A QUALIDADE NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE DE ARTIGOS DO PROJETO OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO
Laís Rodrigues, Luana Ramalho, Giselle Faur De Castro, Gloria Queiroz, Paula Rocha Pessanha
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 08/11/2012
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A QUALIDADE NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE DE ARTIGOS DO PROJETO OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO
## QUALITY IN TEACHING PHYSICS OF ARTICLES FROM THE CENTRE FOR EDUCATION PROJECT
## Laís Rodrigues 1 , Luana Ramalho 2 , Giselle Faur de Castro 3 , Gloria Queiroz 4 Paula Rocha Pessanha 6
- 1 Centro de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca / lais\_rds@hotmail.com 2
- Universidade do Estado do Rio de Janeiro / Instituto de Física / luinharamalhosilva@gmail.com
- 5 Secretaria de Estado de Educação / paularodrigues@ibest.com.br
## Resumo
A educação básica em suas diversas etapas de aprendizagem visa, segundo uma perspectiva contemporânea, desenvolver competências voltadas para o aluno como sujeito produtor de conhecimento e participante do mundo de trabalho. Para tal, diversos autores mostram-se questionadores das efetivas contribuições da educação em ciências dentro do espaço social, em defesa de uma educação de qualidade, em suas mais variadas perspectivas. Esse trabalho busca, através da análise de conteúdo, identificar como os envolvidos na área da Educação em Ciências - Física, Química, Biologia e Matemática - tentam contribuir para a melhoria da qualidade nos processos que envolvem o ensino. Para isso utilizamos como documentos de pesquisa um total de 20 (vinte) trabalhos produzidos pelo Projeto 'Ensino de Ciências de qualidade na perspectiva dos professores de nível médio' - Edital Observatório da Educação/2008, entre o período de 2009 a 2012. A análise dos trabalhos buscou identificar quais focos de interesse dos pesquisadores apareceram na discussão da temática qualidade de ensino. Apresentamos, como resultados, as diversas categorias em que os trabalhos se encaixaram, tentando oferecer uma visão dos estudos atuais a respeito da qualidade do ensino na escola. O presente trabalho pretende contribuir para um avanço na compreensão do que vem a ser qualidade da educação em ciências, sob a perspectiva dos docentes. Foram consideradas as diversidades regional e cultural dos contextos educativos, em uma sociedade com as características de um país de Terceiro mundo, tomando como referência as avaliações oficiais (Ideb e Enem) baseadas numa matriz curricular de referência do nível de ensino em estudo.
Palavras-chave : Qualidade de ensino, ensino de ciências, análise de conteúdo.
## Abstract
The Basic education in its various stages of learning aims, according to a contemporary perspective, develop skills aimed at students as subjects of knowledge producer and participant in the world of work. Several authors show themselves questioning the effective contributions of science education within the social space, in defense of a quality education in their various perspectives. This work seeks, through
content analysis, to identify those involved in the Educational Sciences - Physics, Chemistry, Biology and Mathematics - trying to contribute to the improvement of quality in processes involving teaching. To use it as research documents a total of 20 works produced by the project " Science Teaching quality from the perspective of middle-level teachers" Notice Education Observatory/2008 between the period , 2009 to 2012. The analysis sought to identify points of interest of researchers appeared in the discussion of thematic teaching quality. For results, the various categories in which the work come together, trying to offer an overview of current studies regarding the quality of teaching in school. The present work aims to contribute to a breakthrough in understanding what has to be quality of science education from the perspective of teachers. We considered the regional and cultural diversity of educational contexts, in a society with the characteristics of a Third World country, with reference to official evaluations (Ideb and Enem) based on a curriculum reference level of education in the study.
Keywords : quality of education, science teaching, content analysis.
## INTRODUÇÃO
Percebemos que todos os envolvidos na área da Educação em Ciências buscam, cada um a seu modo, contribuir para a melhoria da qualidade nos processos que envolvem a educação, particularmente, no ensino de Física. Entretanto, pouco se debate sobre o tema Qualidade no Ensino. Uma educação de qualidade só é possível quando pensada a partir de mudanças que valorizem a escola, o educando e o educador. Tais mudanças exigem profundas transformações na concepção que temos de sociedade democrática, de sistemas educacionais e da própria qualidade. Falar em qualidade de ensino é pensar os objetivos que temos hoje com e para a educação.
