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ENSINANDO FÍSICA COM UM JOGO DA MEMÓRIA: UMA ABORDAGEM PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

Gabriel Silva, Isadora Oliveira, Antônia Lima

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
30/10/2014
Linha de pesquisa
Formais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ENSINANDO FÍSICA COM UM JOGO DA MEMÓRIA: UMA ABORDAGEM PARA O ENSINO FUNDAMENTAL.

## TEACHING PHYSICS WITH A MEMORY GAME: AN APPROACH FOR ELEMENTARY SCHOOL.

## Gabriel de Lima e Silva , Antônia Danila P. de Lima , Isadora Brasil de Oliveira 1 2 3

1 Universidade do Estado do Amazonas/Centro de Estudos Superiores de Tefé/ galima@uea.edu.br

2 Universidade do Estado do Amazonas/Centro de Estudos Superiores de Tefé/danilyma@hotmail.com

3 Universidade do Estado do Amazonas/Centro de Estudos Superiores de Tefé/ Isadora\_yasmim@hotmail.com

## Resumo

É de conhecimento público que há tempos passamos por graves problemas no ensino de Física, as razões são várias: professores despreparados, estudantes sem motivação, escolas sem infraestrutura, falta de inovação e acompanhamento da tecnologia. As consequências disso já estão sendo sentidas em todo o mundo, e principalmente no Brasil, com a falta de profissionais da área de ciência (Físicos, Químicos e Matemáticos), da área da tecnologia (Engenheiros e Cientistas em geral), além é claro, de professores das disciplinas de ciências nos diversos níveis. Nas últimas décadas inúmeras tentativas vêm sendo feitas, tanto por governos quanto por pesquisadores na tentativa de tornar o ensino de ciências mais agradável. Todas essas convergem para o ponto comum de que é necessário levar a ciência ao encontro das pessoas com atividades que vão desde consultar suas concepções espontâneas, usar experimentos que lhes mostrem a Física no seu cotidiano até o uso de atividades lúdicas, é nesse contexto que se enquadra o presente trabalho. Aqui, pretendemos mostrar que utilizando um simples jogo, baseado no 'Jogo da memória' é possível aumentar o interesse dos estudantes e ensinar as fases da Lua durante o primeiro ciclo do Ensino Fundamental II.

Palavras-chave : Metodologia de ensino, jogos didáticos, Física para crianças, ensino de Física.

## Abstract

It is public knowledge that there are serious problems in physics teaching, the reasons are various: teachers unprepared, unmotivated students, schools without infrastructure, lack of innovation and no interest by technology. The consequences are already being viewed around the world, and especially in Brazil, with the lack of professionals in the field of science (Physical, Chemical and Mathematical ), the area of technology (engineers and scientists in general), and of course, teachers of science subjects at different levels. In recent decades many attempts are being made, both by governments and by researchers in an attempt to make teaching more enjoyable sciences. All these converge to the common point that is necessary to

bring science to meet people with activities ranging looking for their spontaneous conceptions, using experiments that show them the everyday's physics and then the use of recreational activity; it is in this context that fits the present work. Here, we intend to show that using a simple game based on the "Memory Game" is possible to increase students' interest and teach the phases of the moon during the first cycle Secondary School.

Keywords : teaching methodology, educational games, physics for kids, physics teaching.

## Introdução

Este artigo trata de uma abordagem diferente para o ensino de ciênciasFísica, usando os jogos didáticos para estimular o interesse dos estudantes do Ensino Fundamental. Um dos nossos objetivos é tentar mudar a atual realidade das escolas de Tefé-AM.

A maioria das vezes o professor usa sempre o mesmo método para dar sua aula, usa quadro branco, o livro didático, mas não procura uma nova maneira de ensinar para chamar a atenção do aluno, para que ele possa se interessar mais pelo estudo. Isso faz com que os estudantes se cansem e acabem por associar o mau rendimento da aula à disciplina que estão estudando, assim, acaba se criando um mal estar na relação de ensino aprendizagem.

