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TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO NA PRODUÇÃO ACADÊMICA DOS ESTUDANTES DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS

José Cláudio Reis Santiago

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
28/10/2014
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA PRODUÇÃO ACADÊMICA DOS ESTUDANTES DE PÓSGRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS

## INFORMATION AND COMMUNICATIONS TECHNOLOGY IN THE ACADEMIC PRODUCTION OF THE POST-GRADUATE STUDENT OF SCIENCE TEACHING

## José Cláudio Reis Santiago 1

1 Universidad Americana-PY, santiago.joseclaudio@gmail.com

## Resumo

Apresentamos um trabalho focalizado em discutir alguns aspectos pedagógicos implicados nas pesquisas sobre o emprego das tecnologias da informação e comunicação (TIC) no ensino. Mais especificamente, foram feitas considerações sobre as pesquisas desenvolvidas por estudantes de pós-graduação em Ensino de Ciências. Buscamos discutir alguns possíveis entraves para a inserção das TIC no ensino. Realizamos o levantamento de informações a partir das páginas de resumos dos trabalhos publicados na I Mostra de Produção Acadêmica da Universidade de Brasília (UnB), das páginas de resumos do VIII Encontro da PósGraduação da Universidade de São Paulo (USP) e dos resumos dos trabalhos publicados nos periódicos Ciência & Educação e Investigações em Ensino de Ciências entre 2012 e 2013. Ficou evidente que as TIC têm sido pouco pesquisadas como um recurso relevante para o desenvolvimento de metodologias e estratégias de ensino. Apesar disso, a participação do campo Ensino de Física tem sido significativa na produção desses trabalhos.

Palavras-chave : Educação, Ensino de Física, Tecnologias.

## Abstract

This work is focused on discussion on some pedagogic aspects implicated in researches dealing with usage of information and communication technology (ICT) to the teaching. More accurately, we have considered researches developed by postgraduate students in Science Teaching. We also have discussed some barriers to the insertion of ICTs in the science teaching field. We have got data form abstracts published during the I Academic Production Showing of Universidade de Brasília (UnB) and of abstracts from Science &Education and Investigations in Science Teaching between 2012 and 2013. It became clear that the ICT have been little researched as a relevant resource to the development of teaching methodologies and strategies. In spite of this, participation of the Physics Teaching field has been of pretty significance in these works.

Keywords : Education, Physics Teaching, Technologies.

## Introdução

Nas últimas décadas, a preocupação com a integração de conteúdos das disciplinas escolares com aspectos tecnológicos atuais tem sido objeto de discussão em diversos trabalhos e publicações. Nesse sentido, Ricardo et.al. (2007) buscam situar a tecnologia como referência para se pensar propostas curriculares para o Ensino de Ciências. E fazem lembrar que os Parâmetros Curriculares Nacionais propõem aos docentes o emprego de temas de ciência e de tecnologia que tenham sentido para o aluno. Já o ' Guia PNLD Física - 2012' , ao estabelecer regras vinculadas ao processo de seleção dos livros didáticos, também sinaliza para o uso de aspectos tecnológicos nas coleções, objetivando as relações ciência-tecnologiasociedade-ambiente (BRASIL, 2012).

Podemos perceber que Informações sobre dispositivos e artefatos tecnológicos passaram a ocupar grande parte dos conteúdos inseridos nas coleções didáticas de Física, no nível do Ensino Médio, mais particularmente (SANTIAGO, 2013). Assim, conhecer informações técnicas sobre dispositivos e equipamentos eletrônicos e digitais, bem como conscientizar-se ética e responsavelmente sobre seu uso, surge como uma das faces do processo de integração tecnologias-ensino. Outra face desse processo corresponde ao emprego desses dispositivos e equipamentos visando contribuir para a construção da cidadania dos estudantes. À Física, enquanto uma das disciplinas das ciências naturais, cabe atualmente tanto integrar-se com disciplinas de outras áreas como também contribuir para a integração ensino-tecnologia. Portanto, este trabalho discute aspectos relacionados ao ensino de uma ciência integrada, ao tempo em que busca evidenciar um pouco do que tem sido a contribuição das pesquisas em Ensino de Física no contexto de uma das tecnologias: em particular, a da informação e comunicação.

