SOCIODRAMA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS: ENFRENTANDO AS DIFICULDADES E CONFLITOS NA UTILIZAÇÃO DE PROPOSTAS ADVINDAS DA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA.
Plínio Barbosa Bronzeri, Maria Candida Varone De Morais Capecchi
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 08/11/2012
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2012
Texto completo
## SOCIODRAMA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS: ENFRENTANDO AS DIFICULDADES E CONFLITOS NA UTILIZAÇÃO DE PROPOSTAS ADVINDAS DA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA.
## SOCIODRAMA IN SCIENCE TEACHERS EDUCATION: ADDRESSING THE DIFFICULTIES AND THE CONFLICTS ARISING FROM THE USE OF SCIENTIFIC LITERACY APPROACH.
## Plínio Barbosa Bronzeri 1, Maria Candida Varone de Morais Capecchi 2
1 Universidade Federal do ABC, plinio.bronzeri@ufabc.edu.br
2 Universidade Federal do ABC, maria.capecchi@ufabc.edu.br
## Resumo
Muitos trabalhos demonstram a importância de uma formação de professores que promova a reflexão e o incentivo à busca por novos conhecimentos e pela realização de atividades inovadoras em sala de aula. Para tanto, é preciso levar em conta as particularidades vividas por esses profissionais, atentando para suas dificuldades individuais e coletivas, de modo a proporcionar a busca por soluções co-criadas. Neste artigo, apresentamos as primeiras reflexões sobre uma pesquisa voltada para a investigação do papel do sociodrama como instrumento para fomentar a formação continuada de professores sob o viés da alfabetização científica. A escolha do sociodrama, contido na Teoria Socionômica mais conhecida como Psicodrama, é baseada em seu potencial para: desvelar fenômenos psicossociais; criar uma realidade suplementar focada na ação dos participantes; intervir no 'aqui e agora', por meio de ações dramáticas, e viabilizar a coexistência, em um mesmo local, de múltiplas linguagens e conhecimentos diversos. A questão de pesquisa aqui apresentada e debatida é: de que modo a socionomia pode ajudar os professores do Ensino Fundamental I no enfrentamento das dificuldades vividas ao implementarem uma didática focada na alfabetização científica? Como resultado de revisões preliminares de trabalhos apresentados em eventos da área de ensino de Física sobre formação de professores e alfabetização científica, não foram encontrados trabalhos que propusessem a investigação do papel do sociodrama como instrumento para fomentar a formação continuada de professores. Esta constatação, aliada ao conhecido potencial do sociodrama em desvelar fenômenos grupais e potencializar os sujeitos para o enfrentamento de suas dificuldades diárias, justificam a realização desta pesquisa.
Palavras-chave : Formação de Professor; Alfabetização Científica; Sociodrama.
## Abstract
Many studies demonstrate the importance of training teachers to promote reflection, encouraging the search for new knowledge and carrying out innovative activities in the classroom. For this, one must take into account the particularities experienced by these professionals, attending to their individual and collective difficulties, to provide searching for cocreated solutions. In this paper, we present the first reflections on a research aimed at investigating the role of sociodrama as an
instrument to foster the continued training of teachers under the bias of scientific literacy. The choice of sociodrama is based on its potential to: uncovering psychosocial phenomena, creating a surplus reality of the participants focused on the action, intervening in the "here and now" through dramatic action, and enabling the coexistence of, in one location, multiple languages and diverse knowledge.
Keywords : Teachers education; Scientific Literacy; Sociodrama.
## Introdução
Com base nas ideias de Paulo Freire, entende-se que educação de 'qualidade' é uma Educação Democrática, criadora de oportunidades de mudança social e transformadora de estudantes passivos em sujeitos reflexivos das práticas sociais. Reflexivos, neste ponto, qualifica os indivíduos como cidadãos pertencentes aos diretos sociais adquiridos historicamente. Indiscutivelmente, a prática da leitura e da escrita cria liberdade de acesso às informações, mas não garante um acesso mais abrangente se focada apenas em um ensino tecnicista (FREITAS, 2011), limitado à codificação de significantes. Apenas saber ler, não garante o acesso às informações de um jornal, por exemplo. Neste caso, necessita-se muito mais do que a prática técnica da leitura.
A motivação inicial, do projeto discutido neste painel, surgiu a partir de uma experiência vivida dentro de um trabalho realizado em uma escola pública do estado de São Paulo, em caráter de parceria Público-Privado. O projeto social em questão era destinado ao apoio à leitura e à escrita com crianças que não atingiram as metas previstas no ensino regular. A periodicidade das aulas, com duas horas de duração, era de uma vez por semana no contra turno das atividades letivas dos alunos. Todas as aulas do projeto contavam com dois professores, um profissional com formação em pedagogia e outro da área da psicologia, nenhum dos dois com formação em Ensino de Ciências.
Com todas as turmas do projeto, em 2011, foram planejadas sequências didáticas baseadas na realização de atividades voltadas tanto para o Ensino de Língua Portuguesa quanto para a aproximação dos alunos para com os diversos gêneros textuais. Em uma determinada turma, no primeiro semestre, o foco do trabalho foi com notícias de jornal, com uma série de atividades que aproximavam esses estudantes de um tipo de produção de texto. Mediante isso, foi programado que os alunos buscariam informações que julgassem interessantes em uma série de jornais levados pelos professores à sala de aula. Mas, um dos alunos presentes, não teve interesse pelos textos levados. Neste contexto, essa criança boicotava todas as ações realizadas pelo grupo, dificultando o trabalho dos professores.
