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OS MESTRADOS PROFISSIONAIS EM FÍSICA NO CONTEXTO DOS DEMAIS MESTRADOS PROFISSIONAIS BRASILEIROS

Larissa Alves Cardoso, Mara Regina Batista, Polyanna Lobo Caetano, Silvania Sousa Do Nascimento

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
28/10/2014
Linha de pesquisa
Ensino/Aprendizagem/Avaliação Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## OS MESTRADOS PROFISSIONAIS EM FÍSICA NO CONTEXTO DOS DEMAIS MESTRADOS PROFISSIONAIS BRASILEIROS.

## THE PROFESSIONAL MASTERS IN PHYSICS IN CONTEXT OF OTHER PROFESSIONAL BRAZILIAN MASTERS.

Larissa Alves Cardoso , Mara Regina Batista , Polyanna Lobo Caetano , 1 2 3 Silvania Sousa do Nascimento 4

¹

UFMG /DMTE/FAE, larissa.alves.cardoso@gmail.com

2

UFMG /DMTE/FAE, mararbaptista@gmail.com

3

UFMG /DMTE/FAE, polyannacaetano@hotmail.com

4 UFMG /DMTE/FAE, silvania.nascimento@gmail.com

## Resumo

Este trabalho tem como objetivo traçar um panorama dos mestrados profissionais em ensino de física no Brasil, no contexto de implantação dos demais MPs. Através do refinamento de busca, seguimos o caminho: MPs de outras áreas do conhecimento, MPs de ensino, até chegarmos aos 7 MPs de ensino de física. O estudo foi realizado através de busca realizada no banco de dados da CAPES, utilizando diversos descritores provindos do mesmo campo semântico. Verificamos em seguida nos sites das universidades proponentes mais detalhes dos programas. Comparamos então histórico, grade curricular, ementas, corpo docente e ano de implementação do curso, com o objetivo de obter uma visão geral de como está sendo a instalação desses MPs no Brasil e como ocorre formação de professores nestas instituições. Identificamos que os currículos dos MPEFs se propõem explicitamente a serem veículos para a evolução e melhoria do ensino de Física, seja pela ação direta em sala de aula, seja pela contribuição na solução de problemas educativos em Física, nos níveis fundamental e médio. Constatamos também algumas particularidades a respeito dos MPEFs, no que concerne a sua distribuição geográfica, aplicação do conteúdo disciplinar e da urgência da sua criação no cenário do ensino de física, devido à falta deste profissional no mercado e/ou a existência de profissionais sem qualificação. Concluímos com uma reflexão sobre a criação dessa modalidade de pós-graduação, e sua importância para os seus discentes e para o mercado de trabalho.

Palavras-chave : Mestrado profissional; ensino de física; formação de professores; conteúdo pedagógico.

## Abstract

This article aims to do an overview of the Professional Master's in Physical Education in Brazil. We select and categorize seven academic programs in physical education, which fulfilled the criteria proposed for the work. First of all, we did this study analyzing historical facts, curriculums, faculties, suggested bibliography, year in which the courses began, in order to obtain an overview focused on the training of teachers in continuing education.Secondly, we identified that the curriculums are proposed to act like facilitators in the development and improvement of education in physics, either by direct action in the classroom or the contribution in solving educational problems in physics at primary and secondary levels, and on the upper standard in training teachers in master in physics or related fields. Also, MPs courses were developed to meet the given demand by this curriculum, considering the content related to teaching and learning of physics. As a summary, this study allows us to infer by that the proposed curriculums and the literature indicated that the MPs of physical education can help teachers in understanding the theoretical conception, reflection and characterization of real life experience, in addition to enabling them to problematize their daily work on scientific bases.

Keywords: Professional Master's Program, physical education, teacher education, educational content.

## Introdução

Criado pela portaria nº 80/CAPES em 1998, o mestrado profissional (MP) é uma modalidade de formação de pós - graduação stricto sensu , que tem como foco suprir as demandas sociais, políticas e econômicas associadas à qualificação de trabalhadores em serviço. Sua origem remonta à década de 1990, quando o ensino superior brasileiro passou por diversas mudanças e reformulações legais, sob a influência das agências internacionais de financiamento. Quelhas et. al (2005, pg. 99).

