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A FÍSICA E O COMPUTADOR: POSSIBILIDADES E LIMITAÇÕES PARA ESTUDANTES ADULTOS DO ENSINO MÉDIO

José Cláudio Reis Santiago

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
28/10/2014
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A FÍSICA E O COMPUTADOR: POSSIBILIDADES E LIMITAÇÕES PARA ESTUDANTES ADULTOS DO ENSINO MÉDIO

## THE PHYSICS AND THE COMPUTER: POSSIBILITIES AND LIMITATIONS TO HIGH-SCHOOL ADULT STUDENTS

## José Cláudio Reis Santiago 1

1 Universidad Americana-PY, santiago.joseclaudio@gmail.com

## Resumo

Neste trabalho, discutimos possibilidades para o ensino de Física por meio do uso do computador. Focalizamos o uso do computador enquanto ferramenta importante para o desenvolvimento de tarefas criativas pelos estudantes que cursam o Ensino Médio em circunstâncias desfavoráveis ao progresso no aprendizado da Física. Mais especificamente, estudantes adultos e trabalhadores. Realizamos o levantamento de informações a partir de um teste contendo questões sobre conhecimentos de Física em nível de Ensino Fundamental, um teste em que consideramos conhecimentos mínimos necessários para editar um texto em Word e dos conselhos de classe. Mais de noventa por cento dos estudantes pesquisados, antes de se matricularem no curso técnico de nível de Ensino Médio, já haviam concluído o Ensino Médio de formação geral anteriormente. Encontramos uma correlação linear positiva entre os resultados dos dois primeiros testes, sugerindo a possibilidade de haver habilidades comuns no aprendizado de Física e da edição eletrônica de textos.

Palavras-chave : Computador, Ensino Médio, Física.

## Abstract

In this work, we discuss possibilities to the Physics teaching by means of the computer. We have focused on the use of computer as an important instrument to the development of creative task by the students who studies medium school level in unfavorable circumstances to the progress in their Physics learning. Especially, adult worker students. We performed the information survey from a test with questions on knowledge of Fundamental Teaching level, another in which we considered the minimal necessary knowledge to text edition applying Word and class counselling in the school. More than ninety percent of the researched students, before registering in the technical High-School Teaching, had already been concluded High-School teaching on general formation before. We have found a positive linear correlation between the first tests, leading us to suppose possibilities of common skills in learning Physics and text edition.

Keywords : Computer, High-School, Physics.

## Introdução

As habilidades digitais são atualmente assinaladas pela literatura como um entre os diversos fatores de inclusão ou exclusão social. Por outro lado, a Física ainda é vista como uma disciplina difícil de aprender. Mesmo no estágio atual em que se encontra, o emprego de tecnologias digitais nas empresas, organizações e, mesmo na sociedade é tal que termina por influenciar tanto nossa visão de interação social quanto de aprendizado. Ainda, não é incomum para nós docentes pensarmos que a introdução das tecnologias digitais na sala de aula precisa levar em consideração a motivação, dificuldades e problemas sociais de muitos estudantes. Em se tratando daqueles estudantes que dispõem de menos tempo para estudar e que tenham passado por um Ensino Fundamental de qualidade precária, este quadro torna-se ainda mais agravante. Poderíamos mesmo nos perguntar se há alguma expectativa educacional para o estudante trabalhador do Ensino Médio imerso neste quadro. Preferimos adotar a visão de que a educação é um processo transformador. A esse respeito, Moran, Masetto e Behrens (2013, p.16) consideram que a educação é eficaz quando nos ajuda a enfrentar etapas, crises e incertezas. Portanto, neste trabalho, acreditamos que é possível ao menos encontrar os primeiros passos.

Ainda que possamos reconhecer o leque de opções proporcionadas pelas tecnologias digitais para a educação, neste trabalho, a restrição escolhida foi a de apresentar uma pesquisa que focaliza o computador como instrumento de pesquisa e aprendizagem, mais especificamente, aprendizagem da disciplina Física. O aprendizado a que nos referimos aqui não é aquele em que o docente entrega todo o conteúdo pronto ao aluno e em seguida cobra sua devolução. Antes nos referimos a um aprendizado em que o aluno pesquisa, envolve-se e vai buscar o conhecimento de forma viva e motivadora (MORAN, MASETTO, BEHRENS, 2013).

