FÍSICA E MUSCULAÇÃO: UMA POSSIBILIDADE PARA O ENSINO DE MECÂNICA
Patricia Weishaupt Bastos, Cristiano Rodrigues De Mattos
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XV
- Ano
- 2014
- Data
- 30/10/2014
- Linha de pesquisa
- Ensino/Aprendizagem/Avaliação Em Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## FÍSICA E MUSCULAÇÃO: UMA POSSIBILIDADE PARA O ENSINO DE MECÂNICA
## PHYSICAL AND BODYBUILDER: A POSSIBILITY FOR TEACHING MECHANICS
## Patrícia Weishaupt Bastos , Cristiano Rodrigues de Mattos 1 2
1 UNISO/Universidade de Sorocaba, weishbastos@gmail.com
2 USP/Instituto de Física - USP, mattos@if.usp.br
## Resumo
Neste trabalho pretendemos mostrar que através de um enfoque interdisciplinar, podemos estabelecer relações entre os conhecimentos de física, em particular os de biomecânica, e os conhecimentos ligados às concepções de treino de musculação dos estudantes, possibilitando uma complexificação do conhecimento cotidiano, contribuindo assim para a construção de um conhecimento escolar que dê conta da vivência e dos interesses dos estudantes. Mostraremos dados que nos fornecem as concepções prévias dos estudantes com relação à física e musculação, no qual podemos observar a dificuldade dos estudantes ao tentarem ligar os conhecimentos sem auxílio do professor, além de ressaltar que os alunos já possuem a noção de que a musculação está relacionada à física. Este trabalho é fruto de um levantamento de dados inicial para que futuramente construamos atividades, que facilitem o ensino de mecânica através da relação entre física e musculação.
Palavras-chave : musculação, ensino de física, biomecânica, complexidade, interdisciplinaridade.
## Abstract
In this work we intend to show that through an interdisciplinary approach, we establish relations between the physics, in particular biomechanic, and knowledge related to the concepts of muscular training of students, providing a complexity of quotidian knowledge, thus contributing to the construction of a school knowledge that embraces the experiences and interests of students. Show data that gives us the preconditions of students with respect to physical and bodybuilding, in which we can see the difficulty in trying to connect the student knowledge without assistance from the teacher, and by noting that students already possess the notion that bodybuilder is related to physics. This work is the result of a survey of initial data for which we build future activities that facilitate the mechanical teaching through the relationship between physical and bodybuilder.
Keywords : bodybuilder, physical education, biomechanics, complexity, interdisciplinary.
## Introdução
Escolhemos abranger os conteúdos de física relacionados à academia de ginástica, devido a um aumento significativo da procura de adolescentes por este setor, para prática de ginástica e musculação (AZEVEDO JÚNIOR, et. al ., 2006). Há diversas razões para este aumento, uma delas são os benefícios à saúde pela atividade física e a outra o ideal estético atual, que sobrepõe na maioria das vezes à saúde. Podemos dizer que isto é resultado de uma cultura corporal desenvolvida ao longo das gerações.
A busca pelo corpo perfeito, por meio de um corpo esculpido em uma academia de ginástica, gera exageros nos treinamentos e consequentemente lesões (SILVA, 2001). Acreditamos que os conhecimentos da física podem contribuir para prevenção das lesões e aumento da performance nos treinamentos. Por meio da conscientização, que é proveniente da informação (conhecimento), podemos evitar problemas futuros. Neste viés, podemos pensar na aplicação dos conhecimentos físicos presentes na academia de ginástica.
Pensando em saúde, bem-estar e qualidade de vida, relacionando a academia de ginástica e ao aumento da performance nos exercícios físicos, temos: saúde auditiva (intensidade sonora na academia de ginástica), alimentação (nutrição do ponto de vista da física), análise do movimento humano (biomecânica) e motivação (fatores axiológicos).
Pretendemos enfocar prevenção de lesões em treinos de musculação, utilizando conceitos de biomecânica, visando integrar as disciplinas de física e educação física. Desmistificando a idéia de que biomecânica é apenas para o estudo dos movimentos corporais de esportes de competição, mas mostrando suas inúmeras aplicações (BATISTA, 2001).
