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PERFIL DOS ALUNOS DOS CURSOS DE BACHARELADO E LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNB

Roseline Beatriz Strieder, Vanessa Carvalho De Andrade

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XV
Ano
2014
Data
31/10/2014
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PERFIL DOS ALUNOS DOS CURSOS DE BACHARELADO E LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNB

## CHARACTERIZATION OF UNDERGRADUATES STUDENTS IN PHYSICS COURSE AT UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

## 1

## Roseline Beatriz Strieder Vanessa Carvalho de Andrade 2

1

Instituto de Física/Universidade de Brasília, roseline@unb.br 2 Instituto de Física/Universidade de Brasília, andrade@fis.unb.br

## Resumo

Neste trabalho apresenta-se uma discussão acerca das características gerais, perfil socioeconômico e perspectivas profissionais dos alunos dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Física da Universidade de Brasília. Para tanto foi elaborado um questionário composto por 38 questões de múltipla escolha e 04 discursivas. O mesmo foi enviado por e-mail, para todos os alunos que ingressaram em um dos dois cursos oferecidos pelo Instituto de Física a contar do primeiro semestre de 2010 até o primeiro semestre de 2013, e respondido no formato impresso pelos ingressantes no segundo semestre de 2013. As respostas foram analisadas seguindo os pressupostos da Análise de Conteúdo. Dentre os resultados destaca-se que o perfil dos alunos desses cursos difere em alguns aspectos, como por exemplo, a faixa etária, o estado civil, o ano de conclusão do ensino médio e ingresso no Ensino Superior, a renda família, o grau de escolaridade dos pais e o tipo de educação básica (pública ou particular). Também, no que se refere aos alunos da Licenciatura, há divergências, ainda que pequenas, com relação ao que tem sido encontrado em pesquisas desenvolvidas em outras instituições.

Palavras-chave : Perfil profissional, Licenciatura em Física, Bacharelado em Física.

## Abstract

In this work we show arguments about undergraduates students in physics course at Universidade de Brasília. We analyzed general characteristics, socioeconomic profile and career prospects from students who are in two physics courses types: Physics teacher course, Physics Bachelor Course. For this, a questionnaire, with 38 multiple choice questions and 04 discursive questions was answered by 106 students of these two courses. The responses were analyzed following the assumptions of the Content Analysis. Among the results is emphasized that the profile of students of these courses differs in some respects: such as age, marital status, year at which the secondary education ended and the undergraduate beginning, family income, parent's degree education and financial type of basic education (public or private). Also, with regard to the students of Physics teacher course, there are differences, still small, in relation to what has been found in surveys conducted in other institutions.

Keywords: Professional profile, Physics teacher course, Physics Bachelor Course.

## Introdução

O Instituto de Física da Universidade de Brasília (IF/UnB) oferece dois cursos de graduação, um curso diurno com as habilitações bacharelado, física computacional e licenciatura, e outro noturno de licenciatura. A cada semestre são ofertadas 26 vagas para o curso diurno e 30 para o noturno, as quais são todas preenchidas. Atualmente esses cursos estão passando por um processo de reforma curricular, e, nesse contexto, passarão a existir dois cursos: um de licenciatura (diurno e noturno) e outro de bacharelado (diurno), com projetos pedagógicos, estruturas curriculares e ingressos diferenciados. Ao longo desse processo surgiu a necessidade de conhecer melhor o perfil e as expectativas dos alunos do IF/UnB, buscando, com isso, subsidiar reflexões a respeito das identidades desses cursos.

A essa preocupação articulam-se as pesquisas voltadas à identidade profissional, que, no caso do professor, têm sido foco de atenção principalmente, a partir de 1990 (André, 2004). Particularmente no que se refere à identidade do professor de Física, merecem destaque os trabalhos de Terrazan et. al (2007), Alves, Carvalho e Mion (2010), Souza (2012) e Leme (2012). Vale ressaltar, como colocado por Souza (2012), que muitos trabalhos preocupados com a identidade profissional, voltam sua atenção para currículos ou disciplinas, ou seja, para os cursos e não para os alunos dos cursos. Os que voltam sua atenção para os alunos, a exemplo de Souza e Kawamura (2010) e Leme (2012), têm analisado o perfil socioeconômico dos alunos e representações sociais da profissão professor. Esses aspectos também têm sido alvo de atenção de outras pesquisas que visam à melhoria de cursos de graduação, a exemplo de Finatti, Alves e Silveira (2007); Teixeira, Pantaléo Junior e Takeuchi (2005) e Pires e Brignoni (2011).

