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Vídeos do youtube como ferramenta de aprendizagem

Ana Luiza De Azevedo Pires Sério, Maria Regina Dubeux Kawamura

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
30/10/2014
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## VÍDEOS DO YOUTUBE COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM YOUTUBE VIDEOS AS A LEARNING TOOL

Ana Luiza de Azevedo Pires Sério , Maria Regina Dubeux Kawamura 1 2

1 Escola Vera Cruz, analuserio@gmail.com

2 Universidade de São Paulo/ Instituto de Física, mrkawamura@if.usp.br

## Resumo

A utilização de vídeos em sala de aula é freqüente e a facilidade de procurar e reproduzir materiais promovida pela popularização da internet tem intensificado essa prática. Muitos trabalhos têm olhado para essa questão e destacam o papel motivador que os vídeos podem provocar porque aproximam o ambiente escolar do cotidiano dos estudantes. Nesse trabalho, descrevemos quatro atividades realizadas como lições de casa, com estudantes de ensino médio em duas escolas particulares de São Paulo nas quais foram utilizados vídeos dos canais Veritassium e MinutePhysics e a ferramenta formulário do Google Drive. Nessas atividades podemos notar o envolvimento dos alunos, como previsto na literatura e ainda verificar que os estudantes conseguiam identificar as dúvidas e os conceitos aprendidos, se tornando consciente do processo do seu aprendizado. A partir da análise dos materiais procuramos identificar as características necessárias para promover um maior aprendizado conceitual. Nesse sentido, percebemos que os vídeos que tiveram maior impacto nos estudantes foram aqueles que apresentavam fenômenos ou alguma problematização e levantavam as concepções espontâneas dos alunos.

Palavras-chave : vídeos, youtube, ensino médio

## Abstract

Using videos as classroom material is a common practice that has been intensified with the facilitation of sharing and playing materiais promoted by the internet popularization. Many papers are looking for this question,highlighting the motivation that the videos can make, as they are part of the students everyday routine. In this paper, we describe four activities as homework, with high school students in two private schools in São Paulo where videos of Veritassium and MinutePhysics channels and the tool form Google Drive were used. In these activities we can note the involvement of students as provided in the literature and also verify that students could identify questions and concepts learned, becoming aware of their own learning process. From the analysis of the materials we tried to identify the characteristics necessary to promote greater conceptual learning. In this sense, we noticed that the videos that had the greatest impact on students were those with phenomena or some questioning and raise their students' spontaneous conceptions.

Keywords : videos, youtube, highschool.

## Introdução

Em uma perspectiva de promover um aprendizado mais significativo, é comum que a discussão sobre a utilização de novas tecnologias no ensino apareça. Incorporar novos recursos às antigas práticas de sala de aula parece facilitar o processo de ensino aprendizagem. Principalmente em uma época em que as novas tecnologias são freqüentes, tanto dentro como fora da escola.

Além disso, a geração de estudantes passa bastante tempo em frente ao computador e tem proficiência com essa tecnologia. Portanto, não é surpresa que o professor imagine que possa aproveitar dessa habilidade para promover o aprendizado incorporando essas novas tecnologias no ensino, pois aproxima o universo do aluno a sala de aula.

A utilização de vídeos como ferramenta de ensino não é novidade, entretanto com a popularização da internet, teve algumas de suas características alteradas. facilita a distribuição e utilização desses vídeos. O YouTube.com é um site de compartilhamento de vídeos bastante popular. De acordo com as estatísticas publicadas pelo próprio site: 'mais de um bilhão de usuários únicos visitam o YouTube todos os meses e mais de seis bilhões de horas de vídeo são assistidas por mês no YouTube, ou seja, quase uma hora para cada pessoa do planeta'.