O mestrado profissional é uma modalidade de formação que, a partir de uma visão horizontal/vertical do conhecimento consolidado em campo disciplinar (com as evidentes relações inter e multidisciplinares), busca enfrentar um problema proposto pelo campo profissional de atuação do aluno, utilizando de forma direcionada, verticalizada, o conhecimento disciplinar existente para equacionar tal problema. Não se trata de repetir soluções já existentes, mas de conhecê-las (horizontalidade) para propor a solução nova.

Não é o caso, portanto, de ensinar técnicas isso seria o objeto de um curso de especialização. No caso do mestrado profissional, o objetivo é um direcionamento claro para encontrar o caminho da resposta a uma pergunta específica proposta pela área profissional ou identificada pela Universidade como algo que deve ser investigado e solucionado naquela área.

A indução da criação desse tipo de mestrado pela CAPES teve significativo impacto na área de Ensino de Ciências e Matemática, na qual, hoje, constatamos

um maior número de cursos de MP do que de mestrado acadêmico (MA) 39 e 32, respectivamente, dentre 91 cursos e 72 programas.

Dentro deste contexto, o MP em Ensino de Física tem de modo geral, um caráter de preparação profissional na área de licenciatura e vem atender a demanda de dois tipos de profissionais: pessoas graduadas em física e pessoas de outras áreas do conhecimento que exercem a prática docente nesta área, devido à escassez de professores de física nos Ensinos: Fundamental e Médio, por diversos fatores.

- O objetivo deste artigo é fazer um panorama dos MPEFs no Brasil inseridos no contexto dos demais MPs.

## Metodologia

Para cumprir com os objetivos do nosso estudo, primeiro buscamos a Relação de Cursos Recomendados e Reconhecidos no ano de 2013, no banco de dados da CAPES. Encontramos então uma ¹tabela contendo: área de avaliação, programa e cursos de pós-graduação, totais de cursos de pós-graduação. Esta se divide em 49 grandes áreas, dentre as quais, somente 64 têm MPs.

Depois delimitamos nossa pesquisa, por área de avaliação, de posse da referida tabela, utilizamos três estratégias de busca conforme indicado por Lopes (2002, p. 64). Na primeira utilizamos descritores isolados, por exemplo, a palavra (ensino), o que nos possibilitou o resgate de um grande número de informações relacionadas a este contexto; na segunda utilizamos descritores em conjunto (Ensino; Ciências) e tivemos como resultado todos os mestrados que apresentavam os dois descritores ou qualquer deles isoladamente; e por ultimo utilizamos os descritores (Ensino de Física) que era nossa área de interesse. Para atender nossa demanda de investigação, a forma de levantamento selecionada, depois de utilizarmos as três estratégias de busca propostas, foi a concatenação de descritores associados, 'ensino de física'

No levantamento proposto usamos também outros descritores que julgamos relevantes: Ensino, Ensino de física, aprendizagem, formação, processos de ensino, educação, praticas de educação, projetos educacionais, linguística em ensino.

Uma vez listados os MPEFs, passamos a analisar: o histórico , grade 1 curricular, ementas, corpo docente, ano de implementação do curso, com o objetivo de obter um diagnóstico de cada mestrado proposto.

## Resultados

Aplicando este conjunto encontramos o total de 540 MPs no Brasil, nas grandes áreas de avaliação da CAPES, sendo que 86 destes MPs são de ensino, dos quais 7 são de ensino de física. O que se pode verificar na figura 1.

Figura 1: mapeamento dos MPEs.

<!-- image -->

Constatamos que os MPs em ensino estão mais concentrados nas regiões: Sudeste e Sul, e que isto se intensifica no estado do Rio de Janeiro. Inferimos que a predominância dos MPEs nestas localidades está relacionada ao fato destas serem pólos de produção científica e industrial no Brasil. Pois de acordo com Albuquerque et al . (2001) há uma alta concentração das atividades inovativas no centro-sul do pais, principalmente no Sudeste. Enfatizando a localização das atividades científicas e tecnológicas em bases municipais no Brasil

O próximo passo foi a construção de uma tabela com alguns dados relevantes para análise (tabela 1). Depois confrontamos estas informações, e outras, por exemplo: histórico, grade curricular e ementas dos cursos e/ou das disciplinas. Percebemos que os MPEFs estão locados somente nas instituições de ensino públicas e que dois deles possuem as seguintes nomenclaturas (Ens. de Astronomia; Astronomia).