## JUSTIFICATIVA
A forma com que a mídia divulga a relação entre a prática de exercícios físicos, esportes, saúde e estética corporal são preocupantes. Muitos buscam a qualquer custo à forma física 'perfeita', a qual supostamente envolve o excesso de exercícios físicos, muitas vezes sem orientação profissional, acarretando a prática inadequada de exercícios físicos, além das estranhas dietas alimentares, ingestão de medicamentos e até cirurgias para chegar um padrão esteticamente valorizado. Ou seja, o corpo se tornou um instrumento de valorização dos sujeitos na sociedade, virou 'moda' (KOWALSKI & FERREIRA, 2007).
Há muito tempo à aparência corporal vem se sobressaindo com relação à saúde, antes apenas os adultos tinham a preocupação de conquistar um corpo perfeito, mas isto também tem se sobressaído entre os adolescentes. É necessário cuidado com a prática de exercícios físicos na adolescência em excesso, os exercícios físicos e as atividades esportivas devem ser programados e supervisionados (SILVA, 2004).
O público adolescente nas academias de ginástica vem aumentando desde os anos 80, com a procura de aulas de ginástica e principalmente musculação. Este aumento está relacionado tanto ao conhecimento dos benefícios para saúde pela prática de exercícios, quanto ao alcance das metas estéticas (MONTEIRO, et. al. , 2003).
Nesta perspectiva, uma abordagem interdisciplinar que contenha as relações entre saúde, biomecânica, educação física e física poderá ajudar os estudantes a adquirirem uma visão mais crítica e consciente do exercício físico. Segundo Aarbeg (2008), o corpo humano é capaz de uma vasta combinação de padrões de movimento, realizados em diversas posições que abrangem estudos de anatomia e estrutura articular, fisiologia muscular, física geral, biomecânica, processos neurológicos e aprendizagem motora.
Estamos cientes da complexidade que envolve o estudo do movimento humano, como o estudo de qualquer fenômeno a nossa volta. Precisamos fazer com que os estudantes reconheçam a natureza complexa de um fenômeno e compreendam a necessidade de utilizar várias áreas (com seus limites) do conhecimento para tentar explica-lo.
Os movimentos da musculação revelam a importância da biomecânica. Cada movimento, além de trazer conceitos biomecânicos, também está repleto de significados que são específicos de cada individuo, tais como: saúde, beleza, etc., que de certa forma dentro de um contexto 'individual' se relacionam com a prática da musculação (SILVA, et. al ., 2008).
Segundo Campos (2004), a maioria das lesões que acontecem com a prática de musculação está ligada a técnica precária de execução de exercícios. Entendemos que o ensino de biomecânica pode permitir ao aluno uma compreensão da aplicação dos princípios da mecânica ao movimento, em particular de determinados exercícios físicos ou habilidades motoras. Pela sua natureza, os conhecimentos de biomecânica resultam de uma construção histórica de um conhecimento interdisciplinar, que podem ser associados tanto a física e a fisiologia, quanto à educação física (CORREA, 2004).
No campo da biomecânica se estuda a funcionalidade mecânica dos órgãos, aparelhos e sistemas dos seres vivos, a sua cargabilidade mecânica, sobre os limites da sobrecarga para não gerar lesões e sobre os fatores que afetam a performance , incluindo a atividade desportiva e, portanto envolvendo, o treino em si mesmo, os meios auxiliares de treino, o equipamento desportivo e a técnica desportiva (VILAS-BOAS, 2001).
Por meio da biomecânica, física e educação física, mostraremos aos estudantes a importância em seguir um programa de musculação adequado e as orientações dos profissionais da academia de ginástica, realizando apenas os exercícios que foram recomendados no programa de musculação, a ordem dos exercícios, a sobrecarga, a freqüência, o número de séries, o numero de repetições, o descanso entre as séries, a velocidade de execução dos movimentos, a amplitude dos movimentos, a progressão linear dos exercícios, os alongamentos, etc.
