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GEORGE GAMOW, UM CIENTISTA FANFARRÃO E SUAS CONTRIBUÇÕES PARA O ENSINO DE FÍSICA

João Eduardo Ramos, Alexandre Bagdonas

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
30/10/2014
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## GEORGE GAMOW, UM CIENTISTA FANFARRÃO E SUAS CONTRIBUÇÕES PARA O ENSINO DE FÍSICA

## GEORGE GAMOW, A JOKER SCIENTIST AND HIS CONTRIBUTIONS TO PHYSICS TEACHING

## João Eduardo Ramos 1 , Alexandre Bagdonas 2

1 Programa Interunidades em Ensino de Ciências, Universidade de São Paulo, joaoeframos@gmail.com

2 Programa Interunidades em Ensino de Ciências, Universidade de São Paulo, alexandre.bagdonas@usp.br

## Resumo

Esta pesquisa tem como proposta observar a relação entre ciência e humor a partir do estudo de episódios da história da física, astrofísica e cosmologia vivenciados pelo cientista George Gamow. Analisamos seus livros de divulgação, com foco em alguns casos nos quais o humor está presente, investigando suas intenções ao popularizar ciência de forma bem humorada, buscando também subsídios para promover discussões sobre as ciências na educação básica, tendo como meta apresentar uma visão mais complexa e humana da ciência. Sugerimos uma utilização pedagógica do humor como um convite à reflexão, assim como uma estratégia para propiciar uma maior identificação entre os alunos e os cientistas.

Palavras-chave : humor, estereótipos, Gamow, cosmologia, história da ciência, física no Brasil.

## Abstract

This research aims to observe the relation between science and humor from studies of the history of physics, astrophysics and cosmology lived by the scientist George Gamow. We analyzed his popular books, with attention to situations where humor is evident, investigating his intentions on popularizing science humorously. We seek for subsides to promote discussions about science in basic education, aiming to present a more complex and human view of science. We suggest a pedagogical use of humor as an invitation to reflections, such as an strategy to allow a larger identification between students and scientists.

Keywords : humor, stereotypes, Gamow, cosmology, history of science, physics in Brazil.

## Introdução

Será que a ciência e o cientista podem ser engraçados? Podemos rir com eles ou a ciência é algo sério demais? Os exemplos encontrados na mídia como os cientistas retratados no seriado americano Big Bang Theory , por exemplo, reforçam estereótipos ou propõem uma reflexão sobre a ciência e o fazer científico? O que ganhamos ao investigar se a ciência tem alguma relação com o humor? Existem

implicações didáticas quando rimos da ciência (ou com a ciência)? O que pode o riso nos ensinar?

Tentando definir o que o riso possibilita, o filósofo espanhol Jorge Larrosa aponta para o fato de que 'o riso mostra a realidade a partir de outro ponto de vista. [...] o riso questiona os hábitos e os lugares comuns da linguagem.' (LARROSA, 2010, p. 178). Ou seja, em outras palavras, 'o riso destrói as certezas.' (LARROSA, 2010, p. 181) e nos convida a refletir e repensar a realidade.

Bakhtin apresenta, a partir do estudo do riso na Idade Média, uma ideia semelhante, abordando riso, pensamento e liberdade. Para ele:

o riso e a visão carnavalesca do mundo, que estão na base do grotesco, destroem a seriedade unilateral e as pretensões de significação incondicional e intemporal e libertam a consciência, o pensamento, e a imaginação humana que ficam assim disponíveis para o desenvolvimento de novas possibilidades. Daí que uma certa 'carnavalização' da consciência precede e prepara sempre as grandes transformações, mesmo no domínio científico (BAKHTIN, 2010, p. 43).

É no sentido de aniquilar a seriedade unilateral que o riso destrói as certezas e nos liberta para novas possibilidades, seja no campo artístico ou científico. Neste sentido, o riso para Bakhtin também está presente nas transformações científicas. Com esta visão compreendemos que o riso está ligado aos caminhos seguidos pelo homem para encontrar e explicar o mundo (RITTER apud ALBERTI, 2002, p. 12). Essa visão do riso como possibilidade de ir além do sério surge com uma concepção moderna do riso e do risível. Uma visão de que através do riso é possível atingir uma realidade 'mais real'.

