AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO RECURSO PARA INSERIR A HISTÓRIA E A FILOSOFIA DA CIÊNCIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Mykaell M. Da Silva, Juliana M. Hidalgo Ferreira, José Diogo Dos S. Nicácio
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XV
- Ano
- 2014
- Data
- 30/10/2014
- Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO RECURSO PARA INSERIR A HISTÓRIA E A FILOSOFIA DA CIÊNCIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
## COMIC STRIPS AS A TOOL TO INSERT HISTORY AND PHILOSOPHY OF SCIENCE IN BASIC EDUCATION
Mykaell M. da Silva , Juliana M. Hidalgo Ferreira , José Diogo dos S. Nicácio 1 2 3
1 Departamento de Física Teórica e Experimental/ UFRN, mykaell@dfte.ufrn.br
2 Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática (PPGECNM)/ UFRN, juliana\_hidalgo@yahoo.com
3 PPGECNM/ UFRN, diogonicacio@yahoo.com.br
## Resumo
Discussões sobre a inserção da História e Filosofia da Ciência (HFC) na Educação Básica permanecem atuais. Costuma-se defender uma abordagem que possibilite articular conteúdos científicos a aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico. Nesse contexto, diversos obstáculos e desafios inerentes à transposição didática da HFC vêm sendo relatados pela literatura. No caso da elaboração de narrativas históricas para uso em sala de aula entrariam em jogo decisões a respeito da extensão e profundidade dos textos, recortes históricos, formulação discursiva, etc. Todos esses fatores demandam reflexão tendo em vista a necessidade de elaborar atividades pedagógicas interessantes e adequadas ao nível de escolaridade visado. Há ainda um obstáculo importante que vem sendo citado pela literatura: a dificuldade dos alunos em relação à leitura. À luz desses referenciais, o presente trabalho propõe refletir sobre o potencial das Histórias em Quadrinhos como alternativa para a inserção da HFC em sala de aula. Particularmente, discute-se como exemplo uma sequência de tirinhas que contempla recortes da História da Astronomia e a temática Natureza da Ciência. As Histórias em Quadrinhos constituem-se como narrativas ilustradas curtas, agradáveis, de caráter estimulador da leitura. A possibilidade de uso de recursos visuais vem em auxilio à compreensão das falas das personagens, caracterizando a fluidez de leitura desse tipo de material. A familiaridade e interesse pelo universo das Histórias em Quadrinhos fazem com que sejam um recurso propício à elaboração de propostas receptíveis e adequadas aos jovens. Dessa forma, refletir sobre como explorar a utilização desse tipo de suporte pode ser um caminho interessante.
Palavras-chave : História em Quadrinhos; História e Filosofia da Ciência no Ensino; Natureza da Ciência; História da Astronomia.
## Abstract
Discussions concerning the insertion of the History and Philosophy of Science (HPS) in Basic Education remain updated. It is often advocated a joint approach of scientific aspects and nature of scientific knowledge contents in classroom. In this context, many obstacles and challenges inherent to the didactic transposition of HFC have been reported in the literature. In the case of creating historical narratives for use in classroom come into play decisions about the extent and depth of the texts, historical cutouts, discursive formulation, etc. All these factors require consideration
in view of the need to develop interesting activities, appropriated to the level of pedagogical education intended. There is still a major obstacle that has been mentioned in the literature: the difficulty of young students towards reading. In light of these benchmarks, this paper proposes a reflection on the potential of comics to forward HPS in classroom. Particularly, we discuss the example of a sequence of strips which includes cutouts of the History of Astronomy and the subject Nature of Science. Comic strips are characterized as short illustrated texts, of pleasant and stimulating reading character. The possibility of using visuals resources comes in aid to forward the understanding of the speech of characters, advancing the fluidity of reading of this kind of material. Familiarity and interest in the world of Comics make them a favorable tool to the development of receptive and appropriate proposals directed to that specific public.