Pensamos então que discutir qualidade na educação em ciências escolar envolve diferentes aspectos: a infraestrutura; o acesso ao conhecimento - espaços não-formais, bibliotecas, laboratórios, etc.; o próprio processo de ensino e aprendizagem; e a formação inicial e continuada de professores, pois como ressalta Nóvoa (1992), não há educação de qualidade sem uma adequada formação de professores. Adequada para nós no sentido de proporcionar ao licenciando ou ao professor em exercício acesso a diferentes metodologias de ensino para que ele possa se constituir como professor a partir de suas próprias escolhas.
Diante da importância desse tema e da necessidade de aprofundamento para pensar a Educação, vários pesquisadores em Ensino de Física, professores e alunos de graduação e pós-graduação decidiram trabalhá-lo em um projeto desenvolvido no âmbito do Programa Observatório da Educação/CAPES/2008. Esse projeto tem como objetivo analisar os sentidos atribuídos à qualidade de ensino e às representações sociais pelos discursos de professores de escolas da administração Pública Estadual, Federal e Privada de três diferentes estados do país (RJ, MG e RGS) e com isso avançar na compreensão da qualidade da educação em ciências (Física, Química, Biologia e Matemática) no nível médio, considerando-se a diversidade regional e cultural de contextos educacionais.
- O Projeto 'Ensino de Ciências de qualidade na perspectiva dos professores de nível médio' - Edital Observatório da Educação/2008 estende-se a três estados do país: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul e conta com as seguintes
instituições participantes: UFF, UFRJ, UFMG, UFRGS, IFRJ E UERJ a qual pertence a coordenadora do Projeto. A Equipe do Projeto é formada por aproximadamente 25 pessoas, entre elas alunos de Pós-graduação (Mestrado e Doutorado), alunos de iniciação científica, professores da rede Pública, colaboradores e pelos responsáveis pelos Núcleos de Pesquisa em cada instituição mencionada. Esse número de colaboradores não é fixo, ao longo dos anos outras pessoas incorporam-se no projeto trazendo sua contribuição.
Este trabalho tem por objetivo apresentar uma análise dos 20 artigos produzidos a partir do projeto, no período de quatro anos (2009 a 2012). Para tal, construímos uma categorização para facilitar a identificação de um possível eixo central e norteador de todos os trabalhos. Em seguida foi feita uma análise de conteúdo dos trabalhos produzidos, buscando sempre as relações entre os conteúdos e o eixo central identificado previamente.
## REFERENCIAL TEÓRICO
É comum defender uma educação de qualidade, entretanto, essa é uma reivindicação vazia se não existir acordo sobre o que significa esse conceito. Como enfatiza Cabrito (2009), não faz sentido falar em qualidade da educação se não concordamos a respeito de um referencial, o que consideramos um padrão de qualidade. Portanto, a questão da qualidade está relacionada aos objetivos da educação. Também é importante lembrar que o termo 'qualidade' não pode ser considerado como invariável ao longo do processo histórico educacional. Para Saviani (1991), se a sociedade se modificou, é inadequado manter os mesmos padrões que um dia foram considerados como de qualidade. Além disso, podemos afirmar que é possível perceber diferentes concepções de qualidade.
De acordo com a literatura, o Ensino de Ciências apresenta, hoje, limitações e problemas a serem enfrentados e que se relacionam como o tema de nossa discussão, dentre os quais podemos destacar: o enfoque estritamente disciplinar; a falta de motivação dos alunos; o distanciamento entre o 'mundo da escola' e o 'mundo da vida'; o ensino propedêutico; a neutralidade da concepção de CiênciaTecnologia e, provavelmente atrelado a todos esses aspectos, um baixo nível de aprendizagem bem como limites à formação de uma cultura de participação (Muenchen et al . apud Auler e Muenchen, 2007).
Gurgel (1999) aposta que um Ensino de Ciências de qualidade deve não apenas responder aos anseios de uma sociedade envolvida pela cultura tecnológica, mas, sobretudo, aos sujeitos que, em seus cotidianos, precisarão entender seus próprios mundos, tanto no âmbito de seus componentes naturais, quanto acerca dos aspectos histórico-culturais, considerando-se a interação entre o homem e a natureza em suas diversas dimensões.
