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UMA PROPOSTA PARA UM DIÁLOGO INTERDISCIPLINAR: I MOSTRA - PRIMAVERA CULTURAL: CINEMA E ENSINO DE CIÊNCIAS

Maria Romênia Da Silva, Midori Hijioka Camelo

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
28/10/2014
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UMA PROPOSTA PARA UM DIÁLOGO INTERDISCIPLINAR: I MOSTRA - PRIMAVERA CULTURAL: CINEMA E ENSINO DE CIÊNCIAS

## A PROPOSAL TO AN INTERDISCIPLINARY DIALOGUE: I SHOW - CULTURAL SPRING: CINEMA AND SCIENCE TEACHING

Maria Romênia da Silva , Midori Hijioka Camelo 1 2

- 1 Universidade Federal do Rio Grande do Norte/CCET romeniadsilva@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Rio Grande do Norte/CCET mh-camelo@uol.com.br

## Resumo

O potencial educativo do cinema é ressaltado por diferentes autores que sinalizam ser este um instrumento pedagógico muito rico para o ensino-aprendizagem de conteúdos das mais diversas áreas de conhecimento. No entanto, a lacuna de formação dos professores também é apontada. Este trabalho constitui-se de uma pesquisa em andamento na perspectiva da formação cultural dos professores de Ciências e Matemática, particularmente no uso do cinema. A partir da aplicação de um pré-questionário e de um questionário, realizou-se a sondagem quanto à familiaridade com o cinema na formação inicial, bem como as visões sobre o uso desse recurso nas escolas. Os resultados corroboram com as pesquisas que indicam a pouca familiaridade com aspectos técnicos e com a linguagem do cinema. A partir do pré-questionário, detectou-se o interesse dos licenciandos em ciências e matemática pelo cinema e por atividades extracurriculares do tipo 'Mostra de Cinema'. A 'I Mostra - Primavera Cultural: Cinema e Ensino de Ciências' é um dos produtos do mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da UFRN.

Palavras-chave : Cinema, Ciência, Arte, formação de professores.

## Abstract

The educational potential of cinema is highlighted by different authors that indicate be this a very rich pedagogical instrument to the teaching-learning of contents from various areas of knowledge. However, the gap of teacher's formation is point too. This work consisted of an ongoing research in perspective of cultural formation of Science and Mathematic's teachers, particularly in the use of cinema. From the application of a pre-questionnaire and a questionnaire, held the survey as familiarity with the use of cinema, in the initial formation, as well as theirs visions about the use this resource in schools. The results corroborate with the researches that indicates the little familiarity with technical aspects and with the cinema's language. From the result's pre-questionnaire, was detected the Science and mathematics graduate's interest by cinema and by extracurricular activities type of 'Cine Show'. The 'I Show Cultural Spring: Cinema and Science Teaching' is a product of the professional Master's Program Graduate School of Science and Mathematics UFRN.

Keywords : Cinema, Science, Art, Teaching formation

## Introdução

Este trabalho constitui-se de uma pesquisa em andamento na perspectiva da formação cultural dos professores de Ciências e Matemática, particularmente no que se refere à relação dos professores dessa área com o cinema. O potencial educativo do cinema é ressaltado por muitos autores (NAPOLITANO, 2013; ALMEIDA 2000; RESENDE, PEREIRA, VAIRO, 2011; FEREIRA et. al., 2010), que revelam, também, a lacuna de formação. Segundo Andrade (2000), os professores usam esses recursos sem um respaldo operacional adequado que 'pouco ou nada incluem nos seus currículos sobre a utilização dos recursos audiovisuais em sala de aula' (FRANCO, 1992, p. 21 apud ANDRADE, 2000, p. 4).

Partindo de um pré-questionário aplicado a alguns estudantes da pósgraduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECNM - UFRN), elaborou-se um questionário para os licenciandos dos cursos de Ciências (Física, Química, Biologia e Matemática) da UFRN, bem como uma enquete que permitiu detectar o interesse desses pelo cinema e por atividades extracurriculares do tipo 'Mostra de Cinema'.

