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O uso de Recursos Tecnológicos por Professores de Física das Escolas Públicas da Cidade de Santa Maria/RS

Franciele Faccin, Isabel Krey Garcia

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
30/10/2014
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O USO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS POR PROFESSORES DE FÍSICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS DA CIDADE DE SANTA MARIA- RS

## USE OF TECHNOLOGICAL RESOURCES FOR TEACHERS OF PHYSICS OF THE PUBLIC SCHOOLS OF THE CITY OF SANTA MARIA-RS

## Franciele Faccin , Isabel Krey Garcia 1 2

1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/ Programa de Pós Graduação em Educação Matemática e Ensino de Física/ francifaccin@yahoo.com.br

2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/ Departamento de Física/ ikrey69@gmail.com

## Resumo

Estamos vivendo em uma época onde o desenvolvimento de novas tecnologias ocorre com grande velocidade, e para atuar como mediador no processo de ensino/aprendizagem de forma eficaz, o professor necessita estar preparado para interagir com uma geração cada vez mais atualizada e informada. Este trabalho apresenta uma pesquisa de campo realizada com professores que lecionam a disciplina de Física em escolas públicas da cidade de Santa Maria- RS. Foi aplicado um instrumento para investigar o uso que estes professores fazem de recursos tecnológicos, e também suas opiniões sobre: o papel dos recursos tecnológicos no processo ensino/aprendizagem, quais recursos podem ser utilizados, se utilizam algum recurso e qual, em que momento e porque utiliza, seu conhecimento em informática, o acesso a esses recursos na sua formação inicial e quais os pontos positivos e negativos do uso das novas tecnologias no ensino de Física. Como resultado, obtivemos que a maioria dos professores utiliza eventualmente algum recurso tecnológico em suas aulas. O fato de alguns recursos como data show e sala de informática serem disponibilizados em número insuficiente, necessitando um agendamento com bastante antecedência, é um dos fatores apontados pelos professores para justificar o pouco uso desses recursos .

Palavras-chave : Recurso tecnológico, novas tecnologias, ensino/aprendizagem.

## Abstract

We are living in an age where the development of new technologies occurs with great speed and to act as mediator in the teaching / learning process effectively, the teacher need to be prepared to interact with an increasingly informed and updated generation. This paper presents a field research with teachers who teach the discipline of physics in public schools in Santa Maria - RS. An instrument was applied to investigate the use of these teachers do technological resources, as well

as their views on: the role of technological resources in the teaching / learning, what means which can be used, if using a feature and what, when and because it uses, his knowledge about computers, the access to these resources in their initial training and what the positives and negatives aspects of using new technologies in teaching physics. As a result, we found that most teachers eventually uses some technological feature in their classes. The fact that some features such as projector data show and computer room are available in insufficient numbers, requiring a schedule well in advance is one of the factors cited by teachers to justify some use of these resources.

Keywords : Technological resources, new technologies, teaching / learning.

## Introdução

No mundo tecnológico em que vivemos, a inserção nas escolas das tecnologias presentes no cotidiano dos alunos, ao contrário do que vem acontecendo, deveria se dar de forma natural. Os estudantes de hoje, desde muito cedo, já são usuários de artefatos como: computadores, vídeo games, players de música, câmeras de vídeo, celulares, tablets, smartphones, entre outros. Esta realidade requer um repensar a educação, de forma a possibilitar novas alternativas para os indivíduos interagirem e se expressarem. Repensar a educação envolve diversificar as formas de agir e de aprender, considerando a cultura e os meios de expressão que a permeiam (MARTINSI, 2008). Ensinar passa então a tomar uma nova forma, em que o docente é desafiado a adotar novas metodologias com vistas a favorecer a aprendizagem significativa do estudante. Para que ocorra a aprendizagem significativa segundo a teoria de Ausubel (1980), existem duas condições: é preciso que o aluno tenha predisposição para aprender e o material a ser aprendido tem que ser potencialmente significativo.

Ao desenvolver tais metodologias, recursos ou estratégias de ensino, o professor precisa considerar as novas tecnologias, já que estas fazem parte do cotidiano dos alunos. Isto pode permitir ao professor o preparo de aulas que possibilitem uma participação ativa dos alunos nas atividades desenvolvidas. Assim o docente oferece estímulos capazes de auxiliar os estudantes a construírem suas próprias estratégias de apropriação, em direção a sua autonomia formativa (ISAIA, 2007).

