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A construção de um perfil identitário de curso:intenções detectadas

Beatriz S.C.Cortela, Roberto Nardi

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
28/10/2014
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A CONSTRUÇÃO DE UM PERFIL INDENTITÁRIO DE CURSO: INTENÇÕES DETECTADAS

## THE BUILDING OF PROFILE OF THE COURSE: INTENTIONS DETECTED

## Beatriz S.C.Cortela , Roberto Nardi , 1 2

1

UNESP/Fac. Ciências/ Dep. Educação, biacortela@fc.unesp.br 2 UNESP/Fac. Ciências/ Dep. Educação, nardi@fc.unes.br

## Resumo

Este trabalho apresenta um recorte de uma pesquisa de doutorado que investigou quais são os fatores limitantes a serem superados por um programa de formação inicial de professores de Física com vistas a atingir o perfil identitário de curso proposto em seu Projeto Pedagógico de curso (PPC). A partir do levantamento dos ideais pretendidos, foram analisadas as ações realizadas por professores, coordenadores e gestores visando sua implementação. Os dados foram recolhidos a partir de documentos oficiais, de notas de campo elaboradas durante as reuniões entre docentes e de entrevistas realizadas com parte dos sujeitos. Trata-se de uma pesquisa na ação pautada em princípios habermasianos. Para a análise dos dados, foram utilizados dispositivos da Análise de Discurso, na perspectiva francesa de Pêcheux. O recorte aqui apresentado procura evidenciar as intencionalidades detectadas a partir da análise dos discursos presentes nos textos, na fala dos diferentes sujeitos envolvidos e nas ações empreendidas por eles durante este processo. O que se pode concluir é que as intenções dos envolvidos são permeadas de contradições, uma vez que em alguns aspectos trabalham no sentido de dar ao curso a identidade da licenciatura e em outros, procuram manter o status quo , ou seja, uma licenciatura que forma alunos com perfis de bacharéis.

Palavras-chave : Formação inicial de professores de Física. Currículo. Análise de Discurso.

## Abstract

This article presents part of a PhD research that investigated what are the limiting factors to be overcome by an initial training program for teachers of physics in order to achieve the identity profile of your proposed course on Pedagogical Project Course (PPC). From the survey of the intended ideal, the actions taken by professors, coordinators and managers seeking its implementation were analyzed. Data were collected from official documents, field notes taken during meetings between professors and interviews with the subjects belonging to the faculty of the course. This is a research in action grounded in Habermas principles. For data analysis, we used analytical devices of discourse analysis, using the French perspective of Pêcheux. The outline presented here seeks to highlight the intentions identified through the analysis of discourses present in the texts, in the speech of different subjects involved and the actions undertaken by them during this process.

What one can conclude is that the intentions of the involved professors are permeated of contradictions, since in some aspects they intend to give to the program a teacher's identity (licenciatura) and in other ones they try to maintain the status quo , that means, a teachers program which a bachelors' profile.

## Keywords : Initial teacher of Physics. Curriculum. Discourse Analysis

## Introdução

Este artigo traz um recorte de uma pesquisa qualitativa, longitudinal, que investigou o processo de implementação de um projeto de formação inicial de professores de Física de uma universidade pública. Tem por objetivo apresentar algumas das intenções detectadas a partir da análise de discursos presentes nos textos oficiais, nas falas de diferentes sujeitos e nas ações empreendidas por eles.

A partir dos ideais pretendidos para o curso, presentes no marco referencial de seu PPC, foram levantadas e analisadas as ações promovidas tanto por docentes, quanto por coordenadores de curso e gestores universitários visando atender às novas diretrizes do referido documento, tanto no sentido de atingir um determinado perfil de aluno egresso, quanto no de propiciar aos docentes formadores condições e elementos para desenvolverem seu trabalho pedagógico dentro de um novo (para os sujeitos) modelo formativo, que aponta para a superação da racionalidade técnica em favor da racionalidade prática .