Por ser objeto de estudo desde a Grécia antiga o riso e o risível passaram por diversas formulações na tentativa de encontrar a sua essência. Em algumas destas teorias, como a de Hobbes no século XVII, ridicularizar algo era útil para deixar clara sua falsidade e reafirmar uma visão de mundo dominante, onde o que é sério é tido como verdadeiro (ALBERTI, 2002, p. 196). Ou seja, o riso neste caso pode ter uma função moral de condenar aquilo de que se está rindo (p. 78). A partir desta visão, podemos rir e criticar o risível.

Dessa maneira, a nosso ver, ao pensarmos num ensino que possibilite uma leitura crítica do mundo, devemos considerar o riso como forma de buscar esta criticidade. Ao procurarmos episódios engraçados na história da ciência é com o intuito de buscar uma ciência 'mais real', que vá além de estereótipos, por exemplo. Que possibilite mostrar que no percurso de produção científica também há espaço para o riso e descontração.

Quanto à relação do ensino de ciências com este riso, observamos, entretanto, que são poucas as pesquisas que se preocupam com esta temática (PETERSON, 1980; WORNER e ROMERO, 1998; GARCIA MOLINA, 2009, p. 64; ROTH et al , 2011). O que parece contraditório uma vez que 'o humor apresenta benefícios psicológicos, sociais e cognitivos.' (LEI et al , 2010, p. 326). Estas pesquisas focam em aspectos da recepção dos alunos ao ensino com humor e de como o humor pode melhorar a aula. No entanto, apenas no caso de Garcia-Molina (2009) e Roth et al (2011) encontramos indicações da possibilidade do humor como reflexão. Roth et al (2011, p. 454) observa, por exemplo, em sua conclusão que 'o riso tem uma função dialética de questionar/desafiar as relações de conhecimento e poder, mas ao mesmo tempo de reafirmá-las, em alguns casos.'. Assim, no caso de

Roth, o riso na sala de aula oscila entre sua concepção moderna e a antiga, ora libertando, ora reafirmando as relações de conhecimento.

Junto a isto é importante para repensar e criticar os estereótipos sobre o papel da ciência e do cientista, que foram encontrados em várias pesquisas que investigaram concepções de estudantes sobre a ciência (como por exemplo, WATANABE et al , 2012). Estes estereótipos afetam o modo como alunos veem a ciência na escola, pois eles não se reconhecem como indivíduos que tipicamente devam se engajar nos estudos sobre ciências, pois não percebem nenhum sentido que a educação científica possa ter para suas vidas. Embora essa realidade possa ser constatada na maioria das salas de aula, a apatia e falta de vínculo dos aprendizes com o conhecimento se tornam bem mais evidentes em trabalhos de pesquisa que envolvem questões de identidade, cultura e ensino para minorias. Elementos que compõem a identidade individual e social dos alunos, tais como nacionalidade, raça, gênero, classe, religião e mesmo relações familiares, afetam seu engajamento nas ciências (SHANAHAN, 2009, GURGEL et al , 2014).

Visto isso, e a fim de refletir sobre as questões colocadas inicialmente, na presente pesquisa buscamos estudar a relação entre humor e ciência, e suas possibilidades didáticas, a partir da obra do físico George Gamow (1904-1968), famoso por suas piadas que já fazem parte do folclore da física. Devido a grande extensão da obra de Gamow, selecionamos alguns episódios de sua carreira nos quais destacamos a presença do humor. Estes envolvem tanto a relação de Gamow com outros cientistas quanto sua produção literária de divulgação científica. A partir do estudo destes episódios, observando sua relação com o seu contexto de produção, buscamos observar a forma com que o humor foi usado e com que finalidade. Por fim, fazemos uma síntese dos pontos observados e comentamos seu potencial didático.

