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DEFICIÊNCIA VISUAL E AS BARREIRAS DE COMUNICAÇÃO EM DISCIPLINAS DE FÍSICA DO ENSINO SUPERIOR

Felipe Fortes Braz, Helena Libardi

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
28/10/2014
Linha de pesquisa
Ciências, Tecnologia, Sociedade E Ambiente E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DEFICIÊNCIA VISUAL E AS BARREIRAS DE COMUNICAÇÃO EM DISCIPLINAS DE FÍSICA DO ENSINO SUPERIOR

## VISUAL IMPAIRMENT AND COMMUNICATION BARRIERS IN DISCIPLINES OF PHYSICS IN HIGHER EDUCATION

Felipe Fortes Braz , Helena Libardi 1 2

1 UFLA/DEX, fortesbraz@gmail.com

2

UFLA/DEX, hlibardi@dex.ufla.br

## Resumo

Devido às políticas nacionais que garantem que alunos com deficiência frequentem as escolas regulares e às que garantem o ingresso e permanência destes alunos no Ensino Superior, cada vez mais encontramos alunos com deficiência matriculados nas Universidades. Mas mesmo com a garantia da lei, estes alunos têm que superar diversas barreiras que podem dificultar seus processos de aprendizagem. Muitas vezes estas barreiras podem impossibilitar sua permanência e conclusão nos cursos. Dentre as várias barreiras enfrentadas por alunos com diversas deficiências, neste trabalho apresentamos as barreiras de comunicação que alunos com deficiência visual encontram no Ensino Superior. Nosso foco é relacionado às disciplinas de Física na Universidade. Apresentamos dificuldades, e também possíveis alternativas, encontradas por alunos com deficiência visual que cursam as disciplinas de física básica, comuns a todas as matrizes curriculares dos cursos de graduação da área de exatas, em diversas Universidades. O ensino inclusivo deve ser pensado em relação ao material didático e às metodologias utilizadas em sala de aula. A falta destes constituem barreiras ao ensino. A grande maioria dos professores não possui a formação necessária para trabalhar com a diversidade. O formalismo matemático presente nas disciplinas de Física é muito grande, o que dificulta a adaptação adequada ao aluno com deficiência visual. As barreiras de comunicação podem aparecer numa escolha inadequada ao aluno pelo professor, que acaba negando ao aluno a autonomia de estudar sozinho, sem a necessidade de acompanhamento para entender ou explicar, por exemplo, uma imagem ou equação. Para este trabalho foi elaborado um questionário on-line que foi disponibilizado através dos Núcleos de Acessibilidade de diversas Universidades. Das respostas a este questionário selecionamos as referentes às barreiras de comunicação. Mostraremos algumas dificuldades e alternativas encontradas por alunos que têm deficiência na visão e que cursam as matérias iniciais básicas do curso de Física.

Palavras-chave : Inclusão, Ensino superior, Barreiras de comunicação, Ensino de Física.

## Abstract

Due to national policies that ensure the permanence of students with disabilities in regular schools and to ensure that the entry and permanence of these students in higher education, ever more we find students with disabilities in the Universities. But even guaranteed by law, these students must overcome several barriers that make it difficult their learning processes. Often these barriers can make impossible to them stay and finish the courses. Among the many barriers faced by students with any disabilities, this paper presents the communication barriers that students with visual disabilities encounter in Higher Education. Our focus is related to the disciplines of physics at the University. We present difficulties, and also possible alternatives encountered by students with visual disabilities who attend the disciplines of basic physics, common to all curricula of undergraduate courses in the exact sciences in various universities. Inclusive education should be thought in relation to teaching materials and methodologies used in the classroom. The lack of these constitutes barriers to education. Most of the teachers do not have the required qualification for the work with diversity. The mathematical formalism of the disciplines of physics is too big. This makes it difficult to do appropriate adjustments to the student with visual impairments. Communication barriers may appear with an inappropriate choice to the student by the teacher. With that the teacher simply denies the autonomy of studying alone. The student with autonomy does not require monitoring to understand or explain, for instance, an image or equation. We worked out an online questionnaire for this study. This questionnaire was made available through Nuclei of accessibility of various universities. We selected the answers to this questionnaire related to communication barriers. We'll show some difficulties and alternatives encountered by students with visual disabilities who are studying the basic and initial materials of physics course.