Portanto, apresentamos um trabalho focalizado em discutir alguns aspectos pedagógicos implicados nas pesquisas sobre o emprego das tecnologias da informação e comunicação (TIC) no ensino. Mais especificamente, foram feitas considerações sobre as pesquisas desenvolvidas por estudantes de pós-graduação em Ensino de Ciências. Assim, nos aventuramos em discutir alguns possíveis entraves para a inserção das TIC no ensino. Para isso, partimos do pressuposto de que as dificuldades encontradas pelo estudante de pós-graduação, muito provavelmente, seriam também encontradas pelo docente. Pois, grande parte desses estudantes são também docentes tanto do Ensino Médio como do Ensino Superior. Trata-se de uma pesquisa empírica e bibliográfica cuja abordagem centraliza o docente entre a tecnologia e o ensino. Reconhecidamente, são necessárias abordagens complementares. Mas estas podem ser encontradas em muitos outros trabalhos. Como decorrência da investigação, esperamos apresentar um pequeno passo para melhor compreensão da contribuição da pós-graduação em Ensino de Ciências para incentivo ao emprego das TIC em aula. A discussão está referenciada nas concepções presentes em alguns trabalhos e publicações que, entre outros, fazem considerações sobre algumas dificuldades associadas à entrada das TIC no ensino.

Moran, Masetto e Behrens (2013) discutem sobre o estágio atual em que se encontra o emprego das TIC no ensino, destacando a lentidão no emprego da internet para o desenvolvimento de metodologias diferentes e mais participativas.

Assinalam que, relativamente à aplicação das tecnologias digitais no ensino, há teorias avançadas. Mas, apesar disso, predomina, na prática, uma visão conservadora. Para os autores, esse conservadorismo justifica-se por não oferecer riscos nem grandes tensões ao sistema de ensino. E destacam que a educação escolar industrial pode ser conveniente para todos os elementos do sistema, exceto para os alunos. Apresentam como expectativa para o ensino o fato de que o uso das tecnologias atuais possibilita chegarmos a uma escola composta por um conjunto de espaços ricos de aprendizagens significativas e que motivem o aluno a aprender ativamente (Moran, Masetto, Behrens, 2013, p. 31).

E chamam a atenção para o fato de que as tecnologias móveis não estão dissociadas do uso dispersivo, tornando também difícil concentrar-se em um único texto ou assunto. Pois, o conjunto de informações vistos na tela do computador poderia tanto ajudar como complicar a percepção das informações (p.35).

Também, a acessibilidade e a interatividade proporcionadas pelas TIC são consideradas pelos autores (p. 104) ao destacarem que docentes e alunos podem 'utilizar as tecnologias da informação para estimular o acesso à informação e à pesquisa individual e coletiva, favorecendo processos para aumentar a interação entre eles '.

O acesso à informação e à pesquisa é apontado como uma possibilidade de atuação pedagógica, na qual a motivação pode constitui-se no aspecto propulsor do processo de ensino-aprendizagem. Outro ponto que caracteriza as TIC estaria associado à rapidez no retorno às informações. Citam, por exemplo, que após realizar uma tarefa, um aluno não precisaria aguardar um encontro presencial na escola para receber o retorno do docente.

## Nessa mesma perspectiva, Porto (2012) assinala que

..as tecnologias de informação e comunicação (TIC) propiciam o acesso às informações e conhecimentos em ritmos acelerados, estando presentes nos hábitos e maneiras de trabalhar e viver da grande maioria dos indivíduos da atualidade.

Assim, a rapidez, a acessibilidade e a interação constituem-se em alguns benefícios proporcionados pelas TIC e, consequentemente, entre outros, esses benefícios poderiam também chegar à escola. A facilidade e a flexibilidade de uso também têm sido assinalado por muitos autores. Para citar um, entre eles, Espinosa e Quintero (2010) discutem sobre as competências e demandas formativas em TIC para os docentes das universidades bolivianas e dominicanas. E recorrem a Salomon (2002) para assinalar que atualmente se pode estudar sobre qualquer coisa em qualquer lugar, conseguindo-se a informação desejada em curto espaço de tempo, com pouco esforço e sem sair do próprio lugar. Assim, para eles, a acessibilidade e a rapidez trazem a necessidade de se estabelecer um novo conceito de professor e de aluno que leve em consideração, entre outros, uma comunidade de aprendizes baseada na interação pessoal.

