TRANSGÊNICOS, PODER E CONSUMO: REFLEXÕES E POSSIBILIDADES NO ENSINO DE CIÊNCIAS
Cinthia Letícia De Carvalho Roversi Genovese, Washington Luiz Pacheco De Carvalho, Luiz Gonzaga Roversi Genovese
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XV
- Ano
- 2014
- Data
- 30/10/2014
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## TRANSGÊNICOS, PODER E CONSUMO: REFLEXÕES E POSSIBILIDADES
## TRANSGENICS, POWER AND CONSUMPTION: REFLECTIONS AND POSSIBILITIES
## Cinthia Leticia de Carvalho Roversi Genovese , Washington Luiz Pacheco de 1 Carvalho 2 , Luiz Gonzaga Roversi Genovese 3
1 Universidade Federal de Goiás / Faculdade de Educação, cinthiaufg@gmail.com
2 Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho / Programa de Pós Graduação em Educação para a Ciência, washcar@dfq.feis.unesp.br
3 Universidade Federal de Goiás / Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e Matemática / Instituto de Física, lgenovese@ufg.br
## Resumo
O objetivo deste trabalho é discutir a controvérsia sobre os alimentos transgênicos e a aparente aceitação dos consumidores brasileiros a esses produtos, sob a ótica de alguns conceitos da Teoria Crítica de Horkheimer e Adorno (1985), como esclarecimento e Indústria Cultural. Posteriormente, argumentamos a importância da formação de professores, para que eles auxiliem os estudantes na busca de uma cidadania plena, autônoma e crítica. Neste sentido, propomos o estudo de temas controversos, como os transgênicos, no Ensino de Física, já que este tema em especial, por ser interdisciplinar, se articula com conhecimentos específicos de Física.
Palavras-chave : transgênicos; formação crítica; temas controversos.
## Abstract
The objective of this paper is to discuss the controversy over GM foods and the apparent acceptance of Brazilian consumers to these products, from the perspective of some concepts of Critical Theory Horkheimer and Adorno (1985), as clarification and Cultural Industry. Subsequently, we argue the importance of teacher training, so that they assist students in the pursuit of full citizenship and independent criticism. In this sense, we propose the study of controversial topics like transgenics, in Physics Teaching, as this particular issue, because it is interdisciplinary, articulates with specific knowledge of physics.
Keywords : transgenics; critical training; controversial issues.
## Introdução
Vivemos em uma época em que os avanços científicos e tecnológicos têm nos proporcionado alguns benefícios e um grande lucro a empresas que investem, entre outros setores, nos conhecimentos da ciência. Muitos desses conhecimentos são estudados e trabalhados numa escala incrivelmente pequena, medida em milésimos e milhão de metro. Trata-se da nanotecnologia, uma área interdisciplinar que está presente na Física, Química, Biologia, Engenharia, Medicina, Tecnologia da Informação, entre outras.
De acordo com Shelley (2006), os processos relativos à importância econômica da nanotecnologia são impressionantes, já que seu controle determina e configura as relações de poder tanto entre os países como entre as empresas. Portanto, 'a gama de potenciais aplicações das propriedades e materiais nanoscópicos é ilimitada' (SHELLEY, 2006, p. 31, livre tradução), estando presente também na biotecnologia, área científica que têm obtido sucesso no tratamento de doenças. No entanto, os avanços biotecnológicos não se restringem à área da saúde. Um exemplo são os Organismos Geneticamente Modificados (OGM), também chamados transgênicos (Tgs) (LACEY, 2006) ou organismos com DNA (ácido desoxirribonucleico) recombinante.
Os OGM/Tgs, ou simplesmente GM são os que têm seu material genético modificado pela retirada ou introdução de um ou mais genes de outra espécie. No caso das plantas, são introduzidos genes de micro-organismos (vírus, bactérias, fungos, por exemplo), animais ou outros vegetais, para que a planta geneticamente modificada possua características que melhorem sua produção, resistência, valor nutricional, entre outras.
