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ESTUDO DAS INTERAÇÕES ESTAGIÁRIO-ALUNO ATRAVÉS DAS TABELAS DE FLANDERS

Maria Helena Carvalho Da Costa, Gilvan Mendonça Silva, Celso José Viana-Barbosa

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
08/11/2012
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ESTUDO DAS INTERAÇÕES ESTAGIÁRIO-ALUNO ATRAVÉS DAS TABELAS DE FLANDERS

## STUDY OF INTERACTIONS BY STUDENT INTERN-TABLES OF FLANDERS

Maria Helena Carvalho da Costa , Gilvan Mendonça Silva , Celso José Viana1 2 Barbosa 3 .

1 Universidade Federal de Sergipe/Departamento de Física, helenacarvalho.fisica@gmail.com 2 Universidade Federal de Sergipe/Departamento de Física, Gilvan.msilva01@gmail.com 3 Universidade Federal de Sergipe/Departamento de Física, cjvianna@yahoo.com.br

## Resumo

A interação verbal entre professor e aluno é fundamental no processo de ensinoaprendizagem, já que através da mesma podemos identificar características importantes dos alunos, tornando possível conhecê-los, avaliá-los e interferir significativamente no aprendizado dos mesmos. Sabendo que a linguagem é o principal recurso utilizado pelos professores no ato de ensinar e indispensável na relação professor-aluno nas aulas de Física, essa pesquisa teve como objetivo investigar e analisar as interações discursivas em sala de aula, entre estagiários da disciplina de Estágio Supervisionado de Física I na Universidade Federal de Sergipe/campus de Itabaiana e os alunos das classes em que estagiavam em algumas escolas da rede pública de Sergipe. Esse trabalho baseou-se nas contribuições teóricas do sistema de observação descrito por Flanders (1970), que foram utilizadas para realização das observações e análise das aulas. Os dados que sustentam este trabalho foram coletados por estagiários que estagiaram em dupla, sendo que um estagiário da dupla construiu a tabela de Flanders do outro colega de estágio. A partir das análises obtidas conseguimos observar que a interação entre os estagiários e alunos nas aulas de Física, de acordo com Flanders, foi pouco satisfatória, justificada pela participação dos alunos nas interações em classe terem sido menores que 15% do total das interações. Demonstrando que estas aulas se encontravam centradas no estagiário enquanto o aluno foi um sujeito passivo. Porém pudemos observar que há diferenças entre a participação dos estagiários nas aulas, alguns usam de comportamentos indiretos maiores que outros, além dos diretos, segundo a classificação de Flanders.

Palavras-chave: Ensino de Física, Interação professor-aluno, Sistema de Flanders.

## Abstract

The verbal interaction between teacher and student is essential in the teachinglearning, since through it we can identify important characteristics of students, making it possible to meet them, evaluate them and interfere significantly in their learning. Knowing that language is the primary resource used by teachers in the act of teaching is indispensable to the teacher-student relationship in physics classes, this study aimed to investigate and analyze the discursive interactions in the

classroom, trainees from the discipline of Supervised I Physics at the Federal University of Sergipe / Itabaiana campus and students from the classes in which estagiavam in some public schools of Sergipe. This work was based on the theoretical contributions of the observation system described by Flanders (1970), which were used to carry out the observations and analysis of lessons. The data supporting this work were collected by trainees aged in double, and an intern built a double table of the other co-Flanders stage. From the analysis obtained can observe that the interaction between the trainees and students in physics classes, according to Flanders, was unsatisfactory, justified by the participation of students in class interactions were lower than 15% of total interactions.Demonstrating that these lessons were centered on the trainee while the student was a taxpayer. But we found that there are differences between the participation of trainees in class, some use of indirect behaviors than others, in addition to direct, according to the classification of Flanders.

Keywords: Teaching Physics, teacher-student interaction, Flanders System.