Keywords : Comic strips; History and Philosophy of Science in Teaching; Nature of Science; History of Astronomy.
## Considerações iniciais
Há muito tempo vem se discutindo sobre a inserção da História e Filosofia da Ciência (HFC) na Educação Básica. Especialistas defendem uma abordagem que possibilite articular conteúdos de física a aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico. A abordagem histórico-filosófica possibilita uma compreensão aprofundada dos conteúdos de ciência, viabilizando alternativas de contextualizar o conhecimento científico como resolução de problemas (MATTHEWS, 1994; PEDUZZI, 2001; MARTINS, 2006; LEDERMAN, 2012).
A inserção de elementos do processo de construção dos conceitos físicos no contexto educacional permite a contraposição a uma visão aproblemática e ahistórica da ciência, identificada pela literatura como uma visão ingênua (GIL PÉREZ et al. , 2001). A legislação brasileira recomenda a presença da HFC nas aulas de Física, por exemplo, pela necessidade de aliar produto e processo:
- '[...] é essencial que o conhecimento físico seja explicitado como um processo histórico, objeto de contínua transformação e associado às outras formas de expressão e produção humanas' (BRASIL, 1999, p. 229).
- 'A Física percebida enquanto construção histórica, como atividade social humana, emerge da cultura e leva à compreensão de que modelos explicativos não são únicos nem finais, tendo se sucedido ao longo dos tempos, [...]. O surgimento de teorias físicas mantém uma relação complexa com o contexto social em que ocorreram' (BRASIL, 1999, p. 235)
Por mais significativa que seja a argumentação a favor da HFC no Ensino, sua presença ainda é tímida em salas de aula. As dificuldades relacionadas à inserção da HFC na sala de aula vão muito além de lacunas na formação dos professores (MATTHEWS, 1994; MARTINS, 2007). Diversos obstáculos e desafios inerentes à transposição didática da HFC vêm sendo relatados pela literatura (FORATO, 2012) 1 . No caso da elaboração de narrativas históricas para uso em sala de aula entrariam em jogo decisões a respeito da extensão e profundidade dos textos, recortes históricos, formulação discursiva, etc. Todos esses fatores
demandam reflexão tendo em vista a necessidade de elaborar atividades pedagógicas interessantes e adequadas ao nível de escolaridade visada.
À luz das discussões sobre os obstáculos que vêm sendo citados na literatura, pretendemos refletir sobre o potencial das histórias em quadrinhos (HQ) como alternativa para superá-los, visando à abordagem de conteúdos científicos de forma integrada ao seu processo de construção histórica. Em sua natureza, as histórias em quadrinhos são narrativas visuais de enredo rápido. Constituem-se como textos ilustrados curtos, agradáveis, e de caráter estimulador da leitura dos jovens. W. Eisner, renomado cartunista norte-americano que contribuiu para uma fundamentação teórica das histórias em quadrinhos, ressalta a conquista de uma posição inegável na cultura popular.
Desde a primeira aparição dos quadrinhos na imprensa diária, na virada do século [XIX para o XX], essa forma popular de leitura encontrou um público amplo e, em particular, passou a fazer parte da dieta literária inicial da maioria dos jovens (EISNER, 1989, p. 7).
As HQ costumam fazer parte do universo cotidiano dos alunos, sendo, portanto, uma porta 'confortável' de entrada para a História da Ciência em sala de aula. Eisner apresenta comentários sobre as HQ que podem direcionar à possibilidade de explorar a potencialidade desse veículo de comunicação, tendo em vista fins didáticos de aproximação de conteúdos histórico-filosóficos ainda pouco familiares aos estudantes.
As histórias em quadrinhos comunicam numa 'linguagem' que se vale da experiência visual comum ao criador e ao público. Pode-se esperar dos leitores modernos uma compreensão fácil da mistura imagem-palavra e da tradicional decodificação de texto. A história em quadrinhos pode ser chamada 'leitura' num sentido mais amplo que o comumente aplicado ao termo (EISNER, 1989, p. 7).