A perspectiva que considera o aluno como produtor de ideias, ações e de suas próprias emoções apresenta para os docentes, entre outras, necessidade de novas atitudes que permitam situá-los, menos na posição de transmissor do conteúdo e mais na organização das ideias. Abrir espaços para permitir aflorar a criatividade do aluno implica também em permitir a ele utilizar, explorar e expressar a sua motivação intrínseca (ALENCAR; FLEITH, 2009, p. 24). Quando se trata de processos criativos, outro aspecto a se considerar está em perceber a produção criativa do individuo não apenas isoladamente, mas em perceber a produção decorrente da interação deste indivíduo no grupo. A esse respeito, Alencar e Fleith (2009, p. 37) pensam que o processo criativo não seria resultado exclusivo de fatores intrapessoais, mas emergiria da interação entre o indivíduo e o ambiente. Essas considerações, portanto, implicam na necessidade também de um espaço favorável que potencialize o aflorar do processo criativo, conforme a própria autora. Essas concepções não podem permanecer distantes das práticas pedagógicas uma vez que o ensino não mais deve ocorrer pela transmissão e acúmulo de informações (ESPINOSA et. al. 2010). A busca do conhecimento por parte do estudante identifica a construção e expressão de suas ideias com o próprio processo de pesquisa em que deve predominar a produção do conhecimento com autonomia e espírito crítico investigativo. Essas são algumas das razões porque Moran, Maseto e Behrens (2013, p. 95) consideram o ensino com pesquisa como um princípio educativo.

Outro ponto a considerar é em relação às ferramentas e objetos devidamente selecionados e com potencial para auxiliar o pensamento produtor de ideias. O uso do computador em sala de aula precisa passar por um processo reflexivo porque sabemos que o seu uso indevido pode produzir também processos de pensamentos extremamente dispersivos e até mesmo reforçar a vontade de substituir o pensamento reflexivo pela simples diversão. Nessa linha de ideias, Porto (2012) defende que antes mesmo de implementar o uso do computador, a escola necessita de 'um projeto de trabalho coletivo que permita a colaboração entre os docentes e destes com os alunos e que não apenas acrescente ao giz e ao quadro negro novas ferramentas tecnológicas'.

Já são diversos os trabalhos que discutem as possíveis aplicações do computador para o ensino. De um modo geral, os conteúdos e temas envolvidos dizem respeito à coleta e análise de informações em tempo real, utilidades da internet , educação a distância, modelagem e simulação. Cabe destacar que Araújo e Veit (2009) identificaram uma grande quantidade de trabalhos, na área de Ensino de Física, que envolvem simulações e modelagem computacional. Nessa mesma linha de preocupação com os trabalhos de pesquisa, uma leitura mais atenta dos últimos Encontros da pós-graduação em Ensino de Ciências, por exemplo, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB), permite perceber que tais estudantes têm realizado poucos trabalhos relativos às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) como um recurso relevante para o desenvolvimento de metodologias e estratégias de ensino . Situando o computador apenas como um dos elementos necessários para o processo de comunicação e informação eletrônicas, podemos então construir alguma ideia sobre a insuficiência de trabalhos que focalizam o uso do computador de forma mais isolada de outros elementos.

Consideramos relevante também a preocupação com os primeiros passos no uso do computador. Pois quando focalizamos estudantes trabalhadores do Ensino Médio que ainda possuem dificuldades básicas como ortografia, leitura e operações aritméticas apenas conseguir editar eletronicamente um texto já poderá significar um grande avanço. Trata-se de pensar num aprendizado que proporcione ao estudante instrumentos para desenvolver suas tarefas escolares de forma mais autônoma. A partir disso então é que o docente pode buscar as habilidades do conhecimento computacional que poderão ser aproveitadas para proporcionar o aprendizado do conhecimento do mundo físico. Sobretudo, quando se trata de estudantes trabalhadores, muitas deficiências de base estão envolvidas no aprendizado. Portanto, precisamos trabalhar também na direção de abrir caminhos para melhor compreensão dos processos de aprendizagem.