Muitos autores nos dizem, e fica evidente quando aplicamos novas estratégias, que através do jogo didático o ensino torna-se mais interessante aumentando a curiosidade dos estudantes e a empolgação em estudar os assuntos, fazendo com que sintam prazer em que estão estudando e torna-se um método eficaz.

A aplicação do jogo mostra resultados transformadores em relação ao ensino, já que o este chama a atenção, desperta o interesse e amplia a visão do mundo do estudante. Além disso, mostra que os estudantes podem aprender brincando além de ser capaz de estimular o gosto pela ciência. Também destacamos que o método faz com que os estudantes estudem fora da escola.

## Atividades lúdicas no ensino de Física.

Em diversos momentos de análise e conversas informais com os docentes que atuam na disciplina de Física em escolas da educação básica é comum ouvir sempre as mesmas considerações, estudantes desinteressados, pouco domínio de matemática, turmas cheias demais, poucos equipamentos para trabalhar, vigilância grande por parte do corpo de pedagogos da escola, perda de muitas aulas devido momentos cívicos e festejos nas escolas além do abandono da família pela escola. Na tentativa de modificar essa realidade inúmeras iniciativas estão sendo implementadas para tornar o ensino das ciências mais agradável e mais interessante aos estudantes.

O ensino das ciências, em particular a Física, não tem conseguido nos últimos anos acompanhar o fluxo do desenvolvimento econômico e tecnológico

(Silveira, 2009), tido como desinteressante, fora da realidade do estudante e pouco útil para responder a questões mais profundas do ser humano (Fourez, 1988), além de não ser capaz de gerar um envolvimento afetivo com o estudante (Pietrocola, 2000). Nesse contexto de profundo descontentamento por parte dos alunos com as disciplinas de ciências naturais e matemática, uma das iniciativas que tentam tornar o ensino mais interessante e principalmente mais eficaz é o uso de jogos didáticos. Alves (2007) nos fala sobre a necessidade de democratizarmos o acesso a ciência e Silveira (2009) nos dá uma diretriz nesse sentido nos estimulando a falar a linguagem do teatro nas aulas de Física. Neto (2009) nos chama a atenção para as atividades lúdicas e sua importância no ensino, e afirma que

A ansiedade e animação das crianças em cada visita ao Brinca Ciência demonstra o grande carinho e atenção que elas mantêm com o projeto, e em muitos relatos orais (exemplos: 'Aprender ciência assim, fazendo brinquedos, é muito mais legal do que só ficar na sala de aula lendo' ou 'Eu aprendi que gosto muito mais de ciências do que eu achava que gostava!') percebe-se o papel transformador que o projeto cumpre no sentido de ampliar a visão científica e curiosa que as crianças têm do mundo ao seu redor. (Neto, 2009)

Há diversas maneiras de se utilizar os jogos como ferramentas, em Pereira (2009) os autores produziram um jogo que se chama 'Conhecendo a Física', em que para avançar no tabuleiro o jogador tem que acertar a resposta de uma questão conceitual a respeito de alguma área da Física. Segundo os autores

[...] os jogos mostraram ter grande potencial para atrair a atenção dos alunos. Demonstrando interesse, os alunos interagem com a atividade e, por consequência, com o conteúdo implícito nela. Ao se interessar mais pelo conteúdo, eles podem sentir-se motivados também durante as aulas convencionais, o que pode aumentar seu desempenho na disciplina. (PEREIRA, 2009).

Filho (2010) mostra um aparato baseado no jogo batalha naval em que as perguntas vinham de diferentes vertentes da Física. Nesse trabalho os autores questionaram os estudantes sobre sua relação com os jogos, já que foi diagnosticado que muitos já tinham tido contato anterior com essa metodologia, e 98% dos estudantes consideraram que essas atividades devem ser inseridas no ensino da Física, dando assim, maior respaldo para estas iniciativas. Além disso, 63% disseram que o jogo foi importante para o aprendizado e fez despertar maior interesse pela Física (76%).

