INICIAÇÃO À DOCÊNCIA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA-PIBID DO CFP/UFRB políticas educacionais, formação de professores, iniciação à docência e PIBID.
Aureliano Sancho Souza Paival, Glênon Dutra
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 08/11/2012
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## INICIAÇÃO À DOCÊNCIA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA-PIBID DO CFP/UFRB
## INITIATION TO TEACHING AND TEACHER OF PHYSICS: AN ANALYSIS OF THE INFLUENCE OF INSTITUTIONAL SCHOLARSHIP PROGRAM OFINITIATION OF THE TEACHING-PIBID CFP/UFRB
## Aureliano Sancho Souza Paival , Glênon Dutra 1 2
1 Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB/CFP, sanchobuendia@gmail.com 2 Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB/CFP, glenon.bh@gmail.com
## Resumo
As críticas aos modelos de formação docente, excessivamente teórica, centrados na Universidade, descolado da escola básica junto com a falta de professores nas escolas públicas de educação básica, principalmente em áreas, como: Biologia, Física, Matemática e Química; tem levado o Governo Federal, no Brasil a investir em projetos, como o PIBID - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, que objetivam melhorar a formação dos licenciandos e convencê-los a seguirem a carreira docente. Este trabalho tenta entender como o subprojeto da área de Física do PIBID desenvolvido no CFP - Centro de Formação de Professores da UFRB Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, através de suas atividades, influencia seus bolsistas, alunos do curso de Licenciatura em Física da mesma Universidade a optarem pela carreira docente. Nesse contexto, a presença do PIBID como agente incentivador da carreira docente e formador de professores pode ser importante para tentar minimizar esse quadro. A pesquisa de campo apresentou uma abordagem qualitativa, utilizando como técnicas de investigação: entrevista não-estruturada e questionário. A pesquisa tenta responder a seguinte questão: o PIBID consegue, por meio de suas atividades, influenciar seus bolsistas a seguirem a carreira docente? Os dados de campo nos permitem concluir que o PIBID possui pontos positivos: melhora a formação dos futuros professores, aproxima os licenciandos do seu futuro ambiente de trabalho, age como política de permanência destes no curso, aproxima as escolas da Universidade, etc. No entanto, o projeto não consegue influenciar a maioria de seus bolsistas a seguir a carreira docente. E a análise mostra indícios de que tais dificuldades tem origem política e estão relacionadas com a desvalorização do professor e sua baixa remuneração.
Palavras-chave : políticas educacionais, formação de professores, iniciação à docência e PIBID.
## Abstract
The criticism of models of teacher education. For being too theoretical, centered at the University, apart from basic school. Associated with the shortage of teachers in public schools of basic education. Especially in areas such as: Biology, Physics, Mathematics and Chemistry. Led the federal government in Brazil, investing in
projects like PIBID - Institutional Scholarship Program Initiation for Future Teachers in Training. These programs seek to improve the training of undergraduates and convince them to follow a teaching career. This paper attempts to understand how the project developed in the Physics PIBID CFP - Center for Teacher-of UFRB Federal University in "Reconcavo of Bahia", influences the students of teacher training in Physics at the same university, participants program, to opt for a teaching career. In this context, PIBID may be important to encourage career and train new teachers and improve this situation. The survey showed a qualitative approach, using research techniques: non-structured interviews and questionnaires. The research attempts to answer the following question: PIBID can, through their activities, to influence its scholarship to pursue a teaching career? The data allow us to conclude that the PIBID has positive points: improving the training of future teachers, bringing students to their future workplace, acts as a policy of staying the course, approaching the schools of the University, etc.. However, the project can not influence the majority of its scholarship to pursue a career teaching. And the analysis shows evidence that such difficulties have a political origin and are related to the devaluation of teachers and their low pay.
Word-key : educational politics, teachers formation, initiation to the teaching and PIBID.
