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FÍSICA E ARTE: ESTUDO SOBRE O USO DA LITERATURA E DO RISO PARA O ENSINO DE FÍSICA

João Eduardo Ramos, Luis Paulo Piassi, Eugenio M. De F. Ramos

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
29/10/2014
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FÍSICA E ARTE: ESTUDO SOBRE O USO DA LITERATURA E DO RISO PARA O ENSINO DE FÍSICA

## PHYSICS AND ART: STUDY ON THE USE OF LITERATURE AND LAUGHT TO PHYSICS TEACHING

João Eduardo Fernandes Ramos 1 , Luís Paulo Piassi , Eugenio M. de F. Ramos³ 2

1

USP, joaoframos@usp.br 2 EACH/USP, lppiassi@usp.br 3 UNESP, eugeniorc@rc.unesp.br

## Resumo

Que atividades de leitura, que envolvem o humor, são possíveis de se realizar em uma aula de física? O que um livro, com viés humorístico, pode possibilitar? É possível engajar o aluno à leitura, indo além de uma proposta de leitura obrigatória? A fim de responder estas questões apresentamos nesta pesquisa um estudo oriundo de uma atividade em sala de aula realizada durante um curso intitulado Fazendo Arte com Física , ministrado para alunos em formação inicial do curso de Física e de Pedagogia. A atividade consistiu na produção, por parte dos alunos, de um esquete teatral a partir de trechos do livro do Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams. A partir da filmagem das apresentações e das discussões que se seguiram observamos que os alunos se engajaram na realização da atividade, que o humor presente no texto possibilitou reflexões sobre diferentes temas além dos científicos, que a atividade gerou o interesse em ler/conhecer o livro em questão.

Palavras-chave : Leitura, Improvisação teatral, Formação de professores, Humor.

## Abstract

Which reading activities, that evolve humor, are able to be produced at a physics class? What can a humorous book enable? Is it possible to engage the student to reading, going beyond of obligatory reading? To answer these questions we present on this research a study of a classroom activity performed during a course named Making Art with Physics , ministered for Physics and Pedagogy students on early/first formation. The activity consisted on the production, by the students, of a theatrical sketch from pieces of Douglas Adams the Hitchhiker's Guide to the Galaxy . From the presentation shooting and the discussions that followed we were able to observe that the students where engaged in producing the sketches, that the humor present on the text enabled reflections on different subjects besides the scientific ones, and that the activity generated an interest on reading/knowing the book in question.

Keywords : Reading, Theatre improvisation, Teacher graduation, Humor.

## Introdução e referencial teórico

'O espaço é grande. Grande, mesmo. Não dá pra acreditar o quanto ele é desmesuradamente inconcebivelmente estonteantemente grande.' (ADAMS, 2010, p. 63). É desta maneira que o Guia dos Mochileiros das Galáxias descreve o espaço, em uma mistura de ciência, literatura e humor. Pensando na utilização desta obra para o ensino de física que realizamos a presente pesquisa. Mas, para tanto, se faz necessário situar a relação entre ciência, humor, literatura e leitura no ensino de física.

Já não é novidade que aproximar Física e Arte apresenta ricas possibilidades didáticas que vão além do ensino tradicional. Seja a partir da música (RIBAS e GUIMARÃES, 2004), da literatura (MOREIRA, 2002), do teatro (OLIVEIRA e ZANETIC, 2004), é possível apresentar uma Física que não se limita a resolução de problemas e equações, e que mostram a Física como um elemento cultural vivo (ZANETIC, 2005). Entretanto, por que utilizar literatura para ensinar física? O que ela possibilita? Para o escritor Italo Calvino as coisas que a literatura pode buscar e ensinar são poucas, mas insubstituíveis: a dureza, a piedade, a tristeza, a ironia, o humor e muitas outras necessárias e difíceis, mas que não são encontradas em outro lugar (CALVINO, 2009). Para o pedagogo e filósofo espanhol Jorge Larrosa a leitura transforma, causa uma metamorfose no leitor. Neste sentido, aquele que abaixa a cabeça para ler um livro, não é o mesmo que levanta após a leitura (LARROSA, 2010, p. 105). Dessa maneira, o livro atua como um mediador.