É comum em academias de ginástica, encontrar adolescentes utilizando sobrecargas indiscriminadamente, realizando os exercícios erroneamente e inventando outros exercícios, não seguindo o intervalo entre as séries, com a ilusão de que ganharão mais massa muscular. Muitos adolescentes não progridem linearmente nos exercícios, passam realizar exercícios dos adultos em sua maioria com pesos livres, ao invés de prolongarem por mais tempo exercícios com aparelhos com cabos que se adaptam melhor.
Neste viés é de suma importância incluir a discussão sobre saúde, mesmo que simplificada, nas aulas de física do 1º ano do ensino médio no conteúdo de
mecânica, introduzindo conhecimentos de biomecânica contextualizados na academia de ginástica, tema de grande interesse dos estudantes. O ensino de biomecânica faz parte dos parâmetros curriculares nacionais de educação física (PARÂMETROS, p. 75,1997), dada sua importância na compreensão de que todo e qualquer movimento corporal pode ser mais bem entendido com os conceitos e padrões biomecânicos, que podem ser destacados pelo professor de educação física durante as aulas (FREITAS & COSTA, 2000).
Dentro do ensino de física ou de qualquer outra área de conhecimento, o aprendizado correto dos conceitos faz diferença na compreensão dos fenômenos que ocorrem a nossa volta. Ao desenvolver em sala de aula o conteúdo de mecânica abrangemos conceitos como: força, energia, velocidade, impulso, equilíbrio, etc., que já são utilizados pelos estudantes em contextos do dia-a-dia. Algumas pesquisas realizadas na área do ensino da mecânica demonstram que os estudantes estabelecem relações intuitivas entre os conceitos apresentados, o que faz com que eles dêem respostas inadequadas do ponto de vista da física (PEDUZZI, 1985).
Segundo vários autores ( p.e . MORTIMER, 2000; ITZA-ORTIZ et.al ., 2003) a linguagem do cotidiano tem fortes implicações no aprendizado dos conceitos físicos, não sendo necessário que os estudantes abandonem os significados daquele conceito no cotidiano, mas deve haver uma coexistência entre o conceito físico e o conceito comum.
Muitos pesquisadores realizam trabalhos a respeito das concepções alternativas dos estudantes para os conceitos de mecânica para estabelecer pontos de partida para o ensino da Física (HOLLOW, 1985). Um dos conceitos mais estudado pelos pesquisadores em ensino de física é o conceito de força, pois além de ser central para a mecânica, a maioria dos alunos começa seus estudos em física, sem saber diferenciar o termo força utilizado no cotidiano do conceito físico de força (ITZA-ORTIZ et. al ., 2003).
Muitas vezes estes erros conceituais são provenientes de um ensino em que geralmente os estudantes são forçados a memorizar fragmentos e algumas respostas prontas (HESTENES et. al., 1992).
## METODOLOGIA
Para fundamentar a noção de interdisciplinaridade, nos basearemos no trabalho de Fiedler-Ferrara e Mattos (2006, 2007), e para dar suporte a noção de complexificação do conhecimento usaremos Garcia (1998).
Mortimer (1995) propõe a noção de perfil conceitual, baseada na noção de perfil epistemológico de Bachelard. O perfil conceitual, em contraponto a noção de conceito com um único significado, propõe que os indivíduos podem ter várias visões de um mesmo conceito. Estas regiões do perfil conceitual são chamadas de zonas do perfil conceitual. A conseqüência desta forma de representar o estado cognitivo de um indivíduo leva a noção de aprendizagem como evolução do perfil conceitual na qual, o indivíduo, em um processo de ensino, cria novas zonas ou modifica as já existentes. Na aprendizagem, a intenção não é abandonar o conceito na forma como já havia sido aprendido, mas incorporar uma nova zona de perfil conceitual que depende do contexto em que o indivíduo se encontra (RODRIGUES & MATTOS, 2006).
É notório que a integração de fenômenos do cotidiano do aluno ao conteúdo curricular ajuda a complexificar o conhecimento, pois aumentam o número de conexões na rede de significados, entre os níveis de organização dos elementos que formam o sistema de representação. Concebemos o conhecimento como uma estrutura complexa, com diferentes níveis hierárquicos interagindo em retroalimentação, isto é, a pan-disciplinaridade (FIEDLER-FERRARA & MATTOS, 2002).