Por conta disso, vários pesquisadores passaram a verificar suas possibilidades de uso. Snelson (2011) realizou uma revisão bibliográfica de 188 artigos publicados em revistas e anais de congressos que continham YouTube no título, entre 2006 e 2009 com a intenção de verificar como essas publicações estavam distribuídas nas diversas disciplinas e quais os usos por cada uma delas. Desses artigos, 30 foram classificados como sendo sobre educação. As temáticas dos artigos eram variadas, mas envolviam principalmente, o estímulo do uso do YouTube em ambientes educativos. Tamim, Shaikh, E Bethel (2011), destacam a sua popularidade, os baixos custos, e variabilidade em usos potenciais e sugerem a utilização pelos educadores; Lin, Michko, e Bonk (2009) recomendam que os vídeos sejam curtos e informativos e que o professor incentive a pesquisa e compartilhamento de vídeos como um trabalho de aprendizagem. Outros artigos faziam relatos de experiências educacionais com o uso do YouTube, como, Van Mechelen e De Pryck (2009), e Spires e Morris (2008) que descrevem atividades em que os vídeos eram produzidos pelos estudantes.

No contexto do ensino de ciências brasileiro, Rezende Filho, Pereira & Vairo (2014) fizeram uma revisão bibliográfica de como o uso de recursos audiovisuais (RAVs) aparece nos periódicos voltados ao ensino de ciências. Os pesquisadores encontraram resultado semelhante ao encontrado por Snelson (2011), em que os artigos valorizam o papel motivador do uso de vídeos:

A maior parte dos trabalhos pesquisados tem como tópico de pesquisa a utilização do vídeo em sala de aula como recurso auxiliar da aula teórica (ensino-aprendizagem). Os trabalhos encontrados concluem que os RAVs geram interesse e motivação nos alunos e, por esta razão, devem ser utilizados pelo professor. A visão instrumental do audiovisual no processo educativo foi encontrada na maior parte dos trabalhos, inclusive naqueles cujo tópico de pesquisa é a formação de professores. Acreditamos que o uso de RAVs como parte do processo educativo e a pesquisa sobre este uso, quando privilegiam somente a perspectiva da instrumentalidade, não

levam em consideração um contexto escolar em que o aluno poderia ser visto como ator social, sujeito interativo, participante e colaborador do professor, e não como sujeito passivo. A ênfase no conteúdo dos RAVs, em geral encontrada nos trabalhos analisados, é um sintoma desta visão instrumental recorrente.

Este artigo tem como objetivo identificar as possibilidades de utilização de vídeos do Youtube como forma de promover um maior aprendizado conceitual. Essa proposta foi desenvolvida a partir de uma experiência profissional com alunos de ensino médio de duas escolas particulares da cidade de São Paulo. Foram realizadas algumas atividades, utilizando uma ferramenta do Google drive (https://drive.google.com) e vídeos de dois canais de vídeo dos Youtube Veritassium e MinutePhysics .

- O canal Veritassium é um canal produzido pelo físico australiano Derek Muller e apresenta vídeos sobre diversos assuntes da ciência, em especial física. O canal MinutePhysics é elaborado pelo físico Henry Reich, e mostra tópicos da física, geralmente física moderna, com vídeos que são feitos a partir de desenhos com uma narração e têm duração de aproximadamente um minuto.

Em duas das atividades aqui analisadas foram utilizados vídeos da lista Misconceptions (Concepções equivocadas). Os alunos da 1ª série do ensino médio assistiram ao vídeo Misconceptions about temperature (Ideias equivocadas sobre temperatura, em https://www.youtube.com/watch?v=vqDbMEdLiCs) e os alunos da 3ª série assistiram ao vídeo Why astronauts are weightless ? (Por que os astronautas flutuam?). Foram realizadas também outras duas atividades com vídeos desse mesmo canal, mas que não faziam parte da série sobre concepções equivocadas. Com a 2ª série, em uma lição de casa foram apresentados três vídeos Why does Earth spin? ( Por que a Terra gira? ), How dos the Earth spin? ( Como a Terra gira ?) e The egg experiment to demonstrated inertia ( O experimento do ovo para demonstrar inércia ). Para a 3ª série foi utilizado o vídeo Magnets: How do they work? ( Como os ímãs funcionam?).

