PERCEPÇÃO DOS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO SOBRE POLUIÇÃO SONORA NO ENTORNO DO COLÉGIO E OS SINTOMAS DE ESTRESSE NA SAÚDE DELES.
Jeremias Ferreira Da Costa, Sergio Camargo, Christiane Gioppo
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XV
- Ano
- 2014
- Data
- 29/10/2014
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2014
Texto completo
## PERCEPÇÃO DOS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO SOBRE POLUIÇÃO SONORA NO ENTORNO DO COLÉGIO E OS SINTOMAS DE ESTRESSE NA SAÚDE DELES.
## PERCEPTION OF HIGH SCHOOL STUDENTS ABOUT NOISE IN THE VICINITY OF THE COLLEGE AND SYMPTOMS OF STRESS ON THE HEALTH OF THEM.
1 2 3
COSTA, Jeremias Ferreira da, CAMARGO, Sergio, GIOPPO, Christiane 1 SEED/UFPR, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciência e em Matemática/Secretaria de Estado de Educação (SEED-PR)/ Bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID). jeremias.costa@hotmail.com ;
2 UFPR, Depto de Teoria e Prática de Ensino (DTPEN) - Setor de Educação - UFPR, sergiocamargo@gmail.com ;
3 UFPR, Setor de Educação - UFPR, cgioppo@yahoo.com
## Resumo
Neste trabalho apresento a análise da percepção dos estudantes de uma escola pública de Curitiba - PR da existência de Poluição Sonora oriunda do entorno do Colégio e dos efeitos desta na saúde deles. Para a coleta de dados foi aplicado um teste denominado 'autoidentifcação de alguns sintomas de estresse', contendo 29 assertivas, desenvolvidas adaptada na escala tipo-Likert composta por sete níveis, em uma linguagem simplificada do assunto proposto. No escopo deste trabalho abordo somente três assertivas do teste que se refere à percepção dos estudantes dos ruídos oriundos dos meios de transportes como carro, caminhões, ônibus e trens que trafegam diariamente no entorno do Colégio. Os dados foram constituídos com estudantes do Ensino Médio do CEPMAT, durante o mês de novembro de 2013. Para tanto, selecionei aleatoriamente seis turmas sendo: (duas do 1º ano, duas 2º e duas do 3º ano) perfazendo um total de 160 participantes.
Palavras-chave : Percepção, Poluição Sonora, Sintomas de Estresse .
## ABSTRACT
In this work we present the analysis of students' perceptions of a public school in Curitiba - PR existence Noise Pollution coming from the surroundings of the College and its effects on their health. For data collection was used a test called "autoidentifcação some symptoms of stress," containing 29 assertions, developed adapted Likert-type scale consisting of seven levels in a simplified language of the proposed issue. In this work only three aboard the test assertions regard to students' perception of noises coming from the means of transport such as cars, trucks, buses and trains that travel daily in the vicinity of the College. The data were recorded with high school students from CEPMAT during the month of November 2013 for both, selected randomly six teams being:. (Two 1st year, two 2nd and two 3rd year) for a total of 160 participants.
Keywords : Perception, Noise Pollution, Stress Symptoms.
## INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por objetivo investigar e analisar como/se os estudantes do Ensino Médio do de uma escola pública de Curitiba - Pr. percebem a existência de Poluição Sonora oriunda do entorno do Colégio e os efeitos desta na saúde deles. Para isto abordo dois aspectos para a concepção do instrumento de coleta de dados. O primeiro aspecto refere-se aos processos perceptivos para construção de indicadores válidos para a avaliação sobre a percepção dos estudantes relativa à Poluição Sonora dos meios de transportes, dos sintomas de estresse e da percepção pessoais dos estudantes por meio de dois sentidos básicos (visão e audição). Os processos cognitivos e as manifestações psicológicas que podem afetar a saúde humana, assim parte do conceito de como as pessoas percebem o ambiente e tomam decisões associadas a ela mesma. Para tanto, a percepção leva em consideração aspectos dos sentidos, suas expectativas, satisfações, insatisfações, julgamentos e condutas. A análise da percepção considera aspectos psicossocais e culturais da comunidade escolar que participou da pesquisa. O segundo aspecto refere-se à caracterização dos sintomas e níveis de estresse. A partir da caracterização de percepção e estresse o próximo subtópico apresentará a concepção do instrumento de coleta de dados. As pessoas agem com vistas a atender suas necessidades e anseios, mas, suas ações, embora busquem o bemestar pessoal, acabam por afetar a vida da comunidade, pois necessidades pessoais incluem projetos arquitetônicos, paisagísticos ou urbanísticos e, nesse sentido, buscar satisfação pessoal não é um projeto individual, e ela altera não somente a paisagem, mas também produz respostas e manifestações psicológicas naqueles que convivem no mesmo ambiente. Para Fernandes et al (1996) estas respostas ou manifestações decorrentes são resultado das percepções pessoais e coletivas, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas e, embora nem todas as manifestações psicológicas sejam evidentes ou constantes, elas afetam a conduta, mesmo que inconscientemente.
## FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
As pessoas agem com vistas a atender suas necessidades e anseios, mas, suas ações, embora busquem o bem-estar pessoal, acabam por afetar a vida da comunidade, pois necessidades pessoais incluem projetos arquitetônicos, paisagísticos ou urbanísticos e, nesse sentido, buscar satisfação pessoal não é um projeto individual, e ela altera não somente a paisagem, mas também produz respostas e manifestações psicológicas naqueles que convivem no mesmo ambientes. Para Fernandes et al (1996) estas respostas ou manifestações decorrentes são resultado das percepções pessoais e coletivas, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas e, embora nem todas as manifestações psicológicas sejam evidentes ou constantes, elas afetam a conduta, mesmo que inconscientemente. Em ambientes urbanos, há manifestações mais comuns - por exemplo, a poluição sonora dos meios de transportes, as pichações, a música, etc. Os aspectos dessas manifestações podem ser percebidos pelas pessoas, assim, estudos sobre a percepção ambiental são fundamentais, pois permitem compreender as inter-relações entre os humanos e o ambiente e as suas expectativas, satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas. Assim, o conceito de percepção, parte de como as pessoas percebem o ambiente e tomam decisões associadas a elas mesmas. Para Kolter (1998 apud Medeiros e Cruz 2006, p. 176) a percepção depende do relacionamento entre estímulo, ambiente e condições do indivíduo e pode provocar: - Atenção seletiva - ao receber milhões de estímulos diários, predomina a percepção daqueles que se desviam mais do estímulo normal
(fenômenos atípicos); - Distorção seletiva - nem sempre a interpretação de estímulos ocorre de maneira presumível em função da psicologia individual (tendências e predisposições); -Retenção seletiva -apenas uma pequena proporção dos estímulos permanece retida conscientemente por maior tempo, predominantemente aqueles que provocam efeitos associados (sensações/reações) ou estão relacionados a alguma informação de interesse atual, cada pessoa percebe aquilo com que se preocupa e a percepção depende da psicologia individual, da cultura aprendida, de influências socioeconômicas e profissionais, da experiência de vida e da originalidade biológica. Nesse sentido os aspectos culturais que venho discutindo ao longo deste trabalho afetam sobremaneira a percepção, com efeitos na relação com o estresse. Segundo Stellman e Daum (1975 apud Brasil, 2006, p. 20) os sintomas do estresse podem ser observados em três fases: 1) Reação de Alarme: Aumento de pressão sanguínea, de frequência cardíaca e respiratória, e diminuição da taxa de digestão; 2) Reação de Resistência: O corpo começa a liberar estoques de açúcar e gordura, provoca cansaço, irritabilidade, ansiedade, problemas de memória e surgimento de doenças agudas como gripes; 3) Exaustão: Os estoques de energia são esgotados, insônia, erros de discernimento, mudanças de personalidade, doenças crônicas coronarianas, respiratórias, digestivas, mentais e outras.
## ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS DO INSTRUMENTO
Após consultar os sítios eletrônicos do Instituto Paulista de Déficit de Atenção - IPDA; o Marslach Burnout Inventory - MBI do Institute Chafic Jbeili; o Protocolo de Complexidade Diferenciada 5 (Brasil, 2006); e o Diagnóstico Qualitativo da Poluição Sonora Urbana (SCARATE, 2009); analisei os instrumentos existentes e concebi um teste, para tentar perceber se os estudantes identificam em si mesmos alguns sintomas de estresse em relação aos ruídos, o qual denominei 'Teste para autoidentificação de alguns sintomas de estresse'. Neste Teste criei 29 assertivas para: identificar alguns sintomas de estresse nos estudantes do CEPMAT, abordando aspectos relacionados aos ruídos internos (aparelhos celulares); e externos; e ponderar aspectos relativos às normas e regras estabelecidas pelo Colégio. O Teste de estresse foi desenvolvido adaptando-se uma escala de atitudes (escala de Likert). As escalas de Likert normalmente têm cinco níveis, mas, a escala proposta neste Teste foi composta por sete níveis, (1 - de jeito nenhum, 2 raramente, 3 - as vezes, 4 - frequentemente, 5 - sempre, 6 - não sei, 7 - não me importo) contendo uma linguagem simplificada do assunto proposto. Os níveis seis e sete foram criados para minimizar as fragilidades apontadas por autores que pesquisaram o uso dessas escalas. Sobre essas fragilidades Lederman e O'Malley (1990, apud AIKENHEAD E RYAN, 1992) identificaram que as assertivas podem ter inúmeros problemas de linguagem e concluíram que 'a linguagem é usada de forma diferenciada por estudantes e pesquisadores e esta assincronia leva quase que certamente a interpretações que não coadunam com as percepções que os estudantes têm' (p.237, tradução nossa), ou seja, trazem ambiguidade para a formulação da assertiva e interpretação da resposta. O problema da ambiguidade na linguagem para a formulação de assertivas foi investigado por Aikenhead em um trabalho anterior (AIKENHEAD, 1989 apud AIKENHEAD E RYAN, 1992). A ambiguidade foi medida pela discrepância entre as respostas que os estudantes deram para itens formulados em quatro formatos distintos, a saber: tipo-Likert; parágrafos redigidos; entrevistas semi-estruturadas; itens de múltipla escolha derivados de coleta empírica. O autor concluiu que as respostas do tipo-Likert oferecem somente uma aproximação com as crenças dos estudantes e as chances
do avaliador concluir com acurácia são muito remotas, pois a ambiguidade alcança níveis de 80%. O Teste foi concebido com o intuito de que os próprios estudantes pudessem identificar alguns sintomas de estresse por exposição à poluição sonora e que a partir das respostas às assertivas fosse possível compreender se os estudantes estão ou não culturalmente 'tolerantes' a ambientes ruidosos e, portanto menos sensíveis a prevenção a problemas de saúde auditiva e mais vulneráveis as consequências físicas e psicológicas do excesso de ruído.
## a) A existência de Poluição Sonora oriunda do entorno do Colégio
Os dois primeiros itens do instrumento referem-se à percepção dos estudantes quanto à poluição sonora no entorno do CEPMAT. As respostas foram plotadas no Gráfico 1, em porcentagem.
GRÁFICO 1 - PERCEPÇÃO DOS ESTUDANTES EM RELAÇÃO Á POLUIÇÃO SONORA NO ENTORNO DO CEPMAT.
<!-- image -->
Nota: Foi construída uma escala tipo Likert com 7 pontos, sendo eles: (1= De jeito nenhum; 2= Raramente; 3= As vezes; 4= Frequentemente; 5=Sempre; 6= Não sei; 7=Não me importo). N= 160. Fonte: o autor, com suporte do Labest-UFPR.
É importante observar que a percepção dos estudantes quanto aos ruídos refere-se a qualquer meio de transporte, não especificamente aos ruídos das composições férreas. (Gráfico 1). No I1- 10% mencionaram que o CEPMAT 'De jeito nenhum' tem ruídos externos; 13,13% 'Raramente'; 35,63% dos estudantes consideram que o Colégio 'Às vezes' tem ruídos externos; 20% 'Frequentemente'; 10,63% consideram o Colégio 'Sempre' com ruídos externos; 1,88% 'Não Sabem'; 8,75% 'Não se importam' com os ruídos oriundos de trens, carros e ônibus que circulam no entorno. No I2 - Verifica-se que 6,29% dos estudantes consideram que 'De jeito nenhum' a biblioteca do Colégio é adequada para realizar pesquisas e outras atividades; 7,55% consideram que 'Raramente' está adequada; 20,75% 'Às vezes'; 18,87% 'Frequentemente' estão adequadas; 40,88% consideram que 'sempre' está adequada; 5,66% 'Não sabem'; e 'Não se importam' não foi mencionado nas respostas.
As respostas dos estudantes não retratam uma associação significativa, entre a percepção de ruídos causados pelos meios de transporte e o fato do CEPMAT ser ruidoso, porém, observo que é considerável a porcentagem dos níveis 'às vezes', 'frequentemente' e 'sempre', significando que mais de 65% dos estudantes, consideram que o Colégio é de alguma forma ruidosa. Quanto ao I2Mais de 40% dos estudantes consideram a biblioteca é adequada e silenciosa para a realização de pesquisas.
