Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

Ler palavras, conceitos e o mundo: o desafio de entrelaçar duas culturas

Mônica Elizabete Caldeira Deyllot, Joao Zanetic

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
IX
Ano
2004
Data
29/10/2004
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2004

Texto completo

1

## LER PALAVRAS, CONCEITOS E O MUNDO: O DESAFIO DE ENTRELAÇAR DUAS CULTURAS

Deyllot, Mônica Elizabete Caldeira 1 [mofis\_usp@hotmail.com] Zanetic, João 2 [zanetic@if.usp.br]

1 Mestranda do Instituto de Física da Universidade de São Paulo 2 Orientador / Prof. Dr. do Instituto de Física da Universidade de São Paulo

## RESUMO

No presente trabalho discutimos dois grandes problemas educacionais. O primeiro refere-se ao fato de estarmos vivendo um momento em que a importância do ato de ler (a palavra escrita) tem sido esquecida ou menosprezada pelas populações jovens e também pelas autoridades educacionais de nosso país. Nossos alunos (de qualquer nível de ensino) por vezes apresentam dificuldade não apenas de interpretação (no nível mais elementar) de textos, mas também de correlação entre a palavra escrita e o mundo. Defendemos aqui a idéia de que uma crise no processo de leitura nunca fica isolada dentro da área de língua portuguesa, ela extravasa o campo da lingüística e torna-se problema para todo educador, inclusive para nós, professores de física ou de qualquer matéria dita exata.

- O segundo ponto em questão é o aparente afastamento entre a cultura tradicional representada pelas humanidades e a cultura científica representada pelas ciências exatas. Afastamento que a nosso ver causa empobrecimento tanto de uma quanto da outra cultura.

De modo geral, acreditamos que a Física carrega em si um outro modo de ver o mundo, de ler os fenômenos a nossa volta, que não pode ficar fora da formação do indivíduo contemporâneo. Pensamos que esse aspecto nos aproxima, e muito, da arte e da literatura, sem contar que estas, além da imaginação, também lançam mão da racionalidade, processo tão caro à Ciência. Exploramos neste trabalho uma possível aproximação entre esses saberes e suas possíveis contribuições para o ensino.

Para tal discussão percorremos um caminho que passa, primeiramente, por uma análise dos problemas que um ensino isolado de física pode apresentar, principalmente quando se apoia na mera transmissão de conhecimento ainda dominante em nossas escolas. Nesta discussão a crítica à educação bancária de Paulo Freire e sua proposta do diálogo entre educando e educador, através dos círculos de cultura, foi tomada como um dos referenciais teóricos. Considerando a aula de física como um círculo de cultura, nos inspiramos também em C. P. Snow que critica o afastamento entre essas duas culturas e o conseqüente empobrecimento mútuo. Por fim, usando a idéia do ser pensante das 24 horas de Gaston Bachelard, defendemos que essa aproximação entre ciência e arte, entre razão e imaginação, ocorra através da produção cultural dos educandos provocados por temas da física. Alguns exemplares de trabalhos de alunos do ensino médio são apresentados, concluindo-se pela pertinência dessa aproximação.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.