As dificuldades associadas ao emprego das tecnologias digitais em sala de aula são discutidas por Porto (2012). Para esta, as potencialidades da internet não são bem compreendidas ou exploradas em situações pedagógicas no ambiente escolar. Desta maneira, a crescente quantidade de equipamentos que são colocados nas escolas encontra-se muito aquém das concretizações pedagógicas. E recorre a Almeida (2008, p. 33) para destacar que a ineficácia na utilização dos computadores encontrados nas escolas está mais associada a motivos que

dependem mais de aspectos político-pedagógicos e de formação docente adequada do que da presença da tecnologia nas escolas. Assim, o uso das TIC seria pouco eficaz na transformação do ensino. Já que este ainda continua alicerçado em um currículo rígido, linear e em atividades segmentadas. Consideram ainda, no caminho das dificuldades, as classes superlotadas e docentes que trabalham em duas ou três escolas para sobreviver (PORTO, 2012, p. 192).

Piva Júnior (2013) também faz considerações sobre o emprego da tecnologia como solução para os problemas educacionais. Após considerar informações estatísticas que revelam a situação preocupante em que se encontra a educação no Brasil, pergunta como seria a aplicação de tecnologias em escolas de funcionamento precário. O autor evidencia então parte da visão de Gates (1995), segundo o qual

A informação trazida pelos avanços tecnológicos, em sua melhor representação, os computadores, não vai resolver os graves problemas que muitas escolas enfrentam atualmente, como violência, drogas, altas taxas de evasão, professores mais preocupados com a sobrevivência do que com a educação e estudantes esquivando-se de vândalos no caminho para a escola. Antes de nos preocupar em oferecer uma nova tecnologia, temos de resolver os problemas fundamentais.

Em sua perspectiva, apesar dessa realidade, a aplicação das tecnologias em salas de aula não deixa de ser algo imprescindível. Pois, as tecnologias já estão bem sedimentadas na sociedade. Além do mais, a chance de ficar desempregado é maior para pessoas desqualificadas. E, com isso, excluir as tecnologias do processo de ensino-aprendizagem corresponderia a excluir tanto da vida social como do mercado de trabalho (PIVA JÚNIOR, 2013, p. 17)

## Metodologia

Realizamos o levantamento de informações a partir de duas fontes de naturezas distintas. A primeira, as (n=45) páginas de resumos dos trabalhos publicados na I Mostra de Produção Acadêmica da Universidade de Brasília (UnB), ocorrida em dezembro de 2013. E também as (n=53) páginas de resumos do VIII Encontro da Pós-Graduação da Universidade de São Paulo (USP), ocorrido em março de 2013. Num segundo momento, como segunda fonte, utilizamos os resumos dos trabalhos publicados, em 2012 e em 2013, nos periódicos Ciência & Educação (n=62) e Investigações em Ensino de Ciências (n=48). O emprego desses periódicos mostrou-se coerente com a pesquisa, uma vez que percebemos que grande parte dessas publicações foi realizada por estudantes da pós-graduação em Ensino de Ciências.

Buscamos saber quais linhas de pesquisa têm se mostrado mais produtivas para os cursos de pós-graduação. Isto nos permitiria conhecer inicialmente como estão distribuídas as linhas de pesquisa, construindo uma visão geral em que estão inseridos os trabalhos acadêmicos.

Elaboramos, portanto, as seguintes categorias: a) Metodologia, para nos referirmos aos processos e técnicas elaborados com a finalidade de se aplicarem ao processo pedagógico; b) Recursos , no sentido de materiais didáticos tais como livros, jogos, material de laboratório e outros; c) Planejamento, pensando nos currículos, nas ementas, diários de classe e demais instrumentos que oferecem

suporte ao trabalho docente; d) Concepção docente, para nos referirmos à visão dos docentes relativos às ciências e seu ensino; e) Aprendizagem , pensando na apropriação de conceitos de forma significativa por parte dos estudantes; Outros denominamos à categoria em que não identificamos elementos das categorias anteriormente descritas.