Assim, na presente pesquisa de mestrado profissional propôs-se gerar como um dos 'produtos' a 'I Mostra - Primavera Cultural: Cinema e Ensino de Ciências' na UFRN, com o intuito de contribuir com o processo de formação cultural dos professores de Ciências e Matemática, promovendo discussões e debates em torno do cinema.

Desde sua primeira exibição em Paris, no ano de 1895, o cinema vem ocupando um papel cultural e educativo cada vez mais importante na sociedade. Passados mais de um século de sua criação, a riqueza do cinema se revela na tecnologia, na indústria, nos negócios, e acima de tudo, na arte. As pessoas que se detém em pesquisar sobre a sétima arte se deparam com uma vasta referência. 1 Mas, esta arte ainda encontra alguns problemas para entrar na sala de aula, grande parte das experiências que são relatadas, se prendem ao conteúdo das histórias, e não levam em consideração outros aspectos que integram a experiência do cinema (NAPOLITANO, 2013).

O problema é que os filmes se realizam em nosso coração e em nossa mente menos como histórias abstratas e mais como verdadeiros mundo imaginários, construídos a partir de linguagens e técnicas que não são meros acessórios comunicativos, e sim a verdadeira estrutura comunicativa e estética de um filme, determinando, muitas vezes, o sentido da história filmada (NAPOLITANO,2013, p.7).

O cinema é uma importante experiência cultural, tal como a música e a literatura, podendo ser um instrumento pedagógico muito rico para o ensinoaprendizagem de conteúdos das mais diversas áreas de conhecimento e o seu papel na sala de aula vem sendo analisado por diversos pesquisadores

(NAPOLITANO, 2013; SILVA, 2007; DUARTE, 2002; FERREIRA et al., 2010; FERREIRA, C., 2007) , no entanto, esse instrumento pedagógico, segundo Almeida (1994), encontra-se desatualizado.

Parece que a escola está em constante desatualização, que é sublinhada pela separação entre a cultura e a educação. A cultura localizada num saber-usar, e nesse saber-usar restrito desqualificase o educador, que vai ser sempre um instrumentalista desatualizado (ALMEIDA, 1994, p.8).

Não se espera que a partir da atualização de sua formação para com a 'mídia-educação' o professor se torne um crítico cinematográfico; espera-se, sim, que seja capaz de incorporar não apenas a história do filme, mas também outros elementos como construção do personagem, diálogos, linguagem e composição cênica, e que possa, também, em alguns casos estabelecer diálogos interdisciplinares com a ficção científica, fenômenos naturais, história da ciência entre outros que interessam particularmente à formação de professores de Ciências.

- O que os professores de Física do Ensino Básico precisam saber para trabalhar o cinema na sala de aula como um instrumento pedagógico? A resposta a essa questão não é trivial, mas muito contribuirá se o professor puder ter conhecimento do potencial didático do cinema, e compreender o cinema como uma tecnologia formadora, e não apenas como um recurso complementar e ilustrativo (FELIPE, 2006).
- O ato de assistir um filme não se resume em compreender a história que é desencadeada na trama, mas vai além, no sentido de que algumas obras exigem a compreensão de aspectos particulares que são retratados não pela história em si, mas em detalhes que emergem na forma como essa história é narrada. 'Existem elementos sutis e subliminares que transmitem ideologias e valores tanto quanto a trama e os diálogos explícitos' (NAPOLITANO, 2013, p. 57). Nesse sentido, o autor afirma:

Obviamente o professor não precisa ser crítico profissional de cinema para trabalhar com filmes na sala de aula. Mas o conhecimento de alguns elementos de linguagem cinematográfica vai acrescentar qualidade no seu trabalho (NAPOLITANO, 2013, p. 57).

- A compreensão estruturada desses elementos permitirá ao professor enxergar o cinema como um instrumento pedagógico inerente a sua prática docente, como linguagem educativa no âmbito dos valores e ideologia, aos quais podemos atribuir um papel formativo.

Experiências exitosas do Ensino de Física com uso do cinema já foram apresentados por alguns autores (ALVES FERREIRA et al. 2010; BRAGA; GUERRA; REIS, 2007; ALMEIDA, 2000; XAVIER et al.,2010), que sugerem atividades seja relacionadas ao público do ensino médio, ou em ações de formação dos professores.