Tabela 1: Síntese dos dados dos MPEFs.

Quanto às disciplinas, encontramos grande discrepância no que tange a quantidade e ao equilíbrio entre conteúdo de ensino de física e conteúdo pedagógico. Essa questão está explicitada na figura 2.

Figura 2: Gráfico conteúdo disciplinar - MP Física.

<!-- image -->

Chamamos de conteúdo disciplinar o conjunto de disciplinas que compõem o programa do curso definido a partir de suas ementas. Esse conteúdo é dividido em conteúdo de ensino de física - CEF, no qual o enfoque é no conhecimento física e do conteúdo pedagógico- CP, onde há nas ementas a explicitação de uma abordagem sobre os aspectos didáticos e metodológicos do conteúdo. Talvez estas diferenças se devam a falta de um órgão organizador, que de conta do planejamento do currículo, tanto na quantidade das disciplinas ofertadas, quanto na divisão entre CP e CEF. Isso também pode ser um reflexo do pouco tempo de existência desta modalidade de pós-graduação, que ainda está sendo estruturada, já que o mais antigo data de 2002.

## Considerações finais

O presente artigo buscou dar o panorama dos MPEFs no Brasil no que tange sua estruturação e apontando como eles têm sido instalados no território brasileiro. O caminho feito foi encontrar os MPs existentes, descobrir a sua localização, identificar quais eram de ensino e dentre eles, destacar os MPEFs, que são o foco do nosso estudo.

Depois de analisarmos: histórico, grade curricular, ano de criação do curso dos 7 MPEs encontrados, concluímos que o conteúdo disciplinar não é padronizado, o que nos faz pensar que cada coordenação dos cursos estrutura o seu respectivo MPEF de acordo com os seus próprios parâmetros. Há também uma gritante diferença na oferta dos: CP e CEF, pois algumas instituições ofertam mais CP; um segundo grupo, CP e CEF mais ou menos na mesma proporção, e um terceiro grupo, mais CEF.

Tal reflexão, sobre a formação de professores, também é produzida por outros autores (MARANDINO, 2003; SCHNETZLER, 2000; PÉREZ GÓMES, 2002) que tem apontado e criticado o predomínio do modelo de formação no qual o professor é concebido como técnico, e sua atividade profissional como aplicação de teorias e técnicas na solução de problemas, ou seja, dirigida por uma racionalidade instrumental ou técnica..

Reconhecendo que os atuais cursos de formação de professores impõem saberes em um movimento de reforma de ensino moldados pela racionalidade técnica, Villani e Freitas (2002) culpabilizam essa concepção de formação pela dificuldade de mudar o ensino, por não levar em conta os saberes dos professores, sua experiência e o contexto no qual eles ensinam. Dessa forma, é possível encontrar profissionais pouco capacitados na prática docente, com poucas ferramentas pedagógicas, por fatores diversos, revelando uma realidade preocupante para cenário Educacional.

## Referências

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CAPES Caracterização do Sistema de Avaliação da Pós-graduação. Disponível em:

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QUELHAS, O L G ; FARIAS FILHO, José Rodrigues de ; FRANÇA, Sergio Luiz Braga . O mestrado profissional no contexto do sistema e pós-graduação brasileiro. RBPG. Revista Brasileira de Pós-Graduação, v. 2, n.4, p. 97-104, 2005.

REZENDE, F.; DUARTE, M. S.; SCHWARTZ, L. B. e CARVALHO, R. C. de. Qualidade da educação científica na voz dos professores. Ciência &amp; Educação, v.17, n.2, 269-288, 2011.

SCHNETZLER, R. P. O professor de ciências: problemas e tendências de sua formação. In Schnetzler, R. P.; Aragão, R. M. R. (Org.) Ensino de Ciências: fundamentos e abordagens. Campinas, SP: UNIMEP, 2000.

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VILLANI, A.; FREITAS, D. Formação de Professores de Ciências: um desafio sem limites. Investigações em Ensino de Ciências, v. 7, n.3, 215-230, set, 2002.

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