A seguir, discutimos por meio de exemplo a possibilidade de utilizar o gênero história em quadrinhos tendo em vista a transposição didática da HFC.
## Elaboração de 'Quadrinhos históricos'
Como exemplo para discussão, sugerimos a astronomia por ser esta uma temática interessante, atraente e paradoxalmente ainda pouco presente no ambiente escolar. Tendo em vista a elaboração de propostas para a inserção da HFC no contexto educacional ressalta-se a importância da consulta a material historiográfico especializado. Para a elaboração das HQ discutidas a seguir foram consultados trabalhos aprofundados sobre a História da Astronomia, bem como textos históricos originais (MARTINS 1994; LOPES, 2001; COPÉRNICO, 2003; MARTINS, 2006).
Tendo em vista os necessários recortes históricos, foram levadas em consideração questões relatadas pela literatura a respeito da transposição didática da HFC como o volume de informações a ser contemplado, a profundidade dessas informações, a extensão do material a ser elaborado, o fato de que determinados conteúdos poderiam não ser adequados tendo em vista a sua difícil compreensão, etc. Quanto a esse último aspecto, por outro lado, a natureza das histórias em quadrinhos abre uma possibilidade a ser considerada. Conteúdos complexos, se exclusivamente expressos na forma escrita, podem vir a serem compreendidos com o auxílio de imagens, sendo esse um recurso permanente nos quadrinhos.
A realização dos recortes levou também em consideração o objetivo didático de contemplar, na sequência de quadrinhos, episódios históricos que permitissem a
contextualização de discussões sobre a natureza do conhecimento científico, em oposição às seguintes visões deformadas da ciência: a-problemática e a-histórica, individualista e elitista, acumulativa de crescimento linear (GIL PÉREZ et al , 2001).
A partir de todas essas considerações decidiu-se fundamentar a proposta de quadrinhos em alguns temas centrais, os quais resultaram em quatro sequências: 1) A elaboração de conhecimento pelos pensadores antigos e o papel dos pressupostos relacionados à sua visão de mundo nesse processo; 2) A construção do universo aristotélico a partir de ideias de Eudoxo - ciência como atividade de cooperação; 3) A proposta heliocêntrica de Aristarco, ressaltando a divergência em relação ao modelo aristotélico, argumentos contrários como o da Torre, como favorável à imobilidade da terra. 4) Paradigmas estabelecidos por Ptolomeu. Por motivos de limitação de espaço e necessidade de aprofundamento das discussões, restringiremos nossos comentários à primeira sequência.
## A sequência de quadrinhos 'Construindo modelos'
No contexto da presente iniciativa, discute-se a seguir a primeira sequência de quadrinhos elaborada como proposta para explorar as potencialidades do gênero História em Quadrinhos para a inserção da HFC no Ensino . Por meio de recortes 2 históricos, contextualizam-se aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico, em estreita oposição às visões deformadas de ciência elencadas por Gil Pérez e outros (2001). A temática específica da referida sequência é a observação do céu e a construção de modelos na Grécia Antiga. Os quadrinhos mostram personagens comentando sobre o que notavam a respeito do comportamento dos astros. O cenário é bastante simples, neutro, escolhido de forma que a atenção do leitor seja direcionada aos diálogos. Ilustrações são inseridas de forma criteriosa, exclusivamente com o intuito de colaborar para a compreensão dos conteúdos.
Figura 01: Cooperação, imaginação e criatividade na ciência.
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Parte da sequência, mostrada na Figura 1 aborda algumas considerações específicas sobre a natureza do conhecimento científico. Em oposição a uma visão individualista e elitista de ciência, procura-se enfatizar ao longo dos quadrinhos que a ciência é uma atividade de cooperação . Mais ainda, opta-se por não identificar personagens como pensadores famosos, cujos nomes costumam ser lembrados na
História da Ciência. Essa opção manifesta uma dupla intenção. A primeira é evitar que o foco do leitor seja direcionado para quem produziu o que na História da Ciência . E a segunda, também deliberada, é abrir espaço para uma possível 3 reflexão sobre a importância das contribuições de personagens da ciência cujos nomes nem ao menos ficaram registrados na História.
