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SELEÇÃO DE CONTEÚDOS DE FÍSICA EM CLASSES DE EJA: DISCURSOS DE LICENCIANDOS

Andréa Cristina Souza De Jesus, Roberto Nardi

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
30/10/2014
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## SELEÇÃO DE CONTEÚDOS DE FÍSICA EM CLASSES DE EJA: DISCURSOS DE LICENCIANDOS

## SELECTION OF PHYSICS CONTENTS AT YAE CLASSES: DISCOURSES OF FUTURE TEACHERS

## Andréa Cristina Souza de Jesus , Roberto Nardi 1 2

1

PPG em Educação para a Ciência/Faculdade de Ciências/UNESP-Bauru/ andreacsj@fc.unesp.br 2 Depto. de Educação/ Faculdade de Ciências/ UNESP-Bauru/ nardi@fc.unesp.br

## Resumo

Diante da necessidade de uma formação específica do professor que atua em classes de EJA (Educação de Jovens e Adultos), nossa pesquisa tem o objetivo de investigar quais as especificidades consideradas por futuros professores de Física ao prepararem e desenvolverem uma sequência didática para uma classe de jovens e adultos. A primeira etapa da pesquisa constituiu a aplicação de um questionário, que denominamos 'Questionário Exploratório'. O objetivo da utilização deste instrumento foi investigar o imaginário dos licenciandos sobre alguns temas relevantes ao pensarmos numa proposta didática para a EJA, dentre elas, a necessidade do professor dessa modalidade realizar uma seleção de conteúdos tendo em vista o perfil dos alunos e a carga horária do curso, que é bastante reduzida se comparada ao ensino regular. A partir das respostas dos licenciandos para a questão sobre como elaborariam um conteúdo programático, foi possível identificar ao menos dois importantes critérios presentes em seus imaginários sobre a seleção de conteúdos. O primeiro deles é a realização da seleção a partir de conteúdos conceituais e voltados para o cotidiano, esta consideração está de acordo com as discussões sobre as características e necessidades dos alunos jovens e adultos, e também vai ao encontro de diversas propostas de Ensino de Física. Já o segundo critério, pautado no vestibular, deve ser pensado com cuidado, tendo em vista os objetivos e necessidades dos estudantes em relação à escola. Os discursos também indicam dificuldades dos licenciandos em realizar a seleção de conteúdos a serem trabalhados ou em incluir temas contemporâneos no conteúdo programático.

Palavras-chave : Seleção de Conteúdos; Educação de Jovens e Adultos; Ensino de Física.

## Abstract

Given the need for specific training of the teacher who acts in youth and adult education classes (YAE), this research aims to investigate which specific considered for future physics teachers to prepare and develop a didactic sequence for a class of young people and adults. The first stage of the study consisted of a questionnaire, which we call "Exploratory Survey". The purpose of using this instrument was to investigate the imagination of undergraduates on some important to think about a didactic proposal for the EJA themes, among them the need of the teacher of this type of content filter in view of the profile of the students and the workload of the course, which is quite low compared to the mainstream education. From the answers

of undergraduates to the question how would draw up a syllabus, it was possible to identify at least two major criteria present in his imaginary about the selection of content. The first criterion is the achievement of the stated selection from conceptual and focused content for everyday, this consideration is in agreement with the discussions about the characteristics and needs of young students and adults, and also meets several proposals for teaching physics. The second criterion, based on the entrance exam, must be thought out carefully, keeping in mind the objectives and needs of students about the school. The speeches also indicate difficulties for undergraduates to conduct the selection of contents or to include contemporary topics in the syllabus.

Keywords : Selection of Contents; Youth and Adults Education; Physics Teaching.

## Introdução

Podemos entender o campo da Educação de Jovens e Adultos (EJA) como uma área que, apesar de possuir uma longa história no país, ainda não está consolidada. As tentativas de configurar especificidades para este campo se tornou uma das principais características da EJA, que tem sido vista como uma educação marcada por 'indefinições, voluntarismo, campanhas emergenciais, soluções conjunturais' (ARROYO, 2006, p. 20).

Para Arroyo (2006) é possível verificar tais indefinições em relação à formação de professores que lecionam nesse campo, pois muitos não possuem especialidade e o que se tem visto é a improvisação e sentimentos de boa vontade. Segundo o autor, os próprios professores afirmam que existe preconceito neste campo de trabalho, que é considerado como de "segunda linha".