## Contribuições dos vídeos: características e especificidades

Muller (2008) reconhece a utilização de vídeos no ensino de ciências, de uma forma geral, mas ressalta que poucos trabalhos são voltados para as características dos vídeos e suas especificidades. Em seu trabalho de doutorado na Universidade de Sidney, estudou a contribuição de vídeos de ciência utilizando diferentes procedimentos em torno de questões equivalentes. Inicialmente, apresentou uma pergunta conceitual para os estudantes ( Qual a força atua sob uma bola de basquete em um arremesso ao cesto?) e obteve 6 de 26 respostas corretas. Em seguida, apresentou aos estudantes um vídeo que explicava didaticamente as forças que atuavam na bola arremessada e os estudantes refizeram o teste. Muller obteve praticamente os mesmos resultados. Ele repetiu o experimento, então, desta vez apresentando um vídeo no qual dois atores simulavam uma conversa na qual as concepções espontâneas dos estudantes apareciam e eram explicadas do ponto de vista cientifico. Ao refazer o teste, os estudantes conseguiram responder 11 de 26 respostas de forma correta, quase o dobro da primeira situação. Para Muller, os estudantes já apresentam alguma concepção prévia daquilo que está sendo apresentado e, portanto, deixam de prestar atenção porque identificam as informações com as idéias que já tinham.

A partir da hipótese de que a natureza dos vídeos é fundamental para os resultados obtidos, procuramos investigar quais situações e vídeos promoveram um diálogo maior dos alunos com o conhecimento e com os fenômenos físicos apresentados. Para isso, buscamos estabelecer correlações entre a abordagem dos temas e as estruturas dos vídeos e as manifestações dos alunos.

## Estratégia: usando vídeos do YouTube como lição de casa

Os vídeos foram utilizados como lição de casa para estudantes de ensino médio regular, de duas escolas particulares de São Paulo, na disciplina de física. Neste trabalho serão analisadas quatro dessas atividades, uma para alunos da 1ª série, uma para alunos da 2ª série e duas com estudantes da 3ª série, envolvendo 298 estudantes no total. Todas as quatro atividades eram realizadas com a mesma estrutura, usando os formulários do Google Drive. Os alunos deveriam assistir ao vídeo proposto e responder algumas perguntas elaboradas pela professora.

Apesar de não ser o objetivo central desse trabalho, é interessante apresentar a ferramenta de formulários do Google Drive. Essa ferramenta pode ser um facilitador das atividades, pois permite ao professor elaborar questionários para serem respondidos online, contendo perguntas que podem ser formuladas em diferentes formatos (abertas, múltipla escolha, resposta em colunas e outros), além de permitir também a inserção de vídeos e imagens. Uma das vantagens dessa ferramenta é a organização das respostas: os dados são organizados em uma tabela que pode ser exportada para o Excell, permitindo analisar o desempenho de um aluno individualmente, bem como o desempenho geral da turma em uma resposta específica. Além de exportar para o Excell, no caso de perguntas de múltiplas escolhas, o Google apresenta as respostas na forma de gráficos com as informações dos questionários, o que facilita a tabulação dos dados, no caso de uma pesquisa, ou a correção das respostas pelo professor, como no caso da atividade proposta.

Para essas lições de casa foram utilizados vídeos do canal Veritassium do Youtube, da série Misconceptions (Concepções Equivocadas). Os vídeos apresentam estrutura semelhante: o apresentador, Derek Muller, entrevistas pessoas na rua sobre determinado assunto, que geralmente respondem de acordo com sua concepção espontânea, o que não está de acordo com a resposta esperada como fisicamente correta. Depois, Derek apresenta aos entrevistados alguma informação que geralmente contraria a resposta dos entrevistados, com isso percebem o erro que cometeram. Já o vídeo sobre ímãs apresenta uma estrutura mais linear de apresentação.