Os quadrinhos mostrados na Figura 1 destacam o esforço de personagens anônimas que faziam 'longas observações do céu' e construíam conhecimento de forma coletiva. Ressaltam que a ciência é criativa na invenção de conceitos e explicações. É uma criação humana, uma busca de descrições coerentes para o funcionamento da natureza: 'Imaginavam que as estrelas estavam coladas em uma casca que envolvia tudo - Essa casca era o firmamento, onde as estrelas formavam desenhos permanentes'.
O trecho citado anteriormente inicia o registro de considerações importantes sobre a perfeição, beleza e ordenação do céu, tomadas como fundamentos essenciais para a astronomia grega da época. A necessidade de trazer à tona esses fundamentos nas tirinhas adveio da intenção de ressaltar a dependência da observação em relação a pressupostos teóricos , em oposição a uma visão ingênua amplamente difundida no contexto escolar: a visão empirista-indutivista. Deve-se ressaltar, no entanto, que apresentar esses fundamentos de forma simples e clara ao público jovem representa certo desafio. Por isso, ilustra-se a regularidade e a perfeição, introduzindo a ideia de firmamento em linguagem simplificada, que busca a proximidade com o aluno, visando a sua autonomia na leitura.
Figura 02: Ideal grego de perfeição do céu como pressuposto teórico
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Na parte seguinte da sequência, apresentada na Figura 2, utilizam-se também recursos visuais, aproveitando a peculiaridade do veículo HQ, para esclarecer melhor sobre a regularidade pensada pelos gregos: ' já que as estrelas estavam fixas, não poderiam sair se movendo sozinhas, desfazendo os desenhos'. Assim, chega-se a um aspecto importante dos modelos elaborados pelos gregos na tentativa de descrever o que observavam: ' Quando o firmamento girava os desenhos pareciam caminhar pelo céu' . 4
Dando sequência à temática, nos quadrinhos mostrados na Figura 3, os pensadores aparecem surpresos com a percepção de que algumas estrelas pareciam ter 'movimentos estranhos', fora do padrão esperado: 'Tem estrelas se movendo de maneira errada.'; 'Como pode?'
Nos quadrinhos apresentados nas Figuras 3 e 4, a seguir, entram em cena outros aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico: por um lado, a possibilidade de desacordo entre os pesquisadores, e, por outro, o treinamento compartilhado como componente essencial para o acordo.
Figura 03: Os movimentos 'errôneos' dos planetas.
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Figura 04: Aceitam os movimentos 'errôneos' dos planetas. Querem explicá-los sem abandonar pressuposto da perfeição e harmonia.
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Essas temáticas são esboçadas nos quadrinhos da Figura 1: 'Essas ali estão formando o desenho de um Touro!', 'Sei não, parece mais uma cabra'. As falas registram a possibilidade de diferentes interpretações para uma mesma imagem. Por outro lado, há também a subsequente sinalização do elemento de acordo. A personagem conclui frisando a importância da permanência do desenho, qualquer que seja ele: 'O importante é que sempre vemos o mesmo desenho!'
Retomando esses aspectos de Natureza da Ciência, as tirinhas da Figura 3 indicam personagens que questionam as observações ( 'Será que anotamos errado ?') e personagens que as rejeitam ( 'Isso não tem como acontecer'). Isso porque qualquer mudança de posição de uma estrela com relação a outras era incompatível com a visão grega de um mundo perfeito, regular, harmônico e belo. Destacando, então, outro aspecto relacionado à natureza do conhecimento
científico, as tirinhas procuram se contrapor a uma visão de ciência a-problemática e a-histórica: como os gregos lidaram com aquele problema?
