AVALIAÇÃO DE EXPERIMENTOS INTERATIVOS EM EXPOSIÇÕES ITINERANTES
Daniel Garcia De Oliveira, Agenor Pina Da Silva, Isabel Cristina De Castro Monteiro
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XV
- Ano
- 2014
- Data
- 28/10/2014
- Linha de pesquisa
- Formais
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2014
Texto completo
## AVALIAÇÃO DE EXPERIMENTOS INTERATIVOS EM EXPOSIÇÕES ITINERANTES
## EVALUATION OF INTERATIVE EXPERIMENTS IN TRAVELLING EXHIBITIONS
Daniel Garcia de Oliveira , Agenor Pina da Silva , Isabel Cristina de Castro Monteiro³ 1 2
1 Universidade Federal de Itajubá/ Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências- Mestrado Profissional/ daniel.of@gmail.com
2 Universidade Federal de Itajubá/ Instituto de Física e Química/ agenor@unifei.edu.br
³Universidade Estadual Paulista/ Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá/ monteiro@feg.unesp.br
## Resumo
Os espaços voltados a Divulgação Científica vem crescendo bastante no Brasil nas últimas décadas. Muitos centros e museus de Ciências afloraram em vários estados do país, levados, principalmente, pela necessidade de despertar na população um maior interesse pela Ciência. Entretanto, o projeto de um centro de Ciências não é muito simples. Vários aspectos devem ser considerados na elaboração do mesmo, sendo um deles, a escolha dos diversos tipos de experimentos que farão parte desse espaço. É necessário destacar que a maneira com a qual os visitantes interagem com os experimentos de um centro de divulgação científica é bastante diversificada. Encontramos experimentos de vários tipos que chamam a atenção das pessoas de maneiras diferentes. Entretanto, alguns experimentos chamam mais a atenção do público em geral do que outros. Este trabalho foi construído baseado nessa observação: a de que alguns experimentos são mais atrativos do que outros. O objetivo aqui foi o de avaliar os experimentos que apresentam grande receptividade para o público. Os critérios de avaliação foram: Interatividade, Impacto, Múltiplas ligações, Simplicidade e Desafio. Os dados foram coletados através da realização de uma entrevista estruturada com participantes dos eventos 'Física na Praça', uma exposição itinerante, ocorridos nas cidades de Gonçalves e Alterosa - MG. Após a análise dos dados houve necessidade de ampliação de algumas das categorias citadas. Neste trabalho nos limitamos a explorar os experimentos: Garrafa de Leyden e Composição de Rostos. Os resultados encontrados podem contribuir para avaliação do processo interativo, e consequentemente do ensino e aprendizagem, em projetos dessa natureza.
Palavras-chave : Alfabetização em Ciências, Museus de Ciências, Exposições Interativas
## Abstract
The places focused on Science Communication have become more common in the last decades. Science Centres and Science Museums arose all over the country, mostly because of the need to arouse people's interest in Science. However, the project of a Science Centre is not a simple thing. There are many aspects to be considered in its elaboration, like the choice of the different kind of experiments that will be part of the place. It is important to emphasize that the way visitors interact with Science Centre's experiments is truly diversified. There are many types of experiments that draw people's attention in different ways. However, some experiments draw visitors' attention more than others. This paper was developed based on this observation: some experiments are more appealing than others. Our objective was the evaluation of those experiments that are really appealing to the visitors. For this evaluation, we established the following criteria: Interactivity, Impact, Multiple Connections, Simplicity and Challenge. We collected data from an structured interview with visitors of "Física na Praça" event, an itinerant exhibit that occurred on the cities of Gonçalves and Alterosa - MG. After the data analysis we had to expand some of the categories above. On this paper we decided to explore only two experiments: the Leyden Jar and the Face Maker. The results can contribute to the evaluation of interactive process, and hence the teaching and learning in projects of this nature.
