano e, também, realiza (em dezembro) a aplicação do chamado 'ENEM dos presídios', uma prova com as mesmas características da versão regular, mas direcionada para Pessoas Privadas de Liberdade (encarceradas nas unidades prisionais e de internação de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas), dando origem à versão denominada 'ENEM PPL'.

As 45 questões das Ciências da Natureza são, em tese, divididas proporcionalmente entre as três (3) subáreas que a compõe (Biologia, Física e Química). Portanto, espera-se que cada prova ofereça 15 questões abordando conteúdos programáticos específicos da física.

Os critérios utilizados pelo Inep para determinar os conteúdos programáticos ('objetos do conhecimento') considerados no processo de elaboração da prova bem como os eixos cognitivos a serem contemplados e, em especial, as competências de área e habilidades que se espera verificar dos avaliados por meio de cada uma das questões - constam em um documento denominado 'Matriz de Referência ENEM'. 2

Esse documento é constituído por 30 habilidades ('H's'), distribuídas em grupos de 3 ou 4 ao longo de 8 competências de área. Assim sendo, uma prova de

Ciências da Natureza do ENEM tem, no máximo, duas questões relacionadas a uma mesma habilidade, independentemente da subárea considerada.

Em um universo amostral de 180 questões (12 provas de 15 questões cada), efetuamos a leitura desse material utilizando com critério de seleção a presença de menções a nomes, fatos e/ou datas relacionados à observação ou à explicação de fenômenos naturais ('descobertas') no enunciado da questão.

Visando facilitar a leitura e a análise dos resultados obtidos, constituímos o Quadro 1 mostrado abaixo:

QUADRO 1 - Questões de Física do ENEM que fazem alusão à História da Ciência

As habilidades contempladas pelos itens presentes no Quadro 1 apresentam as seguintes redações:

- · H01 -Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
- · H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

A próxima seção oferece uma leitura a respeito desse quadro, acrescida de breves prescrições voltadas ao aprimoramento da forma pela qual a HC é (sub) aproveitada pelas questões de Física do ENEM.

## Resultados: constatações e alguns encaminhamentos possíveis

A presença de somente oito (sete, de fato) questões entre 180 possíveis denota ter fundamento a alegação dos professores de Física acerca da baixa presença da HC nas provas vestibulares.

A falta de conexão entre questionamento efetuado ('enunciado'), os dados e a problematização promovida ('texto-base') no que se refere aos aspectos históricos é evidente.

A impressão que fica é de prolixidade na redação dessas questões, construídas a partir de citações pontuais à HC. Ou seja, os aspectos históricos citados parecem servir somente como pretexto para a repaginação dos conhecidos 'exercícios de aplicação' que caracterizam um ensino de física baseado na exposição acrítica de conteúdos seguida da resolução das tradicionais listas de exercícios presentes em livros e materiais didáticos produzidos pelos sistemas de ensino.

Cabe destacar que os textos-base utilizam, em sua maioria, excertos adaptados de determinadas referências bibliográficas, não permitindo a verificação da abordagem originalmente realizada por seus respectivos autores. A releitura promovida oferece a sensação de que as personalidades históricas citadas servem unicamente para reforçar argumentos/discursos de autoridade a respeito dos fenômenos físicos descritos.

Um olhar mais atento aos comandos que norteiam as duas únicas habilidades contempladas pelas questões identificadas - 'reconhecer' (H01) e 'caracterizar' (H20) - evidencia uma baixa plausibilidade no sentido de propor e dar sustentação a problematizações passíveis de servem abordadas a partir de uma concreta interlocução com uma HC contemporânea.

Como forma de contornar essas limitações e fugir do lugar-comum, seria necessário buscar na Matriz de Referência do ENEM para as Ciências da Natureza uma habilidade que oferecesse possibilidades de, ao ser agregada à Física, a HC permitir uma efetiva reflexão sobre seus métodos, seu desenvolvimento, suas interpretações.

Para esse propósito, há uma habilidade que, a princípio, parece ser mais adequada. A H03 tem a seguinte redação:

'Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas'

Pertencente à competência de área 1, a H03 teria, a rigor, que nortear a construção de questões que permitissem verificar a capacidade de o avaliado 'compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade'.

Em termos historiográficos, há graves problemas presentes na redação da H03. Por exemplo, há um anacronismo intrínseco na intenção de se confrontar 'interpretações científicas' com 'interpretações do senso comum', principalmente considerando-as surgidas 'ao longo do tempo' ou, ainda, 'em diferentes culturas'.

