O SUBCAMPO DE PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS CTS NO BRASIL
Thiago Vasconcelos Ribeiro, Luiz Gonzaga Roversi Genovese
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XV
- Ano
- 2014
- Data
- 28/10/2014
- Linha de pesquisa
- Ciências, Tecnologia, Sociedade E Ambiente E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O SUBCAMPO DE PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS CTS NO BRASIL THE SUBFIELD RESEARCH IN TEACHING STS SCIENCE IN BRAZIL
## Thiago Vasconcelos Ribeiro , Luiz Gonzaga Roversi Genovese 1 2
1 Universidade Federal de Goiás / Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e Matemática , thiago.v.ribeiro@live.com
2 Universidade Federal de Goiás / Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e Matemática, lgenovese@if.ufg.br
## Resumo
Este trabalho visa construir e propor o Subcampo de Pesquisa em Ensino de Ciências CTS no Brasil, tendo em vista alguns elementos que permeiam o Campo de Pesquisa em Ensino de Ciências brasileiro: as inúmeras pesquisas na temática CTS desenvolvidas recentemente em programas de pós-graduação em educação e em ensino de ciências; a significativa quantidade de publicações em periódicos e em eventos científicos nacionais; o estabelecimento de temáticas específicas CTS em eventos científicos nacionais da área de ensino de ciências, entre outros. Para a construção de tal subcampo, foi empregado o construto teórico proposto e desenvolvido por Pierre Bourdieu, sintetizado em conceitos centrais como campo, capitais simbólicos e habitus . Desse modo, foi construída e caracterizada a estrutura de distribuição dos agentes e instituições que atuam nesse subcampo de acordo com os diferentes tipos de capitais acumulados, permitindo identificar os agentes e as instituições que são dominantes e aqueles que são dominados, além de desvelar alguns elementos empregados nas disputas que ocorrem no interior desse espaço.
Palavras-chave : campo; capital simbólico; agentes; educação CTS.
## Abstract
This paper aims to build and propose subfield of research in Science Teaching STS in Brazil, considering some elements that permeate the field of Research in Science Teaching Brazilian: the numerous studies on thematic STS recently developed graduate programs in education and science education; the significant amount of publications in journals and national scientific meetings; the establishment of specific thematic STS in national scientific events in the field of science education , among others. For the construction of such a subfield, we used the theoretical construct proposed and developed by Pierre Bourdieu, synthesized as central concepts in the field, symbolic capital and habitus . Thus, we constructed and characterized the structure of distribution of agents and institutions involved in this subfield according to the different types of capital accumulated, allowing to identify agents and institutions which are dominant and those who are ruled, and unveil some elements employees in disputes that occur within that space.
Keywords : field, symbolic capital; agents; STS education.
## Introdução
Na busca por problematizar de forma crítica a percepção social e cultural da ciência, da tecnologia e das suas relações complexas e intrincadas com a sociedade e o meio ambiente surgiu, na área de pesquisa em ensino de ciências nos Estados
Unidos e na Europa durante a segunda metade do século XX, um movimento de renovação curricular denominado 'movimento CTS' - Ciência, Tecnologia e Sociedade (AIKENHEAD, 2005). Sua origem está relacionada a diversos movimentos sociais amplos e reivindicações populares que ocorreram de forma intensa no final da década de 1960 que criticavam direta ou indiretamente o modelo linear de desenvolvimento e inovação (PINCH & BIJKER, 1984), o determinismo tecnológico (GÓMEZ, 1997) e o sistema tecnocrático de gestão (HABERMANS, 2011) amplamente difundidos e defendidos, principalmente após a 2ª Guerra Mundial, como mecanismos essenciais de desenvolvimento econômico e social (DIXON, 1976).