## Introdução
Este trabalho tem como áreas de estudo a iniciação à docência e a formação de professores de Física e tenta entender como o subprojeto da área de Física do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado ao Centro de Formação de Professores (CFP) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), através de suas atividades, influencia seus bolsistas, alunos do curso de Licenciatura em Física da mesma Universidade, a optarem pela carreira docente.
A falta de professores de Física no Brasil encontra-se na ordem do dia entre os assuntos discutidos por especialistas em Ensino. Pesquisa recente mostra que o número de licenciados no país contrasta com a falta de professores na educação básica (ARAÚJO, 2010), revelando que os estudantes de licenciatura em física optam por carreiras diferentes da docência. Os motivos apontados para isso são: baixa remuneração, péssimas condições de trabalho, desvalorização do profissional, entro outros.
Neste contexto, o PIBID, criado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES), pode contribuir como agente incentivador da carreira docente e ser importante para minimizar esse quadro, mesmo entendendo que a mudança na formação docente não é suficiente para melhorar a educação. Além disso, a formação de profissionais críticos e reflexivos é uma maneira de engrossar a luta por melhorias, uma vez que as iniciativas e as propostas de mudança devem partir também dos professores enquanto categoria profissional.
A pesquisa tenta responder a seguinte questão: o PIBID consegue, por meio de suas atividades, influenciar seus bolsistas a seguirem a carreira docente? Apresentamos também a hipótese de que o PIBID não consegue convencer seus bolsistas, independente das atividades realizadas, porque os estudantes entram na
Licenciatura já pensando em não atuarem na educação básica e essa escolha é fortemente influenciada por fatores intocados pelo programa como os baixos salários dos professores da educação básica e a desvalorização profissional no contexto da sociedade brasileira.
- O objetivo geral deste trabalho é investigar se o projeto consegue despertar em seus bolsistas, alunos de Licenciatura em Física, o interesse de atuar como docentes na educação básica. Este objetivo é seguido por outros objetivos específicos: a) analisar como os alunos de Licenciatura em Física da UFRB, bolsistas e não bolsistas do PIBID compreendem a docência; b) investigar como as atividades do PIBID agem sobre a formação docente dos bolsistas.
- A profissão docente tem enfrentado cada vez mais dificuldades nas últimas décadas. Os problemas começaram com a universalização do ensino e o não aumento do orçamento destinado ao pagamento dos salários dos professores, levando a baixos salários, más condições de trabalho, desvalorização da carreira, entrada de profissionais sem qualificação para suprir as necessidades da universalização, entre outros.
- Com o oferecimento de mais vagas aumenta-se a necessidade de profissionais, provocando o crescimento indiscriminado de cursos de Licenciatura em faculdades isoladas, bem como pela permissão do exercício profissional por pessoas não habilitadas (DINIZ, 2000). Essas ações levaram a uma queda na qualidade da educação, decorrente, segundo FREITAS (2007), da diminuição do investimento público e da deterioração das condições de trabalho dos educadores e demais trabalhadores da educação.
- O governo tenta sustentar suas ações no mito de que no dia em que os professores forem todos bem formados o problema da qualidade da educação estará resolvido. Negligencia-se o fato de que as condições encontradas por eles em seu ambiente de trabalho agem contra essa formação. Dessa forma, conhecer as amarras sociais se faz importante para que não se crie ilusões de soluções fáceis para o problema da educação e da formação (FREITAS, 2007).
## Iniciação à docência
- O professor é um elemento indispensável na formação de sujeitos para atuarem e darem sustentação à sociedade da informação. Porém, o início da carreira docente é um período difícil e cheio de interrogações, porque a escola é um ambiente de surpresas, de incertezas e de construção do aprender a ensinar. Tal construção ocorre à medida que o professor vai efetivando a articulação entre o conhecimento teórico-acadêmico e o contexto escolar com a prática docente (GUARNIERI, 2000). Os primeiros contatos com o cotidiano do trabalho docente tendem a causar o chamado 'duro choque da realidade' (BASTOS e NARDI, 2008).