Keywords : Inclusion, Higher Education, Communication barriers, Teaching of Physics.

## Introdução

O número de alunos com deficiência que ingressam no ensino superior tem crescido nos últimos anos devido às políticas públicas brasileiras que garantem a inclusão de alunos com deficiência no ensino básico. Este aumento foi acompanhado pela institucionalização da política de acessibilidade nas instituições federais de educação superior pelo Governo Federal, que visa assegurar o direito da pessoa com deficiência à educação superior [BRASIL, 2013].

Mas não basta aumentar o ingresso destes alunos. Apesar de amparados pelas leis, a falta de acessibilidade em diversas instituições de ensino superior acaba dificultando que alunos com deficiência usufruam de seu direito à educação superior. Esta falta de acessibilidade pode estar relacionada a diversas barreiras encontradas pelos alunos com deficiência, devidas a diversos aspectos, como por exemplo, arquitetônicos, urbanísticos, de atitudes ou ligados à comunicação e ao acesso à informação.

Para garantir o efetivo direito à educação superior para alunos com deficiência, são necessários serviços e recursos de acessibilidade que promovam a plena participação dos estudantes. Neste trabalho focamos nossa atenção nas barreiras de comunicação e em alunos com deficiência visual (DV).

## Barreiras de comunicação

Quando nos comunicamos existe troca de informações e a compreensão se dá através de símbolos com significados. A comunicação deixa de ser efetiva se existem barreiras, ou 'obstáculos' para a compreensão destes símbolos. As barreiras diminuem ou até mesmo inviabilizam a eficiência da comunicação. Estas barreiras podem estar ligadas ao emissor, ao receptor, ou a ambos, ou ainda a interferências presentes no canal de comunicação. Comunicar é fundamental para expressar objetivos, necessidades, emoções, etc. Da mesma forma, torna-se imprescindível no processo de ensino e aprendizagem.

As disciplinas de Física, em todos os níveis, são muito complexas. Se muitos alunos tem dificuldade em entender seus formalismos e modelos, podemos imaginar que para um aluno com DV a dificuldade possa ser maior.

A falta de acesso aos conteúdos e informações das disciplinas, contidos nos livros, notas de aula, ambientes virtuais de aprendizagem, entre outros, afasta o aluno com deficiência do conhecimento, fazendo com que ele dependa dos demais colegas ou amigos para poder concluir as disciplinas. O fato de o aluno com DV estar impedido de ter acesso a informações de caráter gráfico, figuras e representações matemáticas, devido à falta de recursos oferecidos pela instituição, é um exemplo de barreira de comunicação, pois impede que este aluno participe efetivamente das aulas e atividades, em especial na área de Física.

Alguns trabalhos analisam a percepção do aluno com deficiência no ensino superior como, por exemplo, Sá e Sá [2007], que apresentam o estudo de caso de dois alunos com DV no ensino superior. Sua instituição de ensino superior se eximiu da responsabilidade dando uma bolsa de 50% na mensalidade aos estudantes. Ela não dispunha de livros em Braille, nem materiais auditivos para seu estudo. Um dos estudantes relatou que no decorrer do curso fez apenas uma prova em Braille. As outras foram em duplas ou com ledor. Como estratégia de estudo, ele gravava as aulas e as transcrevia em casa, seu único material teórico.

Para sua tese de doutorado Mazzoni [2003] entrevistou 9 alunos com deficiência no ensino superior. Muitos dos entrevistados se sentem prejudicados quanto ao acesso à informação divulgada pelos meios de comunicação, que muitas vezes pode não ser captada por todos.

Segundo Camargo e colaboradores [2010], a criação de canais de comunicação adequados possibilitaria a inclusão de alunos com deficiência dentro das aulas de Física. Utilizando estes canais os alunos poderiam formular de hipóteses e possíveis soluções por troca de ideias e informações. Na ausência desse canal, o aluno acaba excluído, mesmo inserido dentro da sala de aula. Os autores concluem que o canal de comunicação é a variável central para ocorrência de inclusão escolar, acreditando que com eles os alunos terão uma condição mínima de participação no processo de ensino e aprendizagem.