Segundo Almeida (1994):

- (...) é importante não ver o cinema como recurso didático ou ilustrativo, mas vê-lo como um objeto cultural, uma visão de mundo de diferentes diretores e que tem uma linguagem que performa uma inteligência verbal e, ao mesmo tempo, uma linguagem diferente da linguagem verbal (ALMEIDA, 1994, p.8).

Assim, torna-se necessária a educação para leitura de imagens, ou como destaca Almeida (1994) uma 'alfabetização' de imagens e sons.

## E, de acordo com Alves Ferreira et al (2010),

O uso da sétima arte no ensino de física é uma das questões que se põe no panorama de formação do conhecimento cientifico. Destacase, assim, que sua aplicação na formação física permite não somente que o professor desenvolva novas metodologias em sala de aula, mas, também, que perceba, como sujeito ativo, o papel que a expressão artística tem no desencadeamento de questões (ALMEIDA et al, 2010, p.1).

Vale salientar, que a conexão entre cinema e ciência é antiga, visto que o cinema além de ser um instrumento científico, tornou-se um dos veículos mais utilizados para a divulgação do desenvolvimento da ciência (OLIVEIRA, 2005):

(o cinema) significou também um meio extraordinário de circulação do conhecimento, de experiências e valores culturais. Numa cultura inteiramente permeada pela expectativa de progresso científico e produtos tecnológicos é natural que os meios de comunicação projetem perspectivas semelhantes. Não apenas os documentários e ficções científicas exprimem os conhecimentos desejados e os alcançados, mas até mesmo os dramas (profundos ou tolos) e as comédias revelam a penetração da ciência em nossa cultura (OLIVEIRA, 2005, p.8)

Os filmes podem, assim, serem ao mesmo tempo, compreendidos como uma fonte mais estruturada da História da Ciência e para a apreciação dos valores culturais. 'Embora menos evidente, os filmes nos possibilitam também entender a época e as perspectivas daqueles que reconstruíram em imagens cinematográficas as histórias ocorridas ou imaginadas' (OLIVEIRA, 2005, p.8). As pessoas enxergam a representação dessas imagens em tal proporção, que acabam por ser a única fonte que retrada o desenvolvimento científico e tecnológico que está ocorrendo na sociedade.

Assim, de acordo com Braga,et al (2007):

A ficção cinematográfica quando feita com algum rigor, seja no roteiro como na cenografia, pode ajudar alunos e professores a adquirirem uma apreensão mais diversificada de sua disciplina. Em filmes de época, para além da contextualização, que vai dos problemas técnicos enfrentados pelos homens à indumentária, um filme pode motivar discussões sobre as inquietações e o pensamento científico de um determinado momento histórico. Se ao final, esses filmes puderem ser analisados criticamente por especialistas e confrontados com textos, podem se transformar num meio interessante de motivação e formação (BRAGA et al 2007, p.4).

Logo, os filmes que retratam a ciência podem ser instrutivos tanto para os estudiosos e amantes da ciência, como também para todos aqueles interessados em conhecer um pouco a História da Ciência.

A utilização do cinema pelos professores de Física na perspectiva de práticas transdisciplinares a partir da história da ciência é defendida por Braga et al. (2007):

- O problema da transdisciplinaridade tem estado no centro das discussões educacionais em diversas escolas já há algum tempo. Preocupados com o desinteresse dos alunos pelos conteúdos ensinados, particularmente os de ciências, e mesmo com a formação limitada que os programas vestibulares vem impondo ao ensino médio, algumas escolas têm partido para a construção de um processo de renovação da educação científica. Esse processo, entretanto, esbarra na formação do professorado da área de ciências que impede a implantação de novas experiências educacionais (BRAGA; GUERRA; REIS, 2007, p.1. Grifo nosso).