A discussão desta problemática é bastante atual e pertinente, uma vez que os cursos de licenciatura paulistas deverão passar por reformulações visando atender a Deliberação 111/2012, que fixa as Diretrizes Complementares para Formação de Docentes para a Educação Básica nos Cursos de Licenciatura no estado. Entendemos que uma reestruturação curricular não reflete (ou materializa) apenas as ideologias subjacentes às reformas determinadas pelas instâncias políticas. Concordando com Gauthier (1998), pesquisadores (Cortela 2004 e 2011; Camargo, 2007, Kussuda, 2012) também indicam que um PPC é resultado de composição de forças, decorrentes da mobilização de diferentes grupos que se organizam visando proteger suas conquistas, seus territórios acadêmicos.

Assim, a construção de um perfil identitário de curso depende de diferentes fatores, de todo um entorno que determina as condições de produção dos discursos nele encontrados. Considera-se que levantar e explicitar os interesses dos grupos majoritários, ou de grupos minoritários, mas melhor articulados, favorece uma visão mais crítica e abrangente dos problemas enfrentados pelos grupos em questão e a possibilidade de reverter posições.

## A pesquisa: breve descrição do processo

A investigação foi realizada entre 2006 e 2009, período em que se formou a primeira turma de alunos dentro de uma nova configuração curricular que, potencialmente, difere da que a antecedeu. Buscou levantar e analisar os fatores limitantes a serem superados por um programa de formação de professores de Física com vistas a atingir o perfil identitário de curso proposto em seu PPC. Decidiu-se por realizar uma pesquisa na ação a partir da abertura de espaços para discussões e reflexões junto aos docentes formadores, propostas num plano de trabalho ao coordenador do curso e em consonância com os demais envolvidos. Zeichner e Pereira (2005) argumentam que pesquisas deste tipo podem propiciar a

melhoria da formação profissional dos envolvidos, influenciar mudanças institucionais e contribuir para que a sociedade se torne mais democrática.

Seriam três reuniões com cada grupo de docentes que trabalham com os alunos dos diferentes termos do curso. Estavam previstos 24 encontros, 12 em 1 cada semestre e o objetivo era propiciar momentos para que os docentes apresentassem as metas de sua disciplina, as formas de trabalho adotadas por eles, suas dificuldades didáticas e a discussão de possíveis trabalhos interdisciplinares. Buscou-se ouvir os indivíduos que tinham maior vinculação ao problema. A escolha recaiu sobre os docentes que trabalharam diretamente com o curso durante 2009, ano em que se formou a primeira turma desde a reformulação curricular, ocorrida em 2006. Concordando com Giger (2005), é preciso ter acesso às razões de agir dos sujeitos, ou seja, às motivações que permeiam suas ações, visando compreender o que fazem, porque e como o fazem.

- O grupo para as reuniões era composto por 23 professores de diferentes departamentos, geralmente seis em cada encontro. Optou-se por entrevistar apenas os docentes do departamento de Física (16) porque: eram os responsáveis pela maioria das disciplinas do curso; todos eram titulares; já haviam sido entrevistados em 2003 (visando um trabalho longitudinal (Cortela, 2004)); e eles participaram, direta ou indiretamente, de todo o processo iniciado em 2002).

A pesquisadora baseou suas condutas na Teoria da Ação Comunicativa de Habermas (Habermas, 1987; Gonçalves, 1999). A partir de notas de campo coletadas durante estas reuniões, foram elaboradas atas, posteriormente enviadas aos participantes para correção de possíveis atos falhos e conhecimento da síntese dos assuntos discutidos e das tomadas de decisões, ou seja, as memórias do grupo. Já as entrevistas objetivaram levantar informações sobre modificações ocorridas no período e que, na perspectiva dos sujeitos, visavam atingir o perfil identitário de curso previsto. Pediu-se para que focassem suas falas nas mudanças em suas próprias práticas, na organização do grupo e na gestão universitária.

Considerando que na concepção harbermasiana de ação comunicativa a linguagem ocupa espaço de destaque, é importante considerar o sentido dado às palavras e os contextos onde se inserem. Assim, optou-se por utilizar dispositivos da Análise de Discurso, na linha francesa de Pêcheux (1990), que embasa os trabalhos de Orlandi (2002) e Brandão (2002) para a análise dos dados. Esta foi feita usando três instrumentos: textos de documentos (PPC, planos de ensino das estruturas curriculares e textos de uma formação em serviço); entrevistas; e atas dos encontros docentes.