Para realizar estes procedimentos, os cientistas obtêm em escala nanoscópica um trecho de DNA e o transportam para outro DNA.
A carga elétrica negativa do DNA significa que este pode ser utilizado como andaime para criar fios nanoscópicos. Colocam-se juntos fragmentos de DNA e nanopartículas condutoras com carga positiva, e a atração entre as cargas positivas e negativas forma uma espécie de cabo cuja longitude pode controlar-se mediante a introdução de enzimas que seccionam o DNA em determinados pontos (SHELLEY, 2006, p. 46, livre tradução).
Assim, o desenvolvimento biotecnológico/nanotecnológico de organismos transgênicos teve início na década de 1970. Animais, vegetais e micróbios passaram a ser produzidos por transgenia (RIBEIRO; MARIN, 2012).
Atualmente, estão autorizadas para comercialização, por exemplo, o algodão, a canola, o milho, e a soja modificados geneticamente, sendo que no Brasil são cultivados o algodão, o milho e a soja, ocupando o terceiro lugar entre os 25 países que plantam OGM (CASTRO, 2008).
Uma planta muito comercializada é a soja RoundUp Ready , cuja patente pertence à Monsanto, empresa multinacional americana que investiu bilhões de dólares na aquisição de grandes empresas sementeiras, além de financiar laboratórios científicos. A soja RoundUp Ready possui o gene de uma bactéria do gênero Agrobacterium , pertencente ao solo, que confere à semente maior resistência ao principal produto da empresa, o herbicida RoundUp (PELAEZ; SCHMIDT, 2000; CASTRO, 2008).
Diante desta realidade, Lacey (2006, p. 95) questiona:
por que a Monsanto Corporation desenvolveu sementes RoundUp Ready? Foi por que o ingrediente ativo RoundUp (glifosfato) é o mais eficaz e o menos ambientalmente intrusivo dos herbicidas químicos conhecidos ou porque a Monsanto tinha controlado os direitos de patente do glifosfato e precisava de um meio para assegurar um contínuo mercado protegido para o pesticida altamente lucrativo?
Com relação à pergunta acima, Pelaez e Schmidt analisam que 'a entrada da Monsanto na engenharia genética se dá na perspectiva de valorização de seu principal produto, o herbicida Roundup' (PELAEZ; SCHMIDT, 2000, p. 28).
No entanto, não basta produzir, é preciso vender os produtos. E para vendêlos são necessárias as autorizações oficiais. O Food and Drug Administration (FDA) é o órgão oficial responsável pela aprovação e regulamentação de produtos como os transgênicos, nos Estados Unidos. Apesar de ser referência mundial na análise e aprovação de alimentos e medicamentos, o órgão já foi alvo de denúncias de irregularidades por alguns cientistas (FERRARA, 1999).
No Brasil, a formação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) contava com representantes das empresas diretamente interessadas (como a Monsanto) na aprovação do plantio e comercialização de OGM no país (PELAEZ; SCHMIDT, 2000).
Tais empresas financiam generosamente instituições e cientistas em seus trabalhos e projetos, com o objetivo de fazer uso se seu prestígio para transmitir a ideia de segurança dos alimentos alterados geneticamente (PELAEZ; SCHMIDT, 2000).
Não devemos tomar as alegações do agronegócio acerca dos benefícios por seu valor-de-face, uma vez que elas procedem principalmente das declarações de porta-vozes de corporações e da retórica daqueles que estão procurando financiamento para seus projetos de pesquisa (LACEY, 2006, p. 94).
Para os gestores dessas grandes multinacionais, os argumentos de cientistas renomados dão credibilidade a um fazer científico que não necessita de questionamentos, reforçando a crença cega na ciência. A mídia, por meio de revistas, televisão, jornais também exercem seu papel na divulgação e muitas vezes, na defesa dos produtos transgênicos, fazem uma verdadeira propaganda.