É evidente que o Ensino de qualidade é um tema de fundamental importância nos dias de hoje, mas que ainda tem muito a ser discutido e pesquisado sobre os métodos que podem ser utilizados na busca dessa qualidade. Muito se fala de qualidade de ensino, mas poucas teorias emergem como caminhos a essa discussão. Nesse sentido, a qualidade se converte em uma meta compartilhada que todos dizem buscar, em uma palavra mobilizadora, em um grito de guerra em torno do qual todos os esforços devem ser recrutados (ENGUITA, 2001); um simples termo ou expressão se transforma no eixo de um discurso fora do qual não é
possível dialogar uma vez que os agentes principais desse embate não se reconhecem como tais.
Alice Lopes (2011) tem estudado de forma instigante como o processo de hegemonia se desenvolve, com hibridismos e recontextualizações, mesmo em momentos de incentivo curricular político a inovações, como é o exemplo dos Parâmetros curriculares nacionais (BRASIL, 1998). Isso porque os professores agem seguindo tradições pedagógicas oriundas de suas formações disciplinares e que sustentam identidades profissionais diferenciadas, sendo assim repletas de ações hegemônicas em cada área do conhecimento disciplinar. As práticas docentes adquirem verdadeiras regras que são compartilhadas socialmente pelos professores em seus ambientes de trabalho local, regional e nacionalmente. Quando as criticamos por não estarem gerando aprendizagens significativas ou ao menos inicialmente apresentarem um ensino motivador que leve seus alunos a se engajarem em processos de significação, pensamos no que podemos fazer para mudá-las, adaptando-as a teorias, algumas delas consensuais nas áreas de pesquisa de cada disciplina?
Não pretendemos normatizá-las rigidamente, mas criar momentos de reflexão entre os docentes, chegando a novos pontos nodais, pontos de estofo, pontos que encerram (fecham) mesmo que provisoriamente significações aceitáveis hegemonicamente - em uma nova hegemonia em construção - e que deem sentido ao trabalho dos professores em prol de uma educação de qualidade sob uma nova forma de ver a educação.
Concordamos então que o tema em questão, qualidade da educação, é um 'significante vazio' onde deslizam diversos significados, sendo hoje a maioria deles atrelado às avaliações em grandes números que levam ao ranqueamento de escolas, distribuição desigual de verbas etc.
Entre nossos trabalhos do projeto do Observatório da Educação, destacamos um grupo de artigos produzidos por alguns de seus componentes que surgiu das diferentes iniciativas de produzir junto a professores e alunos das escolas, com a participação de nossos licenciandos universitários, um conjunto de projetos, oficinas, momentos de formação inicial e continuada de professores que produziram sentidos socialmente criados e que permitiram aos sujeitos se identificarem uns com os outros, fortalecendo a democracia e a inclusão social, estimulando lideranças e dando oportunidade de que as vozes dissonantes de nossos grupos focais pudessem demonstrar seu valor. Desse modo, acreditamos que com esses trabalhos estamos oportunizando rupturas da hegemonia do ensino dito 'tradicional', praticado por professores que não conseguem que seus alunos atribuam significado aos conhecimentos com eles trabalhados, gerando desinteresse e estresse entre os docentes.
## METODOLOGIA
A metodologia de pesquisa utilizada neste trabalho foi a análise de conteúdo (Moraes, 1999), que tem o objetivo de descrever e interpretar o conteúdo dos trabalhos analisados, atentando para o fato de que a compreensão do contexto é indispensável para o entendimento do texto. O trabalho teve início com a seleção e leitura de 20 artigos produzidos durante os 4 anos do projeto 'Ensino de Ciências de qualidade na perspectiva dos professores de nível médio' que tratavam especificamente do assunto qualidade de ensino. Esta primeira etapa é apontada
por Bardin (2004) como 'leitura flutuante', ou seja, o estabelecimento do contato com os documentos a serem analisados. Em seguida, fizemos uma identificação desse material separando as unidades de análise. Em busca dos aspectos considerados relevantes na temática da qualidade no ensino de ciências, relemos os trabalhos selecionados para uma primeira identificação de aspectos - categorias prévias - que costumam estar presentes na área. No processo de interação com os dados essas categorias foram testadas, sendo suprimidas ou ampliadas. Este ajuste das categorias buscou abranger todos os elementos importantes nos artigos. A categorização 'é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero, com os critérios previamente definidos' (Bardin, p. 111). Para cada categoria foi produzido um texto descrevendo seu significado e para exemplificá-las foram usadas citações originais dos aspectos relevantes dos trabalhos analisados.