Por novas tecnologias ou Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), entendemos que são tecnologias usadas como meios de comunicação para compartilhar informações através de sites de web, blogs, equipamentos de informática, telefonia, áreas para a distribuição ou troca de informações. Ainda, podem ser entendidas como uns conjuntos de recursos tecnológicos que, se estiverem integrados entre si, podem proporcionar a automação e/ou a comunicação de vários tipos de processos existentes nas atividades profissionais, no ensino e na pesquisa científica (MENDES, 2008). O uso adequado destas tecnologias permite, além da busca e aquisição de informação, novas chances de reformular as relações entre aluno e professores e de rever a relação da escola com o meio social, ao diversificar os espaços de construção do conhecimento, permitindo a escola um novo diálogo com os indivíduos e o mundo (Mercado, 1999).

Desta forma, o uso de recursos tecnológicos no processo ensino/aprendizagem pode fomentar a mediação de atividades didáticas, ou seja,

estes podem ser ferramentas em atividades dos professores e ser utilizados como objeto de estudo no processo de ensino/aprendizagem. Apenas o uso de recursos tecnológicos não é garantia de qualidade de ensino, é necessário saber como usálos. O planejamento didático é extremamente importante para que as práticas pedagógicas que utilizem esses recursos possam ser realizadas de forma eficiente. A incorporação de inovações tecnológicas em sala de aula só tem sentido se contribuir para a melhoria do processo de ensino/aprendizagem, levando em conta a interação e comunicação entre alunos e professor. A simples presença de novas tecnologias na escola não é por si só, garantia de maior qualidade na educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na recepção e na memorização de informações (GATTI, 1993).

A implementação de recursos tecnológicos depende de vários aspectos como: 'número de alunos, tecnologias disponíveis, duração das aulas, quantidade total de aulas que o professor dá por semana, apoio institucional' (Moran, 2000). Por isso é importante que o professor faça um planejamento bem estruturado e com antecedência, tendo em mente o que espera com determinada atividade, ou seja, que esteja claro qual o objetivo didático/pedagógico.

Há diferentes finalidades da presença dos recursos tecnológicos, seja como preparação profissional, formação para uso pessoal, ou como instrumento de aprendizagem. Portanto existe uma variedade de possibilidades do uso dos recursos tecnológicos, tanto no auxílio ao professor quanto nas situações de ensino/aprendizagem. Diante dessa várias possibilidades e do consenso sobre a importância de sua utilização, quais os motivos que levam muitos professores a se privarem do uso de recursos tecnológicos na escola?

Sobre este fato, temos como exemplo uma pesquisa publicada na Revista Veja digital (Reverbel, 2012), em que os professores de escolas públicas brasileiras quase não utilizam recursos tecnológicos - como computadores e internet - nas atividades mais realizadas em sala de aula. Como resultado, encontrou que as ferramentas tecnológicas são usadas por apenas 13% dos docentes no atendimento individual a alunos, por 16% dos educadores na interpretação de texto, por 21% deles na resolução de exercícios e por 24% durante aulas expositivas. Araújo (2010, p. 3), ao discutir este assunto, contribui para nossa compreensão, apontando, entre outras, as seguintes razões que levam o professor a não utilizar recursos tecnológicos na escola: o fato do professor não se atualizar na mesma velocidade com que mudam os recursos tecnológicos; o 'medo' de se arriscar em aprender; a falta de conhecimento das potencialidades em utilizar os recursos; recursos escassos, sucateados ou com difícil acesso à internet; ausência de projetos de formação continuada; a formação precária; e a ausência de técnico para suporte. Percebe-se que os professores se privam, não pelos recursos, mas pelo despreparo e desconhecimento acerca das possibilidades de associarem estes recursos a atividades desenvolvidas na educação.

Pesquisas já feita apontam aspectos relacionados ao uso de recursos tecnológicos em sala de aula. Em sua pesquisa, Moura et al. (2011) encontraram que a formação inicial não vem preparando de forma adequada os futuros professores na utilização das novas tecnologias. Também observaram que os professores praticamente não utilizam os laboratórios de informática por falta de preparo e de apoio pedagógico.

Portanto, um dos fatores determinantes para uma atuação satisfatória do professor frente às novas tecnologias é a constante atualização e disposição de aprender. Por isso é importante que o mesmo tenha tido contato com a utilização dessas novas tecnologias em sua formação ou em uma formação continuada. O desafio da educação é muito maior do que simplesmente a utilização de recursos tecnológicos, o importante é refletir uma educação com tecnologia que possa ser oferecida com qualidade (MORAN, 2000).