No caso do vídeo Ideias equivocadas sobre temperatura o objetivo era apresentar a diferença entre calor e temperatura. Para isso, Derek mostra aos entrevistados um disco rígido de computador (HD) e um livro (ambos em temperatura ambiente) e pergunta qual dos dois tem temperatura mais alta. Todos os entrevistados respondem que o livro está mais quente. Com um termômetro infravermelho, Derek mostra que os dois estão a mesma temperatura, causando espanto nos entrevistados. Depois, ele mostra uma placa de metal e uma de plástico com um cubo de gelo em cada uma e pergunta qual dos cubos derreterá primeiro. Desta vez, os entrevistados ficam mais reticentes em responder e aguardam o

resultado do experimento. Mesmo assim, se mostram surpresos ao perceber que o cubo na placa de metal derrete primeiro. Para encerrar o vídeo, Derek explica, enfim, a diferença entre temperatura e taxa de condução de calor. A duração do vídeo é de 3min59s.

Para o vídeo Por que os astronautas flutuam? foi utilizada a mesma estratégia de entrevistar pessoas na rua. Desta vez, Derek fazia a pergunta do título do vídeo. As pessoas responderam que os astronautas flutuam porque não existe gravidade no espaço. Mas a lua orbita a Terra por causa da força gravitacional, então com uma bola de basquete representando a Terra e uma bola de tênis, a lua, Derek pede que as pessoas façam uma representação em escala da distância do planeta e seu satélite. As pessoas colocam a lua bem mais próxima da Terra do que ela está. O apresentador mostra como seria a escala, aproximadamente, e pergunta então, onde estaria a estação espacial naquela escala. Desta vez a distância é muito maior do que a distância real. Então Derek explica porque os astronautas têm a sensação de flutuar quando na verdade estão caindo. A duração do vídeo é de 3min40s.

- A sequência de vídeos apresentados para a 2ª série tinha como objetivo discutir a relação entre força e movimento. Os dois primeiros vídeos ( Por que a Terra gira? e Como a Terra gira? ) mantinham a estrutura dos vídeos da série Concepções Equivocadas: entrevista de pessoas na rua. Neste caso o apresentador estava diante de uma enorme bola de granito que gira sobre uma fina camada de água. O terceiro vídeo ( O experimento do ovo para demonstrar inércia ) mostra a diferença entre o movimento de um ovo cru e um ovo cozido.

A última atividade descrita nesse trabalho foi feita com a utilização o vídeo Como os ímãs funcionam? Esse vídeo foi realizado pelo canal Veritassium em conjunto com outro canal de vídeos do YouTube, o MinutePhysics . Nesse vídeo são apresentados os conceitos de campo magnético e momento magnético.

As tarefas, apresentadas como lição de casa, foram realizadas por 180 estudantes (60,4% do total de estudantes matriculados nas disciplinas). Cada atividade começava com uma pergunta que verificava o entendimento geral do vídeo, em que o estudante deveria descrever o vídeo, sem se preocupar com os conceitos e aprendizados de física. Em seguida, eram apresentadas outras perguntas sobre os conceitos. A atividade terminava com uma pergunta aberta sobre a atividade geral, em que os estudantes poderiam apresentar suas dúvidas ou qualquer outro tipo de comentário. Nesse trabalho foi analisada essa última pergunta, com a perspectiva de verificar as potencialidades da utilização dos vídeos como forma de aumentar o aprendizado conceitual dos estudantes. Dos 180 estudantes que fizeram as atividades, 87 fizeram comentários na última pergunta.

As respostas dos alunos foram divididas em seis categorias não excludentes, que são apresentadas a seguir, organizadas em dois blocos, em que se reuniram aspectos positivos mencionados pelos alunos e aspectos relacionados a dificuldades

Bloco 1: Contribuições positivas

- a) Envolvimento: quando o comentário permitia verificar o envolvimento dos estudantes com a atividade
- b) Curiosidade: desperta a curiosidade, (provoca curiosidade com assuntos relacionados com a atividade, cria vínculo com o conhecimento pela dúvida que foi levantada pela atividade)

- c) Metacognição: respostas em que o estudante identifica o que não aprendeu, quais conceitos aprendeu, e quais são as dúvidas.

## Bloco 2: Aspectos negativos

- d) Língua: como os vídeos utilizados são falados na língua inglesa, e não apresentam legendas em português, isso poderia ser um fator que prejudica a utilização dos vídeos.
- e) Avaliação negativa: quando, nos comentários, o estudante escreve comentário ressaltando algum aspecto negativo da atividade: encontrou muita dificuldade, não conseguiu responder as questões, por exemplo.