Quanto ao humor, o que pode o riso nos ensinar? Tentando definir o que o riso possibilita, Larrosa aponta para o fato de que 'o riso mostra a realidade a partir de outro ponto de vista.' (LARROSA, 2010, p. 178), e nos convida a refletir e repensar a realidade. Sobre isto Ritter ( apud ALBERTI, 2002, p. 12) afirma que o riso está ligado aos caminhos seguidos pelo homem para encontrar e explicar o mundo. No caso do ensino de ciências, isto é particularmente importante uma vez que a ciência busca compreender o universo e suas relações.

Observamos, entretanto, que em quase 30 anos, são poucas as pesquisas que se preocupam com o riso e o humor no ensino de ciências (PETERSON, 1980; WORNER e ROMERO, 1998; GARCIA MOLINA, 2009, p. 64; ROTH et al , 2011). O que parece contraditório uma vez que 'o humor apresenta benefícios psicológicos, sociais e cognitivos.' (LEI et al , 2010, p. 326).

No entanto, que atividades efetivas de leitura, que envolvem o humor, são possíveis de se realizar em uma aula de física? O que um livro, com viés humorístico, pode possibilitar? É possível engajar o aluno à leitura, indo além de uma proposta de leitura obrigatória?

A fim de responder estas questões apresentamos nesta pesquisa um estudo oriundo de uma atividade em sala de aula com alunos do curso de licenciatura em física e pedagogia da UNESP, Campus Rio Claro. A atividade, realizada no âmbito de um curso intitulado Fazendo Arte com Física - conhecimentos físicos em literatura, quadrinhos, músicas e cinema , consistiu na produção, por parte dos alunos, de um esquete a partir de trechos do livro do Guia do Mochileiro de Douglas Adams. O estudo se deu a partir da filmagem das apresentações e das discussões que se seguiram onde buscamos observar se o humor do texto possibilitou uma visão crítica da ciência e sociedade e observar o que chamou a atenção dos alunos na obra.

A opção pelo uso da dramatização a partir dos esquetes se justifica pela opção de tornar a leitura do texto mais dinâmica. O esquete para nós funcionou como um jogo que possibilitou uma 'desmecanização do corpo e da mente alienados às tarefas repetitivas.' (BOAL, 2013, p. 16). Ressaltamos, no entanto, que não é parte do objetivo central da pesquisa avaliar as apresentações em si, mas sim as discussões que se seguiram e o impacto da atividade em relação ao livro.

Esta não é a primeira vez que o Guia é utilizado com fins didáticos. Ele vem sendo proposto como atividade didática complementar na atual proposta curricular para o Ensino Médio das escolas públicas do estado de São Paulo (PIASSI, 2009, p. 3-4).

A elaboração desta pesquisa passou por diferentes etapas que envolveram um estudo da obra, seleção dos trechos, construção da proposta didática, realização e registro da atividade. Após a realização da atividade e de seu registro, foi feita uma análise, com o auxílio de elementos da análise do discurso (AD) (FIORIN, 2009), sobre os principais momentos das três apresentações e suas discussões. A AD nos permitiu olhar as relações de quem está falando; qual o contexto; para quem está falando; e a questão de escolha, ou seja, porque falar de um elemento específico? Além disto, permitiu olhar para o texto em busca de fragmentos que fossem dotados de sentido.

## Elaboração e realização da atividade

A dinâmica foi realizada como parte do curso de extensão na modalidade difusão de conhecimento Fazendo Arte com Física , ministrado de 6 a 16 de dezembro de 2013, com carga horária de 18 horas. O curso tinha como público alvo estudantes de graduação e docentes da educação básica, e enfocava como objetivo apresentar conhecimentos científicos em diferentes manifestações culturais; analisar teoricamente as aproximações entre a Arte e o Ensino de Física; discutir a Ciência como atividade humana, presente no contexto social, histórico e cultural. Dessa forma, o curso estava voltado para trazer aos graduandos e professores em exercício uma formação inicial sobre o tópico de Física e Arte. Por conta disto, o curso teve um foco principal nas atividades práticas acompanhadas de discussões teóricas sobre o tema.

Para a elaboração das atividades didáticas, as obras artísticas utilizadas passaram por um processo que envolvia três etapas: análise , produção e aplicação . Pois, o material artístico possui um discurso original e uma intenção que, normalmente, é diferente do discurso de sala de aula. Portanto, é preciso levar em consideração uma transposição deste material para não corrermos o risco de ficarmos apenas na reprodução do mesmo.