## Keywords : Scientific Literacy, Science Museums, Interactive Exhibits
## Introdução
Divulgar a ciência é uma atividade que tem se tornado cada vez mais importante em nossa sociedade. É através da divulgação científica que pode ocorrer a diminuição da distância entre ciência e tecnologia para grande parte da população, uma vez que os avanços tecnológicos e científicos vêm ocorrendo de forma cada vez mais acelerada nos dias atuais. Tomar consciência e compreender o atual cenário em que estes avanços se encontram não é uma tarefa fácil, uma vez que a própria linguagem utilizada, muitas vezes matematizada, não é de fácil acesso aos mais variados públicos, cabendo ao divulgador realizar a ponte necessária entre tais conhecimentos e a população.
Atualmente, existem os espaços que podem contribuir para o alcance de tais objetivos, que são os Centros e Museus de Ciências, e eventos realizados em locais públicos, que são as Exposições Itinerantes.
## Para Cerati e Siao (2011), Centros e Museus de Ciências são
(...) instituições científicas, culturais e educativas onde as visitas, apesar de possuírem forte característica de lazer, abrem enormes possibilidades de aprendizagem motivada pela vivência e curiosidade que a exposição desperta no visitante. (p. 110)
As exposições itinerantes ocorrem quando objetos, geralmente pertencentes ao acervo de Museus ou Centros de Ciências, são levados a locais públicos e
apresentados aos interessados que estiverem passando pelo local, o que pode vir a atingir um público mais variado.
Os experimentos da exposição itinerante devem ser variados e apresentar diversos atrativos, de forma a conseguir atrair a atenção da grande maioria dos visitantes. O modo como eles irão interagir com os experimentos do acervo dependerá do atrativo que mais chamar a atenção do visitante. Este trabalho foi construído baseado nessa observação: a de que alguns experimentos são mais atrativos do que outros. No entanto, uma dúvida está sempre presente na organização das atividades de uma exposição itinerante: quais são os atrativos que um experimento deve ter para atrair a atenção dos mais variados públicos? Esta pesquisa busca contribuir com indicações para a resposta à essa pergunta.
## Categorias de atrativos dos experimentos e metodologia de pesquisa
Avaliar a motivação, o interesse ou as características que uma atividade pode despertar no aprendiz, ainda não tem paradigmas estabelecidos. Monteiro e Gaspar (2007) destacam a perspectiva vigotskiana na análise do papel da motivação e da emoção no processo de ensino e aprendizagem. Para Vigotski (2001, p. 143)
As reações emocionais exercem a influência mais substancial sobre todas as formas do nosso comportamento e os momentos do processo educativo. Queremos atingir uma melhor memorização por parte dos alunos ou um trabalho melhor sucedido do pensamento, seja como for devemos nos preocupar com que tanto uma como outra atividade seja estimulada emocionalmente. A experiência e estudos mostraram que o fato emocionalmente colorido é lembrado com mais intensidade e solidez do que um fato indiferente. Sempre que comunicamos alguma coisa a algum aluno devemos procurar atingir o seu sentimento. Isso se faz necessário não só como meio para melhor memorização e apreensão, mas também como objetivo em si.
Segundo Monteiro e Gaspar ( opus cit ) a interação social com vistas à aprendizagem, se estabelece de forma mais dinâmica quando os partícipes estão envolvidos em atividades que despertam a atenção e são capazes de envolver os sujeitos no transcorrer da atividade.
Os experimentos presentes em exposições ou Centros e Museus de Ciências chamam a atenção das pessoas de maneiras diferentes, e a maneira com a qual elas interagem com os mesmos é bastante diversificada. Entretanto, alguns experimentos chamam mais a atenção do público em geral do que outros. Para Teixeira, Steinicke e Muramatsu (2009), todos os experimentos apresentam algum tipo de atrativo, sendo que alguns são mais atrativos do que outros. Para eles, as principais características que podem estar presentes são (p.2).