Como nos diz Ferreira (2004), é necessário que haja um preparo para o jogo, nesse estágio temos que ter em mente é muito importante 'saber ouvir aos alunos e professores, para fazê-los perceber que aprender é prazeroso' e 'saber buscar novas ideias para construir novas atividades em uma enorme variedade de fontes - e queria compartilhá-los com outras pessoas'. Ou seja, é necessário que o jogo não seja apenas mais um jogo, tem que ser capaz de tocar na parte afetiva do estudante para que possa realmente contribuir para a uma aprendizagem significativa e não seja apenas um momento de recreação.

Na totalidade dos trabalhos que tratam do tema os resultados sempre nos fazem acreditar que a estratégia dos jogos didáticos desperta grande interesse dos estudantes e se apresenta, portanto, como boa via de estimular o ensino de ciências em particular de Física.

Esse jogo foi uma das atividades desenvolvidas pelas coautoras desse artigo em parceria com o professor orientador ao longo da disciplina de 'Estágio I'. É

importante destacar a importância do estágio supervisionado na formação do futuro professor, além das observações das aulas, considera-se que é importante que a atuação prática do estagiário dentro da sala de aula, mais ainda do que isso, é importante que a regência seja um momento em que os estudantes possam ter contato com novas maneiras de ministrar aula e seja efetivamente um momento de aprendizado, tanto para o estagiário quanto para os estudantes da escola. Entendese dessa maneira que o estágio pode ser muito mais do que uma simples obrigação do estudante em final de curso, e sim uma ferramenta de construção de um ensino mais interessante e que possa servir para modificar de alguma maneira a forma como é feito o ensino de Física.

## Metodologia do jogo didático (Jogo da Memória).

## Diagnóstico da turma.

A turma em que o jogo foi aplicado é o 6º ano do ensino fundamental de uma escola estadual do município de Tefé-AM, que em geral, pode-se dizer que são alunos interessados em relação ao assunto estudado.

A professora usa livros didáticos, copia o assunto no quadro e em seguida passa uma atividade para a turma, muitas vezes ela pede essa atividade como trabalho para atribuir nota aos alunos.

As aulas dessa turma sempre seguem o mesmo método: copiar o assunto no quadro e depois passar uma atividade, a professora não costuma fazer uma aula diferenciada para que a turma se interesse cada vez mais pelos assuntos.

## Funcionamento do jogo.

- O jogo foi aplicado na turma descrita acima, com o assunto: 'As fases da Lua e seu Ciclo'. A turma possuía cerca de 40 alunos, no entanto estavam presentes apenas 37 alunos.

Antes de aplicar o jogo, foi ministrada uma aula destacando as principais fases da Lua, para que a turma participasse com mais interesse no jogo.

No dia seguinte, antes de iniciar o jogo foi aplicado um pequeno questionário para a turma relembrar o assunto, essa aplicação teve duração aproximadamente de 15min. Não pretendemos utilizar as respostas desse questionário nesse trabalho.

Em seguida, a turma foi dividida em seis equipes e foi feita a distribuição de um jogo para cada equipe.

Logo foi explicando como o jogo iria funcionar.

- O jogo é formado por oitos cartas (quatro com a imagem da fase da Lua e quatro com o nome da fase da Lua).
- O jogo deverá acontecer da seguinte forma: cada membro da equipe terá que puxar uma carta de cada vez sendo uma com a imagem da Lua e a outra com o

nome da fase da Lua. Se esse membro acertar as cartas ele continuará o jogo se não acertar as cartas passa a vez para outro membro da equipe. Ganha o jogo quem conseguir acertar o maior número de pares.

Abaixo temos as figuras que foram impressas nas cartas:

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Ao fim do jogo foi mostrada à turma a imagem das fases da Lua com a seguinte pergunta em questão: Qual é a fase da Lua na imagem? Todos os estudantes responderam corretamente. Os jogos foram doados para os estudantes que mais fizeram pontos nos seus grupos. E foi estimulado que eles mesmos produzissem seus próprios jogos mais tarde.