Durante a formação destes profissionais algumas questões devem ser norteadoras. Como coloca Guarnieri (2000), deve-se tentar responder as seguintes perguntas: o que faz o professor ao ingressar na docência? Ao deparar-se com situações problemas e dificuldades, a que recursos teórico-práticos o professor iniciante recorre ou cria para tomar decisões que possibilitem superá-las? Quais características, orientações, modelos o professor iniciante teve que buscar ou
desenvolver para iniciar seu trabalho? Até que ponto a formação básica tem contribuído para desencadear nesse professor a construção de uma atuação compromissada com um ensino de melhor qualidade?
Antes de tudo, a formação do professor se dá na coletividade e, nesse momento, evidencia-se a importância da prática na construção do docente. Não a prática como meramente articuladora da aplicação das teorias aprendidas na academia, mas agindo dialeticamente com a teoria na construção do professor. A prática mediatiza a relação do professor com a teoria, o que implica um movimento de superação à adesão acrítica às teorias e aos modismos pedagógicos, (GUARNIERI, 2000). A capacidade de reflexão crítica necessária para repensar sua prática requer o envolvimento não só do professor isoladamente, mas de grupos de professores que, conjuntamente, possam dar conta de buscar saídas para os problemas.
A discussão é sobre a formação de professores. No entanto, essa mesma formação deve ser entendida como inacabada, o docente está sempre se formando, construindo-se como profissional. Para (VEIGA, 2008) o processo de formação é multifacetado, plural, tem início e nunca tem fim. É inconcluso e auto formativo.
Uma parte da aprendizagem da profissão docente só ocorre e só se inicia em exercício. Em outras palavras, o exercício da profissão é condição para consolidar o processo de tornar-se professor. (GUARNIERE, 2000)
Os primeiros anos de trabalho de um professor são decisivos para que ele se torne ou não um profissional bem sucedido. Na ânsia de aplicar seus conhecimentos teóricos em suas aulas, o professor iniciante se depara com uma realidade totalmente diferente da idealizada sendo impossível controlar todas as variáveis envolvidas. Tal realidade o leva a rejeitar ou até mesmo abandonar os conhecimentos teóricos apreendidos na Universidade. Segundo Guarnieri (2000), tal postura do professor contribui para sua adesão integral à cultura existente na escola, à medida que vai incorporando rotinas, tarefas, procedimentos e valores presentes nessa cultura. Assim, esses professores se rendem ao que já está posto na escola e se tornam profissionais fechados à mudança.
Os programas de iniciação à docência, a exemplo do PIBID, podem ao colocar o aluno de Licenciatura em contato com a escola, minimizar essas questões. Para isso é necessário voltar suas atividades para a construção de um profissional pesquisador, capaz de, no uso de seus conhecimentos acadêmicos, relacioná-los com as informações colhidas na prática e teorizar sobre sua própria prática docente. Em outras palavras, entender-se como profissional em formação e compreender que a atividade docente é complexa. A importância da iniciação à docência é reafirmada por (LIMA, 2008), ao dizer que os professores não só ensinam como também aprendem no período de iniciação profissional, que envolve os primeiros anos de docência.
- O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à DocênciaPIBID/MEC/CAPES é um programa instituído pelo Ministério da Educação do Brasil (MEC), desenvolvido por instituições Públicas de Educação Superior (IPES), federais e estaduais e financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES cujo objetivo é fomentar as atividades de iniciação à
docência, visando a melhoria da qualidade dos cursos de Licenciatura destas Instituições.
O PIBID, objetiva valorizar os cursos de Licenciatura dentro da estrutura universitária, fomentando ações que busquem o aumento do tempo de convivência dos graduandos no futuro ambiente de trabalho (unidade de ensino médio ou fundamental), permitindo-lhe um maior envolvimento com o cotidiano das atividades didático-pedagógicas. Desta forma, o PIBID/CFP busca despertar no futuro professor o apreço pela docência como carreira profissional.