A necessidade de um olhar mais aprofundado para o processo de formação inicial desses professores de ciências ainda no seio do processo de formação, permitindo que se passe a enxergar o potencial didático do cinema e seu caráter de tecnologia formadora é lembrado, também pelos autores citados:

- O novo professor não pode prescindir de uma boa formação específica onde os fundamentos de cada ciência sejam estudados de maneira detalhada, mas deve também se abrir a outros conteúdos ligados à ciência, desde os mais próximos, como a filosofia, até aqueles considerados mais distantes, como a história e a arte. (BRAGA; GUERRA; REIS, 2007, p. 4)

O diálogo entre essas diferentes áreas do conhecimento é essencial para uma formação integral do professor. Assim como afirma Moran (1995), o cinema pode ser utilizado como conteúdo de ensino, de integração, de avaliação, de aproximação entre ciência e arte , de aquisição de cultura dentre outras possibilidades.

Outro obstáculo apontado por Braga et al. (2007) é a localização de materiais que forneçam essa formação. Algumas contribuições importantes, no entanto, são apresentadas na coleção 'História da Ciência no Cinema' organizado por Oliveira (2005), que considera o uso do cinema como veículo de divulgação dos avanços da ciência e formação de uma audiência que entrevia nas telas o uso ilimitado de suas possibilidades (OLIVEIRA, 2005).

## Pesquisa exploratória sobre cinema e Ensino de Ciências e Matemática

Um pré-questionário foi aplicado a 16 alunos do Programa de Pós-graduação 2 em Ensino de Ciências Naturais e Matemática da UFRN. A partir dos dados coletados nessa sondagem seguiu-se a aplicação de um questionário com os 3 alunos dos cursos de Licenciatura da área de Ciências e Matemática da UFRN em um total 45 questionários. É importante destacar que no intervalo entre a aplicação do pré-questionário e do questionário, foi realizada uma enquete com os licenciandos de Ciências e Matemática, procurando sondar o interesse dos mesmos por atividades que envolvessem cinema, ciência e arte.

A partir da tabulação e análise vislumbramos o perfil dos professores em relação ao cinema no ensino de ciências: 75% dos professores que reponderam o pré-questionário afirmaram utilizar filmes em suas aulas, o que nos conduz a apontar

um interesse desse público em utilizar esse recurso didático. Quando questionados sobre a presença de algumas atividades que envolvesse o cinema durante o processo de formação inicial, 100% dos participantes afirmaram não ter contado durante a graduação com discussões e debates sobre o papel do cinema como tecnologia formadora, conhecimento sobre análise fílmica e aspectos técnicos de produção do cinema.

Tais resultados nos conduzem a refletir sobre o processo de formação de professores da área de Ciências, visto que:

A poesia e a arte, que parecem constituir necessidades urgentes de afirmação da experiência individual, uma visão complementar e indispensável da experiência humana, não podem ficar de fora das atividades interdisciplinares com os jovens nas escolas, mesmo aquelas ligadas ao aprendizado de ciências (MOREIRA, 2002, p. 18 apud PIASSI, 2013, p.15).

Em consonância com as ideia de Moreira, percebemos a necessidade de direcionar o olhar para o processo de formação inicial dos professores desta área, para que possam oferecer aos seus alunos atividades que envolvam discussões e reflexões entre ciência e arte.

Para Piassi (2013, p.18):

A aproximação entre ciência e arte na educação é proposta há tempos por Zanetic (2006), com o papel destacado para literatura, mas a linguagem artística de caráter ficcional tem sido introduzida no ensino de ciências em seus mais variados gêneros: filmes de ficção (ANDRADE, 2000), poemas (MOREIRA, 2002), músicas (RIBAS E GUIMARÃES, 2004), teatro (OLIVEIRA e ZANETIC, 2004) e histórias em quadrinho (KAMEL e LA ROCQUE, 2006).

Nesta perspectiva, a presente pesquisa de natureza prática, buscou elaborar uma Mostra de Cinema como um dos produtos do mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, com a finalidade de promover a aproximação dos estudantes de Licenciatura da área de Ciências (Física, Química, Biologia, e Matemática) com elementos do Cinema. A proposta teve, também, a aprovação como evento de extensão, possibilitando pensar a ação de forma mais abrangente.

## Metodologia para elaboração da 'I Mostra - Primavera Cultural: Cinema e Ensino de Ciências'

A elaboração do evento exigiu articulações de natureza interdisciplinar, articulado com diversos projetos e departamentos da UFRN. O processo de planejamento e organização demandou a escolha das datas, agendamento do espaço para realização da mostra, bem como a escolha dos filmes, preparação dos materiais de divulgação, e contato com os professores envolvidos com cinema no âmbito interno e externo a Universidade, assim como os representantes dos cineclubes.