Diversas pesquisas têm apontado a necessidade de uma formação específica do professor que atua na EJA. No entanto, essas pesquisas estão bastante voltadas para o professor de alfabetização e dos anos iniciais do ensino fundamental. São poucos os trabalhos que discutem a questão do professor de ensino médio que atua em classes de EJA. Concordamos com Vilanova e Martins (2008), ao afirmarem que o número de pesquisas referentes ao ensino de ciências para jovens e adultos ainda é muito escasso na literatura, além das discussões possuírem um caráter bastante incipiente; especialmente trabalhos voltados para o ensino de Física (LOPES, 2009).

Diante dessas considerações, nossa pesquisa tem o objetivo de investigar quais as especificidades consideradas por licenciandos de Física ao prepararem e desenvolverem em sala de aula uma sequência didática para uma classe de jovens e adultos. Neste trabalho, apresentamos a análise de uma questão pertencente a um questionário aplicado na primeira etapa da pesquisa. Através dessa questão buscamos investigar o imaginário dos licenciandos sobre os critérios que eles utilizariam para selecionar os conteúdos a serem abordados em sala de aula, e se tais critérios são adequados para a realidade da EJA. Essa discussão é importante para a modalidade, tendo em vista o perfil dos alunos e a carga horária do curso, que é bastante reduzida se comparada ao ensino regular. No entanto, entendemos

que a questão da seleção de conteúdos deve ser considerada em todos os níveis de ensino, se levarmos em conta alguns pressupostos, tais como:

- I) A compreensão de que os conhecimentos estão sempre em processo de reconstrução e desenvolvimento, tornando-se necessário uma constante atualização dos conteúdos abordados em sala de aula. A seleção se faz necessária para que os currículos não fiquem sobrecarregados;
- II) A extensa gama de conteúdos propostos pelos livros didáticos - que se tornou o principal controlador do currículo no Brasil e em outros países (GAYAN; GARCÍA, 1997 apud NÚÑEZ et al, 2003);
- III) E os diferentes contextos escolares vivenciados pelos docentes, onde é preciso considerar desde o número de aulas semanais até as características dos alunos e da escola onde atuam.

## Formação de Professores para atuar na EJA

De acordo com dados obtidos em 2011, através do site da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, cerca de 36% das escolas estaduais que oferecem o ensino médio possuíam a modalidade EJA presencial. Dessa forma, podemos concluir que nem todo professor de ensino médio irá atuar em classes de EJA. No entanto, partimos do pressuposto que as discussões sobre as especificidades da EJA na formação do professor poderão contribuir para uma formação mais integral (Ribeiro, 1999), já que promove reflexões sobre questões relevantes para outras modalidades de ensino, como é o caso da seleção de conteúdos a serem abordados pelo professor.

A partir dos resultados de uma pesquisa realizada com egressos do curso de Pedagogia com habilitação em EJA, Soares (2006) aponta que mesmo quando os egressos não atuaram nessa modalidade de ensino, eles admitem que sua formação possibilitou uma ampla visão da educação, relacionando-a com movimentos sociais e com lutas por uma sociedade melhor. Assim, para o autor, a reflexão do futuro professor sobre o campo da EJA proporcionou uma potencialização em sua formação profissional.

Segundo Ribeiro (1999) a falta de formação específica dos professores que atuam na EJA, pode resultar na utilização de uma transposição inadequada, realizada a partir do modelo de escola voltado para crianças e adolescentes. Nesse sentido, a autora propõe que seja constituído um corpo de saberes práticos e teóricos a partir da história trilhada pela área da EJA no país e das pesquisas já realizadas e que tais saberes possam contribuir para a formação de professores.

- O educador Paulo Freire também traz importantes contribuições para a formação de educadores de jovens e adultos. Destacamos a proposta de superação da contradição existente entre educadores e educandos, valorizando assim os saberes construídos por todos os sujeitos ao longo de suas vivências. O autor propõe que ambos se tornem sujeitos da construção do conhecimento, desta forma, o uso de argumentos de autoridade não são mais válidos nessa interação, que deve ocorrer através do diálogo que tem início a partir da escolha dos conteúdos programáticos (FREIRE, 1987).

## Sobre a Seleção de Conteúdos

De acordo com Souza e Freitas (2001), as escolas têm se preocupado mais com a metodologia utilizada para transmitir o conteúdo que em discutir e questionar os clássicos conteúdos abordados na escola. Contudo, mesmo com um currículo dado, os professores acabam introduzindo ou retirando conteúdos do programa, tais mudanças revelam suas 'visões de mundo, suas ideias, suas práticas, suas representações sociais e seus símbolos' (SOUZA; FREITAS, 2001, p.01).