A etapa seguinte, mais específica, consistiu em identificar quais trabalhos evidenciam a relevância das TIC como recurso para melhorar o ensino das ciências. Essas informações nos permitiram também buscar conhecer sobre a participação do campo Ensino de Física na produção dos referidos trabalhos.

A perspectiva metodológica a partir da qual construímos os passos dos nossos procedimentos esteve referenciada em termos de categorizações, inferências e interpretações a partir do conjunto de informações. E para tanto, a análise de conteúdo (BARDIN, 1977) nos pareceu uma técnica de pesquisa coerente com a pesquisa realizada.

## Resultados e discussão

Os resultados obtidos foram reunidos na tabela 1. Nesta, foram representadas as linhas de pesquisas mais frequentes e os correspondentes percentuais de trabalhos publicados pelos pós-graduandos. Na última linha, foram registrados os valores percentuais de trabalhos que evidenciam as TIC como instrumento relevante para o ensino das ciências.

Metodologias

Tabela 1 -Percentual de trabalhos publicados em dois eventos, em dois periódicos e suas correspondentes linhas de pesquisa. Percentual de trabalhos que evidenciam as TIC no ensino das ciências. Anos 2012 e 2013.

Fonte : Elaboração o autor

C&E: Ciência & Educação

IENCI: Investigações em Ensino de Ciências

Como se pode perceber, o desenvolvimento de metodologias e de estratégias de ensino assumem a frente na produção acadêmica dos estudantes de pós-graduação em Ensino de Ciências, comparativamente a outras linhas de pesquisa. Responde, no mínimo por 24,1% dos trabalhos. Ainda, o percentual de pesquisas sobre aprendizagem, na maior parte das vezes, encontra-se abaixo de pesquisas sobre concepção docente, na universidade. O que significa uma maior preocupação com o docente do que com o estudante. Pois, a perspectiva desses dados seria que a preocupação com o discente ocorreria por meio de estratégias e metodologias de ensino para o seu aprendizado. O percentual máximo de pesquisas que evidenciam o uso das TIC (11%) sugere que elas têm sido pouco investigadas

como um recurso relevante para o desenvolvimento dessas metodologias. Isto é, nos trabalhos amostrados, a relevância das TIC, não é implicitamente maior que a de outros recursos.

Em termos absolutos, 17 trabalhos, no total, evidenciam a relevância das TIC para o ensino, sendo que 1, entre eles, foi produzido no contexto do ensino de ciências do Nível Fundamental. Mais especificamente e em termos percentuais, aproximadamente 18% dos trabalhos produzidos estão mais diretamente relacionados ao Ensino de Química , 44% ao Ensino de Biologia e 38% ao Ensino de Física . O que mostra que a participação do campo Ensino de Física tem sido bastante significativa, considerando ainda que os estudantes de Física são minoria nesse conjunto.

Percebemos que parte significativa da produção acadêmica simplesmente não evidencia suficientemente qualquer recurso material, didático ou tecnológico. Ou seja, tratam-se de pesquisas nas quais os recursos para o seu desenvolvimento não constituem interesse direto do pesquisador. Nessa mesma linha de ideias, a preocupação com o desenvolvimento de metodologias e estratégias de ensino assume a frente nas pesquisas. No entanto, isso corresponde a pesquisas em que localizamos muito bem o como fazer, mas encontramos muito menos informações sobre os recursos para a concretização de tais metodologias.