- O respeito a diferentes contextos de época e culturais é a premissa básica para a análise e a compreensão da dinâmica da ciência. Tentar comparar ciência com senso comum em recortes temporais ou em culturas diferentes é uma ação ao fracasso.

Ao discorrer a respeito de abordagens anacrônicas em HC, o historiador da ciência Helge Kragh (1944 - ) faz a seguinte afirmação:

Em uma historiografia anacrônica o objeto de estudo da história da ciência é o mesmo da ciência. Fatos científicos e teorias são considerados como tendo uma permanente, quase transcendental existência mesmo em períodos em que ainda não eram reconhecidos (KRAGK, 1987, p. 91. Tradução nossa).

Ou seja, o que é considerado 'ciência' para uma comunidade em determinada época e local pode ser entendido como 'senso comum' sob o olhar presentista de um cientista da atualidade ou, ainda, para elementos de outras comunidades apartadas espacial e culturalmente da primeira.

Respeitando as limitações de espaço e extensão estabelecidas para este trabalho, abreviamos nossos comentários e reconhecemos o potencial da H03 no sentido de nortear a elaboração de questões aptas à promoção de aproximações profícuas e consistentes entre a HC e o Ensino de Física. Para tanto, sugerimos que a redação do texto da habilidade seja alterada.

Ao invés de impor a necessidade de se 'confrontar' as explicações mencionadas 'ao longo do tempo ou em culturas diferentes', consideramos que o mais adequado seria - tendo por base critérios da historiografia contemporânea da ciência - limitar tal confronto de interpretações a 'determinado contexto de época ou contexto cultural'. Ainda, uma vez que 'senso comum' está limitado pelos contextos espacial e cultural, torna-se também relevante que o 'confronto' fique restrito a um mesmo paradigma, para não ocasionar uma comparação de teorias . 4

Desse modo, seria possível que as questões do ENEM propusessem reflexões em torno, por exemplo, da importância dos fluidos (térmico, luminoso, elétrico etc.) na explicação de importantes fenômenos físicos ou, ainda, sobre os fatores culturais que levaram certos países asiáticos (Coreia e Japão, por exemplo) a experimentarem um acentuado desenvolvimento tecnocientífico nas últimas décadas.

## Considerações Finais

No ENEM há, ainda que raras, questões de Física referenciando-se a personalidades e fatos históricos. Todavia, as referências históricas citadas servem predominantemente para mascarar antiquadas e desgastadas abordagens, que em geral se prestam a reforçar argumentos/discursos de autoridade a respeito das personalidades mencionadas.

A principal habilidade (H03) da Matriz de Referências do ENEM que poderia dar sustentação a contextualizações favorecendo a presença de uma historiografia da ciência mais contemporânea - e alinhada com os atuais objetivos da educação científica - apresenta graves problemas em sua redação. Até por isso, verifica-se nas provas a ausência de questões de Física alinhadas com o que prevê a H03.

Com base em uma historiografia da ciência mais contemporânea, sugerimos adequações a serem promovidas na redação da referida habilidade, voltadas a oferecer-lhe maior conformidade com os ideais de uma educação verdadeiramente crítica e reflexiva, considerando o potencial do ENEM de gerar ponderações e redirecionamentos na forma como os objetos de conhecimento são abordados na Escola Básica.

## Referências

ALFONSO-GOLDFARB, A. M. O que é história da ciência? São Paulo: Brasiliense, 1994.

BALDINATO, J. O.; PORTO, P. A. Variações da história da ciência no ensino de ciências. In: Mortimer, E. F. (org.), Anais do VI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências . Belo Horizonte: ABRAPEC, 2008

BRASIL. PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais - ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEB, 2002.

BRASIL. Orientações curriculares para o ensino médio (Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias). Brasília: MEC/SEB, 2006. V. 2, 135 p.

FORATO, T. C. M. PIETROCOLA, M.; MARTINS, R. A. Historiografia e natureza da ciência na sala de aula. Caderno Brasileiro de Ensino de Física . Florianópolis. V. 28, n1, p. 27-59, abril de 2011.

KRAGH, H. An introduction to the historiography of Science. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

MARTINS, A. F. P. História e filosofia da ciência no ensino: há muitas pedras nesse caminho. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 24, n. 1, p. 112-131, 2007

OSTERMANN, F. A epistemologia de Kuhn. Caderno Catarinense de Ensino de Física . v. 13, n. 3,p. 184-196, 1996.

SCHMIEDECKE, W. G. A história da ciência nacional na formação e na prática de professores de física. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo. Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química e Instituto de Biociências. São Paulo, 2016.

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