Ainda que a escola necessite aprender a superar o uso indevido dos computadores por parte dos discentes, a aplicação das tecnologias em sala de aula não deixa de ser algo imprescindível. Pois, já é um fato comum pensar que as tecnologias já estão bem sedimentadas na sociedade. Portanto, não podemos nos furtar de olhar também para a inserção social do indivíduo no contexto do trabalho. A esse respeito, Piva Jr (2013, p. 17) assinala que a chance de ficar desempregado é maior para pessoas desqualificadas. E, com isso, excluir as tecnologias do processo de ensino-aprendizagem corresponderia a excluir tanto da vida social como do mercado de trabalho.

Consideramos que a pesquisa constitui-se em uma tarefa escolar necessária ao desenvolvimento das habilidades dos estudantes. Mais especificamente, a

pesquisa de conteúdos relacionados com a Física, empregando o computador. Discutimos a relação entre o conhecimento físico e o uso do computador, quando se trata de estudantes, do Ensino Médio, adultos que trabalham durante a maior parte do dia. Tentamos identificar algumas possibilidades em meio a um oceano de dificuldades familiares a muitos de nós docentes.

## Metodologia

Esta etapa consistiu em focalizar conhecimentos elementares em nível de Ensino Fundamental e, obviamente, essenciais para estudantes que já concluíram o Ensino Médio. O objetivo desta escolha foi identificar habilidades que os estudantes possuem e que poderiam ser um ponto de partida para se trabalhar a disciplina Física empregando o computador.

Realizamos o levantamento de informações a partir de três fontes de naturezas distintas. Um teste contendo oito questões sobre conhecimentos de Física em nível de Ensino Fundamental (teste A), considerando nas questões conteúdos relacionados aos Movimentos; um teste em que consideramos conhecimentos mínimos necessários para editar um texto (teste B) em Word , sendo que esse conhecimento seria importante para que o estudante fosse capaz de produzir uma tarefa de pesquisa na disciplina Física ; E, também, da observação de alguns conselhos de classe (teste C).

Os conteúdos do teste A foram classificados em: A1= habilidades de digitação, A2= habilidades envolvendo o uso de ícones que aparecem diretamente na página em que o texto é digitado e A3= Atividades que envolvem o uso de ícones interiores, isto é, ações que podem envolver um número um pouco maior de clics . Portanto, um teste que solicita do estudante habilidades com progressivos níveis de dificuldades.

Para o teste B, foram solicitadas aos estudantes as seguintes habilidades: Multiplicação e divisão. Proporção direta. Equação do primeiro grau. Identificação da unidade de medida de área. Identificação da unidade correta de comprimento, de massa e de tempo. Expressar um resultado de uma potência de dez de acordo com o modelo dado. Identificação do gráfico correspondente a uma situação física corriqueira.

A pesquisa foi realizada com 14 estudantes de uma escola pública que oferece cursos técnicos de Ensino Médio, na cidade de Barreiras, situada na região Oeste da Bahia. A escola recebe também estudantes de diversas cidades vizinhas já que há pouca oferta de cursos técnicos com formação em nível de Ensino Médio em quase toda a referida região.

Consultamos diversos trabalhos que inicialmente constituíram-se numa leitura flutuante (BARDIN, 1977) e que vieram a constituir-se em nosso referencial. Desta maneira, consideramos trabalhos publicados entre os anos de 1995 (um ano antes da LDB/96) e 2012. Utilizamos o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES/MEC . Ainda, nos servimos diretamente dos seguintes periódicos: Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, Revista Brasileira de Ensino de Física, Caderno Brasileiro de Física, Revista Brasileira de Ensino de Ciências e Tecnologia, Teses e Dissertações do Programa de Pós Graduação em Educação Científica e Tecnológica da UFSC,

Revista Ciência&Educação, Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, International Journal of Science and Mathematics Education, Programa de PosGraduação Interunidades em Ensino de Ciências - USP .

## Resultados e discussão

Na tabela 1, estão representados os resultados obtidos para cada um dos testes e para a avalição do interesse expressado pelos estudantes.