Além de um preparo para a utilização desses recursos tecnológicos, tanto no aspecto de manuseio quanto na sua aplicabilidade didático/pedagógica, é importante destacar que o papel do professor muda neste novo contexto de ensino/aprendizagem. Qual o perfil do professor nessa nova era? O que lhe cabe? O professor deveria ser capaz de orientar seus alunos frente à velocidade com que muda a tecnologia. Os recursos tecnológicos não substituem o professor, mas eles são uma forma de auxiliar no processo de ensino/aprendizagem. O perfil do professor é, segundo Kenski (2002), o de 'agente de inovações' que incansavelmente pesquisa, aceita os desafios e caminha sempre em vistas à aquisição de novos conhecimentos.

Não há uma tecnologia específica a ser utilizada, nem uma forma única de utilização dos recursos tecnológicos em todas as situações, como uma receita a ser executada sempre da mesma forma. Cabe aos professores definirem quais recursos utilizar, para que, por que utilizar e em que momento. É oferecido um leque de oportunidades educativas que as diferentes tecnologias revelam, cabendo ao professor adequar os recursos tecnológicos aos seus objetivos didáticopedagógicos.

A presente pesquisa pretendeu identificar os recursos tecnológicos utilizados pelos professores, em que momento esses recursos são utilizados, qual o papel a eles atribuído e os pontos positivos e negativos do uso das novas tecnologias. Desta forma, pretendemos contribuir com subsídios que permitam a reflexão sobre os fatores que influenciam os professores na utilização dos recursos tecnológicos.

## Metodologia/Resultados

O objetivo desta pesquisa foi investigar o uso de recursos tecnológicos por professores de Física das escolas públicas da cidade de Santa Maria/RS. Para essa investigação foi aplicado um questionário a 21 professores de onze escolas públicas da cidade. O questionário respondido contém 22 questões, sendo 13 questões abertas e 9 fechadas. Dos 21 professores participantes da pesquisa, apenas quatro (19%) não utilizam recursos tecnológicos em suas aulas (gráfico 1), sendo que um deles é proibido de utilizar recursos tecnológicos. Esta proibição se deve ao fato da escola estar inserida em um ambiente prisional, apesar do núcleo educacional dispor de computadores e data show. Os outros três professores que não utilizam recursos tecnológicos têm idade superior a 40 anos, não tiveram acesso a nenhum recurso tecnológico em sua formação inicial e possuem conhecimento regular de informática. Um dos principais motivos do não uso desses recursos é a falta de disponibilidade dos equipamentos e espaço adequado, sendo necessário um agendamento muito antecipado.

São quatro (19%) os professores que usam frequentemente recursos tecnológicos. Três desses professores não destacam nenhum ponto negativo no uso de novas tecnologias no ensino de Física. Cabe destacar que um desses

professores possui doutorado em Informática na Educação e outro leciona em um Colégio Militar em que cada aluno possui seu próprio notebook. Já a maioria dos professores pesquisados (62%) usa eventualmente recursos tecnológicos.

Sobre a diversidade de recursos disponíveis, foram feitas três questões: quais os recursos tecnológicos que podem ser utilizados, quais recursos tecnológicos que o professor utiliza e quais recursos a escola dispõe.

Os recursos tecnológicos que podem ser utilizados e que os professores têm conhecimento são: data show (52%); computador ou notebook (52%); vídeos, filmes ou documentários (38%); simulações ou demonstrações (33%); lousa digital ( 24%); redes sociais ou e-mail (24%); tablets ( 19%) e celulares ou smartphones (10%) . Porém, os recursos que são utilizados por eles são: data show (43%); computador (38%); vídeos ou filmes (38%); redes sociais ou e-mail (29%); simulações (24%) e lousa digital (14%).

Nota-se que o recurso mais utilizado é o computador, uma vez que o uso de simulações, redes sociais ou e-mail também pode ser incluído neste item. Isso provavelmente se deve ao fato de todas as escolas possuírem laboratório de informática com computadores conectados à internet, onde o mesmo está disponível em sua maioria para: pesquisa do professor, pesquisa durante as aulas e pesquisa do aluno. Cinco das onze escolas possui monitor responsável pelo laboratório de informática, mas não são em todas que o monitor auxilia nas atividades com os alunos. Cinco professores reclamaram da disponibilidade do uso do laboratório, pois tem que agendar com bastante antecedência devido a seu número insuficiente. Outros recursos também disponíveis na escola são: data show (76%) sala multimídia (33%), lousa digital (24%), televisão (5%), notebook (5%).