## Considerações finais

Ainda que as TIC constituam-se em ferramentas e, não, em objetivo final do ensino, cabe destacar seu potencial de transformação e inclusão social, conforme Piva Jr (2013, p. 17), na atual sociedade do conhecimento. E é então justamente a combinação desse potencial transformador com a sua pouca presença na produção acadêmica dos estudantes de pós-graduação que nos permitem concluir pela pouca relevância que tem tido as TIC nessas pesquisas. Esses resultados podem ser indicadores da necessidade de reduzir a intensidade de alguns argumentos muito comuns em favor do emprego das TIC no ensino. Principalmente, quando consideramos algumas possibilidades de concepções docentes e benefícios proporcionados pelo uso do computador, representante supremo da TIC por assim dizer.

- O argumento da acessibilidade e da rapidez das informações proporcionadas pelas TIC . Não podemos garantir bem que acesso a informações e velocidade em sua obtenção venham se constituindo em preocupação dos docentes. Essas informações, extraídas do contexto tecnológico, na ótica de muitos docentes, poderia se referir, por exemplo, aos conteúdos tradicionalmente disciplinares ou mesmo interdisciplinares. E nessa ótica, o acesso à informação deixa sua completude enquanto novidade. Para perceber isso, basta lembrarmos, por exemplo, que, atualmente, o estudante do Ensino Médio dispõe de livros didáticos (fontes de informações) em praticamente todas as disciplinas. Ainda, se a acessibilidade não é um problema suficientemente relevante para os docentes, muito menos será a rapidez em processar informações eletrônicas. Afinal a acessibilidade e a rapidez pouco contribuem para resolver os problemas de escrita e de leitura vivenciados por muitos docentes. Além da necessidade de levar em conta as dificuldades atuais associadas à própria carreira docente, conforme destacado

por Porto (2012). Vale lembrar ainda que mesmo os documentos oficiais recentes, como as DCNEM (2012), não atribuem qualquer forma de prioridade para esses conceitos, apesar de priorizar a importância das tecnologias para o desenvolvimento da cidadania.

- O argumento da necessidade de domínio das TIC para inserção no mundo do trabalho . Não sabemos bem em que medida a preocupação com a inserção no mundo do trabalho vem ocupando as atenções dos docentes, salvo em cursos profissionalizantes. Isso se torna mais claro quando refletimos sobre o atual nível de articulação entre a escola e o mundo do trabalho. No Ensino Médio, quando existe, tal articulação fica muitas vezes limitada ao estágio supervisionado, quase sempre na etapa final dos cursos. Essa perspectiva não se encontra distante da preocupação expressada por Porto (2012) ao considerar que as potencialidades da internet não estão sendo bem aproveitadas pela escola.
- O argumento da necessidade de domínio das TIC para conviver na atual sociedade tecnológica . Ainda que os docentes possam contribuir para os estudantes aprenderem sobre as tecnologias, a evolução da cultura tecnológica está em grande parte determinada pelo marketing e produção tecnológica de grandes mercados. Isto significa que ao orientar a familiarização dos estudantes com as TIC, o docente e, consequentemente a escola, continua a assumir um papel secundário, comparativamente a esses mercados. Curiosamente, mesmo com a atitude de algumas grandes corporações em produzir tecnologias digitais específicas para o ensino, o docente precisa ainda passar por todo um novo processo de familiarização com softwares e programas. A esse respeito, Porto (2012, p. 171) deixa claro que ' O trabalho com tecnologias requer constante atualização, qualificação e formação continuada '. O que leva naturalmente a pensarmos em disponibilidade de tempo, espaço e outros investimentos por parte dos docentes.

Reconhecidamente, essa é uma ótica que responsabiliza o docente pela inserção da tecnologia na sala de aula, e portanto, insuficiente diante da multiplicidade de fatores que interferem no emprego das TIC em aula. No entanto, tratou-se de buscar compreender e refletir sobre alguns possíveis entraves que podem estar no caminho de uma escola pouco transformadora, a que se referem Moran, Masetto e Behrens (2012). Colocamos então a necessidade de ampliar este trabalho, reduzindo suas limitações, ao se investigar, num outro momento, as concepções dos estudantes de pós-graduação relativas às TIC no contexto da pesquisa. Talvez as reflexões aqui apresentadas contribuam para compreender um pouco melhor porque as TIC têm se mostrado pouco relevantes nas pesquisas dos pós-graduandos em Ensino de Ciências. E menos ainda, na sala de aula.

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