Mercados são criados, em parte, por meio da publicidade, e é parte do 'discurso' da publicidade anunciar produtos do modo mais favorável possível, ignorando assim as nuances e qualificações que devem acompanhar toda discussão 'científica' acerca dos benefícios alegados (LACEY, 2006, p. 94).
De acordo com Ribeiro e Marin (2012), estudos comprovam que a ingestão da soja RoundUp Ready por ratos demonstrou alterações em células do pâncreas, do fígado e dos testículos.
As corporações do agronegócio são, atualmente, os agentes primários e os beneficiários do desenvolvimento e do emprego de sementes Tgs. Seus principais objetivos são o lucro e, relacionado a isso, a obtenção de maior controle do mercado e a garantia de maiores vendas de produtos associados (LACEY, 2006, p. 94).
Apesar de os agricultores perderem toda capacidade de autonomia na compra e no cultivo de plantas transgênicas, além de terem que comprar o herbicida da mesma empresa, o fato é que aparentemente há redução dos custos de produção (PELAEZ; SCHMIDT, 2000).
No entanto, conforme o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - Idec (2014) os agricultores brasileiros têm usado cada vez mais o herbicida RoundUp e a
concentração deste veneno na soja está 50 vezes superior ao limite máximo permitido.
Diante dessa realidade, diferentemente do que ocorre na Europa, por que há uma aparente aceitação pelos consumidores brasileiros dos alimentos geneticamente modificados? O símbolo dos transgênicos foi colocado primeiramente em rações animais, depois em embalagens de óleos de soja, salgadinhos de milho e aos poucos está sendo colocado em outros alimentos, inclusive em alimentos para bebês. Por que a maioria de nós não percebe essa manipulação?
Para responder a essas e a outras perguntas é preciso entendermos um pouco a sociedade em que vivemos. Por isso, a proposta deste trabalho é a de promover uma reflexão a essa pergunta sob a ótica de alguns conceitos da Teoria Crítica, como os conceitos de esclarecimento e indústria cultural, de Horkheimer e Adorno (1985).
## O poder de saber
Quando discutem o conceito de esclarecimento, Horkheimer e Adorno (1985), ao mencionarem três descobertas importantes para a ciência, a guerra e o comércio, a saber, a imprensa, o canhão e a bússola, afirmam que 'a superioridade do homem está no saber' (HORKHEIMER; ADORNO, 1985, p. 19).
O saber que é poder não conhece nenhuma barreira, nem na escravização da cultura, nem na complacência em face dos senhores do mundo. [...] Os reis não controlam a técnica mais diretamente do que os comerciantes: ela é tão democrática quanto o sistema econômico com o qual se desenvolve. A técnica é a essência desse saber, que não visa conceitos e imagens, nem o prazer do discernimento, mas o método, a utilização do trabalho de outros, o capital. [...] O que os homens querem aprender da natureza é como empregá-la para dominar completamente a ela e aos homens. Nada mais importa (HORKHEIMER; ADORNO, 1985, p. 20).
Dessa forma, para esses autores, a ciência se tornou um mito, pois cabe a ela o papel da perfeição. A ciência moderna, ao lidar com o conhecimento racional, não consegue se desvencilhar dos mitos criados por ela mesma. A magia foi substituída pela ciência. Um mito por outro:
O mito converte-se em esclarecimento, e a natureza em mera objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de seu poder é a alienação daquilo sobre o que exercem o poder. O esclarecimento comporta-se com as coisas como o ditador se comporta com os homens. Este conhece-os na medida em que pode manipulá-los. O homem de ciência conhece as coisas na medida em que pode fazê-las (HORKHEIMER; ADORNO, 1985, p. 24).
E o despertar para essa situação vem acompanhado do 'reconhecimento do poder como o princípio de todas as relações' (HORKHEIMER; ADORNO, 1985, p. 24).