Podemos encontrar trabalhos que apresentam estratégias para o Ensino Superior Inclusivo. Silva [2013] em seu artigo traz situações que mostram com

clareza como ensinar, em uma aula de Física, o conceito de massa e densidade a alunos que não enxergam. A autora afirma que cabe aos educadores promover uma metodologia de ensino adequada a todos, independente da situação que se encontra o estudante. Para a autora, o caminho inicial seria conhecer as potencialidades do aluno e explorar os recursos sinestésicos capazes de transformar em conhecimento o método de ensino utilizado. Para os alunos com DV ela mostra que a Tecnologia Assistiva é essencial, pois permite que os estudantes tenham 1 condições de participar efetivamente das aulas.

## Metodologia

Nossa análise referente a alunos com DV no ensino superior foi feita através de pesquisa qualitativa descritiva [FLICK, 2004]. A pesquisa descritiva, do ponto de vista metodológico, é muito utilizada na área do ensino inclusivo devido às características da área, como enfatiza Hayashi [2011]. Foi feito utilizando um questionário aberto on-line, disponibilizado em um documento do Google docs, acessível a pessoas com DV que utilizavam programas ledores de texto.

A escolha dos entrevistados estava vinculada a Núcleos de Acessibilidade criados junto aos projetos Incluir nas Universidades e Institutos Federais e CEFET's. O endereço eletrônico do questionário, e um texto explicativo sobre os objetivos do projeto, foi encaminhado por e-mail a uma lista de coordenadores de Núcleos.

Procuramos entender as condições encontradas por estudantes com deficiência no ensino superior nas disciplinas de Física e Matemática, em especial as barreiras encontradas. Sistematizamos aspectos referentes às barreiras de comunicação, identificando quais estratégias foram utilizadas para quebrá-las. Entre estas estratégias, identificamos quais foram relevantes para facilitar e auxiliar na compreensão e conclusão destas disciplinas. Destacamos estratégias propostas pelos professores, colaboradores e as elaboradas pelos próprios alunos com DV.

A falta de acesso aos conteúdos e às informações das disciplinas, contidas nos livros, notas de aula, ambientes virtuais das disciplinas, entre outros, afasta o aluno com deficiência do conhecimento, fazendo com que ele dependa dos demais colegas ou amigos para poder concluir as disciplinas. O fato de o aluno com DV estar impedido de ter acesso a informações de caráter gráfico, figuras e representações matemáticas, devido à falta de recursos da instituição, é um exemplo de barreira de comunicação, pois impede que este aluno participe efetivamente das aulas e atividades de física. Veremos estes aspectos abordados por nossos entrevistados.

## Análise

O contato com os entrevistados foi feito através dos coordenadores de Núcleos de Acessibilidade das diversas regiões do país. Mesmo com a grande receptividade dos coordenadores em relação à pesquisa, poucos alunos com

deficiência responderam ao questionário. Foram ao todo seis entrevistados, identificados como E1, E2, E3, E4, E5 e E6. Este baixo número, entretanto, foi também observado em outras pesquisas.

Um dos motivos da baixa receptividade pode ter sido o próprio questionário que, embora considerado acessível por pessoas com DV, era extenso, com 24 perguntas. Outro motivo pode ser o baixo número de alunos com DV em cursos da área de exatas. Estes cursos são muito visuais, utilizando muitos gráficos, tabelas e figuras, e também utilizam muito do formalismo matemático. Estes aspectos são mais difíceis de adaptar, dificultando a compreensão por estes alunos.

Dos alunos entrevistados, quatro se declararam cegos, apenas um cego de nascença, e dois com baixa visão. Em relação às áreas de formação, apenas um entrevistado não é especificamente da área de exatas. Tivemos quatro pertencentes a universidades do estado de Minas Gerais, um de São Paulo e um do Paraná.

Nas respostas obtidas podemos perceber que a maioria dos professores destes entrevistados não estava preparada para receber alunos com DV em sua sala de aula. Este despreparo não é observado apenas para estes entrevistados ou para professores atuando no ensino superior, ocorrendo também em outros níveis de ensino como ressaltam Fernandes e Healy [2007].

Ainda no ensino básico os entrevistados relataram barreiras de comunicação e estratégias para superá-las. O Entrevistado E5 cita:

Minha mãe ia a escola copiar matéria, copiava matéria dos cadernos dos colegas em casa, lia os conteúdos para mim, em fim, tudo no sentido da adaptação partindo da pessoa com deficiência para o ambiente parado, estático

- O entrevistado E2 relata que sua família participou de sua vida escolar aprendendo Braille e até ensinando para os professores que lhe dariam aula:

tratando-se dos estudos, meus pais sempre me deram o apoio necessário, adaptando os materiais que eram necessários.