## Metodologia
A pesquisa em educação é uma construção social e nessa relação não é possível separar pesquisador de seu objeto de estudo. Ao realizar uma pesquisa o pesquisador traz consigo valores, crenças, conhecimento e preferências. Esta análise é sempre enviesada por aquilo em que acredita, e, ao fazer observações, o pesquisador influencia seu objeto de pesquisa bem como reconstrói seu conhecimento. Para Demo (2008), o pesquisador precisa ir do mais complexo para o menos complexo influenciando o mínimo o seu objeto de estudo.
Uma pesquisa científica pode ser qualitativa ou quantitativa. Evidentemente estes tipos se diferenciam quanto à metodologia utilizada e os objetivos. A pesquisa qualitativa tem como características: o trabalho de campo, os dados qualitativos, análise descritiva, a interação simbólica, a observação participante, ênfase no processo, desenvolver conceitos sensíveis e descrever realidades múltiplas. Em contra partida a pesquisa quantitativa, tem como características; os dados quantitativos, análise experimental e estatística, testar teorias e encontrar fatos.
Este trabalho teve uma abordagem qualitativa. A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte de dados, o pesquisador como seu instrumento e como principal objetivo interpretar o fenômeno que observa. Esta técnica responde a questões muito particulares. Ela se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado (MINAYO, 1994).
Uma vez determinada a abordagem, se faz necessário pensar em como será o trabalho de campo. Para isso, neste trabalho foram utilizadas duas técnicas: entrevista não-estruturada e questionário.
A entrevista não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos autores. Para Minayo (1994), ela é permeada por uma relação horizontal de contato direto com o entrevistado onde um influencia o outro, especialmente em uma entrevista nãoestruturada onde mesmo tendo um roteiro a entrevista não tem seu fim marcado precisamente, pois os rumos da entrevista podem ser repensados durante o processo.
Neste trabalho foi utilizada a entrevista não-estruturada, a qual, segundo Ludke (1986), figura em uma relação intermediária entre o questionário e a entrevista estruturada, sendo que esta se diferencia do questionário por ter o entrevistador presente e o questionário tentar encontrar resultados uniformes entre os entrevistados.
A outra técnica utilizada neste trabalho foi o questionário, uma vez que este consegue atingir um maior número de pessoas com menos trabalho. Pode-se definir questionário como um instrumento de coleta de dados constituído por uma série de
perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador (LAKATOS e MARCONI, 2007).
Como outras técnicas o questionário possui vantagens e limitações. Dentre seus pontos fortes, pode-se citar: a possibilidade de entrevistar muitas pessoas, baixo custo, garantia de anonimato e a não exposição do entrevistado à influência da pessoa do pesquisador. No entanto, apresenta limitações, tais como: impede o auxilio ao informante caso este não entenda a questão.
Junto ao questionário foi apresentada uma carta explicando a natureza da pesquisa, sua importância e a necessidade de se obter respostas para o problema de pesquisa e a garantia de anonimato. Também foi anexado um termo de consentimento que foi assinado pelo entrevistado. O questionário foi aplicado a vinte e quatro alunos de Licenciatura em Física do Centro de Formação de Professores (CFP) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que não fazem parte do PIBID. E foram entrevistados todos os alunos bolsistas do Programa, um total de 6 alunos.
## Apresentação e análise dos dados
Os alunos entrevistados são todos baianos: dois de Salvador, um de Amargosa, um de Mutuípe, um de Cruz das Almas e outro de Conceição do Jacuípe. Quatro estudaram em escola pública e quatro gostavam de suas escolas. Os alunos entrevistados entraram na Universidade nos seguintes semestres: um entrou em 2006.2, outro entrou em 2008.1 e três entraram em 2009.1. Três dos seis bolsistas têm algum familiar professor.