Tomando por base essas discussões, no presente trabalho são analisadas características gerais, perfil socioeconômico e perspectivas profissionais de alunos dos cursos de Licenciatura e de Bacharelado em Física da Universidade de Brasília. Busca-se responder às seguintes perguntas: quem são os alunos do curso de Licenciatura e do curso de Bacharelado em Física da UnB? Quais suas dificuldades e quais suas expectativas com relação ao curso e à profissão? Com isso pretendese contribuir para a caracterização da identidade de cada curso (Licenciatura e Bacharelado) e dos profissionais a serem formados.

## Metodologia

Elaborou-se um questionário composto por 42 questões, das quais 38 eram de múltipla escolha e 04 discursivas. Perguntou-e a respeito de: ano de ingresso no curso; sexo; faixa etária; naturalidade; se já cursou outro curso superior, profissão e grau de escolaridade dos pais; quantidade de irmãos e filhos; estado civil; faixa salarial; meio de transporte usado para ir à universidade; com quem, onde e quantos residem na sua casa; trabalho/profissão; onde cursou e quando concluiu a educação básica; se pretende ser professor; motivos para a escolha da habilitação; expectativas com relação ao curso, dificuldades enfrentadas, etc.

Essas perguntas podem ser organizadas em três grupos que sintetizam o interesse por trás do questionário: (1) caracterização geral (sexo; faixa etária; naturalidade; estado civil, profissão, quando concluiu a educação básica, ano de ingresso na universidade, se já cursou outro curso superior); (2) perfil socioeconômico (profissão e grau de escolaridade dos pais; quantidade de irmãos e

filhos; faixa salarial; meio de transporte usado para ir à universidade; com quem, onde e quantos residem na sua casa; tipo de educação básica); (3) perspectivas profissionais (se pretende ser professor; motivos para a escolha da habilitação; expectativas com relação ao curso; dificuldades enfrentadas).

O questionário foi aplicado de duas maneiras distintas: e-mail e impresso. Foi enviado por e-mail, em 26 de novembro de 2013, para todos os alunos que ingressaram em um dos dois cursos oferecidos pelo IF/UnB, a contar do primeiro semestre de 2010 até o primeiro semestre de 2013. Foi aplicado na forma impressa para os alunos ingressantes, em outubro de 2013 na disciplina de Física 1. Obtevese 106 respostas, como apresentado na tabela a seguir.

Tabela 1 - quantidade de respostas em relação ao curso

Para fins de análise, as respostas dos alunos da Licenciatura, tanto do diurno quanto do noturno, foram consideradas um conjunto de dados; enquanto que as respostas dos alunos do Bacharelado, incluindo a habilitação Física Computacional, foram consideradas outro conjunto. Coincidentemente, o total de questionários respondidos por cada grupo corresponde a 53.

As respostas foram analisadas seguindo a perspectiva da Análise de Conteúdo (Bardin, 2008). Primeiramente enumerou-se todas as respostas e construiu-se uma tabela na qual, cada coluna corresponde a uma questão e cada linha representa a resposta de um aluno. Em seguida, com o intuito de encontrar categorias de análise, agrupou-se as respostas que possuíam alguma semelhança. Ou seja, as categorias de análise foram definidas a partir do que estava presente nessas respostas, não havia categorias pré-estabelecidas. No que se refere à análise quantitativa da presença de cada uma das categorias, destaca-se que o número total de comparecimentos nem sempre equivale ao número total de respostas, visto que em uma mesma resposta podem estar presentes duas afirmações.

## Resultados

Os resultados foram organizados de acordo os três grupos de interesse: (1) características gerais, (2) perfil socioeconômico e (3) perspectivas profissionais. Segue sua apresentação.