Meus pai, principalmente, esforçou-se muito. Aprendeu braille, e chegou a dar aula de braille para meus professores.

É importante incentivar a autonomia dos estudantes com alguma deficiência. O incentivo e a procura por garantir o estudo com recursos didáticos pedagógicos, com Tecnologia Assistiva e principalmente dar a liberdade que o aluno com DV necessita para que se desenvolva normalmente são caminhos para garantir o sucesso no processo de aprendizagem. Como vemos, a família tem um papel fundamental nisso.

Fragmentos das respostas de E3 mostram que a atitude de alguns professores acaba se caracterizando como barreiras de comunicação, impedindo que o aluno participe do processo de ensino e aprendizagem:

Houve, infelizmente, momentos em que professores (alguns) praticamente me "deram notas" em vez de me ajudarem (no sentido de saber o que poderiam fazer para de fato me ajudarem).

Todo inicio de ano, embora na mesma escola, era a mesma situação: procurar todos os professores e explicar [...] Mas [...] havia alguns que só atendiam depois que eu reclamava na secretaria.

- O estudante E2 comenta sobre o material didático e também sobre a atuação dos professores:

A falta de materiais para certas atividades foram o meu maior problema. Nem sempre eu tinha os gráficos em auto relevo, ou uma descrição dos diagramas e imagens.

Muitos deles sim, as vezes até mesmo reservando o final da aula, por volta de 10 minutos, para me explicar o que eu não tinha entendido. Já outros nem tanto, preferiam passar a responsabilidade para outros.

Esse último relato mostra que o professor não sabia a diferença entre integração e inclusão [SASSAKI, 2005]. O aluno estava integrado em sala de aula, convivendo com seus colegas, porém a abordagem do conteúdo era realizada separadamente entre os alunos sem deficiência e o aluno com DV.

- O entrevistado E6 diz em seu relato que partia dele a iniciativa de ensinar aos seus professores como trabalhar com um estudante com DV. As avaliações eram feitas em sala separada do restante da turma e pela falta de prática por parte dos professores com o Braille, a prova era feita oralmente. Nas aulas de laboratório seu professor permitia que ele tocasse nos objetos que seriam usados para realização do experimento.

Já o estudante E5 tem uma postura mais crítica em relação ao laboratório:

As medidas eu não realizava, embora as acompanhasse. Participava das discussões e das elaborações dos relatórios. ... laboratório de física antes e hoje mais se aproxima de algo como uma cozinha onde se efetua receitas do que um lugar onde se discute conceitos. É um lugar muito rico de discussões limitado por normas arcaicas em que se coloca o deficiente visual como alguém que não consegue participar. O problema é o método e não a pessoa cega.

E5 sente que o aluno com deficiência é deixado de lado quando o assunto é laboratório, que os professores preferem seguir seu roteiro de aula omitindo a presença de um aluno cego dentro de seu laboratório, sem procurar estratégias para o ensino inclusivo.

Em outra questão E5 diz que sentiu falta de materiais capazes de explorar o sentido do tato, como gráficos, por exemplo. O entrevistado E3 também diz que os materiais acessíveis para seu estudo foram insuficientes.

Este mesmo aluno E3, na pergunta 21, reclama de vários aspectos que constituem barreiras de comunicação:

Faltam livros com letras grandes na biblioteca embora a universidade disponibilize uma lupa eletrônica para uso dentro do campus. Os quadros de informações não são acessíveis, desde a placa com nome de professores em portas, ao cardápio na parede do restaurante acadêmico.

O aluno E4 aponta aspectos de Tecnologia Assistiva e o apoio do Núcleo de Acessibilidade de sua Universidade:

... Os monitores do laboratório de informática são de tela grande e posso utilizar os recursos de acessibilidade que desejar, pois quando faço o login com meu usuário, estão todos os recursos acessíveis ao uso já configurados. E também a [nome da universidade] conta com o Núcleo de Acessibilidade que nos dá grande apoio.

Por sua vez, o estudante E5 relata que sua Universidade está iniciando a tratar da questão de acessibilidade:

aqui na [nome da universidade] está começando agora a ques~tao da acessibilidade com compra de scaner e telelupas. O aparelho Vitor que comentei é emprestado deles. Mas até então não havia este tipo de estrutura.