1. Interatividade: característica extremamente importante no experimento. Um experimento interativo, onde os visitantes realmente 'põem a mão na massa' melhoram a relação do visitante não só com o aparelho, mas também com o próprio museu. Geralmente pessoas comuns ou mesmo alunos que visitam o museu, atualmente, não têm contato com trabalhos manuais, têm na maioria das vezes dificuldade em desempenhar algum papel onde a habilidade manual é exigida. Tocar o experimento, interagir com ele e observar o fenômeno ilustrado fazem o visitante prestar mais atenção ao experimento, nos processos que fazem acontecer o fenômeno. Experimentar e estimular os cinco sentidos é sempre uma sensação interessante e, às vezes, inesquecível para o visitante.
- 2. Impacto : um experimento 'impactante' chama atenção do visitante. Aspectos que mexem com a sensação visual, auditiva ou até mesmo física do visitante (como belos fenômenos coloridos, surpreendentes como um choque elétrico pequeno, sonoros como um instrumento musical feito com materiais simples) aguçam a curiosidade e a vontade de observar mais de perto experimentos desse tipo. Este é um atrativo intrínseco do experimento que melhora a apresentação do experimento ou mesmo a interação deste com o visitante.
- 3. Múltiplas ligações: experimentos que conseguem ligar diversas áreas do conhecimento trazem consigo diversas formas de questionar. Um experimento que suscita diversas questões (não diversas respostas) pode fazer o visitante sair da exposição mais curioso acerca do experimento e do fenômeno que ele ilustra. Isso leva o visitante a procurar mais conhecimento, que pode não ser a intenção deste museu.
- 4. Simplicidade: experimentos mais simples e que não trazem elementos escondidos na sua confecção (caixas-pretas) podem ser muito mais envolventes ao visitante, pois ele pode ver as partes que o compõe e até mesmo criar modelos explicativos não só sobre o funcionamento do experimento, mas também sobre a geração do fenômeno ilustrado por ele.
- 5. Desafio: capacidade que o instrumento tem de gerar questões e desafios a serem resolvidos. Quando o visitante é desafiado, a formulação de hipóteses feita por ele acarreta num raciocínio lógico e, consequentemente, em um aumento da cultura científica aplicada no experimento em questão.
Teixeira e Muramatsu (2013, p.6) exploram o impacto que um experimento pode oferecer e afirmam que essa característica pode ser analisada ainda nas seguintes perspectivas:
- · Visual: que acontece quando o visitante se surpreende com a beleza de alguns experimentos ou fenômenos contemplados sem a interação, que neste caso se torna uma subcategoria desta principal, o contemplativo, ou quando o visitante tem que interagir para que observe o efeito visual, que categorizamos como interativo.
- · Auditivo: que também pode ser contemplativo , quando o som é emitido naturalmente por objetos, como esculturas sonoras ou ruídos emitidos por experimentos em funcionamento, ou interativo , quando o visitante tem que manipular o objeto para que este emita um som.
- · Táctil: que ocorre quando há sensações de choque ou vibração, por exemplo, decorrentes de uma interação com algum experimento.
Como dito anteriormente, o objetivo deste trabalho é investigar quais das características citadas acima estão presentes nos experimentos de Física que mais chamaram a atenção do público em geral no evento 'Física na Praça'.
Optou-se por utilizar a metodologia de pesquisa qualitativa. Utilizamos dois tipos de instrumentos de coleta de dados. O primeiro foi a entrevista estruturada, elaborada a partir de um roteiro com perguntas abertas para ser seguido de forma sistemática, com intuito de não induzir as respostas dos sujeitos de pesquisa. O segundo instrumento foi o Diário de Campo, um registro com anotações livres do entrevistador que teve o objetivo de complementar os dados com informações adicionais relevantes, não contempladas no roteiro de perguntas da entrevista, mas que foram apresentadas espontaneamente pelos entrevistados ou a partir da própria observação do entrevistador.