## Apresentação e análise de alguns dados: explicitando intenções

Visando apresentar algumas das intenções dos sujeitos, detectadas a partir dos discursos presentes em diferentes textos, organizamos as análises e discussões destacando onde se refletem: no perfil identitário de curso, proposto no PPC e no perfil identitário de aluno, implícito nos planos de ensino dos docentes; e nas ações dos sujeitos durante a formação da primeira turma de alunos.

## 1-Composição de forças no processo de elaboração do PPC

Consideramos que o Consenso de Washington balizou a doutrina do neoliberalismo que orientou as reformas sociais dos anos 90 da década passada, quando setores econômicos internacionais passaram a tutorar as reformas de Estado nacionais. O PPC analisado foi o produto de um longo processo de reformulação curricular (2002-2006), visando atender às novas expectativas geradas pelos vários documentos na área educacional: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1998) e as Diretrizes Curriculares para Formação de Professores (CNE/CP 01/2002).

Uma Comissão docente foi encarregada de elaborar um novo projeto que atendesse à legislação. Eram sete professores, sendo seis bacharéis do departamento de Física e um licenciado do departamento de Educação, pesquisador na área de Ensino de Física. Os dados apontam que o PPC, tem um discurso polifônico, pois buscou abarcar diferentes concepções. Ele está afinado com autores que defendem a profissionalização docente, pautada na concepção do professor prático-reflexivo (Schön, 1992); incorporou resultados de pesquisas na área do ensino de Física, que apontam para um caráter integrador das disciplinas e sugerem a adoção de metodologias de ensino que levem em consideração a abordagem dos conteúdos a partir da História e Filosofia da Ciência (HFC), as relações entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA), buscando uma interdisciplinaridade.

Mas, ao mesmo tempo, busca atender a duas diretrizes, que diferem em muitos aspectos. As Diretrizes do MEC determinam que a formação do professor deva partir da organização da matriz curricular que inverte a lógica que tradicionalmente presidiu a organização curricular das licenciaturas: ao invés de girar em torno de das disciplinas obrigatórias e suas respectivas cargas horárias e conteúdos, o novo modelo exige tomar como marco referencial as competências e habilidades almejadas para o futuro professor a ser formado, distribuindo as disciplinas didático-pedagógicas ao longo de todo o curso, saindo da estrutura '3+1', adotando um caráter integrador. E estas intenções são contempladas.

Já as Diretrizes curriculares da Física (CNE/CES 09/2002), propõem um perfil de físico em geral, sugerindo que as disciplinas sejam organizadas no modelo formativo '2+2', podendo ser cursadas simultaneamente por bacharéis e licenciandos, apesar dos perfis profissionais serem diferentes. Assim, como estava no ideário coletivo dos sujeitos a aprovação de um curso de bacharelado (que ocorreu somente em 2012) e apesar de a estrutura curricular ser organizada de forma a manter o caráter integrador, o corpo das disciplinas foi estruturado para atender aos interesses do perfil do bacharel. Esta intenção também se reflete na forma como está explicitado objetivo do curso. Segundo o PPC (p.26) o curso de licenciatura em Física 'tem como objetivo principal formar o professor de Física para o ensino médio possibilitando ao profissional formado dedicar-se à continuidade da formação na área de Ensino de Ciências ou áreas afins'. Esta frase possibilita um duplo sentido quanto ao perfil do aluno egresso, justificado por um dos sujeitos como um benefício, com vistas à permitir ao aluno, um leque maior de atuação profissional.

alunos possam optar entre Ciências de Materiais ou Educação para Ciências, que são os dois cursos de Pós-Graduação da Unidade. (CAMARGO, 2007, p.185)

Estende que isso pareça coerente ao sujeito, mas o sentido remete a diferentes formações discursivas, pois ao mesmo tempo em que permite flexibilidade ao projeto, legitima os reais interesses dos autores e que resulta num perfil identitário de curso duplo e dúbio, decorrente de um modelo híbrido de formação pretendido. Pois, ao mesmo tempo em que o Marco Filosófico do PPC aponta a formação do físico-educador, por outro lado, se organiza no sentido de favorecer e manter o cerne na formação do físico-pesquisador, a partir dos planos de ensino.