Com a análise destes dados é possível perceber que a maioria dos professores utiliza os recursos que são disponibilizados nas escolas, dando destaque ao computador e ao data show. A lousa digital foi citada por professores de apenas duas escolas, portanto não sabemos se as outras escolas realmente não dispõem ou se não é do conhecimento dos professores. Foram seis professores dessas duas escolas que responderam o questionário, quatro utilizam a lousa digital em suas aulas, um não utiliza nenhum recurso e outro utiliza outros recursos, mas não a lousa digital. Também é importante destacar que 29% dos professores analisados usam redes sociais e e-mail para se comunicar com seus alunos e tirar dúvidas.

Na opinião dos professores, o papel do uso de recursos tecnológicos em sala de aula é de: despertar o interesse do aluno (33%); auxílio didático (28%); relacionar a Física com o dia a dia do aluno (19%); melhor visualização (14%); necessário, mas distante da realidade da escola (10%), não substituem o papel do professor (10%), possibilitar a interação entre aluno e professor (5%).

Os professores usam os recursos tecnológicos pelos mais variados motivos, sendo que os mais destacados foram: possibilita tornar as aulas mais práticas, objetivas, dinâmicas, atrativas, interessantes e participativas (43%), para melhorar a compreensão dos conteúdos (19%) e para substituir o laboratório de ciências (10%). Também apareceram outros aspectos destacados por apenas um professor: oportuniza a diversidade de informações, desenvolvimento da autonomia e da criticidade dos estudantes, acesso facilitado a conteúdos disponíveis, permite contato com os alunos em outros momentos fora da escola, devido ao efeito pedagógico ser imediato. Os variados momentos em que utilizam recursos

tecnológicos são: substituir um experimento ou demonstração (57%), nas explicações dos conteúdos (48%), introduzir um conteúdo como recurso motivador (43%), revisão dos conteúdos (33%), avaliação (5%).

A maioria dos professores (52%) considera seu conhecimento de informática bom e utilizam o laboratório para: pesquisas, simulações ou demonstrações, programas com gráficos, leitura, moodle, elaboração de relatórios, programas para construção de gráficos e trabalhos. Já, os professores que consideram seu conhecimento em informática ótimo são 29% e que consideram seu conhecimento regular 19%.

Com o questionário verificamos que 24% dos professores pesquisados possuem apenas graduação. O restante (76%) tem especialização, mestrado ou doutorado. No entanto não verificamos qual a formação continuada de cada um deles e se tiveram acesso a algum curso de capacitação para o uso das novas tecnologias.

A pesquisa mostra que 57% dos professores que responderam a esse questionário não tiveram acesso a nenhum recurso tecnológico em sua formação inicial e 43% tiveram. A maioria dos professores que não tiveram acesso a nenhum recurso tecnológico na sua formação tem idade acima de 40 anos.

A utilização das novas tecnologias no Ensino de Física possui pontos positivos e pontos negativos. Portanto investigamos quais são esses pontos na opinião dos professores e verificamos que 47% deles não destacaram pontos negativos. Dentre eles estão três dos quatro professores que usam com frequência algum recurso tecnológico em suas aulas. Os pontos positivos destacados foram: torna a aula mais dinâmica e interessante(29%), é um meio de relacionar a Física com o dia a dia do aluno (19%), ajuda a visualizar fenômenos (14%), contribuem para a aprendizagem (14%), auxilio ao professor ( 10%), possibilita o estudo para além das fronteiras da escola(5%), melhora o dialogo entre professor (5%) e aluno, substitui experimentos não possíveis de realizar (5%).Os pontos negativos destacados foram: despreparo do professor (24%), falta de estruturas das escolas (14%), monotonia de alguns programas (10%), dispersão dos alunos nas redes sociais (5%), colas e plágios (5%).

Dois professores ainda destacaram seu despreparo: ' muitas vezes o nosso despreparo ', ' tenho que aprender a utilizar outros recursos '. Porém ambos utilizam recursos tecnológicos em suas aulas, tiveram acesso a ele em sua formação inicial e possuem apenas graduação.

## Considerações Finais

A proposta deste trabalho foi investigar o uso de recursos tecnológicos por professores de Física. Como resultado, obtivemos que a maioria dos professores investigados usa recursos tecnológicos eventualmente. O restante se divide igualmente entre aqueles que utilizam com frequência e aqueles que não utilizam. O fato de alguns recursos serem disponibilizados em pequeno número para várias turmas, necessitando um agendamento com bastante antecedência é um dos fatores que influência o não uso desses recursos pelos professores. Estes resultados estão de acordo com os já encontrados na literatura (Moura et al., 2011).