As respostas às primeiras perguntas do questionário mostram que os alunos entram na Licenciatura por diversos motivos, mas a vontade de ser professor não está presente nas respostas. Quando interrogados sobre a profissão docente, oito deles utilizam-se de adjetivos 'negativos' como: 'sofredora', 'desinteressante' ou 'desvalorizada' e quatorze apresentam adjetivos 'positivos' como: 'interessante', 'boa' e 'importante'.
O número de alunos que deseja seguir a carreira docente aumentou depois de um semestre dentro do curso. Porém, as respostas apontam para um pequeno desentendimento sobre a natureza do curso e, aparentemente, alguns não entendem o que é uma licenciatura. Dezesseis alunos consideram a escola pública ruim e não demonstram interesse em trabalhar na mesma. Eles querem atuar como professores, mas não gostam do seu futuro ambiente de trabalho, partindo do pressuposto de que se tornarão professores da rede pública. Os mesmos alunos querem seguir a carreira docente, consideram o ensino público de péssima qualidade e usam adjetivos que demonstram certo carinho pelo magistério.
Quando interrogados sobre a influência do programa em sua formação, os bolsistas reconhecem que as experiências proporcionadas os ajudaram a entender melhor a carreira docente e a dinâmica da escola,
bolsista 1 'sim, por estar envolvido com a perspectiva concreta da escola' bolsista 2 'muito, hoje eu consigo entender um pouco melhor como funciona
a dinâmica da escola pública'.
Ao inserir os bolsistas nas escolas o PIBID parece realmente melhorar a formação dos licenciandos, pois como o bolsista '6' respondeu,
'as visitas trouxeram enriquecimento sim, por que eu pude construir novas práticas e lá aplicar essas novas práticas'.
Ao comparar as falas dos bolsistas com as respostas dos alunos calouros. É perceptível a diferença, os bolsistas apresentam ideias mais claras do que é licenciatura e do sistema educacional. Isso pode ser percebido na análise das respostas sobre a escola pública e a profissão docente. Essa análise pode levar ao pensamento de que o PIBID ajuda a melhorar a formação dos licenciandos. Analisando as perguntas referentes às visitas às escolas verificamos o reconhecimento dos bolsistas de que as visitas ajudam no aprendizado dentro da Universidade. Já as perguntas referentes à forma como se enxerga a carreira docente revelam respostas indicativas de que o PIBID muda a visão do bolsista em relação ao ensino público, como afirma o bolsista '6' :
'Mudou porque vi que é viável e porque é possível uma prática diferente' .
Comparando o número de calouros desejosos de seguir a carreira docente, sessenta e dois por cento, e o número de bolsistas PIBID que querem o mesmo, o PIBID tem êxito total. Porém, comparando com outras respostas, isso não indica uma disposição para lecionar em escolas públicas e nem no ensino básico.
As respostas sugerem também que o PIBID possa diminuir as dificuldades comuns em professores iniciantes nos primeiros meses de trabalho devido à falta de familiaridade com a dinâmica do trabalho docente. Os bolsistas aprendem com o PIBID e reconhecem isso. Uma análise mais aprofundada das respostas revela que, para o bolsista, o ponto mais interessante da proposta do PIBID é a de poder estar dentro da escola. Aprecia-se a oportunidade de conviver com professores e alunos, na condição de futuros professores e, não mais, como alunos secundaristas, além da possibilidade de realização de pesquisas, publicação de trabalhos e participação em eventos. A importância destinada à apresentação de trabalhos e às publicações pode ser fruto da cobrança de horas de ACC Atividades Curriculares Complementares, necessárias para a conclusão do curso, mas consideramos válida.
No que diz respeito ao objetivo, que se pode considerar como o principal deste trabalho, 'convencer os alunos bolsistas a seguirem a carreira docente na educação básica', entendemos que o programa não consegue convencer todos os seus bolsistas. Dos seis bolsistas entrevistados, três querem seguir a carreira docente e fazer pós-graduação em Ensino de Física e outros três não pretendem seguir a profissão e querem fazer pós-graduação em Física Teórica. Os que não desejam seguir o magistério curiosamente sabem que serão professores e não descartam a possibilidade de exercerem a profissão até encontrarem outro emprego com melhor remuneração, como afirma o bolsista '1',
'é uma possibilidade aberta entre outras. Possivelmente, espero, mas não é uma certeza'.