Nessa perspectiva, o ensino de ciências em CTS defende que, além de trabalhar os conhecimentos científicos produzidos, estabelecidos e legitimados, enquanto produtos acabados, deve-se ensinar mais sobre a ciência , sobre os processos sócio-históricos de produção, construção e legitimação dos fatos científicos, abordando as questões filosóficas, éticas e políticas pertinentes envolvidas (ZIMAN, 1985). Procura-se, desta forma, caracterizar a ciência e a tecnologia como parte integrante da cultura ocidental contemporânea, consistindo em atividades humanas construídas socialmente (LATOUR; 2011). Logo, o ensino de ciências CTS visa desenvolver junto aos alunos uma percepção do desenvolvimento científico e tecnológico como um processo social, influenciado por fatores culturais, sociais, políticos e econômicos, além dos tradicionais fatores epistêmicos (BAZZO, LINSINGEN & PEREIRA, 2003).
No Brasil, as pesquisas em CTS no ensino de ciências se iniciam mais sistematicamente na década de 1990 e consolidando-se como temática de pesquisa em ensino de ciências na década de 2000 (SANTOS & SCHNETZLER, 2010; VON LINSINGEN, 2007). Nesse período destacam-se: as inúmeras pesquisas envolvendo a temática CTS em programas de pós-graduação em educação e em ensino de ciências (SANTOS, 1992; TRIVELATO, 1993; AMORIM, 1995; AULER, 2002; VON LINSINGEN, 2002;); uma quantidade significativa de publicações em periódicos (CHRISPINO et al. 2013) e em eventos científicos nacionais (LOPES et al. 2009), além de um número especial da revista Ciência & Ensino sobre a temática CTS; o estabelecimento de temáticas específicas CTS em importantes eventos científicos da área de ensino de ciências - XVIII, XIX, XX SNEF; XIV EPEF; VIII e IX ENPEC; a criação e consolidação de diversos grupos nacionais de pesquisa em CTS (ARAÚJO, 2009); e a realização do evento internacional VI Seminário Ibérico/II Seminário Ibero-americano CTS em Brasília em 2010.
Todos os elementos citados aqui demonstram amadurecimento da área de pesquisa em ensino de ciência CTS no Brasil que atua no interior do Campo de Pesquisa em Ensino de Ciências brasileiro (GENOVEZ, 2008; GENOVESE, 2014). Desse modo, o presente trabalho visa construir e propor a área de pesquisa em ensino de ciências CTS no Brasil como um subcampo, um microcosmo que consiste em um espaço social hierarquizado em que atuam agentes e instituições responsáveis pela produção, reprodução e legitimação de seus valores e de seus produtos culturais. A fim de fundamentar melhor a análise, serão apresentados a seguir os conceitos centrais da teoria do campo do poder (BOURDIEU, 1983; 2004; 2010).
## Fundamentação teórica
O campo é um espaço social relativamente autônomo, estruturado e estruturante, em que atuam agentes e instituições responsáveis pela produção e
reprodução de seus valores e de seus produtos. É um espaço de relações de força e um espaço permanente de lutas pela conservação ou transformação desse espaço de relações de força, sendo que as disputas no interior do campo ocorrem entre agentes, e/ou instituições, dotados de diferentes tipos de capitais simbólicos distribuídos de forma desigual entre eles. Trata-se de uma estrutura de diferenças que existe objetivamente por meio das relações ali estabelecidas, sendo ela estruturada pelas lutas e disputas entre os agentes e, ao mesmo tempo, estruturante das ações e das tomadas de posição desses mesmos agentes no interior da estrutura. Dessa forma, o campo científico, assim como o campo artístico, o campo literário ou o campo filosófico, nada mais é do que um campo com estruturas e propriedades específicas que acumula capitais simbólicos específicos (BOURDIEU, 2004a; 2004b).