É importante salientar que, a pesquisa se caracteriza por sua natureza prática, e de acordo com Demo (2011, p.71):

Para educadores a pesquisa prática pode ser a mais pertinente, por estar comprometida com a práxis; trata-se de pesquisa que explicitamente se orienta por projetos de mudança social, sem perder a vinculação com

pesquisa; une saber pensar com saber intervir, visando mudanças estratégicas em favor da comunidade marginalizada.

A I Mostra - Primavera Cultural: Cinema e Ensino de Ciências está prevista para os meses de Setembro e Outubro de 2014, distribuída em seis sessões. Quatro de exibições de filmes, sendo eles: Uma Viagem Extraordinária (2013); Uma Mente Brilhante (2001); Margaret Mee e a Flor da Lua (2013); e Gravidade (2013). E as outras duas sessões serão minicursos com o objetivo de trabalhar o cinema nas três dimensões (história, linguagem e técnica).

Os filmes serão exibidos no Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede na UFRN, no turno noturno (18:00 h), e cada exibição contará com a presença de professores convidados das mais diferentes áreas para participar dos debates. Cogita-se a possibilidade de fazer inscrições preliminares para participação na mostra, visando um controle da quantidade de participantes, almejando uma melhor organização do material de que será distribuído na atividade.

O processo de divulgação da mostra iniciará alguns meses antes do evento, com a distribuição de panfletos e cartazes pela universidade, bem como a criação de uma franpage e de um website com o intuito de popularizar a realização do evento.

## Considerações finais

A contraposição entre a cultura científica e a cultura humanística sinalizada por Snow (1959), se faz presente ainda hoje em nossa cultura. O sistema educativo tem sua parcela de responsabilidade pela propagação desta dicotomia na medida em que os educadores, desde a sua formação inicial, não se vêm estimulados a estabelecer relações entre elas.

Segundo Krasilchik (1992), essa dicotomia, traz graves consequências educacionais, apesar das ondas de indignação na academia. Em sua opinião, melhor faria ela em analisar as suas causas e consequências e procurar construir pontes para tornar transponível o que as separa, eliminando ou alterando preconceitos mútuos, resultantes de um corporativismo acentuado e defensivo cristalizado nas instituições.

Para Lhosa (apud KRASILCHIK, 1992), as diferenças acadêmicas entre literatos e cientistas serão niveladas no futuro pela 'indústria audiovisual' que levará à grande massa da população todos os produtos culturais.

As discussões em torno da utilização do cinema como instrumento pedagógico vêm sendo realizadas há algum tempo, entretanto, as propostas mais consolidadas para orientação dos docentes, só foram elaboradas recentemente (FERREIRA et al., 2010). Observa-se ainda, que a maioria dos professores não se encontram aptos para utilizar esse instrumento pedagógico na sala de aula, revelando uma lacuna na formação inicial.

Assim, com base na pesquisa realizada e considerando o Cinema como uma possível 'ponte' entre as duas culturas, propôs-se a realização da I Mostra Primavera Cultural: Cinema e Ensino de Ciências, visando promover a apropriação da cultura audiovisual na formação inicial dos professores de Ciências e Matemática.

## Referências

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BRAGA, Marco; GUERRA, Andreia; REIS, José Claudio. Cinema e História da Ciência na Formação de Professores . In: XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2007, São Luís. São Paulo: SBF, v. 1, p. 1-9, 2007.

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FERREIRA, Valéria Fabiana S. et al. Cinema e Educação : Reflexões sobre uma prática pedagógica. In: IV Colóquio Internacional: Educação e Contemporaneidade. Laranjeiras, 2010.

KRASILCHIK, M. Em Aberto , Brasília, ano 11, nº 55, jul./set. 1992

MORAN, José Manuel. O vídeo na Sala de Aula . Comunicação & Educação, São Paulo, p. 27-35, Abril 1995.

NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula , 5ª edição - São Paulo: Editora Contexto, 2013.

OLIVEIRA, B. J (org.). História da Ciência no Cinema . Belo Horizonte: Argvmentvm, 2005.

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