A entrevista foi realizada junto aos participantes do evento 'Física na Praça', uma exposição itinerante realizada pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), que aconteceu em duas cidades diferentes do Sul de Minas: Alterosa e Gonçalves.
Os experimentos utilizados pertencem ao acervo do Centro Ciências da UNIFEI, o InterCiências. A pesquisa foi realizada nesses eventos por abranger um público mais diversificado e de diversas faixas etárias, podendo oferecer resultados mais significativos. Responder à entrevista era facultativo e a escolha da pessoa a ser abordada foi através da observação daqueles que já haviam interagido com todos os experimentos da exposição. Devido à natureza das perguntas, optamos por trabalhar com o público com idades a partir de 10 anos.
Cada um dos participantes foi questionado sobre cinco itens: 1- Você pode interagir livremente com o equipamento?; 2- Você considerou o experimento desafiador?; 3- Foi possível ver e entender o funcionamento do equipamento com facilidade?; 4- O experimento possuía algum tipo de aspecto visual, auditivo ou físico (exemplos: fenômenos coloridos, choques elétricos, sons atrativos...) que chamou sua atenção? Se sim, qual (ou quais)?; 5- Os experimentos apresentados estão relacionados a conceitos de Física. Você consegue verificar, no experimento escolhido, alguma relação com alguma outra área do conhecimento (Biologia, Geografia, Matemática)? Qual (ou quais)?
A partir da análise dos resultados coletados nas entrevistas realizadas, os experimentos foram incluídos nas seguintes categorias: Impactante Táctil, Interatividade, Simplicidade e Desafio para a Garrafa de Leyden e Impactante Visual Contemplativo e Simplicidade, para a Composição de Rostos.
- O segundo instrumento de coleta de dados foi o Diário de Campo, que, para Tezani (2004),
- (...) consiste em um caderno onde são registradas todas as informações depois de observadas; são registradas as observações, as conversas, os comportamentos, os gestos, ou seja, tudo que esteja relacionado com a proposta da pesquisa como um rascunho, uma matéria bruta que depois necessita de lapidação (p.13).
- O Diário de Campo foi elaborado por um dos autores desta pesquisa, que também era o responsável pela realização das entrevistas. Embora as perguntas da entrevista possuíssem um caráter direto para contemplar as categorias, grande parte dos visitantes acabavam por fornecer mais informações, ainda que não tivessem sido diretamente questionados para tal. Essas informações adicionais eram registradas no diário de campo, e são dados complementares para as análises.
Foram realizadas 96 entrevistas, sendo 70 delas no evento realizado na cidade Alterosa e 26 na cidade de Gonçalves. Esta diferença foi devido à quantidade de pessoas que compareceram ao evento em cada cidade, uma vez que em Gonçalves este número foi menor.
## Resultados Obtidos
Inicialmente, nas 96 entrevistas realizadas, tínhamos a intenção de investigar quais dos diversos experimentos apresentados no evento, tinham despertado maior interesse no público. Assim, questionamos 'Qual experimento você mais gostou?' e foram diversos os citados. Neste trabalho nos limitamos a descrever apenas os relatos apresentados que se referem aos experimentos: a Garrafa de Leyden, citada 43 vezes no total de entrevistas, e a Composição de Rostos, citada 6 vezes. Optamos por não apresentar todos os experimentos para podermos enfatizar, com um pouco mais de detalhes, os resultados obtidos. A
escolha pelos dois equipamentos foi devido às características citadas, pelos entrevistados, como as que mais chamaram a atenção para aquele equipamento, que destacamos na análise dos resultados, a seguir.
A Composição de Rostos trata-se de uma estrutura de madeira na qual são fixadas tiras de espelhos planos igualmente espaçadas. Dois visitantes sentam um de cada lado do experimento (Figura 1) e ao conseguirem posicionar seus rostos a mesma altura irão observar um reflexo que é uma mistura de partes da face de cada um deles.