## b) Os efeitos da Poluição Sonora oriunda do entorno do Colégio na saúde dos estudantes
Nesta parte apresento a percepção dos estudantes sobre os efeitos da poluição sonora em relação ao tráfego no entorno do ambiente escolar. Percepção dos estudantes sobre os efeitos da poluição sonora externa ao CEPMAT. Os resultados que observo nos três itens expressam parte da percepção dos estudantes de alguns sintomas de estresse na saúde deles.
GRÁFICO 2- PERCEPÇÃO DOS ESTUDANTES SOBRE OS EFEITOS DA POLUIÇÃO SONORA ORUINDA DO ENTORNO DO CEPMAT.Nota: Foi construída uma escala tipo Likert com 7 pontos, sendo eles: (1= De jeito nenhum; 2= Raramente; 3= As vezes; 4= Frequentemente; 5=Sempre; 6= Não sei; 7=Não me importo). N= 160. Fonte: o autor, com suporte do Labest-UFPR.
<!-- image -->
No I3 - É importante notar que esta assertiva foi feita na negativa, assim, 19,38% responderam que 'De jeito nenhum' o ruído não incomoda; 12,50%; 'Raramente'; 28,75% o ruído não incomoda. 'Às vezes'; 8,13% 'Frequentemente'; 17,50% 'Sempre' o ruído não incomoda. 0,63% 'Não sabem' e 13,13% 'Não se importam', com o ruído do trem quando estão assistindo aulas. No I4 - 34,38% dos estudantes afirmaram que 'De jeito nenhum' já me senti prejudicado nas avaliações pelos ruídos dos trens. 17,50% 'Raramente' já me senti prejudicado; 23,75% 'Às vezes'; 10,63% 'Frequentemente'; 11,25% 'Sempre' me senti prejudicado. 0,63% Não sabem e 1,88% 'Não se importam' com os prejuízos nas avaliações causados pelos ruídos dos trens. No I5 - 61,88% dos estudantes responderam que 'De jeito nenhum' ouviram zumbido na orelha interna depois de escutar ruídos dos meios de transportes; 8,75% 'Raramente' ouviram zumbidos; 11,25% 'Às vezes'; 3,75% 'Frequentemente'; 4,38% 'Sempre' ouviram zumbidos n orelha interna por causa dos trens, carros e ônibus. 6,88% 'Não sabem' e 3,13% 'Não se importam' se ouviram (ou não) zumbidos na orelha interna oriundos dos meios de transportes.
Ao observar as respostas do I3, verifico que mais de 60% dos estudantes (somando os que 'de jeito nenhum' não se incomodam com o ruído 19,38%; com os que 'raramente' se não incomodam, 12,50% e os que 'às vezes' não se incomodam; 28,75%), têm alguma percepção do incomodo relativo aos ruídos causados pelo trem. Já o item 4, refere-se aos prejuízos causados pelos ruídos do trem durante a execução de avaliações e trabalhos escolares. Ao somar as percepções daqueles que 'que 'Às vezes' 23,75%, com os que 'frequentemente' 10,63%, e os que 'sempre' - 11,25% se sentem prejudicados perfaz um total de 45,63% de estudantes que claramente percebem prejuízos às avaliações ou trabalho escolares. Por outro lado, os que 'de jeito nenhum' 34,38% percebem prejuízos adicionando aos os 17,50% que 'raramente' se incomodam, totaliza 51,88%. Assim, parece haver um equilíbrio entre os que percebem algum tipo de prejuízo e os que raramente ou nunca o percebem. Quanto ao I5 - 61,88% dos
estudantes 'De jeito nenhum' ouviram zumbido na orelha interna após a passagem das composições férreas ou de qualquer meio de transporte.
A seguir apresento e analiso 6, 7 e 8 relativas à percepção dos impactos causados pelos ruídos dos meios de transporte. Os resultados relativos à percepção dos estudantes, sobre se há (ou não) algo a ser feito para alterar condições de ruído de tráfego na frente do colégio (item 6) e os itens 7 e 8 que abordam a percepção dos estudantes no que tange a alguns sintomas de estresse, são resumidos no Gráfico 3.