Na etapa análise selecionamos parte do material artístico para ser estudado. Nesta etapa buscamos qual a mensagem está sendo transmitida; de que forma; quais os valores presentes; entre outras. No caso do Guia foi possível observar a importância que a obra tem na atualidade.

Na etapa produção ocorre a formulação da atividade. É também o momento em que a proposta didática se constrói levando em consideração as possíveis interações em sala de aula. Ou seja, é o momento em que nos questionamos o que será efetivamente feito em sala de aula. Ler todos os livros ao longo do ano para depois fazer alguma atividade? Assistir ao filme produzido? Tais questões que

envolvem um possível recorte do material e sua transposição para a sala de aula, e que são respondidas de acordo com o contexto onde a atividade será realizada. No caso de nossa pesquisa, optamos por propor que os alunos lessem trechos do livro, selecionados por nós previamente, e encenassem para a sala.

A etapa aplicação consiste no momento em que a proposta se efetiva em sala de aula e onde as ideias anteriores são postas a prova. O momento de aplicação pode ser registrado de diversas maneiras, como por uma prova. Optamos pela filmagem das atividades e das discussões realizadas.

Resumindo, a atividade realizada com O Guia dos Mochileiros consistiu em selecionar trechos dos cinco livros que fossem engraçados e trouxessem alguma relação com a ciência; distribuir os trechos para grupos de alunos e solicitar que realizassem uma encenação livre e improvisada do texto recebido. Após a apresentação, os outros alunos comentam o trecho do livro lido, os conceitos científicos, as críticas presentes e apresentam comentários gerais.

## Douglas Adams e sua obra

Escrito no ano de 1979, por Douglas Adams um escritor inglês que sempre dialogou bastante com a ciência e a tecnologia, o Guia do Mochileiro das Galáxias , que teve sua estreia no rádio um ano antes, foi um sucesso imediato dado o contexto de popularização da ficção científica da época. Filmes como Star Wars e 2001: Uma Odisseia no Espaço haviam sido lançados recentemente e havia uma atmosfera a favor deste tipo de produção. No entanto, o grande trunfo de Douglas Adams neste momento, foi relacionar a ficção científica com humor, algo que até então não havia sido feito (GAIMAN, 2009, p. 58).

- O Guia do Mochileiro é uma pretensa trilogia de cinco livros que foram escritos ao longo de treze anos. O primeiro livro, o Guia , narra à história 'de uma catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas consequências' (ADAMS, 2010, p. 10). Isto é feito, inicialmente, pela óptica de Arthur Dent, um dos dois únicos terráqueos sobreviventes após a Terra ser destruída para a construção de uma rodovia intergaláctica. Ele é salvo graças a seu amigo alienígena Ford Perfect, que adota este nome por acreditar que os carros são a forma dominante de vida na Terra, um claro exemplo do humor irônico de Adams. Após se salvarem da destruição da Terra, partem, com outros personagens - Zaphod, Trillan e Marvin em aventuras pela galáxia a bordo da nave Coração de Ouro, em busca da resposta para a questão fundamental, sobre a vida o universo e tudo mais.

Os conceitos científicos dão um recheio especial para a aventura, como é o caso do gerador de improbabilidade infinita, o propulsor da nave utilizada na história, que possibilita atravessar imensas distâncias interestelares num simples 'zerézimo' de segundo (ADAMS, 2010, p. 69). Ou seja, uma possível brincadeira com a abordagem de Feynman da Mecânica Quântica. Além desta, outras relações com a ciência são encontradas, como o caso da declaração de Trillan sobre porque embarcar numa viagem espacial: 'Afinal, formada em matemática e astrofísica, o que mais eu podia fazer? Se não viesse pra cá, ia ter que continuar na fila do auxílio-desemprego.' (ADAMS, 2010, p. 85). Ou seja, a obra termina apresentando elementos conceituais da ciência (os quais alguns são descontruídos), elementos sobre a história da ciência e de sua relação com a sociedade.