Figura 1 - Visitantes interagindo com o experimento 'Composição de Rostos'
<!-- image -->
A Garrafa de Leyden (Figura 2) exposta é uma garrafa plástica cheia de água (não pura) com um fio de cobre como condutor interno. O condutor externo passa a ser a própria mão do monitor que toma conta do experimento.
Figura 2 - Garrafa de Leyden
<!-- image -->
Ao analisarmos os resultados juntamente com as informações coletadas no diário de campo, foi possível notar que as categorias de atrativos apresentadas pelos autores Teixeira, Steinicke e Muramatsu (2009) não foram suficientes para caracterizar totalmente os experimentos, o que gerou a necessidade da ampliação dessas categorias. Com relação aos atrativos presentes nos dois experimentos escolhidos, foram redefinidas as categorias Simplicidade, para Simplicidade Grau 1 e Grau 2; e da categoria Desafio, que passou a abranger mais do que o fator lógico, mas também o fator Emocional .
A categoria Simplicidade precisou ser modificada para que se pudesse ter uma visão clara sobre o tipo de simplicidade aqui tratado. A categoria apresentada pelos autores Teixeira, Steinicke e Muramatsu (2009) abrange de uma só vez aqueles experimentos que não apresentam elementos escondidos em sua confecção e que também podem fazer com que o visitante crie, por conta própria, modelos explicativos sobre os fenômenos ilustrados. Dessa forma, surgiu a necessidade em dividir estas duas visões, sendo criadas as categorias:
- · Simplicidade grau 1: O experimento não possui elementos camuflados em sua confecção, permitindo a visualização de todas as partes que o compõem. Este tipo de equipamento facilita a explicação do monitor e o entendimento dos fenômenos físicos ali abordados, porém, dificilmente o visitante será capaz de entender por conta própria o fenômeno sem ter recebido uma explicação prévia.
- · Simplicidade grau 2: O experimento também não possui elementos camuflados em sua confecção, porém, por ilustrar fenômenos que necessitem de menor grau de abstração podem fazer com que o próprio visitante crie modelos explicativos sobre a geração do fenômeno tratado.
No entanto, a simplicidade de um experimento deve ser tratada com cuidado, uma vez que a classificação em Simplicidade grau 1 e Simplicidade grau 2 pode variar de pessoa para pessoa. A necessidade desta divisão surgiu do fato de que muitos dos equipamentos escolhidos e apontados pelo público, apesar de não apresentarem elementos escondidos em sua confecção, muitas vezes não possuíam a característica de fazer com que o público criasse modelos explicativos sobre os fenômenos físicos por conta própria (como no caso da Garrafa de Leyden), exigindo a intervenção do monitor nas explicações. Este fato, porém, não foi um agravante na escolha do visitante, que apesar de precisar de orientação para a compreensão dos fenômenos ainda assim eram atraídos pelo experimento. Sendo assim, apenas a ausência de elementos camuflados na confecção de um equipamento já é uma característica suficiente para atrair a atenção do público, uma vez que este fator pode ainda contribuir tanto para a explicação do fenômeno ilustrado, realizada pelo monitor, quanto na compreensão do público.
Por outro lado, alguns dos equipamentos citados pelos entrevistados apresentavam as duas características simultaneamente: todos seus elementos eram expostos e ainda eram capazes, por si só, de fazerem com que o visitante pudesse criar explicações para os fenômenos ali tratados por conta própria (como no caso da Composição de Rostos). Sendo assim, esta também é uma característica que pode vir a atrair as pessoas, e dessa forma a categoria parece ficar mais bem descrita pelos dois níveis de Simplicidade criados.