Gráfico 3: Impactos causados pelos trens, carros e ônibus aos estudantes.Nota: Foi construída uma escala tipo Likert com 7 pontos, sendo eles: (1= De jeito nenhum; 2= Raramente; 3= As vezes; 4= Frequentemente; 5=Sempre; 6= Não sei; 7=Não me importo). N= 160. Fonte: o autor, com suporte do Labest-UFPR.
<!-- image -->
Observe-se que a assertiva 6 está na negativa, assim as respostas ao item 6 mostram que - 17,50% dos estudantes acredita que 'De jeito nenhum' nada pode ser feito para alterar as condições de ruídos dos meios de transportes em frente ao CEPMAT; 5,63% 'Raramente'; 6,25% 'Às vezes', 1,25% 'Frequentemente'; 9,38% 'Sempre', nada pode ser feito. 51,25% 'Não sabem' se nada pode ser feito para mudar as condições de ruídos, e 8,75% 'não se importam' com as atitudes a serem tomadas. No item 7 - 28,75% dos estudantes que responderam consideram que 'De jeito nenhum' têm dificuldades na aprendizagem por conta dos ruídos causados pelos testes de frenagem e manutenção realizados em frente do CEPMAT. 15% responderam 'Raramente'; 22,50% 'Às vezes'; 7,50% 'Frequentemente'; 6,88% 'Sempre' têm dificuldades para aprender durante o período das aulas, quando há testes de frenagem das composições em frente ao colégio. 6,88% 'Não sabem'; e 12,50% 'Não se importam' com os ruídos que as locomotivas fazem quando testam os freios. Novamente é preciso estar atento à formulação negativa da assertiva 8 37,50% dos estudantes responderam que 'De jeito nenhum' meu nível de concentração não se altera quando o trem passa. 15% 'Raramente'; 23,13% 'Às vezes'; não se altera. 4,38% 'Frequentemente', 11,88% 'Sempre' meu nível de concentração não se altera quando o trem passa. 3,13% 'Não sabem' e 5% 'Não se importam', se o nível de concentração não se altera.
No item 6 questionei a mobilização/ imobilização dos estudantes no que tange a tomada de providências em relação aos ruídos causados pelos meios de transporte, desta forma verifica-se que - 51,25% dos estudantes 'não sabem' se nada pode ser feito para alterar as condições, mas 17,50% acreditam veementemente que 'de jeito nenhum' nada pode ser feito. Mais uma vez é importante notar que o item foi construído na negativa, assim, entendo que, se os estudantes compreenderam o item, então pelo menos esses 17,50% ('De jeito nenhum' nada pode ser feito) têm clareza de que algo pode efetivamente ser
realizado para alterar a situação do ruído, havendo, portanto possibilidades para um trabalho de protagonismo juvenil no colégio.
No item 7 -Verifiquei que nas respostas apresentadas existe uma porcentagem de estudantes (28,75%) que 'De jeito nenhum' percebem dificuldades na aprendizagem por conta dos ruídos dos freios dos trens. Porém é importante esclarecer que ainda que os estudantes não percebam suas próprias dificuldades, isso não significa que o problema não possa ocorrer, considerando que mesmo com rápidas exposições de alta intensidade sonora, podem ocorrer respostas psicológicas (tensão, irritabilidade e baixa concentração), quanto químicas (secreção anormal de substâncias hormonais) e físico-somáticas. No entanto ao somar os que 'às vezes' - 22,50% percebem dificuldades; com os que 'frequentemente' 7,50% e os que 'sempre' - 6,88% as percebem, temos um total de 36,88% dos estudantes que já têm algum nível de percepção sobre a redução na aprendizagem. Isso significa que há uma porcentagem maior de alunos que já tem essa percepção (36,88%) em relação àqueles que 'de jeito nenhum' percebem (28,75%) o problema.
Quanto ao item 8 - Embora 37,50% dos estudantes expressem que 'de jeito nenhum' meu nível de concentração não se altera durante as avaliações por conta dos ruídos dos trens, ou seja, percebem alterações. Além desses, se somarmos os que afirmam que 'raramente' (15%) percebem que o nível de concentração não se altera com os que 'às vezes' 23,13% percebem que o nível não se altera o resultado será 75,63%. Entendo que se considerar que todos os respondentes compreenderam o item e a forma de respondê-lo então 75,63% perceberam alterações no nível de concentração, em outras palavras, uma porcentagem bastante significativa dos estudantes percebe alterações em sua concentração.