- O capital simbólico, por sua vez, consiste em propriedades específicas, materiais ou simbólicas, sejam elas do tipo físico, econômico, cultural ou social, conhecidas e reconhecidas por agentes dotados de categorias de percepção ajustadas aos princípios do campo, de modo que são capazes de lhes atribuir valor. Logo, somente agentes dotados das disposições e categorias de percepção e ação ( habitus ) vigentes no campo são capazes de reconhecer e valorizar aquilo que o campo produz e valoriza (BOURDIEU, 2004b). Os capitais simbólicos, por sua vez, caracterizam e diferenciam os agentes localizando-os momentânea e objetivamente na estrutura, organizando a distribuição das formas de poder prevalecentes em um dado momento em determinado campo.
No campo científico, dois tipos de capitais são valorizados e acumulados pelos agentes: o capital científico específico ('puro'/atemporal) e o capital científico institucionalizado (social/temporal) (BOURDIEU, 1983; 2004a; 2004b). O capital científico 'puro' trata-se em um tipo de capital cultural relacionado às contribuições conhecidas e reconhecidas à ciência efetuadas pelo agente que o detém. O capital científico institucionalizado, também denominado de capital social , é de caráter temporal e político. Está associado à ocupação de cargos administrativos e burocráticos de destaque em instituições científicas, instituições financiadoras, comitês e comissões avaliadoras, conselhos editoriais de periódicos científicos, comissões organizadoras de eventos científicos, instituições de ensino, entre outros.
A estrutura do campo é organizada segundo três dimensões. Na primeira dimensão, os agentes são analisados de acordo com o volume de capital global acumulado, isto é, considerando-se os dois tipos de capital científico (cultural e social) detidos. Na segunda dimensão é analisada a estrutura desse capital, ou seja, diferenciam-se os dois tipos de capital acumulados segundo o peso relativo deles comparado ao capital global. Na terceira dimensão analisa a evolução temporal desse capital, tanto de seu volume quanto de sua estrutura, de modo que nos proporciona a trajetória percorrida pelo agente no interior do campo.
Uma vez apresentados os principais elementos de caracterização do campo científico empregados nessa pesquisa, são apresentados e discutidos a seguir a metodologia e a forma como os dados do presente trabalho foram coletados e analisados para a construção do Subcampo de Pesquisa em Ensino de Ciências CTS.
## Metodologia
Com o objetivo de construir o subcampo de pesquisas em Ensino de Ciências CTS no Brasil e caracterizar as especificidades dessa estrutura social, a
estrutura de distribuição dos capitais em disputa, dos agentes nela posicionados e em permanente luta por esses capitais, foi realizada uma pesquisa quali-quantitativa (MINAYO, 1993). Para a seleção, coleta e análise de dados foi empregada a metodologia de análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). Na etapa da préanálise, foi realizada uma leitura flutuante de trabalhos que apresentavam resultados de pesquisas bibliográficas e estudos de estado da arte na área CTS no contexto brasileiro (SUTIL et. al 2008; MEZALIRA, 2008; ABREU; FERNANDES; MARTINS, 2009; ARAÚJO, 2009; LOPES et. al 2009; CORREA; ARAÙJO, 2011; CHRISPINO et. al 2013). Sob a orientação do referencial teórico adotado e do panorama apresentado pelas impressões levantadas durante a leitura flutuante, foram estabelecidos os documentos a serem submetidos aos procedimentos analíticos.
Para a caracterização dos capitais acumulados por pesquisadores atuantes na área da pesquisa em Ensino de Ciências CTS no Brasil, enquanto agentes na estrutura, foi constituído o corpus - conjunto de documentos a serem analisados - no qual fazem parte as informações divulgadas pelos pesquisadores em seus currículos construídos e disponibilizados na Plataforma Lattes no endereço eletrônico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O Currículo Lattes trata-se de uma ferramenta amplamente utilizada pelos pesquisadores que atuam no Brasil, onde são registradas informações acadêmicas e de pesquisas pelas quais os mesmos desejam ser conhecidos e reconhecidos no campo científico, ou seja, trata-se de um indicativo bastante relevante que apresenta os valores (capitais) que detêm, além de apresentar elementos de suas trajetórias no interior desse campo.