Com relação à natureza, sempre que o homem tenta irromper suas imposições, rompendo-a, acaba sendo submetido mais profundamente àquelas imposições. E quanto mais o pensamento maquineísta abafa o que existe, mais o esclarecimento retrocede cegamente 'à mitologia da qual jamais soube escapar' (HORKHEIMER; ADORNO, 1985, p. 39).
Os autores também manifestam preocupação com relação à dominação da consciência das pessoas, da autonomia e da capacidade de reflexão crítica:
O preço da dominação não é meramente a alienação dos homens com relação aos objetos dominados; com a coisificação do espírito, as próprias relações dos homens foram enfeitiçadas, inclusive as relações de cada indivíduo consigo mesmo (HORKHEIMER; ADORNO, 1985, p. 40).
Ao se referirem ao capitalismo e toda a engrenagem midiática de que se utiliza, Adorno e Horkheimer mencionam a padronização de comportamentos, de forma que o aparato econômico planeja os valores das mercadorias que vão direcionar as atitudes e influenciar os indivíduos quanto aos padrões de comportamentos considerados naturais e aceitáveis (HORKHEIMER; ADORNO, 1985).
Estamos em uma teia econômica, política, social e científica que nos prende a uma rotina ao sistema de produção, cujo corpo já está acostumado, e que empobrece as vivências pessoais, pois as condições concretas do trabalho forçam o conformismo. Destarte, 'a impotência dos trabalhadores não é mero pretexto dos dominantes, mas a consequência lógica da sociedade industrial [...]'(HORKHEIMER; ADORNO, 1985, p. 47).
Tal qual a ideia apresentada acima, Marcuse (1967) discorre sobre a submissão do homem ao aparelho econômico:
As exigências da industrialização competitiva e a sujeição total do homem ao aparato produtor [...] definem o que é certo e errado, verdadeiro e falso. Não deixam tempo nem espaço algum para uma discussão que projetaria alternativas dissociativas (MARCUSE, 1967, p. 106).
Adorno e Horkheimer (1985) raciocinam e argumentam que a formação do conformismo não se dá apenas pelas condições concretas do trabalho, mas também por um emaranhado sistema mercadológico denominado por eles Indústria Cultural .
## O papel da Indústria Cultural na formação da consciência
Em uma conferência radiofônica proferida em 1962, na Alemanha, Adorno explica que o termo 'indústria cultural' foi usado pela primeira vez no livro Dialética do Esclarecimento , escrito por ele e Horkheimer, em 1947. Ainda, explicita que, em seus esboços, havia o termo 'cultura de massa'. Tal termo foi substituído com o objetivo de excluir de antemão a interpretação de
que se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas, em suma, da forma contemporânea da arte popular. Ora, dessa arte a indústria cultural se distingue radicalmente (ADORNO, 1994, p. 92).
A indústria cultural é um sistema interligado e coerente. Assim, o cinema, o rádio, a televisão, as revistas, a internet e outros meios de comunicação de massa, em conjunto, têm como finalidade a formação de uma consciência conformista de seus consumidores. Adorno explica que 'querer subestimar sua influência, por ceticismo com relação ao que ela transmite aos homens, seria prova de ingenuidade' (ADORNO, 1994, p. 95):
Vai-se procurar o cliente para lhe vender um consentimento total e não crítico, faz-se reclame para o mundo, assim como cada produto da indústria cultural é seu próprio reclame (ADORNO, 1994, p.94).
A partir da realidade exposta anteriormente, defendemos, neste texto, a importância da formação de professores, para que eles auxiliem na formação de cidadãos autônomos, com capacidade de reflexão e crítica. Não é fácil, pois os professores têm que atuar inteligentemente contra a ideologia da indústria cultural, mas para isso, eles próprios têm de ser fortalecidos em sua importância para a sociedade. Isso se dá por uma formação teórica consistente.
Para lidar com assuntos científicos controversos, como os transgênicos, é necessária uma formação científica ampla, contextualizada, que forneça subsídios e segurança ao docente ao lidar com tais temas em sala de aula.