Assim, a seleção de conteúdos a serem contemplados em sala de aula não é um processo neutro, pois sofre influências de diferentes interesses da sociedade na sua construção. Alguns autores apontam, por exemplo, a excessiva influência que o vestibular provoca na ação do professor ao realizar a seleção de conteúdos (ROSA; ROSA, 2005; SOUZA; FREITAS, 2001). No entanto, além da ênfase no vestibular direcionar para um ensino memorístico e descontextualizado, o ingresso no ensino superior, na maioria das vezes, não faz parte dos objetivos dos sujeitos que frequentam os cursos de EJA. Daí a importância de haver uma relação bastante dialógica entre educandos e educador, facilitando a elaboração de uma ação pedagógica que considere as aspirações, necessidades e dificuldades dos alunos.

Freire (1987) propõe que a escolha dos conteúdos se realize com os educandos, a partir das reflexões sobre diferentes situações vivenciadas eu seus cotidianos. Caso contrário, haveria um desrespeito pela visão do mundo particular de cada sujeito, como uma espécie de 'invasão cultural'. O conteúdo programático da educação não deve ser visto como uma doação, uma imposição ou um conjunto de informes a ser depositado nos educandos, mas sim como uma revolução organizada, sistematizada e acrescentada de elementos que fazem parte do povo (FREIRE, 1987). Nessa concepção, os educandos não recebem passivamente os conteúdos prescritos, mas participam da seleção através do diálogo com os educadores.

## A Pesquisa

A pesquisa foi desenvolvida com 17 alunos, de faixa etária entre 21 e 29 anos, de um curso de licenciatura em Física de uma universidade pública paulista. Buscamos investigar quais as especificidades consideradas por futuros professores de Física ao prepararem e desenvolverem uma sequência didática para sujeitos da modalidade EJA. As atividades foram planejadas ao longo da disciplina Estágio Supervisionado III, no qual um dos objetivos é elaborar uma sequência didática, a partir da realidade observada nas escolas, e que deve ser ministrada no semestre seguinte.

A primeira etapa da pesquisa constituiu a aplicação de um questionário, que denominamos 'Questionário Exploratório'. O objetivo da utilização deste instrumento foi investigar o imaginário dos licenciandos sobre alguns temas relevantes ao pensarmos numa proposta didática para a EJA, tais como os critérios utilizados pelo futuro professor para selecionar o conteúdo, a abordagem em sala de aula, suas considerações sobre o perfil dos alunos e sua opinião sobre a questão da evasão escolar. A ideia também era verificar se, em algum momento, os sujeitos trariam em seus discursos algum conhecimento sobre educação de jovens e adultos.

Neste trabalho será apresentada a análise das respostas dos licenciandos para a seguinte questão presente no questionário: 'Supondo que você esteja

atuando como professor de Física no ensino médio (EM), e que por algum motivo, você tenha apenas metade do tempo para trabalhar conteúdos que, normalmente, seriam abordados ao longo de um ano letivo. Como você iria elaborar o conteúdo programático? Que conteúdos você selecionaria? Por quê? (Escolha uma série do EM e aponte alguns conteúdos que você considera essenciais. Justifique suas escolhas).'.

Para a análise das respostas dadas nos questionários optamos por utilizar a Análise de Discurso (AD) de linha francesa. Concordamos com Silva, Sorpreso e Almeida (2009) ao afirmarem que dentro da perspectiva da AD o imaginário dos sujeitos pode influenciar seus posicionamentos perante a realidade vivenciada, interpretada e na qual irão atuar.

De acordo com Orlandi (1999) a AD nos permite atravessar o imaginário que condiciona os sujeitos, e explicitar o modo como os sentidos estão sendo produzidos, o que nos permite compreender melhor o que está sendo dito.

Mais do que um instrumento de análise, a AD permeou também a construção do questionário, pois tomamos o cuidado, neste primeiro momento, para não citar nas questões o termo EJA ou outros termos relacionados, já que a ideia era investigar se os licenciandos trariam em seus imaginários considerações relevantes para a atuação nessas classes, e se em algum momento eles citariam em suas respostas algum conhecimento sobre a modalidade. Essa preocupação se baseia no conceito de antecipação, que é a capacidade do sujeito que fala se colocar no lugar de seu ouvinte, para pensar quais os efeitos de suas palavras em quem lhe ouve - essa antecipação influenciará na escolha do sujeito em seu modo de falar (ORLANDI, 1999). Assim, nessa primeira aproximação com os licenciandos tínhamos a intenção de investigar alguns temas importantes para o Ensino de Física em geral, e se os discursos dos sujeitos trariam considerações também relevantes para as classes de EJA. Não queríamos que os futuros professores se antecipassem frente ao termo EJA e pensassem em elaborar as 'respostas que gostaríamos de ouvir'.