Na primeira etapa, a lista com os nomes dos pesquisadores atuantes na área de pesquisa em Ensino de Ciências CTS no Brasil foi construída a partir de uma busca realizada na Plataforma Lattes. Selecionadas as opções ' Assunto (Título ou palavra chave da produção) ' e ' Doutores ', foi realizada uma busca com o termo 'CTS'. A seleção dos agentes a partir do critério de recorte empregado sendo o título de doutorado, faz referência ao que P. Bourdieu chama de 'direito de entrada' caracterizada como a principal censura do campo. No subcampo científico em questão, assim como ocorre nos demais campos científicos, os títulos acadêmicos são considerados direitos de entrada no campo. Mais especificamente, quem os possui tem condições de acesso aos problemas e instrumentos considerados científicos no e pelo campo e o direito de participar da luta científica legitimamente (BOURDIEU, 1983).
Dessa forma, obteve-se o resultado de 621 currículos cadastrados na plataforma. Todos os currículos obtidos foram submetidos a um processo de triagem a fim de selecionar os agentes que realmente atuam no Subcampo de Ensino de Ciências CTS. Foram selecionados para fazer parte do corpus os currículos em que os pesquisadores atuam no ensino de ciências e que citavam ao menos um dos termos 'CTS', 'CTSA', 'Ciência, Tecnologia, Sociedade' ou 'Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente', em uma das seguintes seções do currículo: i) apresentação inicial do currículo; ii) Linhas de pesquisa; iii) Projetos de pesquisa; iv) Produção bibliográfica; v) Bancas. Por fim, obteve-se um total de 172 currículos.
Posteriormente, as informações presentes nos currículos foram codificadas e empregadas como indicadores de capital cultural e capital social e construído o diagrama do subcampo científico de pesquisa em Ensino de Ciências CTS (Figura 1). Logo, a apresentação do diagrama e a discussão dos dados é realizada a seguir.
## Resultados e discussões
O Subcampo de Pesquisa em Ensino de Ciências CTS foi construído, posicionando os agentes na estrutura e, em seguida, destacando-se algumas características importantes que possuem os agentes em determinadas regiões . A 1 Figura 1 apresenta a estrutura desse subcampo, determinada pela distribuição atual de capital científico de seus agentes:
Figura 1 - Representação do Subcampo de Pesquisa em Ensino de Ciências CTS no Brasil.
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1 As informações ao longo do diagrama em itálico indicam características pertencentes à determinada região do subcampo. As informações presentes abaixo da posição de um pesquisador ( P15 , por exemplo), em texto normal (sem itálico e sem negrito ), indicam características pertencentes ao agente em específico (no caso do pesquisador P15 , a sigla UFSM indica que o mesmo atualmente está profissionalmente vinculado à Universidade Federal de Santa Maria).
Observando a Figura 1 é possível distinguir e identificar os agentes dominantes e os agentes dominados no subcampo e a estrutura de seu capital acumulado. O pesquisador P15 , localizado à extrema esquerda do diagrama (+ capital cultural), é reconhecido pelos demais agentes do subcampo por suas contribuições à teoria de ensino de ciências CTS. Um estudo bibliográfico recente em artigos publicados em periódicos nacionais (CHRISPINO et. al 2013) aponta que tal agente possui uma quantidade significativa de trabalhos entre os mais citados na área, o que sinaliza que P15 é conhecido e reconhecido por seus paresconcorrentes no interior do subcampo. Outra característica importante a ser destacada consiste na formação acadêmica do grupo de agentes dominantes que detêm maior quantidade de capital cultural, mais precisamente a instituição em que foi realizado o doutorado. Os pesquisadores P15 , P22 e P168 , realizaram seus doutorados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e todos atualmente desenvolvem suas atividades de pesquisa em universidades da região sul do país. Tais pesquisadores, juntamente com P16 , P34 , P40 , P96, P128, e P148, que também realizaram seus doutorados pela mesma instituição, sinalizam que os programas de pós-graduação da UFSC consistem em fortes núcleos de formação de pesquisadores em ensino de ciências CTS no país.