## CONSIDERAÇÕES
Analisando os itens expostos nos gráficos, concluí que a maioria dos estudantes (75%) percebe e se incomoda com os ruídos das composições ferroviárias quando está assistindo aulas e cerca de 45% dos mesmos percebem algum tipo de prejuízo nas avaliações, relacionando tais prejuízos aos ruídos da passagem das composições durante as avaliações. Já para os casos de testes de frenagem mais de 36% percebem algum grau de dificuldade de aprendizagem e mais de 65% perceberam alguma alteração no nível de concentração no momento em que a empresa testa os freios das locomotivas na frente do CEPMAT, investigados em dois itens. Em relação à aparição de zumbidos, que são sintomas de perda auditiva, boa parte (mais de 60%) não ouve zumbidos após a passagem das composições. No entanto, ao se questionar sobre o esgotamento (sintoma de estresse) percebido como consequência dos ruídos das composições mais de 36% vinculam seu esgotamento à exposição aos ruídos do tráfego e mais de 52% revela perceber de forma expressiva os incômodos do tráfego. Ressalto que a percepção dos ruídos é culturalmente construída e está associada a um conjunto integrado de fatores psicofísicos e sociais, portanto essas percepções podem ser distintas em diferentes grupos.
## REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
AIKENHEAD, G. S., RYAN, A. G. (1989). The development of a multiple-choice instrument for monitoring views on science-technology-society topics. Ottawa: Social Sciences and Humanities Research Council of Canada . In: AIKENHEAD, G. S. e RYAN, A. G. The Development of a New Instrument: 'Views on ScienceTechnology-Society' (VOSTS). In: Science Education 76(5): 477-491, 1992.
Disponível em < http://umdberg.pbworks.com/w/file/fetch/38495880/vosts\_development.pdf> Acesso em 27/02/2014.
BRASIL. Perda auditiva induzida por ruído . Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. (Pair)/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. - Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. Disponível em
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo\_perda\_auditiva.pdf Acesso em 19/01/2014.
FERNANDES, R. S. SOUZA, V. J. de.; PELISSARI, V. B.; FERNANDES, S. T. Uso da percepção ambiental como instrumento de gestão em aplicações ligadas às áreas educacional, social e ambiental 1996 . Atas do VI Encontro Associação nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e sociedade, 18 a 21 de setembro de 2012. Belém -Pará. Disponível em <http://www.redeceas.esalq.usp.br/noticias/Percepcao\_Ambiental.pdf> Acesso em 27/01/2014.
IPDA, Instituto Paulista de Déficit de Atenção. Você está sofrendo com Stress Crônico? Disponível em < http://www.dda-deficitdeatencao.com.br/membros/testestress-burnout.html> Acesso em 21/09/2013.
KOTLER, Philip. Administração de marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1998.In: MEDEIROS, J. F.; CRUZ, C. M. L. Comportamento do Consumidor: Fatores que influenciam no processo de decisão da compra dos consumidores. Revista Teoria e Evidência Econômica, Passo Fundo, v. 14, Ed. Especial 2006, p. 175. Disponível em < http://ead.opet.net.br/conteudo/ead/Moodle\_2.0/graduacao/gestao\_comercial\_2013/c omp\_consu/PDF/LEITURA1\_aula3.pdf> Acesso em 28/02/2014.
SCARATE, A. Diagnóstico Qualitativo da Poluição Sonora Urbana: Estudo de Fundamentos Teórico-Metodológicos. Atas do II Simpósio de Pós-Graduação em Engenharia Urbana. Maringá, PR: SIMPGEU, 2009. Disponível em < http://andrescarate.files.wordpress.com/2009/10/70.pdf> Acesso em 28/01/2014 LEDERMAN, N. G., O'MALLEY, M. Students' perceptions of tentativeness in science: Development, use, and sources of change. Science Education, 74(2), 225239, 1990. In: AIKENHEAD, G.; RYAN, A. The Development of a New Instrument: 'Views on Science-Technology-Society' (VOSTS) College of Education , University of Saskatchewan, Saskatoon, Saskatchewan, Science Education Assessment Instruments, 1992. Disponível em < http://umdberg.pbworks.com/w/file/fetch/38495880/vosts\_development.pdf> Acesso em 27/02/2014.
STELLMAN, J. M.; DAUM, S. M. Trabalho e saúde na indústria: riscos físicos e químicos e prevenção de acidentes. v. 1. São Paulo: EDUSP, 1975. In: BRASIL. Perda auditiva induzida por ruído. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. (Pair)/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. - Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo\_perda\_auditiva.pdf Acesso em 19/01/2014
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.