Ressaltando esforço e criatividade na ciência, as tirinhas mostram personagens que observam com cuidado variações na posição de algumas estrelas, e passam a chamá-las de forma especial, diferenciando-as das de comportamento padrão: 'Antes de pensarmos em como isso pode ser que tal darmos um nome para essas estrelas? Que tal, Planetas.', 'Você não sabe? Planeta significa aquele que anda sem destino' . Caracterizando a ciência como tentativa de descrever fenômenos naturais, mostra-se o interesse pela compreensão dos movimentos dos planetas: 'passaram a propor explicações para os seus movimentos' .
- O interesse é pautado pela ideia inicial de perfeição. Toda aparente irregularidade dos movimentos celestes é mera impressão. Os movimentos são 'compreensíveis', podendo ser reduzidos a regularidades: 'Deve ainda haver um modo de pensar assim sobre o movimento confuso que os Planetas fazem', 'por trás dessa aparente confusão deve haver é muita harmonia', 'ainda acho que o céu é perfeito' . Finalizando, então, o primeiro conjunto de quadrinhos, expressa-se, por meio de uma linguagem simples, novamente buscando a autonomia do leitor, a intenção grega de 'salvar' os fenômenos. Define-se, então, o que seria o ofício do astrônomo naquele contexto cultural.
As sequências seguintes, não discutidas no presente trabalho (por limitações de espaço), abordam as seguintes temáticas: a construção do universo aristotélico a partir de ideias de Eudoxo, a proposta heliocêntrica de Aristarco, o argumento da Torre como favorável à imobilidade da terra e os paradigmas estabelecidos por Ptolomeu. Novamente, os recortes históricos são tomados como contextualização para visões sobre a natureza do conhecimento científico.
## Reflexões finais
O exemplo discutido no presente trabalho mostra uma sequência de tirinhas que contempla recortes da História da Astronomia e a temática NdC. A proposta pode ser adequada para a disciplina de Física ou ainda para o ensino de ciências, no contexto da educação básica. É pautada pela intenção de mostrar uma 'ciência viva', enfatizando o empenho dos personagens em resolver problemas. A ciência aparece como atividade humana socialmente construída em um contexto cultural. Busca-se, assim, uma compreensão ampla da ciência na sociedade.
Na elaboração dos quadrinhos, foi preciso lidar com desafios citados pela literatura a respeito da inserção da HFC no contexto educacional: recortes históricos, seleção de mensagens sobre a natureza da ciência, formulação discursiva, etc. Nas HQ a extensão dos trechos escritos é peculiarmente limitada. Essa característica constitui uma dificuldade importante para a sua elaboração tendo em vista a abordagem de conteúdos histórico-filosóficos, geralmente complexos e pouco conhecidos pelos alunos. Importante notar, ainda, que essa extensão é ainda mais restrita do que no caso dos textos histórico-pedagógicos ou narrativas históricas, os quais constituem atualmente um dos recursos mais utilizados para a inserção da HFC em salas de aula. Por outro lado, nas HQ, a possibilidade de uso de recursos visuais vem em auxilio à compreensão das falas das personagens, caracterizando a fluidez de leitura desse tipo de material. Sendo assim, as HQ podem colaborar para a superação de um obstáculo importante citado pela literatura que trata da inserção da HFC no contexto educacional: a dificuldade dos alunos em relação à leitura. As
Histórias em Quadrinhos costumam fazer parte do cotidiano dos jovens. A familiaridade e interesse pelo universo das HQ fazem com que sejam um recurso propício à elaboração de propostas receptíveis e adequadas ao nível de escolaridade desse público específico. Dessa forma, refletir sobre como explorar a potencialidade desse tipo de gênero textual pode ser um caminho interessante para a educação básica.
## Referências
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LOPES, M.H.O. A retrogradação dos planetas e suas explicações : os orbes dos planetas e seus movimentos, da antiguidade a Copérnico. Dissertação de Mestrado. PUC-SP, 2001.
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