A escolha de um tema é baseada na dinâmica entre os conteúdos a serem tratados, no comportamento do professor e do aluno frente ao mesmo, na organização quanto à seleção das áreas de conhecimento, na relação entre os conteúdos e seus vários elementos e no critério que abrange três dimensões: axiológica (relacionada aos valores atribuídos a determinados objetos), epistemológica (relacionada ao 'como' conheço um objeto) e ontológica (relacionada à natureza dos objetos), dentre as quais reforçamos mais a axiológica que envolve os valores, que estão diretamente ligados ao professor que escolherá os elementos a serem apresentados aos alunos (FIEDLER-FERRARA & MATTOS, 2002).
## Desenho da Pesquisa
Realizamos o levantamento de dados através de dois questionários numa escola pública do interior do estado de São Paulo na cidade de São Roque - E.E. Prof. Germano Negrini nos anos de 2012 e 2013.
Os dados foram coletados em duas turmas de primeira série do Ensino Médio, no período da manhã, no 4º bimestre de 2012 e 2013, em um total de 223 alunos, no qual as idades variavam entre 15 e 17 anos, na qual a professora que atuou nas salas em questão é a própria pesquisadora. A superposição de papéis, a nosso ver, não acarretou em deformação da amostragem, dado que a situação de aula era conhecida e o questionário foi aplicado como atividade extra.
Nestes questionários, mostraremos as concepções prévias dos estudantes com relação à física e academia de ginástica - musculação. Estes questionários nos auxiliarão no levantamento do perfil conceitual dos estudantes a respeito da relação entre física e musculação, com enfoque na observação de como os estudantes utilizam os conceitos de física vistos no primeiro ano do ensino médio.
Restringimos-nos ao conteúdo do primeiro ano do ensino médio, pois pelo Currículo do estado de São Paulo (SÃO PAULO: SEE, 2008) é nesta série que temos o conteúdo de mecânica, no qual pretendemos interligá-los com o tema: musculação, para auxiliar na aprendizagem de alguns conceitos físicos de mecânica e resultar em uma vida saudável (sem lesões provenientes do treino) pela mudança de postura quanto à execução do treino de musculação.
Devemos levar em conta as idéias prévias dos alunos para delimitar os objetivos e para organizar os conteúdos. Com este intuito decidimos levantar os conceitos prévios dos alunos sobre a inserção da musculação na aprendizagem dos conceitos físicos, por meio de dois questionários com nove questões cada.
Na tabela 1 mostramos a ordem em que os questionários foram aplicados e também a quantidade de alunos que foram submetidos à pesquisa.
Tabela 1: Quadro geral da pesquisa
Nossa hipótese inicial era de que os alunos não conseguiriam aplicar os conceitos de mecânica vistos ao longo do ensino médio no treino de musculação e muito menos visualizar a aplicação da física no seu cotidiano, além utilizar conceitos como força, equilíbrio, velocidade, etc., de forma deformada, mais ligada ao senso comum.
Optamos por apresentar neste trabalho, devido sua extensão, apenas duas questões de cada questionário, que mostram como os alunos estabelecem as relações interdisciplinares entre física, educação física e musculação. O objetivo destes questionários foi determinar se os alunos conseguem aplicar os conceitos de mecânica nos treino de musculação e em suas atividades diárias de forma correta.
## Questionário Prévio (Q1):
- 1. Elabore uma frase que contenha as palavras: física e educação física. Utilize alguns conceitos já estudados neste ano nas duas disciplinas. (Nesta questão queríamos analisar como os alunos realizam pontes interdisciplinares entre as duas disciplinas).
- 9. Elabore uma frase utilizando palavras comumente ditas na academia de ginástica, aulas de física e educação física. (Nesta questão queríamos analisar se os alunos realizam corretamente as conexões entre as disciplinas no contexto fora da escola).
## Questionário Prévio (Q2):
- 6. Que disciplinas (matérias) estão envolvidas na prática de musculação? (Nesta questão queríamos analisar se os alunos reconhecem os conceitos vistos nas disciplinas escolares no cotidiano).