Mas ao dizer que não querem ser professores da educação básica, esses bolsistas manifestam também o desejo de atuar como professores do ensino superior quando terminarem o mestrado ou o doutorado. O bolsista '3' diz,
'a princípio sim, mas depois quero atuar em universidades'.
As respostas das perguntas referentes ao ingresso na licenciatura em Física, o desejo de seguir a carreira docente e as motivações para participar do PIBID revelam que os alunos parecem gostar da sala de aula e querem lecionar, mas a metade não pretende ir para a educação básica. As respostas também indicam que
isso não ocorre porque o PIBID seja falho no cumprimento de seus objetivos. Os alunos não querem atuar na educação básica por que os salários são baixos, as condições de trabalho são ruins, a carga horária é pesada, a profissão é desvalorizada socialmente, a violência dentro das escolas é grande e a escola possui um sistema viciado onde aqueles que tentam fazer um bom trabalho não conseguem.
Parece que o PIBID ao levar os alunos para dentro da escola e os aproximar do cotidiano da escola melhora a formação destes, mas também os expõe aos problemas da escola pública. Basta ver as respostas quando questionados a respeito dos problemas da educação básica, os discursos dos alunos estão afinados:
Bolsista 3 'a falta de condições de trabalho, falta de apoio do governo e da direção e a própria visão que a sociedade tem da educação';
Bolsista 1 'salário e falta de estrutura nas escolas';
Bolsista 2 'salário, estrutura das escolas, segurança dos professores e currículo proposto';
Bolsista 4 'salário baixo'.
## Considerações Finais
Os resultados indicam que o PIBID faz um bom trabalho no sentido de inserir o estudante de licenciatura dentro do ambiente escolar. Porém, luta contra a falta de políticas públicas de valorização do profissional da educação. Basta tentar entender porque alguns alunos escolhem o ensino superior e não a educação básica. O professor do ensino superior tem salários melhores, é valorizado socialmente, a carga horária em sala de aula é menor e a estrutura das universidades é melhor do que a da escola básica.
Dessa forma, acreditamos que enquanto ações como o PIBID vierem dissociadas de políticas de valorização do profissional da educação e de aumentos reais em seus salários, milhões serão investidos e os resultados serão muito pequenos quase irrisórios e ratificarão o que é colocado por Araujo e Viana (2008),
O Brasil tem professores de Física formados no mercado, mas esses não estão nas salas de aula (ARAUJO e VIANA, 2008).
O PIBID consegue atingir uma parte de seus objetivos, mas não consegue atingir o principal. O programa muda a forma como os estudantes entendem a dinâmica da escola pública e a carreira do professor. Os bolsistas compreendem a importância de poderem viver o dia a dia da escola, mas, ao mesmo tempo, o programa escancara os problemas da escola, reforçando a ideia inicial de escola pública ruim e profissão docente desprestigiada e desvalorizada. Sendo assim, fica claro que o PIBID melhora a formação dos alunos, mas não consegue convencê-los a seguirem a carreira docente, pois os fatores de ordem estrutural e política são mais fortes.
## Referências
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DEMO, P. Metodologia Científica em Ciências Sociais . São Paulo, Atlas. Metodologia do Conhecimento Científico . 1.ed, - 5, reimpr. - São Paulo: Atlas, 2008.
DINIZ, Júlio Emílio. Formação de Professores - Pesquisa, representações e poder. Belo Horizonte. Autêntica, 2000.
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FREITAS, H. C. L. A (nova) política de formação de professores : a prioridade postergada. Educação e Sociedade, v. 28, p. 1203-1230, 2007.
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LUDKE, M., ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação : abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
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