## (1) Características Gerais

No que se refere às características gerais, destaca-se que no curso de Licenciatura predominam homens (75%); 40% tem idade entre 20 e 30 anos, 37% entre 21 e 30 anos, e 23% tem mais de 31 anos; 60% é natural do Distrito Federal ou entorno; 80% é solteiro e 17% tem filhos; 35% concluiu a educação básica um ano antes de ingressar no curso, 30% entre dois e cinco anos, 17% entre 6 e 10 anos e 22% concluiu o Ensino Médio 11 anos ou mais antes de ingressar no curso; 60% trabalha; 55% já iniciou outro curso superior antes da Licenciatura em Física.

No curso de Bacharelado, por sua vez, predominam homens (70%); 67% tem idade entre 17 e 20 anos, 25% entre 21 e 30 anos, e 8% tem mais de 31 anos; 70% é natural do Distrito Federal ou entorno; 90% é solteiro e nenhum tem filhos; 67% concluiu a educação básica um ano antes de ingressar no curso, 23% entre dois e cinco anos, 9% entre 6 e 10 anos e menos de 1% concluiu o Ensino Médio há 11 ou mais anos antes de ingressar no curso; 28% trabalha; 26% iniciou outro curso superior antes do bacharelado em Física.

## (2) Perfil Socioeconômico

No curso de Licenciatura, no que se refere aos pais, destaca-se que há profissões variadas, que não há Físicos e apenas três professores; 36% possui ensino superior, 44% possui ensino médio, 18% ensino fundamental e 2% é analfabeto. A maioria dos alunos pertence a famílias pequenas, possuindo entre um e dois irmãos; 25% tem renda familiar de mais de 11 salários mínimos, 31% tem renda entre 6 e 10 salários mínimos, 23% entre 3 e 5 e 21% menos de 3 salários mínimos. O meio de transporte usado para ir até a universidade é majoritariamente público (56%), 38% utilizam transporte particular e 6% vão a pé ou de bicicleta para a universidade. A maioria estudou em escolas públicas (57% no Ensino Fundamental e 56% no Ensino Médio).

No curso de Bacharelado, no que se refere aos pais, destaca-se que há profissões variadas, que não há Físicos e apenas seis professores; 58% possui ensino superior, 27% possui ensino médio, 13% ensino fundamental e 2% é analfabeto. A maioria dos alunos pertence a famílias pequenas, possuindo entre um e dois irmãos; 38% tem renda familiar de mais de 11 salários mínimos, 20% tem renda entre 6 e 10 salários mínimos, 28% entre 3 e 5 e 14% menos de 3 salários mínimos. O meio de transporte usado para ir até a universidade é majoritariamente público (52%), 43% utilizam transporte particular e 5% vão a pé ou de bicicleta para a universidade. A maioria estudou em escolas particulares (62% no Ensino Fundamental e 51% no Ensino Médio).

## (3) Perspectivas Profissionais

No que se refere à pretensão de ser professor de Física, constatou-se que 62% dos alunos da Licenciatura pretende ser professor enquanto 38% não pretende. Esse resultado apresenta-se satisfatório quando comparado ao encontrado em outras universidades, a exemplo da Universidade de São Paulo (USP), onde, de acordo com Leme (2012), somente em torno 48% dos alunos ingressantes no curso de Licenciatura pretende ser professor. Por outro lado, deixa a desejar quando comparado com o resultado encontrado por Pires e Brignoni (2011), referente aos alunos do IFG - Campus Jataí, onde em torno de 82% pretende exercer a profissão. Talvez essa diferença esteja relacionada ao momento em que os alunos se encontram no curso, visto que a amostra da USP era formada por alunos ingressantes enquanto que a nossa amostra e a da UFG-Jataí refere-se a alunos em qualquer período do curso. Pensando nisso, separamos da nossa amostra os ingressantes e, de fato, a expectativa com relação ao exercício da profissão diminui; nesse caso, constatou-se que 57% pretende ser professor enquanto 43% não pretende.

Já no que refere ao Bacharelado, merece destaque o fato de que 52% do total de alunos pretende ser professor, em geral no ensino superior ou em prévestibulares e como algo complementar à profissão. Diante disso, não caberiam ações voltadas à Formação de Professores, também no curso de Bacharelado?