Os dados são apresentados na Figura 1: Respostas dos estudantes sobre as atividades - contribuições positivas e aspectos negativos

Figura 1: respostas espontâneas dos estudantes sobre as atividades contribuições positivas e aspectos negativos

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A partir da análise da figura, podemos perceber que os aspectos mais marcantes foram os relacionados ao envolvimento e a metacognição.

Em relação ao resultado das perguntas conceituais apresentadas, os estudantes tiveram mais dificuldade em responder às perguntas sobre o vídeo Como os ímas funcionam? E quase metade deles apresentou dúvidas conceituais ou respostas erradas, o que não ocorreu nos outros três casos, nos quais os índices de acerto foram mais altos e as dúvidas mais pontuais.

Podemos levantar algumas hipóteses para isso, relacionadas à diferença da turma que respondeu, à influência do conteúdo, etc. Mas, de uma maneira mais geral, os resultados estão de acordo com a proposta de Muller, em que os aprendizados significativos aparecem quando os estudantes lidam com suas concepções espontâneas em situações concretas, nas quais não esperavam surpresas.

Ou seja, nos vídeos, ainda que didáticos, em que há a intenção de apresentar um conhecimento de forma concreta, mas com uma estrutura fenomenológica mais interna à física, talvez o envolvimento dos alunos seja menor,

justamente por reconhecerem a situação apenas como uma 'situação didática' ou uma 'situação de sala de aula'. Já quando são apresentadas situações em que os resultados não são esperados, promove-se o desequilíbrio que faz com que queiram buscar um novo entendimento. Esses resultados estão, certamente, de acordo com os inúmeros trabalhos sobre concepções espontâneas já realizados nas pesquisas em ensino de física. No entanto, o que se ressalta aqui é a forma pelo qual alguns vídeos (e apenas alguns) conseguem partir de uma problematização capaz de mobilizar o aluno para o conhecimento.

## Quando os vídeos parecem dar certas - considerações preliminares

Essa reflexão pode contribuir para estudos futuros indicando caminhos que precisam ser aprofundados dada a variedade de material e meios tecnológicos. E reafirma importância de compartilhar e refletir sobre a utilização de novas tecnologias em sala de aula. A partir das atividades propostas, podemos notar uma resposta positiva dos estudantes para esse formato de lição de casa, apresentada apenas na mídia (em alguns casos, no facebook). O que indica que esse pode ser um caminho. Os estudantes se mostraram entusiasmados com as discussões propostas.

A atividade permite verificar o aprendizado mais rapidamente, já que o programa produz um quadro de respostas que pode ser discutido com os alunos, através de um diálogo com os estudantes, que estão acostumados com a linguagem/formato computador. Muitas das dúvidas por eles expressas em suas repostas dificilmente seriam formuladas verbalmente ou em outros formatos. Além disso, é possível manter uma avaliação contínua, sem depender tanto de mecanismos como provas, etc. Os vídeos que apresentavam concepção espontânea tiveram melhor aceitação pelos estudantes, o que está de acordo com a tese de Muller. No entanto, não basta o vídeo, pois eles não foram utilizados isoladamente. Os vídeos eram apenas instrumentos, inseridos em uma atividade, com uma dada intencionalidade. As atividades tinham uma estrutura que se articulava com o tema do vídeo e problematizava a questão.

De qualquer forma, esses são resultados preliminares que apenas indicam a necessidade de outras pesquisas nessa área, para conseguir mapear melhor as características dos vídeos e a possibilidade de sua utilização em lições de casa online. Como uma questão importante, será interessante investigar possíveis limites. É possível que, em outras situações ou formas de desenvolvimento das lições, mesmo naquelas de estruturas 'mais didáticas', problematizações também possam vir a ser apresentadas. Mas é possível também, ao contrário, que o reconhecimento de elementos mais didáticos afastem os alunos, o que por si só mereceria uma atenção muito especial.

## Referências

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