Os professores utilizam os recursos tecnológicos em momentos diversificados de suas aulas, e com menor frequência em situação de avaliação.

Para a utilização desses recursos o professor deve ter em mente o porquê de seu uso. Dentre as respostas dos professores as mais destacadas foram: possibilita tornar as aulas mais práticas, objetivas, dinâmicas, atrativas, interessantes e participativas, para melhorar a compreensão dos conteúdos e para substituir o laboratório de ciências. Percebemos que um número significativo de professores utilizam das novas tecnologias com o objetivo de propiciar maior interação, como redes sociais e e-mail para se comunicar com seus alunos, e isso é muito importante, pois essa comunicação faz parte cada vez mais do cotidiano do aluno e o professor tem que de adaptar para que a escola não se torne para o aluno algo isolado do seu mundo.

Percebemos nas respostas dos professores que tanto o motivo da utilização e o papel dos recursos tecnológicos quanto os aspectos positivos das novas tecnologias estão associados com despertar o interesse dos estudantes. Ou seja, com seu uso os professores pretendem tornar as aulas mais dinâmicas, atrativas, interessantes, participativas, etc. Portanto, para eles, a inserção de novas tecnologias em sala de aula proporciona uma das condições para que ocorra a aprendizagem significativa, que é o querer aprender. A outra condição, que é o material ser potencialmente significativo, está relacionada à preparação do professor para o uso desses recursos tecnológicos, tanto no manuseio quanto na inserção dentro de uma proposta didática planejada e com objetivos bem definidos. Porém os professores ressaltam essa falta de preparo, demonstrando que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que o desafio da qualidade na educação seja superado (MORAN, 2000).

Verificamos com essa pesquisa que os professores utilizam em sua maioria recursos tecnológicos em suas aulas, mas não dispomos de informações de que eles o utilizem de forma adequada. Para isso seria necessária outra pesquisa com foco na investigação sobre a forma com que os professores estão utilizando essas novas tecnologias. Estes resultados possibilitarão o planejamento de formas de capacitação destes professores, através de formação continuada. Pois, como já foi destacado nesta pesquisa, o principal ponto negativo citado é o despreparo, indicando a necessidade de um maior investimento em capacitações para esses professores.

- O uso das novas tecnologias não veio para resolver todos os problemas da educação, mas possibilita a construção de novas estratégias na busca da melhoria do processo de ensino/aprendizagem. Possui pontos positivos e negativos em sua utilização, mas para quase metade dos professores pesquisados não há pontos negativos, demonstrando uma visão ingênua e superficial sobre o papel que as novas tecnologias podem ter no processo educacional.

Portanto, para que o uso das tecnologias ocorra de forma a melhorar a qualidade da educação, é necessário que sejam fomentadas mudanças no perfil dos professores, incluindo melhorias no aspecto de sua formação inicial. Sobretudo, é necessário que o professor se sinta comprometido nesse processo de mudança, com a busca de constante auto-aperfeiçoamento, capacidade de relacionar teoria com a prática, consciência de que ele não é mais o único detentor do conhecimento e sim um mediador no processo de ensino/aprendizagem e, finalmente, algo fundamental, que é a aceitação e uso efetivo da tecnologia que está a nossa disposição.

## Referências

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ISAIA, S. M. A. Aprendizagem docente como articuladora da formação e do desenvolvimento profissional dos professores da educação superior. In: ENGERS, M. E.; Morosini, M. C. (Org.). Pedagogia Universitária e aprendizagem. Porto Alegre: EDIPUCRS, v.2, p. 153-165, 2007.

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MENDES, Alexandre. TIC - Muita gente está comentando, mas você sabe o que é? Publicado em 2008 Texto disponível em : < . http://imasters.com.br/artigo/8278/gerencia-de-ti/tic-muita-gente-esta-comentandomas-voce-sabe-o-que-e/>. Acessado em: 13 de jul. de 2014.

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MERCADO, L. P. L. Formação continuada de professores e novas tecnologias . Maceió: EDUFAL, 1999.SANTIAGO, D. G. Novas Tecnologias e o Ensino Superior: repensando a formação docente . 2006. 108 f. Dissertação (Mestrado em Educação). PUC- Campinas. 2006.

REVERBEL, Paula. Governo falha ao introduzir tecnologia na escola: Constatação é de pesquisa do Cetic.br. Professores de unidades públicas quase não utilizam PC e web nas atividades mais frequentes. Publicado em: 20 de jun. 2012. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/computadores-nao-saousados-nas-atividades-escolares-mais-frequentes>. Acesso em: 19 de jul. de 2014.

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