## Categorização
Nesta análise as categorias identificadas foram:
Currículo (CUR) - esta categoria abrange os artigos que tratam da necessidade da implementação de um currículo regional e contextualizado além de autores que levam em consideração orientações legais e políticas públicas que interfiram no currículo escolar e na qualidade da educação. Consideramos pertinente criar duas subcategorias: contextualização e políticas educacionais . Tal criação nos garante a qualidade da exclusão mútua (Bardin, op. cit.), uma vez que entendemos que todos os trechos analisados poderiam estar associados, direta ou indiretamente, ao tema maior Currículo, ou seja, são indicadores do campo de atuação da categoria.
Carvalho et al. (2011) problematizam as várias visões regionais sobre:
A concepção de currículo como produção cultural, apesar das particularidades de cada região do Brasil, foi pouco defendida nos discursos dos professores, aproximando o discurso pedagógico da ideia de que é necessário um currículo nacional mínimo que, eventualmente, poderá ser adaptado em função da diversidade regional.
## Contextualização
Queiroz et al. (2010) assumem o contexto da educação não formal como contribuinte para a qualidade: 'A força das ações pedagógicas contextualizadas e interdisciplinares produzidas no projeto estabelece e sustenta relações entre os diferentes conteúdos e entre esses e a vida dos estudantes da escola'.
Ferraz et al. (2010) mostram que: 'o conceito de contextualização que a educação para a vida nos PCNEM está associada a princípios eficientistas, ou seja, a vida assume um caráter especialmente produtivo do ponto de vista econômico ao invés de manter sua dimensão cultural mais ampla'.
## Políticas Educacionais
Carvalho et al. (2011) enfatizam que: 'exames oficiais foram considerados como parâmetros de qualidade pelos professores das Ciências Naturais, ainda que os exames oficiais parecessem exercer uma força maior que os parâmetros curriculares sobre a realidade das escolas públicas que investigou'.
Professor Autor (PA) -nesta categoria encontram-se artigos que falam da qualidade do ensino de acordo com a atuação dos professores nas escolas.
Queiroz et al. (2011) dizem que:
O projeto tem propiciado aos futuros professores contato com a realidade de escolas públicas, com a produção de materiais de divulgação e contato com o público que assiste às exposições que temos realizado no âmbito da universidade e nas escolas e aprofundamento sobre diferentes formas de ensinar Física. Isso se reveste de extrema importância, pois dá aos estudantes outra dimensão do Ensino de Física.
Ensino-Aprendizagem (EA) - nesta categoria temos artigos que tratam a relação ensino-aprendizagem como resultado da qualidade do ensino.
Nasser et al. (2011) dizem que:
Um fator que contribuiu significativamente para o 'sucesso' destas atividades com analogia foi à proximidade estabelecida entre o cotidiano dos alunos/visitantes e os conceitos análogos. Desta maneira o conceito análogo serviu como uma espécie de catalisador de todo o processo de construção/compreensão do conhecimento.
Rezende et al. (2010) discutem ensino-aprendizagem como decorrência da relação professor aluno: 'A aprendizagem de Ciências se daria meio a uma tensão entre professor e aluno. Seu sucesso seria atingido pelo interesse do aluno, estimulado, segundo os professores mais experientes...'
Relações Sociais (RS) - nesta categoria destacam-se os artigos que tratam a influencia das relações sociais na qualidade do ensino. Tais relações sociais podem ser relacionadas à desvalorização da educação como fator que determina também a qualidade da educação:
Castro et al. (2011) relacionam a qualidade do ensino-aprendizagem com as relações sociais existentes:
As quatro ideias tratadas na seção anterior nos levam a refletir de que maneira podemos pensar, dialogicamente, um processo de ensino e aprendizagem que gere novas formas não somente de construção e produção de conhecimento, mas também de relação com a sociedade e com o mundo complexo no qual nós vivemos.
Rezende et al. (op. cit) concluem que
Enquanto alguns professores atribuíram o problema da qualidade da educação a questões relacionadas às más condições de trabalho, à desvalorização docente, aos baixos salários e ao sucateamento do sistema educacional como um todo, na fala de outros, ainda que inseridos nesta mesma realidade, percebemos a ilusão de que a qualidade pode ser atingida por iniciativa individual.