Os resultados obtidos para o teste de edição textual foram apresentados em ordem crescente. E as notas máximas obtidas não devem ser pensadas como 'notas excelentes'. Pois, os testes empregados visaram identificar habilidades mínimas necessárias para edição de textos e para identificar conhecimento de base, em Física, em nível de Ensino Fundamental. Ou seja, talvez, um teste excessivamente fácil, considerando a idade média dos estudantes (acima de 25 anos), o nível de ensino em que estão matriculados e que muitos estão repetindo o Ensino Médio. Ainda, o escore atribuído para a expressão de Interesse do aluno adota como referência as próprias condições em que o aluno se encontra, respeitando tais circunstancias.

## Desempenho no teste de Física

O desempenho dos estudantes no teste de Física foi inferior a 50%. Ainda que seja bastante irrisório diante de nossas expectativas, vale dizer que quase todos

os estudantes responderam corretamente às questões de proporção direta entre grandezas físicas. Isto pode nos sugerir que a habilidade de processar informações que envolvam proporção direta pode ser um ponto de partida para se trabalhar no computador. Ou seja, explorar a habilidade cognitiva já existente nos estudantes como forma de usar o computador e, ao mesmo tempo, desenvolver ideias do mundo físico.

## Desempenho no teste de edição

Ainda que vários estudantes tenham gasto um tempo médio de 4 minutos por linha do texto, praticamente todos eles conseguiram digitar o texto fornecido. Consideramos, em seguida, habilidades que envolviam o uso de ícones que já apareciam na página do próprio texto, tais como substituir o tipo de fonte, o tamanho da fonte e justificar o texto. Para esta situação, um pouco mais do que a metade dos estudantes foi bem sucedida. Finalmente, consideramos habilidades que envolvem alguns poucos clics a mais. Estas seriam: alterar as margens do texto, colocar uma lista de nomes em ordem alfabética e copiar e colar um texto situado em outro arquivo. Esta foi a etapa de maiores dificuldades, muito poucos conseguiram sucesso. Entretanto, alguns conseguiram copiar e colar o texto de outro arquivo, possivelmente por já terem mais familiaridade em copiar e colar informações da internet . Ou seja, selecionar, copiar e colar não estiveram entre as maiores dificuldades, conforme já esperávamos. Vale destacar também que os estudantes que obtiveram melhor desempenho no pré-teste de edição de textos, não associam esse aprendizado às escolas em que estudaram anteriormente.

## Conhecimentos em edição de texto e conhecimentos em Física

Buscamos encontrar correlações entre algumas variáveis: conhecimentos em edição de texto (teste A), conhecimentos de Física do nível de Ensino Fundamental (teste B) e dos escores de interesses atribuídos aos estudantes a partir dos conselhos de classe (teste C). Não foram percebidas correlações que envolvessem a última variável, entretanto, encontramos uma correlação positiva e significativa entre as duas primeiras variáveis. Assim, em média, os estudantes que foram bem no teste A o foram também no teste B. Apesar disso, não dispomos de elementos para informar se é o conhecimento de A que impulsionou a evolução no aprendizado de B, se vice-versa, ou mesmo se estes conhecimentos interagiram predominantemente de forma recursiva.

## A situação em que se encontram os estudantes

Quase todos os estudantes atualmente matriculados ingressaram no Ensino Médio técnico após terem concluído outro curso de Ensino Médio. Justificaram essa decisão não apenas pela necessidade de fazerem um curso técnico, mas também porque o ensino anterior teria sido bastante precário. Pois, não são poucos os estudantes que relatam que na cidade em que moravam anteriormente, os professores não 'ensinavam bem', para se referir a uma forma de se expressar dos estudantes.

Ainda, mais da metade dos estudantes trabalha em alguma atividade técnica. São eletricistas, pintores, mecânicos entre outras. E, de um modo geral, não expressaram nenhuma rejeição para estudar Física, Matemática ou ao emprego do

computador. Contrariamente, pareceram valorizar estas disciplinas e, no entanto, consideram a sua falta de base para compreensão das disciplinas. Em alguns encontros docentes (conselho de classe) entre as diversas alternativas apresentadas para buscar solucionar dificuldades em Física e em Matemática estariam: produzir um material didático em forma de apostila em nível de Ensino Fundamental para distribuir aos alunos, oferecer orientação sobre 'como estudar' e considerar que uma alternativa para muitos desses estudantes seria tentarem uma formação técnica em outra escola, com menor tempo de duração e destituída de formação acadêmica, isto é, com disciplinas apenas profissionalizantes.