Devido a aspectos como os apresentados a obra de Adams adquiriu um importante status atualmente. Ela é tida como um símbolo da cultura geek/nerd , o qual pode ser representado pelo Dia da Toalha , comemorado mundialmente no dia 25 de Maio, em homenagem a obra e seu escritor e que já está na lista das tradições literárias (TEMPLE, 2012), além de ser uma franquia que ainda gera frutos como jogos de computador, camisetas e filmes. De forma que a fama desta obra justifica a sua escolha já que ela apresenta uma forte relação com a cultura primeira dos estudantes (SNYDERS, 1988).

- O impacto e presença desta obra com o publico pôde ser observada na atividade realizada uma vez que dos doze participantes, apenas três não a conheciam. Havia participantes que não haviam lido o livro, por exemplo, mas sabiam do que se tratava o livro. De certa forma, isto também se deve ao público do curso ser formado principalmente por estudantes de física.

## Resultados

- O curso contou com a participação de 15 inscritos. Destes alunos, doze estiveram presentes na aula em que foi realizada a atividade de improvisação com o Guia , sendo duas estudantes do primeiro ano do curso de Pedagogia e dez estudantes do curso de Física, de diferentes anos. Após a distribuição dos trechos, os participantes, organizados em três grupos de trabalho, tiveram uma hora para a elaboração do esquete.
- O primeiro grupo apresentou um trecho do segundo livro da série na qual Ford explica para Arthur o restaurante no fim do universo (ADAMS, 2010b, p. 89), utilizando uma analogia de uma banheira esvaziando. A duração da apresentação foi de aproximadamente 03min30seg. O grupo, formado por dois alunos de Física e duas alunas de Pedagogia, optou por montar um cenário onde as carteiras da sala se juntaram e viraram uma mesa do restaurante. Utilizaram uns papéis colados nos objetos para indicar o que representavam de maneira que uma garrafinha d'água virou um copo de vinho, por exemplo. E também utilizaram papéis para representar alguns balões de pensamento, ilustrando alguns pontos do texto.
- A conclusão furada do trecho do livro causou bastante riso nos alunos. O que ocorreu devido ao texto fazer um rodeio muito grande e não chegar a lugar nenhum, quebrando a expectativa dos leitores/espectadores.

Na discussão após a apresentação da cena, os alunos apontaram para possíveis os conceitos científicos presentes no texto. Um aluno comentou a ironia do 'Universo vindo de um ralo' , em alusão a analogia feita no texto. Outro comentou 'tem relação com o cone de luz de Minkowski, meio invertido (...). Lembrei disso, é meio estranho pensar.' . Em relação às críticas presentes no texto os alunos conseguiram identificar que 'o cara fala bonito, mas não chega a lugar nenhum' ; 'Não se chega a uma conclusão, a questão inicial não é respondida.' ; 'Há uma crítica ao possível ouvinte que espera que a ciência resolva tudo.' ; ou ainda 'é só para você brizar' , no sentido de viajar e que num vai chegar a canto nenhum. Os alunos também observaram que a descrição da cena parece uma conversa de bar, e realmente é visto o contexto da cena.

- O segundo grupo, formado por quatro estudantes de física, também apresentou, em aproximados 05min35seg, uma cena do segundo livro no qual os personagens conhecem o prato do dia do restaurante no fim do universo (ADAMS,

2010b, p. 84-87). Nesta cena, uma vaca se apresenta aos personagens se oferecendo para ser morta e sugerindo partes do seu corpo alimento. O grupo utilizou um cenário simples representando a mesa do restaurante e fez uma adaptação colocando como trilha uma música da banda Pink Floyd .

Os alunos riram bastante devido ao diálogo com a vaca e dos comentários sobre o fim do universo, gerando comentários como 'se matar com humanidade (...) é genial esta parte' . A encenação ajudou a deixar a cena mais cômica ainda. Um ponto interessante do grupo foi o fato da única menina presente no grupo, se negar a fazer o papel de vaca, mesmo com os outros participantes a incentivando.

Nos comentários dos alunos ficou clara a preocupação em relação aos animais. Os alunos apontaram para pesquisas em que se propõe um método de criação diferenciado de gado, mas que não adiantam muito, já que a finalidade ainda é a mesma. Foi comentado também sobre o incentivo da mídia a um 'consumo do bem', onde se passa a impressão de que estamos salvando o planeta ao consumir. Quanto aos temas científicos os alunos apontaram para a apresentação do narrador onde fala da origem e fim do universo, citando o Big Bang Burger, por exemplo.