## Semicultura e semiformação científica
Em sua Teoria da semicultura, Adorno (1996) menciona a importância de trabalhar os conteúdos escolares atrelados a fatores históricos, políticos, econômicos e sociais, pois esclarece que a semiformação cultural decorre da 'onipresença do espírito alienado' (ADORNO, 1996, p. 389), onde as reformas pedagógicas 'revelam uma inocente despreocupação diante do poder que a realidade extrapedagógica exerce [...] (ADORNO, 1996, p. 388). O conteúdo dos bens culturais não pode ser tratado
[...] com sentido isolado, dissociado da implantação das coisas humanas. A formação que se esquece disso, que descansa em si mesma e absolutiza-se, acaba por se converter em semiformação (ADORNO, 1996, p. 390).
Em síntese, a semicultura pode ser entendida como 'conformar-se à vida real' (ADORNO, 1996, p. 390), numa espécie de 'domesticação do animal homem mediante sua adaptação' (IDEM, 1996, p. 390).
Da mesma forma, a formação científica que visa apenas o estudo de conceitos científicos a-históricos, sem contextualizá-los e, principalmente, sem articulá-los de maneira crítica aos interesses políticos e econômicos, acaba sendo uma semiformação científica.
## Conclusão: perspectivas de superação
Ao pensar em uma perspectiva de superação dessa situação propomos o estudo de temas controversos que envolvem a ciência e a sociedade em nossas escolas. Tais temas/questões não são considerados apenas por meio dos conhecimentos científicos, mas envolvem também aspectos éticos, morais, valores pessoais, culturais e religiosos. São chamadas de questões sociocientíficas (QSC).
Vários autores (RATCLIFFE; GRACE, 2003; SIMMONS; ZEIDLER, 2003; REIS, 2004; MARTÍNEZ PÉREZ, 2010; GUIMARÃES, 2011) têm publicado suas pesquisas sobre a abordagem de QSC no Ensino de Ciências.
As questões sociocientíficas são frequentemente divulgadas pela mídia. Além dos transgênicos, podemos citar como exemplos as energias alternativas, a clonagem, a terapia com células-tronco, o aquecimento global, entre vários outros.
Muitas dessas questões podem ser discutidas no Ensino de Física, por serem interdisciplinares e a maioria também contêm conceitos da nanotecnologia, área que 'ameaça derrubar as barreiras que se levantam entre as diferentes disciplinas científicas e tecnológicas' (SHELLEY, 2006, p. 46, livre tradução). Por exemplo, para se compreender o processo de produção de um organismo transgênico são necessários conhecimentos de Mecânica Quântica na Física, Eletroforese na Química e Engenharia Genética na Biologia.
No entanto, pesquisadores da área de Ensino de Física, como Silva e Carvalho (2009) apontam que licenciandos em Física receiam trabalhar com temas controversos, por medo de que os conceitos científicos sejam deixados em segundo plano e, talvez, por não compreenderem que tais temas possam ter relações com a Física.
É nesse sentido que as questões sociocientíficas, quando discutidas em sala de aula podem promover maior compreensão acerca da ciência e de como os interesses econômicos, científicos e sociais estão intimamente articulados aos conhecimentos científicos. Entretanto, faz-se necessário que os professores sejam preparados para lidarem com esses temas controversos, estimulando a capacidade crítica e de argumentação de seus alunos.
Para finalizar, é importante mencionar que consideramos os transgênicos como produtos da tecnociência . Em conformidade com os sociólogos da ciência Latour (2000) e Dagnino (2008), as concepções de ciência que envolvem os termos 'Ciência e Tecnologia', 'Ciência e Sociedade' e 'Tecnologia e Sociedade' (PINCH, 2008; SANTOS, 2000) estão tão imbricadas e entrelaçadas, que acabam formando uma nova perspectiva, a da tecnociência . Assim, os transgênicos não são artefatos científicos, nem artefatos tecnológicos, mas sim artefatos tecnocientíficos, produzidos segundo uma lógica diferente, que será discutida em outro trabalho.
## Referências
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