## Interpretação dos Discursos

Destacamos nesta análise os discursos mais presentes nas respostas dos licenciandos, buscando compreender como tais discursos foram construídos e se trazem considerações relevantes ao pensarmos em classes de jovens e adultos.

Um primeiro discurso em comum nas respostas dos sujeitos foi a elaboração de um conteúdo programático pautado numa Física conceitual e voltada para o diaa-dia. Segue alguns exemplos:

Eu destacaria os conteúdos que mais estão relacionados no dia a dia.

[A2]

Eu elaboraria o conteúdo programático focando em conceitos, como uma Física Conceitual, abordando situações do dia-a-dia do aluno, para que eles se identifiquem com a matéria. [A3]

[…] trabalhando mais conceitos do que fórmulas matemáticas.

[A8]

Os discursos dos licenciandos revelam uma preocupação em desvincular o ensino de Física da tradicional abordagem memorística e com ênfase na ferramenta matemática. Além de mostrarem preocupação em trazer elementos do cotidiano para serem relacionados com o conteúdo. Essa preocupação pode ser fruto dos movimentos de ensino de Física iniciados no país na década de 70, com o

surgimento de grupos de pesquisa na área. O Grupo de Reelaboração do Ensino de Física - GREF, por exemplo, tem uma proposta de Ensino de Física bastante divulgada e que busca oferecer 'condições de acesso a uma compreensão conceitual e formal consistente' (GREF, 2002 p.19). As atividades propostas pelo grupo são pautadas em situações e elementos do cotidiano, amplamente acessíveis para a maioria dos alunos.

Esse critério de seleção indicado pelos licenciandos é bastante adequado para o contexto da EJA, uma vez que as trajetórias escolares dos sujeitos são marcadas pela exclusão e interrupções, podendo haver dificuldades dos educandos na compreensão dos formalismos que o ensino escolar exige.

Outro critério apontado nas respostas para a questão realizada é a seleção pautada em tópicos abordados pelo vestibular, como se nota nos trechos abaixo:

Deixaria alguns conceitos de fora, e me preocuparia com os mais importantes para o vestibular. [A13]

Se fosse para a segunda série do ensino médio, eu abordaria mais dinâmica, já que é o que mais cai no vestibular. [A10]

O discurso que abrange o vestibular deve ser visto com cautela na preparação de uma aula para a EJA, tendo em vista que, na maioria das vezes, o ingresso no ensino superior não faz parte dos principais objetivos dos alunos dessa modalidade. Além disso, a preocupação em trabalhar exercícios de vestibulares em sala de aula acaba ocorrendo em detrimento de discussões voltadas para o cotidiano dos alunos e que possam contribuir para uma formação pautada em aspectos humanos, sociais e éticos (ROSA; ROSA, 2005), elementos essenciais para a modalidade.

Um dos motivos para a questão do vestibular se encontrar bastante presente no imaginário dos licenciandos pode ser o fato dos sujeitos estarem falando a partir de uma universidade pública e terem esta instituição como referência. O perfil jovem desses licenciandos, que já se encontram no último ano da licenciatura, indica que o ingresso no ensino superior foi um dos objetivos desses sujeitos quando cursaram o ensino médio, fato que pode influenciar em suas condutas como docentes. Assim, os conteúdos de física abordados pelo processo seletivo se torna um dos principais fatores a ser observado ao realizarem a seleção de conteúdos que pretendem ministrar.

Sobre os principais conteúdos apontados pelos licenciandos, diante da necessidade de seleção, estão tópicos de Mecânica, Eletricidade, Termodinâmica e Ondulatória, não sendo citados temas de Física Moderna e Contemporânea (FMC). Essa questão vem sendo estudada por várias pesquisas da área de Ensino de Física, gostaríamos apenas de apontar que, a partir de uma leitura do campo da EJA, a inserção de tópicos atuais se faz necessário como fator de motivação e também para cumprir seu papel de manter o cidadão atualizado sobre discussões contemporâneas, dando-lhe o direito de se posicionar criticamente perante tais assuntos.