## Considerações finais

Mais de 90% dos estudantes pesquisados iniciaram o curso técnico de Eletromecânica após terem concluído o Ensino Médio. Isto não ocorre necessariamente pela maior expectativa de emprego. Antes, essa atitude deve-se, em grande parte, às deficiências no aprendizado anterior, segundo os próprios estudantes.

Há uma correlação linear positiva entre o rendimento desses estudantes em Conhecimentos básicos em edição eletrônica de texto e Conhecimentos elementares de Física no nível de Ensino Fundamental. Ou seja, em grande parte, os alunos que se saíram bem no teste de desempenho em Física também o fizeram no teste de edição eletrônica de textos. Quase todos esses estudantes possuem acesso a computadores e internet. Entretanto dominam pouco as habilidades de edição de textos simples, o que seria relevante para o desenvolvimento de pesquisas criativas em meios eletrônicos. Ainda assim, a significativa correlação encontrada sugere que devemos investigar melhor a relação entre habilidades de edição de texto e de conhecimentos elementares em Física. Pois acreditamos que, desta maneira, o ensino da edição eletrônica de textos de forma pedagógica poderá contribuir conscientemente para o aprendizado da disciplina Física.

Cabe assinalar sobre a expectativa mais imediata de que o grupo de estudantes, ao desenvolverem a tarefa, poderia trocar experiências sobre o uso do computador. Em nossa experiência, vimos percebendo que o estudante que dispõe de pouco tempo, e que precisa estudar diversas disciplinas num mesmo período letivo, fazem 'racionalização do tempo' para cumprir as tarefas. Muitas vezes, cada membro do grupo fica responsável por uma parte do trabalho. Nessa perspectiva, aqueles que compreendem melhor o computador, por exemplo, fazem a edição do texto, enquanto, para aquele membro que não sabe editar o seu texto, será atribuída outra responsabilidade. Essa forma de pensar e de agir do grupo implica em que quem já tem determinada habilidade poderá aperfeiçoá-la. Por esse pensamento, aquele que domina melhor o uso do computador distancia mais o seu conhecimento daqueles pouco alfabetizados no uso da ferramenta. Sem contar que pode ocorrer que o docente, durante a aula, ao final da tarefa, acabe por avaliar e incentivar mais determinado trabalho (de um grupo) porque foi feito no computador. O ponto negativo dessa situação está na possibilidade de que aquele que não contribuiu eletronicamente para concretizar o trabalho pense que 'deu tudo certo', isto é, que foi bem sucedido. Portanto, se a falta de habilidade no uso das tecnologias digitais constitui-se em fator de exclusão social, conforme Piva Jr (2013), devemos tomar

cuidado para que isto não ocorra também no interior da escola, ainda que a intensão do docente seja a de buscar promover os aspectos positivos do trabalho interativo.

Este quadro apresentado leva a crer que ainda haja na região um número bastante significativo de escolas em que faltam docentes e/ou que ainda haja muitos docentes do Ensino Médio com formação acadêmica bastante precária. Sobretudo docentes com formação pedagógica em Física.

## Referências

ARAÚJO, I. S.; VEIT, E. A. Uma revisão de literatura sobre estudos relativos a tecnologias computacionais no ensino de Física. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 4, n 3, 2004 .

BARDIN, L. Análise de conteúdo . Luis Antero Reto (Trad.). São Paulo: Edições 70, 1977.

ESPINOSA et. al . Estudio de las competências y demanda formativa enTIC de los docentes. In: PRENDES, M. P.; CASTAÑEDA, L. (orgs.). Enseñanza superior, profesores y TIC. Estrategias de evaluación, investigación y innovación . Bogotá: Ediciones de la U, 2010.

MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica . 21ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2013.

PIVA JÚNIOR, D. Sala de aula digital . São Paulo: Saraiva, 2013.

PORTO, T. M. E. As tecnologias estão nas escolas. E agora, o que fazer com elas? In: FANTIN, M.; RIVOTELLA, P. C. (orgs.). Cultura digital e escola: pesquisa e formação de professores . Campinas. Campinas, SP: Papirus, 2012.

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