- O pesquisador P46 destaca-se na estrutura por ter orientado as teses de doutorado em ensino de ciências CTS dos pesquisadores P15 , P62 e P34 , além de ter participado das bancas examinadoras das teses de doutorados dos pesquisadores P22 , P29 , P16 , P72 , P119 , P134 e P148 , tendo participação na consolidação de importantes pesquisas CTS e possui legitimidade para avaliar diversas pesquisas empregadas pelos agentes do subcampo.
Por sua vez, os pesquisadores que possuem inclinação ao acúmulo de capital social, tendem a ocupar com maior frequência, ao longo de sua trajetória no campo, cargos de coordenação de cursos de graduação e de programas de pósgraduação, dependendo da quantidade de capital acumulado. Localizado à direita do diagrama (+ capital social) entre os dominantes, os pesquisadores P134 , P37 , P10 , e P57 , são reconhecidos por ocuparem cargos em elevado número de conselhos editoriais de periódicos nacionais e internacionais (geralmente 5 periódicos ou mais), e por atuarem como revisores de projetos em instituições nacionais de fomento à pesquisa, tais como a CAPES e o CNPq, e em diversas instituições de fomento regionais. Os pesquisadores localizados nessa região do campo também são caracterizados por serem bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq.
De modo geral, os agentes dominados na estrutura, tais como os pesquisadores P25 , P55 , P128 , P156 , P159 , P16 e demais localizados na região inferior do diagrama, tendem a participarem de bancas examinadoras de trabalhos de conclusão de curso e dissertações de mestrado. Em contrapartida, à medida que os pesquisadores conseguem adquirir uma posição mais privilegiada na estrutura, isto é, conseguem ocupar posições mais próximas ao topo do diagrama, esses agentes tendem a participarem de bancas examinadoras de dissertações de mestrado e teses de doutorado, tendo uma atuação mais forte no campo. Outro indício de acumulação de capital característico na estrutura é a presença de projetos de pesquisa que contam com auxílio financeiro. À medida que se observa agentes melhores posicionados na estrutura, nota-se a presença de projetos de pesquisa financiados. Algo que não ocorre com os agentes dominados no campo, localizados na região inferior do diagrama.
## Considerações finais
A presente pesquisa teve como principal objetivo construir e propor o Subcampo de Pesquisa em Ensino de Ciências CTS. A construção da representação da estrutura do subcampo (Figura 1) possibilitou identificar algumas características relevantes para as pesquisas em ensino de ciências CTS, tais como: a identificação dos principais referenciais nacionais citados pelas pesquisas produzidas pelo campo, isto é, os agentes que detém capital cultural em maior quantidade, sendo conhecidos e reconhecidos por isso e, assim, atuam na definição dos problemas relevantes e das verdades científicas vigentes; as principais instituições responsáveis pela formação de pesquisadores em ensino de ciências CTS, ou seja, as instituições dominantes que se encarregam pela reprodução da estrutura social, formando agentes segundo interesses e pontos de vista específicos; os agentes que acumulam capital social, que atuam tanto em instituições responsáveis por financiar pesquisas, quanto nos veículos responsáveis por divulgar os resultados e as contribuições consideradas científicas e que também tomam parte na luta pela definição dos objetos considerados válidos e relevantes para o campo.
Cada um dos elementos aqui citados atua ao seu modo nas incessantes disputas pela legitimidade e pelo monopólio da verdade científica. Logo, uma das principais contribuições trazidas pela construção do Subcampo de Pesquisa em Ensino de Ciências CTS é romper com a imagem irenista impregnada na conotação de 'comunidade científica' (BOURDIEU, 1983) e desvelar o espaço de construção de verdades e as permanentes lutas pela conservação ou transformação dessas verdades, trazidas a tona pelo construto teórico do campo científico.
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