## Resultados do jogo didático.

No momento da aplicação do jogo foi observado que a turma estava bastante empolgada, assim, podemos dizer que essa brincadeira favoreceu a turma no conhecimento das fases da Lua.

Essa atividade foi importante para que a professora pudesse perceber que a turma estava bem interessada nessa aula, pois mesmo sendo uma brincadeira os alunos puderam tirar uma conclusão no que eles estavam jogando e isso facilitou seu conhecimento em relação ao assunto ministrado.

Portanto, o jogo didático na sala de aula é bem interessante para aprimorar o conhecimento dos alunos, com isso requer atenção por parte dos professores usarem esse tipo de ferramenta para o aprendizado de sua turma.

Quando se fala em fases da Lua talvez nem seja necessário um jogo para que as pessoas venham a aprender, já que é algo bastante comum de suas vidas. No entanto, com esse trabalho foi possível perceber a força dessa metodologia de ensino, e ficou bastante claro que pode ser interessante utilizar dessa ferramenta em assuntos mais complexos.

É interessante destacar que em visitas posteriores à turma eles ainda estavam jogando o jogo com as fases da Lua, ou seja, de maneira lúdica, eles

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continuaram estudando o assunto. Também vale a pena destacar que dessa maneira o estágio curricular pode contribuir para aumentar o interesse dos estudantes por ciência e para mostrar à professora que é possível introduzir novas metodologias no ensino.

## Referências.

ALVES, L.R.; SHALL, V. T. Ciência À Vista: Um Método Lúdico e Interativo de Divulgação e Ensino de Ciências. X Reunión de la Red de Popularización de la Ciencia y la Tecnología en América Latina y el Caribe (RED POP - UNESCO) y IV Taller 'Ciencia, Comunicación y Sociedad' San José, Costa Rica, 9 al 11 de mayo, 2007.

FERREIRA, M. C.; CARVALHO, L.M.O. A evolução dos jogos de Física, a avaliação formativa e a prática reflexiva do professor. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 26, n. 1, p. 57-61 (2004).

FILHO, A.R.B.C.; SANTOS, G.P.A. A utilização de jogos didáticos nas aulas de física. 2010. Disponível em &lt;HTTP: www.educasul.com.br/2010/anais/trabalhos\_educasul\_curriculo\_e\_culturaescolar2/a nt%c3%b4nio%20rochester%20bomfim%20da%da%20costa%filho.pdf&gt; Acesso em 12/04/2014

FOUREZ, G. Crise no ensino de Ciências. 1998. Disponível em &lt;http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol8/n2/v8\_n2\_a1.html#[1] &gt; Acesso em 12/04/2014.

NETO, A.F.F.; et al, Brinca Ciência: Um Ensaio Lúdico Educativo Sobre Ciência &amp; Tecnologia na Escola Pública do Município de Santo André. 2009. Disponível em &lt; http://www.amigosdaciencia.org.br/img/publica\_pdf/brinca\_ci\_ncia.pdf &gt; Acesso em 12/04/2014.

PEREIRA, R.F.; FUSINATO, P.A. NEVES, N.C.D.; Desenvolvendo um jogo de tabuleiro para o ensino de física. VII Encontro nacional de Pesquisa em Educação em Ciências , Florianópolis, 2009.

PIETROCOLA, M. et. al. As ilhas de racionalidade e o saber significativo: o ensino de ciências através de projetos. Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências , Belo Horizonte, Vol. 2, nº 1, 2000.

SILVEIRA, A. F.; ATAÍDE, A.R.P.; FREIRE, M.L.F. Atividades lúdicas no ensino de Ciências: uma adaptação metodológica através do teatro para comunicar a ciência a todos. Educar , Curitiba, n. 34, p. 251-262, 2009. Editora UFPR.

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