Quanto à estrutura curricular do curso, com carga horária de 2.820h, foi organizada a partir de três eixos articulados: Conhecimentos Básicos da Física e Ciências afins e seus instrumentais matemáticos, Conhecimentos DidáticoPedagógicos do professor de Física: e CTSA e desenvolvimento Humano. O eixo articulador são as disciplinas de Metodologias e Práticas de Ensino de Física (I a V) e os Estágios Supervisionados (I a IV), distribuídos ao longo de todo o curso, rompendo a distribuição curricular hegemônicos em cursos de licenciatura da área, principalmente.

PB Eu acho que pra esse departamento, ele é muito arrojado. Prá um departamento onde não existe um compromisso com o ensino [...] É ótimo, mas acho que você conseguir o compromisso das pessoas com aquilo é irreal, não sei como eles fizeram isso. O prof E1 deve ter...né... ele tem uma visão muito grande nesta área, uma expectativa muito alta. (Cortela, 2011, p.255-256)

Quanto às intenções, os dados apontam que o processo foi desencadeado por 'força da lei'. O atendimento à legislação foi o fator preponderante, apesar de também haver certo descontentamento de docentes quanto à formação oferecida (CORTELA, 2004), eles não se mobilizaram antes que a lei exigisse. O PPC atende as intenções do Estado e elas são dúbias, uma vez que incorporam o discurso neoliberal, disfarçado entre os discursos de autores da área de ensino adotados como referenciais do documento. Pereira (1999) afirma que a atual LDB tem um caráter polifônico, uma vez que nela convivem termos e expressões inconciliáveis. Entendemos que mesmo ocorre com os PCNs, com as Diretrizes para formação de professores, tanto daquela proposta pelo MEC quanto da proposta pela SBF.

Foram feitos dois tipos de análises em 32 planos no total, sendo 16 de cada um dos PPC. Uma comparação entre as mesmas disciplinas nas duas estruturas (ex: Física I); e análise somente dos planos do atual PPC, buscando verificar se contemplavam as orientações contidas no eixo em que a disciplina está inserida, explicitadas no PPC. Como os dois projetos buscam, pelo menos em nível de discurso, atingir Marcos Referenciais distintos, esperava-se detectar diferenças, principalmente nas ementas e nas metodologias de ensino adotadas. As categorias de análise foram: ementas, cargas horárias, conteúdos, metodologias, formas de avaliação e referências. As disciplinas novas e as que foram extintas não foram analisadas comparativamente nas duas estruturas; aquelas que apenas mudaram de nome, mas mantiveram os mesmos conteúdos, foram comparadas.

O que se constatou foi que a maioria das modificações empreendidas nos planos foram superficiais e decorrentes do aumento (ou da diminuição) de cargas horárias. A racionalidade técnica é percebida na maioria dos planos das disciplinas que abordam temas específicos da Física e as de instrumentais matemáticos. Ficam

evidentes nas metodologias tradicionais adotadas e nas formas de avaliação, geralmente, a média aritmética obtida a partir de duas provas individuais; nos objetivos explicitados. Alguns sujeitos disseram que algumas ementas de disciplinas específicas já estavam prontas mesmo antes de ser aprovado no PPC, uma vez serviriam também ao bacharelado. Na fala de um dos sujeitos estão presentes os discursos de uma classe:

PD Porque o problema deste curso, em particular, é uma tensão explícita entre a licenciatura e o bacharelado. Por que somos amplamente, majoritariamente, da área de Física e Materiais [...] nós acabamos puxando, no sentido de levar, esta licenciatura para um semibacharelado. (Cortela, 2011, p.264)

Dados apontaram que este modelo formativo, mesmo com incoerências, propiciou uma melhoria nos índices de evasão e retenção do curso, em comparação com turmas anteriores e com dados do INEP/2008. Dos 40 alunos ingressantes em 2006, 34 chegaram ao último termo. Destes 34, 19 alunos concluíram a licenciatura em Física em 2009; 12 foram para cursos de pós-graduação (dois na área de Educação para Ciências e nove na área de Ciência e Tecnologia de Materiais e um na área de Astronomia), dois alunos eram docentes no Ensino Médio e 5 estavam em outras profissões. Ou seja, o modo como os alunos são formados, de certa forma, os encaminha para cursos de pós-graduação, apesar de não ser determinante. Concordando com Cunha (1998, p.35) '[...] o professor universitário é o agente principal das decisões no campo [...], mesmo desconhecendo o arbitrário que envolve suas escolhas, é (quem) concretiza a definição pedagógica e, na estrutura acadêmica de poder, representa a maior força'. Os seja, as intenções dos grupos majoritários foram contempladas.