## Introdução

A comunicação em sala de aula é um dos aspectos indispensável no âmbito do ensino, pois sendo a linguagem o principal recurso utilizado pelos professores no ato de ensinar, é de suma importância na relação professor-aluno. O estudo sobre as interações discursivas e da linguagem tem crescido em diversas áreas do conhecimento. No ensino de Ciências podemos citar autores como Carvalho (1985), Inamullah (2006), Lemke (1998), Mortimer e Scott (2002), Flanders (1970), entre outros. O sistema de Flanders (1970) foi criado para observar a interação verbal professor-aluno em sala de aula. Foi desenvolvido a partir de observações em várias salas de aula dos Estados Unidos da América e tinha a intenção de mostrar comportamentos observados nessas aulas em que professores tinha uma maior eficácia no processo de ensino-aprendizagem. Mostrando que professores mais eficazes usavam mais da influência indireta do que da influência direta (ver figura 1).

A tabela de Flanders é dividida, em 10 categorias as quais estão agrupadas em: 7 participação do professor da forma direta e indireta, 2 participação do aluno, 1 classificada em silêncio ou confusão, que é utilizada também quando não é fala do professor ou do aluno.

Figura 1: categorias do sistema de análise de interação de Flanders (CARVALHO, 1985).

Durante a aula, o observador identifica os eventos ocorridos e codifica usando os números de um a dez, conforme a figura 1, os dados são colocados em uma tabela de dez linhas e dez colunas, chamada matriz. Os números são marcados em pares, onde o primeiro número indica a linha e o segundo número indica a coluna.

Cada número é marcado em aproximadamente 3 segundos. É óbvio que diferentes observadores podem ter ritmos de marcações diferentes e quanto mais experiente for o pesquisador mais rápido será seu ritmo de marcações.

## Análise da matriz

A análise pode ser feita de duas formas: numérica (quantitativa) ou por áreas (qualitativa).

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Figura 2: Áreas de análise da matriz (VIANA-BARBOSA E ALVARENGA, 2010).

## Análise quantitativa

Para analisar numericamente a interação professor-aluno, somamos os pontos de cada coluna e definimos os seguintes índices (CARVALHO, 1985).

Participação do professor (P): que é a relação entre a soma dos pontos das colunas 1 a 7 pelo total de pontos.

Participação do aluno (A): que é a relação entre a soma dos pontos das colunas 8 e 9 pelo total.

A relação I/D: que é a relação entre a soma dos pontos das colunas 1 a 4, que corresponde à influência indireta do professor, pela soma dos pontos das colunas 5 a 7, que corresponde a influência direta do professor.

A relação I/D* ou I/D revisada: que é a relação entre as somas dos pontos das colunas 1, 2, 3, pela soma dos pontos das colunas 6 e 7.

## Análise por área (qualitativa)

As áreas A (1+2+3+4), B (5+6+7), C (8+9) e D (10) podem ser usadas para encontrar a porcentagem do tempo usado em sala em que o professor fala, em que os alunos falam e em que há silêncio, pausa ou confusão. As áreas A e B nos fornecem a porcentagem da participação indireta e direta do professor. A área E é um bloco de nove células que indica uso contínuo de elogios e aceitação. O bloco F indica o uso contínuo das ordens e críticas feitas pelo professor. As áreas G1 e G2 são as respostas imediatas do professor no momento em que os alunos param de falar. A área H, linhas de 1 a 9 colunas 8 e 9, indica quando, depois de uma ação do professor, os alunos falam em classe. A área I indica a participação dos alunos. No centro da tabela, delimitada por linhas tracejadas, está a 'cruz do conteúdo' (FLANDERS, 1970).

## Metodologia

Os dados que sustentam esta pesquisa foram coletados por estagiários que estagiaram em dupla, sendo que um estagiário da dupla construiu a tabela de Flanders do outro colega de estágio como cumprimento de uma das atividades propostas na disciplina de estágio supervisionado em ensino de física I, na Universidade Federal de Sergipe, Campus prof. Alberto de Carvalho. Estes dados visam chamar a atenção da sociedade acadêmica para a necessidade de preocuparse com a interação.

As seis tabelas analisadas e apresentadas aqui, foram selecionadas de um total de 11. Elas foram escolhidas por haverem maior quantidade de pontos, por suas marcações terem sido realizadas o mais próximo possível do que recomenda Flanders (1970).

## Resultados e Discussão

O gráfico abaixo mostra a comparação entre os resultados das tabelas das aulas dos estagiários obtidas na pesquisa.