Gamow escreveu mais de 20 livros de divulgação científica entre 1939 e 1968. Em 1967, um ano antes de sua morte, o historiador da ciência Thomas Kuhn publicou uma análise crítica do livro Thirty years that shook physics, em que apontou inúmeros erros históricos, que nem mesmo poderiam ser justificados pela necessidade de tornar a história da mecânica quântica mais acessível para uma audiência mais ampla. Kuhn concluiu: 'se o livro tem méritos residuais, estes estão nas anedotas. Elas são engraçadas e sua relevância independe de sua precisão, já que circularam na profissão e têm algo a contar' (KUHN, 1967). Tomamos a liberdade de, mesmo assim, explorar o potencial destes textos. As obras de divulgação científica de Gamow podem ser vistos não só como fontes históricas para entender o processo de criação de suas teorias cosmológicas, mas também fontes de leitura para aulas em que estude episódios históricos para promover discussões sobre as ciências, combinando física e humor.

O potencial pedagógico das obras de Gamow para o ensino de conceitos de física moderna é bem conhecido (ver, por exemplo, TEIXEIRA et al , 2008). Porém, além de ensinar conceitos, um papel importante do ensino de ciências é mostrar aos jovens uma visão mais rica e complexa da ciência. Uma das estratégias para se conduzir discussões sobre as ciências de modo a apresentá-la como uma atividade humana, inserida em seu contexto sócio cultural, é pela colaboração entre historiadores, filósofos e sociólogos da ciência e educadores, contribuindo para a reformulação do ensino de ciências. Muitos pesquisadores têm se engajado no

estudo de episódios históricos não só para ensinar conteúdos científicos, mas também para promover discussões sobre as ciências (MATTHEWS, 1994).

## Gamow, um cientista fanfarrão

Gamow nasceu em 1904 e viveu as últimas décadas do Império Russo em Odessa. Estudou física na Universidade de Petrogrado onde conheceu jovens físicos que gostavam de desenvolver seu senso de humor à custa de seus professores. Eles estavam entusiasmados com as novidades da nova física quântica que seus professores não conheciam, e se orgulhavam de não irem às aulas aprendendo mais discutindo artigos entre si. Além de física, também gostavam de ler poesias, fazer pegadinhas e piadas envolvendo conceitos de física, relacionando problemas sérios com humor (FRENKEL e GORELIK, 1994; KOJEVNIKOV, 2004). Neste momento da vida de Gamow é possível observar uma relação entre humor, descontração e pensamento. Já um indício de que num ambiente científico há espaço para diálogo com outras atividades.

De 1928 a 1931 Gamow recebeu bolsas para estudar física no exterior, morando em Göttingen, Cambridge e Copenhagen. Em 1931, com outros jovens físicos que visitavam Niels Bohr, Gamow criou uma paródia de um filme que assistiram juntos no cinema. Isso motivou seu amigo Max Delbruck a escrever a peça Fausto em Copenhague, que discutia a recente descoberta do nêutron por James Chadwick. A peça foi encenada por Delbruck, Niels Bohr, Paul Ehrenfest e outros físicos famosos. Como Gamow estava na URSS, e não obteve permissão para viajar para o exterior, não pode ajudar Delbruck escrevendo a peça. Mas, recebeu uma homenagem, aparecendo como um personagem que não pode ir a Copenhague por que estava aprisionado por uma barreira de potencial muito alta, como uma partícula alpha dentro do núcleo (SEGRE, 2011, HALPERN 2012). Na década de 1960, Gamow e sua esposa, Barbara, traduziram a peça escrita originalmente por Delbruck em alemão, e a apresentaram no livro Thirty years that shook physics, que como apontamos narra a visão de Gamow da história da mecânica quântica, criticada por Thomas Kuhn (GAMOW, 1966). O potencial pedagógico desta peça para discutir conceitos de física moderna e contemporânea foi defendido por pesquisadores do ensino de ciências (PANAGOTIS et. al , 2001).

Em 1934 Gamow emigrou para os EUA, sendo contratado na George Washington University. Seus interesses de pesquisa mostram uma transição gradual da física nuclear, uma área muito respeitada que atraiu a maioria dos jovens estudantes dessa época, para a astrofísica, evolução estelar e origem dos elementos químicos. Na década seguinte, Gamow se interessou principalmente por cosmologia relativística, uma área de pesquisa que nessa época era considerada muito especulativa para a grande maioria dos físicos e astrônomos (KRAGH, 1996).