Com relação às razões para querer ser professor, foram encontradas as seguintes: (1) gosto/admiração pela Física; (2) gosto/admiração pelo ensino; (3) questão financeira/estabilidade; (4) a possibilidade de contribuir com a formação das pessoas e (5) a habilidade para ensinar. Quanto à justificativa para não querer ser professor comparece: (1) querer seguir outra carreira não relacionada à Física; (2) quer ser pesquisador em Física; (3) já tem outra carreira; (4) não tem habilidade para ensinar; (5) baixos salários; (6) mercado de trabalho restrito. A frequência de comparecimento dessas categorias é apresentada no quadro a seguir:

Tabela 2 - Dados referentes às justificativas da opção "ser professor"

Com relação ao fato de não querer ser professor, para os alunos da Licenciatura, prevalece o fato de já possuírem outra carreira ou querem fazer outro curso. Quanto ao Bacharelado, prevalece o fato de entenderem que não possuem habilidade/aptidão para ensinar e terem escolhido o Bacharelado.

Quanto à escolha do curso, as respostas dadas pelos alunos puderam ser organizadas nas seguintes categorias: (1) gosto/interesse pela Física; (2) tornar-se professor/gostar de dar aulas; (3) tornar-se cientista; (4) habilidades lógicomatemáticas e/ou para ensinar; (5) influência da família; (6) por ser noturno (pretende seguir outro curso); (7) por não ser um curso concorrido no vestibular; (8) semelhança com o curso que pretende; (9) campo de atuação; (10) comparações: bacharelado é melhor que a Licenciatura. A frequência de comparecimento dessas categorias é apresentada no quadro a seguir:

Tabela 3 - Dados referentes à escolha do curso

As expectativas com relação ao curso envolvem tanto a aquisição de conhecimentos, quanto a satisfação profissional. Também alguns alunos buscam 'algo a mais' e outros possuem uma expectativa negativa com relação o curso. Por fim, há aqueles que colocaram aspectos gerais, como: muita coisa, que seja produtivo, que me ajude, pessoas interessantes e sábios professores.

Quanto à aquisição de conhecimentos, destaca-se que em ambos os casos prevalece a busca por conhecimentos relacionados à Física; apenas 8% alunos da Licenciatura colocaram que além de Física, esperam aprender como ensinar. Já no que se refere à satisfação profissional, merece destaque o fato de a estabilidade financeira não ser o mais importante, comparecendo em ambos os casos num segundo plano, sempre associada à outra expectativa. O 'algo a mais' buscado pelos alunos, refere-se, no caso da Licenciatura, a contribuir para a formação de outras pessoas e a ver o mundo com outros olhos, ambos com 5% de comparecimento cada. No caso do Bacharelado, esse 'algo a mais' refere-se a resolver problemas da sociedade e à superação de desafios. Por fim, destaca-se que prevalecem expectativas positivas; as expectativas negativas, associadas a

'sofrimento', 'não espero muita coisa', 'terminar o curso', são mais mencionadas por alunos do curso de Bacharelado.

Uma síntese da frequência de comparecimento dessas categorias é apresentada no quadro a seguir:

Tabela 4 - Dados referentes às expectativas do curso

As dificuldades que os alunos estão enfrentando ao longo do curso estão associadas à: (1) deficiências do Ensino Médio; (2) falta de tempo para os estudos em decorrência do trabalho; (3) dificuldades em matemática; (4) problemas de ordem familiar ou econômica; (5) quantidade de disciplinas/ritmo de estudo e da universidade; (6) descaso e arrogância de alguns professores; (7) ao fato de não gostar de Física, (8) necessidade especial (problema de concentração). A frequência de comparecimento dessas categorias é apresentada no quadro a seguir:

Tabela 5 - Dados referentes às dificuldades enfrentadas no curso

Em síntese, dentre os alunos da Licenciatura, as dificuldades estão associadas, majoritariamente, à falta de tempo para os estudos em decorrência do trabalho; em um segundo plano encontram-se as deficiências do Ensino Médio e problemas de ordem familiar ou econômica. Já para os alunos do Bacharelado, as dificuldades estão associadas, primeiramente, a deficiências do Ensino Médio, e, em segundo lugar à falta de tempo para os estudos em decorrência do trabalho, seguido pelos problemas de ordem familiar/econômica e pela quantidade de disciplinas/ritmo de estudo. Vale destacar que 25% dos alunos do Bacharelado e 20% dos alunos da Licenciatura afirmam que não estão enfrentando dificuldades no curso.