Por fim, relatamos também um discurso bastante preocupante nas respostas dos sujeitos, tendo em vista as características do curso e do perfil dos educandos da EJA. Alguns licenciandos manifestaram dificuldades ou discordaram que deva haver uma seleção de conteúdos.

Seria difícil escolher o conteúdo pois poderia deixar de fora algum conteúdo importante para o aluno. [A14]

Eu não cortaria nada, eu iria exigir do aluno a parte que falta como tarefa e correria com a matéria, pois acho que todos os tópicos são importantes. [A16]

Nestes casos são sugeridos resumos e trabalhos para serem realizados em casa, como forma de cumprir todo o conteúdo. Todavia, nem sempre os alunos da EJA, em sua maioria trabalhadores ou pessoas à procura de um emprego, têm essa disponibilidade extra-classe para atender as exigências da escola. É preciso cautela, por parte das escolas e professores para que não se distanciem das reais condições de vida dos educandos (ARROYO, 2006), causando novamente a exclusão do sistema escolar, resultado em evasão.

## Algumas Considerações

A partir das respostas dos licenciandos para a questão realizada, foi possível identificar ao menos dois importantes critérios presentes em seus imaginários sobre a seleção de conteúdos. O primeiro deles busca realizar a seleção a partir de conteúdos conceituais e voltados para a realidade cotidiana dos educandos, esta consideração está de acordo com as discussões sobre as características e necessidades dos alunos jovens e adultos, e também vai ao encontro de diversas propostas de Ensino de Física. Já o segundo critério, pautado no vestibular, deve ser pensado com cuidado, tendo em vista os objetivos e as necessidades dos jovens e adultos em relação à escola.

Reforçamos a importância de discussões sobre a seleção de conteúdos de Física, diante da dificuldade manifestada no discurso de alguns licenciandos em realizar esta seleção ou em incluir temas contemporâneos no conteúdo programático. No entanto, estes apontamentos são iniciais em nossa pesquisa. Nas próximas etapas do trabalho, será analisado se houve mudanças nos discursos dos licenciandos ao prepararem e ministrarem uma sequência didática para a EJA.

## Referências

ARROYO, M. G. Educação de jovens-adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES et al (Org.). Diálogos na Educação de Jovens e Adultos . 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. p. 19-50.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido

GRUPO DE REELABORAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA, GREF. Física 3 Eletromagnetismo. 5ª. ed., São Paulo: EDUSP, 2002.

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LOPES, G. Leituras em aulas de Física na Educação de Jovens e Adultos. Campinas: UNICAMP, 2009. 176 p. Tese (Doutorado). Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2009.

NÚÑEZ, I. B.; RAMALHO, B. L.; SILVA, I. K. P. Da; CAMPOS, A. P. N.. A seleção dos livros didáticos: um saber necessário ao professor. O caso do ensino de ciências. OEI Revista Iberoameriaca de Educación, 2003.

ORLANDI, E. P. Análise de Discurso : Princípios e Procedimentos. 4ª. ed., Campinas: Pontes Editores, 1999, 100p.

RIBEIRO, V. M. A formação de educadores e a constituição da educação de jovens e adultos como campo pedagógico. Educ. Soc ., Campinas, v. 20, n. 68, Dez. 1999.

ROSA, C. W.; ROSA, A. B. Ensino de Física: objetivos e imposições no ensino médio. Revista Eletrônica de Ensenãnza de las Ciencias , v.4, n.1, 2005.

SILVA, L. L. da; Sorpreso, T. P.; Almeida, M. J. P. M. de. Imaginário de Alunos de Licenciatura em Física Sobre Algumas Questões Relativas ao Ensino dessa Disciplina. In: 4º Congreso Internacional sobre Formación de Profesores de Ciencias , Vol. 4, pp.249-255, Bogotá, Colômbia, 2009

SOARES, L. O educador de jovens e adultos em formação . Caxambu, MG: Anped, 2006. Disponível em:

http://www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT18-2030--Int.pdf, acesso em: 20 de mai. 2011.

SOUZA, M. L. de; FREITAS, D. Os conteúdos selecionados pelos professores de Biologia para a construção do currículo escolar. In: 24ª Reunião Anual da ANPEd 2001, Caxambu - MG. Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação), 2001. CD-ROM

VILANOVA, R.; MARTINS, I. Educação em Ciências e educação de jovens e adultos: pela necessidade do diálogo entre campos e práticas. Ciência e Educação . Bauru, vol.14, n. 2, 2008.

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