Figura 3 - Comparação entre as tabelas dos seis estagiários de Física.

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A figura acima mostra a comparação entre as tabelas dos estagiários, apresentando a participação do desse durante a aula, a participação do aluno, a relação I/D e o silêncio ou confusão em porcentagem. Podemos observar através do gráfico que a participação do estagiário durante a aula chega a ocupar quatro quintos (80%), mas observamos que a uma variação de estagiário para estagiário. Já a participação dos alunos na média não chega a ocupar um sexto da aula (16,67%), e não apresenta muitas variações de uma aula para outra. A relação entre os comportamentos diretos e indiretos dos estagiários (I/D) têm uma variação grande entre o estagiário 6 e o 1 principalmente. Podemos fazer diferentes comparações entre as tabelas dos estagiários, mas vamos nos limitar a comparar as tabelas dos estagiários 2 e 4, por apresentarem uma maior diferença nos resultados da relação I/D.

Figura 1 - Tabelas de Flanders dos estagiários 2 (tabela (A)) e 4 (tabela (B)) da figura 3.

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A B

Comparando as duas tabelas pode-se perceber uma grande diferença na distribuição das marcações. A tabela-A indica uma aula em que ocorrem diferentes interações, enquanto a tabela-B indica uma aula centrada no professor, principalmente nos seus comportamentos diretos, segundo a concepção de Flanders. Analisando a quantidade de marcações na região E das duas tabelas (ver figura 2) percebe-se que na tabela-A houve aceitação das ideias do aluno e elogios ou encorajamento por parte do estagiário. Enquanto na tabela-B não houve aceitação das ideias dos alunos e nem elogio por parte do professor.

A tabela-B mostra a maioria dos pontos concentrada na região da cruz de conteúdos (figura 2). As marcações na célula (4,8) indicam que o professor faz perguntas e os alunos respondem em boa parte do tempo de aula, mas as respostas parecem ser rápidas, talvez até um complemento da frase do professor. Pode-se inferir isso por não haver marcações na célula (8,8) o que indica que as repostas foram muito curtas. Não houve iniciativa dos alunos nessa turma e o estagiário deu mais direcionamentos, ou ordens, e fez muitas críticas, ou justificativa de autoridade, que o estagiário da tabela-A.

## Considerações finais

A partir das análises obtidas conseguimos observar que a interação entre os estagiários e alunos nas aulas de Física, de acordo com Flanders, foi pouco satisfatória, justificada pela participação dos alunos nas interações em classe terem sido menores que 15% do total das interações. Demonstrando que estas aulas se encontravam centradas no estagiário enquanto o aluno foi um sujeito passivo. Porém pudemos observar que há diferenças entre a participação dos estagiários nas aulas, alguns usam de comportamentos indiretos maiores que outros, além dos diretos, segundo a classificação de Flanders e que o sistema de Flanders pode ser uma ótima ferramenta para análise das interações em sala de aula.

## Referências

CARVALHO, A.M.P. (1985). Práticas de ensino: os estágios na formação do professor. São Paulo: Livraria Pioneira Editora.

FLANDERS, N. A. (1970). . Analyzing Teaching Behavior, Addison-Wesley Company. USA.

INAMULLAH, H. M.; Hussain, I.; DIN, M. N. (2008). Teacher-Student Verbal Interaction Patterns at The Tertiary Level Of Education . ( Universidade Kohat ). On temporary Issues, In Education Research - First Quarter.

BALTAR, P. M. (1996). Enseignement et apprentissage de la notion d'aire de surfaces planes: une étuide de l'acquisition des relations entre lês longueurs et lesaires au collège. Tese (Doutorado em Didática da Matemática). Université Joseph Fourier, Grenoble.

MEDLEY, D. M. (1972). Early history of research on teacher behavior . International Review of Education , 18 (n° especial): 430-437.

MORTIMER, E. F.; SCOTT, P. (2002). Atividade discursiva nas salas de aula de ciências: uma ferramenta sociocultural para analisar e planejar ensino. Investigação em Ensino de Ciências - V7(3), pp. 283-306.

VIANA-BARBOSA, C. J. ; ALVARENGA, K. B. 2010 (no prelo). Análise da interação verbal em aulas de Física e Matemática: uma comparação.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.