Tecnologias da informação e comunicação (TIC) - reúnem artigos que tratam o uso de tecnologias como fator para se atingir a qualidade no ensino:
Rezende et al. (2010) dizem que:
A maioria dos professores apontou a utilização das TIC como alternativa ao anacronismo do ensino de ciências, acreditando que as tecnologias podem inserir no ambiente escolar o mundo vivenciado pelos alunos em suas atividades fora da escola. No entanto, há alguns professores que, embora entendam a tecnologia como algo essencial, visto que esta é uma constante na realidade dos alunos, apostam que, apenas a utilização das TIC, não dará conta de garantir um ensino de ciências de qualidade.
Pinheiro e Ostermann (2010) afirmam que: 'Uma das professoras de escolas particulares acrescenta que nesse segmento a pressão por atualização é ainda mais
forte, pois nele as novas tecnologias já são uma realidade há muito tempo e a competência em informática é uma exigência da própria escola'.
Formação de Professores (FP) - aqui reunimos artigos que falam da formação de professores diretamente relacionada com a qualidade do ensino.
Tardif (2002, apud Queiroz, 2011) conclui que 'Diante deste quadro, reforçamos a necessidade de desenvolvermos estratégias mais explícitas que esclareçam sobre o princípio mais básico de nossa pesquisa que é a postura de valorizar a ação do professor em ação, considerando sua autonomia para a construção de conhecimento pedagógico'.
## Análise dos Resultados
## Conclusão
O objetivo deste trabalho era identificar como os envolvidos na área da Educação em Ciências tentam contribuir para a melhoria da qualidade nos processos que envolvem o ensino. Ou seja, não pretendemos aqui indicar um único caminho possível para uma educação de qualidade, nem propomos uma receita para alcançá-la. Pretendemos compartilhar os resultados produzidos em um projeto que tem como tema a Qualidade do Ensino de Ciências. A partir desses resultados poderemos aprofundar o tema, perceber as lacunas e discutir novas possibilidades.
Como resultado, não podemos deixar de indicar as categorias que mais apareceram em nossas análises: currículo (CUR), ensino-aprendizagem (EA). É possível perceber que o tema da qualidade aparece atrelado ao que é orientado pelas políticas públicas e pelos pesquisadores que as formulam. É notória a força das orientações oficiais nos discursos dos pesquisadores e dos professores de ensino médio, não apenas com relação aos PCNs, mas também aos termos diretamente associados a ele - currículo, contextualização. Nesse sentido, Ricardo e
Zylbersztajn (2008) nos ensinam que apesar dos temas competência, interdisciplinaridade e contextualização terem passado a fazer parte do discurso de uma grande parcela dos educadores, principalmente a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN e PCN+), 'isso não significa que suas práticas educacionais estejam em consonância com as propostas desses documentos' (p. 257). Podemos apontar que tal fato está diretamente relacionado às concepções sobre a qualidade na educação, uma vez que tais orientações legais incitam diversas opiniões e perspectivas de educação. Ainda na visão dos autores, tais orientações são pouco discutidas na formação inicial, privando os futuros professores de desenvolverem críticas e estratégias em suas futuras ações docentes, fato também relacionado à qualidade da educação na formação.
As categorias que menos apareceram foram: Professor Autor (PA), Relações Sociais (RS), Tecnologias da informação e comunicação (TIC), Formação de Professores (FP). O que nos chama atenção é o fato da formação de professores, questão tão problematizada nas pesquisas em Ensino de Ciências e nas atuais pesquisas em Ensino de Física/Ciências, ter tido pouca discussão nos artigos sobre qualidade. Talvez os artigos, pelo foco no ensino médio, não tenham apontado a formação como ponto central.
## Artigos analisados:
- 1. FERRAZ, G.; VENEU, A.; REZENDE, F. A apropriação dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Física: o caso de um professor-autor. In: XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2010, Águas de Lindóia. Anais do XII EPEF. São Paulo: SBF, 2010.
- 2. REZENDE, F.; DUARTE, M. S.; SCHWARTZ, L. B.; CARVALHO, R. C. Qualidade da educação científica na voz dos professores. Ciência e Educação (UNESP), v. 17, 2011.