- 9. Elabore uma frase que contenha as palavras: academia de ginástica, física (matéria), musculação, saúde, alimentação e conhecimento. (Nesta questão queríamos analisar se os alunos realizam corretamente as conexões entre as disciplinas no contexto fora da escola).
Tabela 2: Questão 1 e 9 do questionário (Q1)
*(aluno,turma,questão)
Tabela 3: Questão 9 do questionário (Q2)
*(aluno,turma,questão)
Para facilitar a análise da questão 6 do questionário prévio 2, construímos um gráfico que nos auxilia a visualizar as disciplinas que os alunos citaram como relacionadas aos movimentos realizados no treino de musculação.
Figura 1: questão 6 do Q2
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Em uma análise geral podemos observar com este questionário que os alunos por si, não conseguem estabelecer conexões do conteúdo aprendido na escola com as ações no cotidiano, mesmo porque muitos conceitos não são aprendidos de forma correta e ao tentar aplicar no seu cotidiano causam distorções, equívocos, que são semelhantes a qualquer indivíduo que nunca viu física na vida. Isso nos faz pensar: onde está a diferença em quem passou pelo ensino médio em relação a uma pessoa que tem pouco grau de estudo?
Nas respostas dos alunos, vemos que os mesmos sabem que a física está diretamente relacionada à musculação (figura 1, por exemplo), mas não tem potencial argumentativo, talvez porque os conceitos abrangidos durante as aulas foram superficiais, apenas para resolver os exercícios e esquecidos devido a velha frase: 'Para que vai servir isso na minha vida?'
Estamos delimitando o campo da pesquisa para futuramente categorizar os dados, com base nos referenciais teóricos adotados para assim aproveitarmos para construirmos as atividades que destaquem os conceitos físicos aplicados a musculação em termos de força, peso, velocidade, alavancas, etc.
Após a análise dos questionários prévios, podemos nos nortear para criar as atividades de forma a proporcionar o aprendizado dos conceitos físicos de mecânica, tendo como aliada a biomecânica e a musculação. Por meio das
atividades, conscientizaremos os alunos dos benefícios que a musculação traz se praticada corretamente, e dos malefícios (lesões) se praticada de forma inadequada.
Para que o esporte, exercício físico, musculação sejam sinônimos de saúde, são necessários a aquisição de conhecimentos na área de biomecânica para que o seu desempenho tenha sucesso.
## Considerações finais
O intuito da intervenção não é desprezar o conhecimento cotidiano ou considerar o científico como superior, mas enriquecer o conhecimento cotidiano (GARCIA, 1998) e mostrar para o aluno que um conceito pode ter vários significados que são dependentes do contexto.
Enfocamos os conhecimentos da física como um dos critérios para uma vida saudável, por meio de temas motivadores aos estudantes do ensino médio, que facilitem a aprendizagem dos conceitos físicos.
Pretendemos futuramente construir atividades de multi-abordagens (UEMA, 2005) que trazem o conhecimento interdisciplinar em níveis variados, com graus de complexificação do conhecimento cotidiano que vão do simples ao complexo, por meio da inserção do conhecimento científico, originando um conhecimento escolar que tenha aplicações mais relacionadas ao interesse dos estudantes.
Durante o processo de aprendizagem o professor conseguirá acompanhar os avanços e retrocessos de aprendizagem dos estudantes, e realizar os ajustes necessários para dar o prosseguimento adequado às aulas, pois a cada atividade finalizada é possível compor um gradiente de complexificação do conhecimento (GARCIA,1998), que resultará em um mapa, no qual as coordenadas estarão relacionadas à aprendizagem dos estudantes.
As coordenadas serão previamente escolhidas pelo professor, podendo envolver contexto, utilização de conceitos, níveis de aprendizado, graus de complexidade, etc., mas devem situar o grau de complexidade antes e após a conclusão do conteúdo selecionado pelo professor.
A decisão do conteúdo a ser abordado e da metodologia a ser aplicada está sobre responsabilidade do professor, que realiza um recorte consciente no conteúdo, segundo razões que devem ser expressas previamente e analisadas posteriormente ao processo, ou seja, é fundamental realizar reflexões das suas ações, para que seja sanado o mais rápido possível.
## Referências
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