No livro The Birth and Death of the Sun, Gamow (1940) apresentou sua visão bem humorada da história da aplicação da física nuclear aos estudos da astrofísica, guiado pela questão: qual é a fonte de energia do Sol? No prefácio do livro, que pode ser lido como uma resposta às críticas de Thomas Kuhn que só foram feitas 26 anos depois, Gamow deixou explícita sua irreverência com os fatos históricos da ciência que apresentava em seus livros:

Embora o autor não possa concluir nesse prefácio com a frase comum 'todos os personagens aqui apresentados são puramente imaginários e não têm nenhuma conexão com qualquer pessoa real', talvez seja melhor avisar

o leitor que ele não deve dar muita credibilidade para alguns detalhes nas páginas seguintes, tais como a desarrumação da barba de Demócrito, o tempo chuvoso em Princeton quando Russel criou seu diagrama, e a relação entre o famoso apetite de Hans Bethe e sua rápida solução do problema da reação solar (GAMOW, 1940, p. viii, tradução livre).

Hans Bethe (1906-2005) não sabia quase nada sobre astronomia antes de encontrar Gamow e outros físicos e astrônomos na Washington Conference in Theoretical Physics, em 1938. Nas décadas anteriores, seus colegas vinham tentando explicar a fonte de energia das estrelas, aplicando as teorias da física para estudar estrelas. Gamow contou em seu livro que Bethe encontrou a solução para este antigo problema por causa de seu famoso apetite. Voltando de trem de Washington para sua casa, imediatamente após a conferência, Bethe queria explicar as reações de fusão nuclear que geram a energia solar antes do jantar ser servido.

Essa piada, além de deixar a leitura mais prazerosa, também parece ter a intenção sutil de enaltecer o papel de Gamow nessa descoberta por ter organizado a conferência unindo físicos e astrônomos, o que o próprio Bethe reconheceu que foi essencial para sua carreira (BETHE, 1997).

Outro momento curioso e engraçado de sua biografia se relaciona com as discussões sobre as anãs brancas. Desde 1937 Gamow estava discutindo sua pesquisa em astrofísica com astrônomos como S. Chandrasekhar, O. Struve e G. Kuiper (HUFBAUER, 2009). Em seu livro de divulgação sobre astrofísica (GAMOW, 1940, p.179), ele mostrou sua discordância com 'a maioria dos astrônomos', argumentando que anãs brancas não deveriam ter quase nenhum hidrogênio em seu interior. Por causa de evidências oriundas de estudos de espectroscopia, astrônomos mostravam que havia bastante hidrogênio na superfície dessas estrelas o que levava a controvérsias sobre as teorias de evolução estelar.

Alguns meses depois da publicação deste livro, ele mandou uma carta para Gerard Kuiper (1905-1973) com um desenho expressando sua discordância com astrônomos, sobre as interpretações das evidências disponíveis que levavam Kuiper e outros astrônomos a defenderem que havia muito hidrogênio nestas estrelas. Ele apresentou o problema do hidrogênio nas anãs brancas como o dilema do 'Páris moderno', em que uma das três deusas teria que ser esmagada. Páris teve que escolher entre Afrodite, Hera e Athena. Kuiper deveria escolher entre: 1. as evidências astronômicas, simbolizadas por uma deusa nua; 2. as teorias de evolução estelar do astrofísico indiano S. Chandrasekhar, simbolizadas por uma deusa com vestes indianas; e 3. a física nuclear, simbolizada por uma deusa com vestes de estilo europeu ou estadunidense (DEVORKIN, 2006, p. 440).

Outra das famosas piadas de Gamow foi criada após uma visita ao Brasil, onde conheceu o jovem Mário Schenberg. Eis a versão dele da história:

o nome Urca foi dado por nós ao processo que acompanha a emissão de neutrinos em supernovas por causa da seguinte situação curiosa: no Rio de Janeiro, fomos jogar no Cassino da Urca e Gamow estava muito impressionado com uma mesa na qual havia uma roleta e na qual o dinheiro desaparecia muito rapidamente. Com senso de humor, ele disse: 'Bem, a energia está sendo perdida no centro das supernovas com quase a mesma rapidez com que o dinheiro é perdido nestas mesas!' (SCHENBERG apud GRIB e NOVELO, 2000).