- 3. REZENDE, F.; SCHWARTZ, L.; DUARTE, M.; CARVALHO, R. Sentidos de qualidade da educação científica na voz de professores de nível médio. In: XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Águas de Lindóia. Anais XII EPEF SP: SBF, 2010.
- 4. FERRAZ, G.; BORGES, G.; VENEU, A.; REZENDE, F. Uma análise das vozes epistemológicas e pedagógicas nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Física. In: XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Águas de Lindóia. Anais do XII EPEF. São Paulo : SBF, 2010. v. 1. p. 1-10.
- 5. BORGES, G.; REZENDE, F. Vozes Epistemológicas e Pedagógicas nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Biologia. Alexandria (UFSC), v. 3, p. 1-16, 2010.
- 6. QUEIROZ, G.; MACHADO, M. Cultura de projetos, construída via parceria escolauniversidade, contribuindo para a qualidade da formação inicial e continuada de professores, no prelo.
- 7. QUEIROZ, G.; BEGALLI, M.; REIS, J. C.; NASSER, P.; RAMALHO SILVA, L.; COUTO, A.; MACHADO, M. Formação da Diversidade Brasileira: A Física na sua Construção. In: XIX Simpósio Nacional de Ensino de Física, Manaus. Programa XIX SNEF. SP, 2011.
- 8. SILVA, A. M. T. B.; QUEIROZ, G. R. P. C.; MACHADO, M. A. D.. As Representações Sociais sobre qualidade do ensino no discurso dos professores de ciências. In: XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2010. Atas do XII EPEF, 2010.
- 9. NASSER, P. Z. T.; TEIXEIRA, M. G.; QUEIROZ, G. R. P. C. Ensinando Astronomia com o auxílio de analogias: da educação não formal à educação formal. In: XIX Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2011, Manaus. Programação do XIX SNEF, 2011.
- 10. CASTRO, G. F. de; QUEIROZ, G.; ARAÚJO, R. M. Ensino de Física e Sociedade: do Dialogismo à Cidadania. In: XIX SNEF, 2011, Manaus. Anais XIX SNEF, 2011.
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- 16. DUARTE, M. S.; REZENDE, F. Tecnologias da informação e comunicação e qualidade da educação na perspectiva de uma professora de Ciências. Ensaio (Impresso), v. 13, n 3, 2011.
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- 19. VAL, E. N. M., CARVALHO, B. E. S., ANDRADE, D., SILVA, A. M. T. B, NASCIMENTO, S. S. VIEIRA, R. D. A qualidade do ensino de ciências e matemática: uma análise temática da fala de docentes da educação básica em situação de grupo focal. Atas do XIX Snef, Manaus, 2011.
- 20. CARVALHO, B. E., VIEIRA, R. D., ANDRADE, D., NASCIMENTO, S. S. A emergência do tema 'conteúdo escolar' em orientações discursivas explicativas na fala de professores do Ensino Médio. Atas do VIII Enpec, 2011.
## Referências
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BRASIL/ SEF. Parâmetros curriculares nacionais . Brasília: MEC/SEF, 1998.
CABRITO, B. G. Avaliar a qualidade em educação: Avaliar o quê? Avaliar como? Avaliar para quê? Caderno Cedes. Campinas vol. 29, 2009.
ENGUITA, M. F. Igualdad, equidad, solidaridad In: Educação & Sociedade Vol: 22 n.76, p. 278-294. 2001.
LOPES, A. C.; MECEDO, E. Teorias de currículo . São Paulo: Cortez, 2011.
MORAES, R. Análise de conteúdo . Revista Educação ,Porto Alegre,v22, n37, 1999.
MUENCHEN, C. e AULER, D. Articulações entre os pressupostos do educador Paulo Freire e do movimento CTS: Enfrentando desafios no contexto da EJA. In: VIEncontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Florianópolis, 2007.
NÓVOA, A., Formação de Professores e profissão docente . In: coordenação de Nóvoa. Os professores e a sua formação . Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1992.
RICARDO, E. C. e ZYLBERSZTAJN, A. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para as ciências do ensino médio: uma análise a partir da visão de seus elaboradores. Investigações em Ensino de Ciências - V13(3), pp.257-274, 2008.
SAVIANI, D. Educação: DO Senso Comum à Consciência Filosófica São Paulo: Cortez Editora: Autores Associados, 10ª edição, 1991.
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