Por fim, o terceiro grupo apresentou, em 05min20seg, um trecho do terceiro livro em que Ford e Arthur se deparam com um POP, problema de outra pessoa (ADAMS, 2010c, p. 28). Este grupo formado também por quatro alunos de física, sendo um deles ex-aluno do curso, não utilizou nada como cenário, no entanto, simularam uma nave a partir das carteiras da sala, criando uma nave 'Harley Davidson'.

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Fotos 01 e 02: Alunos do primeiro grupo (esquerda) e do terceiro grupo (direita) apresentando a cena; destaque para a utilização de balões de pensamento e para a 'nave-moto'.

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O grupo, diferente dos demais, realizou mais performances físicas como ficar pulando e fazendo caretas. A definição do POP gerou bastante risada do público junto com a nave em formato de moto e a trilha de Born to be Wild . No entanto, talvez pelo recorte feito, a cena não ficou com um final claro. Após a apresentação do grupo, os demais alunos ficaram bastante curiosos para saber sobre o processo de criação e elaboração da nave.

Os temas científicos sugeridos foram a questão do ponto cego e da medição e observação na mecânica quântica, no entanto os alunos não conheciam o último tópico. Quanto às críticas, os alunos observaram que o texto 'faz mais crítica às pessoas; as pessoas ignoram os outros.' ; 'é uma ambiguidade, querer saber/cuidar da vida dos outros, mas resolver e ajudar não.' . Foi observada uma analogia do texto com o conto A Roupa Nova do Rei , onde as pessoas fingem não ver que o rei está nu.

No geral, todos os alunos leram o texto durante a execução e todos estavam um pouco nervosos, o que pode ser observado, nas gravações, a partir das olhadas para a plateia em busca de aprovação, ou por risos nervosos. No entanto, apesar da vergonha, todos realizaram a atividade e conseguiram nas execuções passar a ideia principal dos trechos do livro, mesmo onde ocorreram pequenas mudanças no texto como o corte de alguns trechos da narração ou repetições de frases.

## Conclusão

Após a realização da atividade pudemos observar que os alunos, apesar de nervosos realizaram as atividades e foram bastante criativos na produção dos esquetes, trazendo, por exemplo, elementos de fora do texto como as músicas. Isto, para nós, caracterizou um engajamento em participar e realizar a atividade, dando a possibilidade dos alunos saírem do lugar comum de suas atividades rotineiras na faculdade.

Em relação às discussões realizadas após as apresentações observamos que a forma como Douglas Adams escreve, misturando humor, ciência, política e mais uma série de elementos, possibilitam reflexões sobre estes temas. E mais do que isso, os alunos foram capazes de rindo, identificar críticas e relações. Assim, o uso do Guia como ferramenta didática vai além de enunciar temas científicos com uma linguagem diferente. Mas, além de criticar, os alunos riram tanto do texto quanto das performances dos grupos. No entanto, o que isto caracteriza? Houve algum aprendizado nesse processo? Necessitaríamos de novas pesquisas para responder estas questões com mais certeza. No entanto, foi possível observar que houve uma relação entre o riso e o pensamento sobre o risível o que possibilitou relações entre o texto e elementos externos.

Quanto o engajamento à leitura, observamos, a partir do comentário dos estudantes, que os alunos que ainda não haviam lido o livro foram atrás de compralos e ler, o que se tornou factível devido ao fácil acesso e o preço justo dos livros em lojas virtuais. Se vão realmente ler ou não, é outra questão, mas independente disso, houve um engajamento no sentido de querer ler/ter o livro. Nossa hipótese é que isto seja oriundo tanto das atividades realizadas quanto da importância do livro no mundo geek/nerd . No caso das alunas de Pedagogia a primeira opção pode ser mais forte que a segunda. Há também o fator que alguns alunos já conheciam o livro e podem influenciar os colegas.

Portanto, o humor aliado a propostas diferentes de leitura auxiliam num engajamento à leitura. Além do mais, a leitura do texto humorístico que possui temas científicos, convida a uma visão crítica da ciência e sociedade.

## Referências

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ADAMS, D. O restaurante no fim do Universo . Rio de Janeiro: Sextante, 2010b.

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