Mais do que a piada, a história chega para nós como engraçada por imaginar dois grandes cientistas jogando num cassino, no Brasil. Este choque de diferentes épocas torna mais interessante revisitar a história da ciência.

Além do mais, este episódio pode ser especialmente promissor para as aulas de ciência no Brasil. Isto ocorre, pois, nossos alunos não reconhecem seu país como um produtor de conhecimento de mesmo status de outros países, o que pode ser a origem de uma incompatibilidade cultural entre o estudo da Física e a identidade dos estudantes brasileiros (GURGEL et al , 2014; WATANABE e GURGEL, 2011).

Gamow tinha um apetite insaciável por piadas. Pensava em fazer graça até com título de artigos, como aparece na história do artigo alfabético. Depois da Segunda Guerra Mundial, Gamow e seus colaboradores Ralph Alpher (1921-2007), seu aluno de doutorado, e Robert Herman (1914-1997), desenvolveram suas especulações cosmológicas com cálculos mais detalhados, comparando suas previsões com observações astronômicas de abundâncias de elementos químicos no universo. Em 1948, alguns meses antes de Alpher defender sua tese, Gamow o convenceu, contra sua vontade, a publicar um artigo com uma versão curta de seus resultados em parceria com o físico Hans Bethe, que ajudara Gamow com suas pesquisas cosmológicas no passado - como apresentado anteriormente -, mas que nem sequer sabia da existência do artigo de Alpher. O artigo, publicado em 1º de abril, a data preferida de Gamow para publicações, ficou conhecido como o 'artigo alfabético', ou o artigo ' αβγ ' (BETHE 1997).

O último episódio selecionado aponta uma ironia histórica na qual Gamow é personagem. O nome 'Big Bang' tornou-se popular quando utilizado em palestras sobre cosmologia na rádio BBC na década de 1950, pelo cientista britânico Fred Hoyle (1915-2001). Ele usou esse nome ao criticar os modelos cosmológicos relativísticos em expansão propostos por Georges Lemaître (1894-1966) na década de 1930 e George Gamow e seus colaboradores na década seguinte. No fim da década de 1960, Fred Hoyle foi um dos poucos cientistas que não aceitaram a teoria do Big Bang como a melhor alternativa disponível, continuando a pesquisar teorias alternativas até o fim de sua vida. O nome 'Big Bang', que ele inventou para uma teoria que combatia, tornou-se uma de suas contribuições científicas mais famosas, enquanto Gamow, apesar de evitar usar o nome dado pelo seu rival, ficou conhecido como um dos pais da teoria do Big Bang (KRAGH, 1966; BAGDONAS, 2011).

## Conclusão

George Gamow utilizava o humor em seus textos com diferentes intenções, desde tornar a leitura mais agradável, aumentar sua renda com a venda de livros, criticar teorias rivais até chamar a atenção de seus colegas para problemas que achava interessantes. No caso de sua relação com astrônomos, usou o humor para convidar seus interlocutores a pensar outras possibilidades, seguindo a proposta de que para pensar o mundo, 'há que se ir além da razão e colocar o boné de bufão.' (ALBERTI, 2002, p. 204).

O estereótipo do cientista como um profissional sério, que é aficionado por seu trabalho e não gosta de perder tempo com piadas surgiu, possivelmente, pela dificuldade de se encontrar um cientista tão excêntrico e piadista como George Gamow. A maior parte dos cientistas que conviveram com ele não aprovaram seu

estilo brincalhão e isso pode até mesmo ter afetado negativamente sua carreira científica.

Porém, acreditamos que mesmo não sendo possível generalizar para os cientistas em geral o que aprendemos sobre a personalidade e o estilo científico de George Gamow, o humor de seus livros de divulgação científica tem um excelente potencial como subsídio para discussões na educação básica, dando um ar mais humano e realista à atividade científica, contribuindo para uma reafirmação da ciência como atividade humana.

## Referências

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BAGDONAS, Alexandre. Discutindo a natureza da ciência a partir de episódios da história da cosmologia . Dissertação de Mestrado, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biociências, Faculdade de Educação - Programa Interunidades em Ensino de Ciências, Universidade de São Paulo, 2011.

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