## 2-Composição de forças no processo de implementação do PPC

As entrevistas mostram alguns movimentos no sentido de propiciar que o perfil identitário de curso fosse construído. Entre eles, estão: abertura de espaços para que pesquisas pudessem ser feitas; acolhimento de novas perspectivas de trabalho coletivo; e oferecimento de um tipo de formação em serviço pela universidade, na forma de oficinas.

Em relação aos encontros docentes, propostos pela pesquisadora, estes seriam conduzidos pela coordenação do curso. De maneira intencional, a pesquisadora esteve sempre presente junto à coordenação durante o primeiro semestre, suscitando o agendamento dos encontros e registrando estes momentos, construindo a memória do grupo a partir das notas de campo. No segundo semestre, houve um afastamento estratégico, procurando verificar como os sujeitos agiam na ausência de pressões externas. Os dados apontam que houve uma desmobilização em torno do projeto, uma vez que ocorreram somente 11 encontros, 8 no primeiro semestre, 3 no segundo. Isto pode ser decorrente de vários fatores, não excludentes entre si: desinteresse dos envolvidos para com o projeto, dificuldades por parte da coordenação, excesso de atividades a serem cumpridas por parte dos sujeitos, entre outras. As reuniões diferiram em muitos aspectos: cumprimento de horários, organização durante as falas, temas abordados e envolvimento no trabalho proposto. O que se percebeu, de modo geral, foi que houve a intenções de controle quanto à condução deste processo por parte da Coordenação do curso, que é legítima e esperada. Mas que, no entanto, teve problemas nesta condução, desde o agendamento de reuniões, até com a presença dos professores às reuniões, o

cumprimento de horários, entre outros. Na construção de um trabalho coletivo, acordado anteriormente, o comprometimento com os objetivos e o respeito ao tempo do outro são alguns dos sinalizadores do envolvimento dos sujeitos.

PB : Na Física você não consegue fazer isso (reuniões coletivas) Você vê a dificuldade para realizar a reunião dos termos. É difícil! Só se a partir de agora ... (CORTELA, 2011, p. 254).

## Considerações Finais

Esta reestruturação curricular, deflagrada por força de lei, desenvolveu-se em torno de outros valores menos coercitivos, mas nem por isso, deixam de influenciar política e filosoficamente as condutas dos sujeitos dentro da própria estrutura acadêmica. Condutas estas que se refletem na forma como se desenvolvem (ou estacionam) os processos de discussão e planejamento de ações entre os docentes, coordenadores de curso e do próprio departamento, visando à implementação da mesma.

- O que se pode perceber é que as intenções dos envolvidos são permeadas de contradições. Ao mesmo tempo em que muitos dos sujeitos e gestores falam sobre a importância da licenciatura e do trabalho coletivo, suas ações apontam em outro sentido. Quanto às Diretrizes para formação de professores, ao mesmo tempo que sinalizam na mesma direção que as pesquisas em Educação e em Ensino de Física, apresentam um discurso polifônico, que confunde e/ou permite brechas para a permanência de práticas tradicionais. Também sua efetivação, assim como os documentos complementares, esbarra em condutas docentes enraizadas, em uma cultura universitária organizada em departamentos, ainda compartimentada, resistente a mudanças, na qual a atividade de ensino ainda é bastante desvalorizada, em comparação com as atividades de pesquisa e de gestão.
- Ou seja, a efetivação de um perfil identitário de curso está também subordinada a questões que fogem à competência dos sujeitos envolvidos, tais como: aqueles relativos à estrutura ou organização, próprios da IES ou do departamento onde estão locados; contratação de docentes que tenham o perfil condizente com as novas práticas deles esperadas; por um trabalho sistemático de coordenação que favoreça as discussões e reflexões do grupo em torno de questões emergentes e por políticas de valorização das atividades docentes por parte da Universidade.

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