No caso da categoria Desafio , a visão apresentada por Teixeira, Steinicke e Muramatsu ( opus cit ) remete unicamente ao fator lógico relacionado ao termo, à resolução de um quebra-cabeça ou situação problema. Porém, ao questionarmos os entrevistados quanto à presença de um desafio em dado experimento (no caso a Garrafa de Leyden), muitos deles classificaram a atividade como desafiante. Neste caso, 'desafio' está relacionado a um significado mais amplo, que reside no ato de instigar alguém a realizar alguma tarefa, que, normalmente, está além de suas habilidades motoras, lógicas ou emocionais (como, por exemplo, o caso do medo). Muitos participantes alegaram possuir medo de choques elétricos e encaravam a atividade citada como um desafio simplesmente por necessitarem vencer essa barreira emocional. Portanto, a categoria Desafio passou a abranger também o caráter emocional relacionado ao termo, especificamente, neste caso, o medo.
Ressaltamos aqui o fato de que o tema tratado neste trabalho ainda não foi muito abordado na comunidade de pesquisadores, não havendo muitos referenciais teóricos para complementá-lo. A ampliação das categorias parece adequada, no entanto, não são necessariamente definitivas, uma vez que novas pesquisas podem trazer elementos mais relevantes para defini-las.
A partir das características apresentadas, a Garrafa de Leyden possui os atrativos: Impactante Táctil, Interatividade, Simplicidade Grau 1 e Desafio, enquanto a Composição de Rostos destaca-se nos atrativos: Impactante Visual Contemplativo e Simplicidade Grau 2.
## Conclusões
Eventos em praça pública, como o 'Física na Praça', apresentam uma particularidade ímpar, que é a heterogeneidade do público que os visitam. Essa particularidade faz com que ao se realizar tal evento, os experimentos utilizados devem possuir qualidades (ou atrativos) que façam com que os participantes se sintam envolvidos e queiram participar efetivamente das atividades propostas nesses eventos.
- O tema tratado neste trabalho ainda não foi muito abordado na comunidade de pesquisadores, não havendo muitos referenciais teóricos para complementá-lo. As ampliações das categorias de atrativos realizadas, apesar de não serem definitivas, podem vir a contribuir para o atual cenário das pesquisas na área, ainda carentes de propostas capazes de orientar a avaliação de trabalhos dessa natureza. Esperamos, em breve, ter a oportunidade de divulgarmos resultados sobre outros equipamentos e categorias.
Espaços de divulgação científica com perfil de museus e centros de ciências, como o Espaço InterCiências - o Centro de Divulgação Científica da UNIFEI - tem a pretensão de receber um público cada vez mais diversificado e acreditamos que esta pesquisa pode auxiliar à criação de um acervo cada vez mais diversificado capaz de atrair visitantes heterogêneos.
## Referências
CERATI, T. M. ; SIAO, J. F. M. Alfabetização científica em espaço de educação não formal: analisando possibilidades . In: XII Reunion Bienal de la Red Pop, 2011, Campinas. La profissionalizacion del trabajo de divulgacion cientifica. CAMPINAS: UNICAMP, 2011. v. 1. p. 110-111.
MONTEIRO, I.C.C. e GASPAR, A. Um estudo sobre as emoções no contexto das interações em sala de aula. Investigações em Ensino de Ciências . v.12, n.1, pp. 71-84, 2007.
TEIXEIRA, J.N.; STEINICKE, G.; MURAMATSU, M. Construção e Avaliação de Experimentos Demonstrativos Utilizados em Centros de Ciência e Projetos de Divulgação Científica . XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2009.
TEIXEIRA, J. N.; MURAMATSU, M. Experimentos Impactantes de Ciência e sua importância para a divulgação científica . XX Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2013.
TEZANI, T. C. R. A Pesquisa Etnográfica na Educação: fundamentos e perspectivas . Linhas (UDESC), Florianópolis, v. 5, n.1, p. 107-122, 2004.
VIGOTSKI, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo. Editora Martins Fontes, 2001.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.