Por fim, o estudante E6 relata que quando ingressou na Universidade não havia nenhum recurso, pois só ' muito tempo depois ' que foi montada uma sala de recursos na Universidade.

## Exemplos de acessibilidade que ajudam a romper barreiras

A presença de um Núcleo de Acessibilidade dentro das Universidades é essencial para garantir o ensino inclusivo. Alunos com deficiência devem manter contato com estes núcleos não apenas na procura de materiais ou metodologias inclusivas, mas também como um apoio contra as diversas barreiras que encontrarem em sua vida acadêmica.

Em algumas Universidades temos a figura do monitor específico para auxiliar alunos com deficiência em suas atividades. Como exemplo de atribuições para este monitor, teríamos a produção de materiais didáticos que garantissem ao aluno com deficiência a oportunidade de estudar com certa autonomia.

Para contornar as barreiras de comunicação de alunos com DV, os professores podem disponibilizar textos e notas de aula em arquivos de texto compatíveis com os leitores de tela utilizados por seus alunos. Outra estratégia é a utilização de arquivos de áudio. Uma dica é em relação à quantidade de informação em cada arquivo. Para facilitar a busca ou a releitura de um conteúdo, é preferível separar o texto em seus capítulos, seções, ou até mesmo conjunto de parágrafos, e colocar em arquivos separados, identificados de maneira a facilitar a leitura.

Para tornar as equações acessíveis existe a possibilidade de escrevê-las por extenso, da maneira como falamos, lembrando que a presença dos parênteses é fundamental. Os leitores de tela não conseguem ler fórmulas matemáticas. As figuras e gráficos também devem ser descritas, ponderando até que ponto o uso de detalhes é benéfico, pois o uso em excesso de detalhes e uma descrição extensa podem confundir o aluno. Outra estratégia é a elaboração de material tátil para o usuário com DV.

Muitos alunos frequentam centros de apoio aos deficientes visuais, existentes em diversas cidades. Em nossa cidade existe o Centro de Educação e Apoio às Necessidades Auditivas e Visuais (CENAV), ligado à prefeitura da cidade. Além da importância no apoio aos estudantes de todos os níveis, o CENAV e o Núcleo de Acessibilidade da Universidade estão colaborando para garantir não apenas a inclusão de alunos com deficiência, mas também a formação inclusiva de nossos alunos das diversas licenciaturas.

## Considerações Finais

Da análise dos dados extraídos do questionário, podemos fazer algumas reflexões sobre a questão de barreiras de comunicação enfrentadas por alunos com deficiência no ensino superior. Vimos diversos exemplos de professores que não aceitam mudar sua metodologia de ensino, mas também que existem possibilidades para inclusão dentro de sala de aula. Outra reflexão que podemos fazer é como o estudante com deficiência permanece em seu curso no ensino superior. Existem atitudes isoladas para romper as barreiras, porém ainda não são suficientes para dar condições mínimas para que o aluno com deficiência tenha acesso a informação durante sua graduação.

É importante destacar que em meio a este ambiente em grande parte desconhecido e pouco pesquisado surgem possibilidades reais de acessibilidade, caso seja possível contar com a pré-disposição de professores em adequar a sua aula e material didático a alunos com e sem deficiência.

Mesmo com o apoio dos coordenadores dos Núcleos de Acessibilidade, tivemos poucos alunos com DV participando deste trabalho. Ainda assim, com a participação destes poucos colaboradores, foi possível fazer uma análise preliminar. Entendemos que a divulgação destes resultados possa contribuir para que pessoas com deficiência encontrem possibilidades de permanecer no ensino superior rompendo as barreiras de comunicação, principalmente em cursos com disciplinas de Física, que demandam diversas ações específicas decorrentes das características dos conteúdos e das linguagens utilizadas na sua abordagem.

Agradecemos à FAPEMIG pelo financeiro parcial através do programa PIBIC.

## Referências

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MAZZONI, A. A Deficiência x participação: um desafio para as universidades. 2003. 245f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Florianópolis. Disponível em <http://www. todosnos.unicamp.br:8080/lab/links-uteis/acessibilidade-e-inclusao/textos/Tese Alberto Mazzoni.pdf>. Acesso em 05/02/2014.

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SASSAKI, R. K. Inclusão: o paradigma do século 21, Rev. Educ. Especial , Brasília, v. 1, p. 19-23, 2005.

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