## Considerações Finais

A partir da análise dos resultados é possível perceber que em ambos os cursos predominam homens e estudantes naturais do Distrito Federal ou entorno. Os alunos do Bacharelado, em sua maioria, são mais jovens que os da Licenciatura, representando o curso de Física o início da sua vida universitária. Os alunos da Licenciatura já são, grosso modo, mais experientes, pois boa parte trabalha e já teve passagem por outros cursos universitários. Desses dados destaca-se o fato de a maior parte dos alunos da Licenciatura estar, há algum tempo, longe da escola. Apenas 35% dos alunos da Licenciatura concluíram o Ensino Médio no ano anterior ao ingresso no curso; já no bacharelado, esse número sobre para 67%.

Também foi possível observar que a distribuição de renda familiar dos alunos da Licenciatura é heterogênea, mas predominam alunos cuja renda está entre 6 e 10 salários mínimos. Já no caso do Bacharelado, predominam alunos com renda familiar superior a 11 salários mínimos. À renda associa-se o grau de escolaridade

dos pais, que no caso da Licenciatura é Ensino Médio e no bacharelado Ensino Superior. Comparando esses resultados com os encontrados em outras pesquisas, a exemplo de Souza e Kawamura (2010), chama atenção o fato de, nesse caso, o grau de escolaridade predominante dos pais ser ' até Ensino Médio incompleto', representando 40,5 % da amostra.

Outro resultado que difere do panorama nacional refere-se à escola onde concluiu o Ensino Médio. Embora, no curso de Licenciatura, predominem alunos oriundos de escola pública, a diferença entre pública e particular é pequena, diferindo dos resultados apresentados em outras pesquisas, a exemplo da realizada por Pires e Brignoni (2011), onde 100% dos alunos são oriundos de escolas públicas.

A fração de alunos que pretende ser professor aumenta ao longo do curso e a escolha pelo curso de licenciatura nem sempre está associada à pretensão de ser professor, o que está de acordo com resultados encontrados em outras pesquisas (Souza e Kawamura, 2010). Dentre os alunos que pretendem ser professor, prevalece o gosto/admiração pelo ensino, seguido pela preocupação social, ou seja, pela a possibilidade de contribuir com a formação das pessoas. Vale ressaltar que a estabilidade financeira que a profissão pode proporcionar comparece, apenas em 6% das respostas e somente entre os licenciandos. Esse resultado difere do encontrado em outras pesquisas, a exemplo de Souza e Kawamura (2010), onde razões financeiras são mencionadas pelos alunos da USP com mais frequência, apontando que a carreira de professor representa possibilidade de ascensão social.

Também, é possível perceber que há um reconhecimento maior com relação à profissão por parte dos alunos que cursam Bacharelado. Por exemplo, na Tabela 4, a categoria '(3) tornar-se cientista', para o Bacharelado, seria o equivalente a '(2) quero ser professor/dar aulas' para a Licenciatura; mas a quantidade de alunos que retratam essa vontade na licenciatura é menor do que no Bacharelado - 20% x 49%. O mesmo pode ser constatado ao olharmos, nessa mesma tabela, as categorias '(6) por ser noturno (pretende seguir outro curso)', '(7) por não ser um curso concorrido no vestibular' e '(8) semelhança com o curso que pretende', que somam 30% do total no caso da Licenciatura, e somente 4% no caso do Bacharelado. Outro aspecto a ser destacado é que na compreensão dos alunos, para ser professor as habilidades são importantes (11%); mas para ser bacharel, não (4%). Podemos interpretar que os alunos que colocaram 'levo jeito' estão querendo dizer que, talvez, não gostem tanto assim, mas levam jeito pra coisa. Além disso, merece destaque o fato de que 15% dos alunos da Licenciatura escolheram esse curso como trampolim para outro (explicitamente), enquanto no bacharelado isso acontece só com 4%.

Em síntese, ainda que os resultados apresentados referiram-se a um contexto específico, da Universidade de Brasília, espera-se, com este trabalho contribuir para uma maior compreensão a respeito da identidade dos alunos dos cursos de Licenciatura e Bacharelado, apresentando elementos que possam subsidiar os formadores em suas escolhas.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.