Com a continuidade das aulas, um dos professores sentou-se ao lado deste aluno e passou a ler algumas notícias que julgou importantes. No momento em que as informações eram codificadas e decodificadas, com ajuda do professor, o aluno passou a se interessar e a fazer perguntas sobre o texto do jornal. O item importante de ressaltar neste ocorrido foi a falta de conhecimentos diversos deste aluno. No caso da notícia, com conteúdos de ciências, a falta de familiaridade com o tema inviabilizou o entendimento do texto, gerando, assim, desinteresse. Não bastava, neste momento, o entendimento e leitura das palavras, dos significantes, mas eram necessárias informações adicionais sobre a temática envolvida. Este episódio, além de demonstrar as limitações de uma alfabetização focada estritamente na codificação de palavras, evidencia a necessidade de ampliar a concepção de alfabetização nas séries iniciais da escolarização para além dos domínios da língua
materna, contemplando também o acesso dos educandos à diversidade de conhecimentos produzidos pela humanidade, dentre os quais, os conhecimentos científicos. Algumas questões que surgem desta experiência estão relacionadas à necessidade de uma formação adequada de professores polivalentes para lidarem com esta demanda.
Em um levantamento bibliográfico nos Anais tanto do EPEF (Encontro de Pesquisa em Ensino de Física) quanto do SNEF (Simpósio Nacional de Ensino em Física), compreendendo o período de 2002 a 2009, foram identificados muitos trabalhos voltados para a formação de professores, que evidenciam as necessidades de modelos que promovam a reflexão, o incentivo ao professor na busca pelos conhecimentos e a extensão destas discussões para a sala de aula (ABIB, 2002; MELO, 2009; GALINDO, 2002; BARANA, 2008). Alguns deles (ARAÚJO, 2004; SANTOS, 2002; PINTO, 2004), considerando que a falta de tempo dos profissionais, demasiadamente exigidos, impossibilita um acompanhamento contínuo dos mesmos, propõem o Ensino a Distancia (EAD) como forma de compartilhar experiências. BARANA (2008) afirma que:
Desta forma busca-se minimizar inseguranças associadas ao pouco conhecimento científico desses profissionais, rompendo suas barreiras quanto ao uso de computadores como meio de obter e gerar informação, como ferramenta didática e associando ciência e tecnologia na formação mais abrangente desses docentes. (BARANA, 2008, p.1)
No que tange às dificuldades dos docentes ao lecionarem conteúdos de ciências, a revisão bibliográfica realizada, mostra que muitas de suas inseguranças são geradas por deficiências em suas formações acadêmicas. Uma das consequências deste problema, por exemplo, é o aprisionamento dos professores a textos de livros didáticos, justamente por não vislumbrarem os conhecimentos das diversas ciências como visões de mundo (PUZZO, 2004; ASSISA, 2004). Alguns estudos atentam para o fato de que, além da limitação das ações dos professores, suas dificuldades com relação aos conteúdos, muitas vezes, determinam também as desmotivações de seus alunos (RICARDO, 2007; MENDES, 2007). SILVA (2008) identifica uma grande solicitação dos professores em ter receitas prontas e aplicáveis em sala de aula. Devido a isso, demonstra as vantagens em se realizar uma formação voltada para a negociação e decisão dos próprios professores perante os caminhos a serem seguidos. Promovendo assim, a reflexão das possibilidades e não restringindo suas ações apenas à aplicabilidade de soluções externas às suas realidades.
Nesse contexto, foi elaborado o projeto de mestrado aqui descrito, voltado para a investigação do papel do sociodrama como instrumento para fomentar a formação continuada de professores sob o viés da alfabetização científica. A escolha do sociodrama, contido na Teoria Socionômica mais conhecida como Psicodrama, é baseada em seu potencial para: desvelar fenômenos psicossociais; criar uma realidade suplementar focada na ação dos participantes; intervir no 'aqui e agora', por meio de ações dramáticas, e viabilizar a coexistência, em um mesmo local, de múltiplas linguagens e conhecimentos diversos. Neste painel, são apresentadas para discussão as primeiras reflexões sobre a questão do projeto de pesquisa, considerando os resultados de uma revisão bibliográfica sobre formação de professores de ciências e suas dificuldades no ensino desta disciplina.
A ação reflexiva na Alfabetização Científica.
Carvalho & Sasseron (2011) defendem a terminologia 'Alfabetização' ao falar em um ensino de Ciências com o objetivo de possibilitar aos alunos interagirem com uma nova cultura, no caso, a científica. A prática consciente desta interação do aluno com as formas com que a ciência é produzida pode modificar suas visões perante o mundo, bem como, desenvolvê-los para habilidades associadas ao 'fazer científico'. Os conhecimentos de ciências são também determinantes nos entendimentos de informações no dia a dia do aluno. Como citado anteriormente, aprender ciências também pertence ao aprendizado de leitura e escrita.
Sendo assim, é importante considerar um ensino que faça os alunos, mesmo em fases iniciais de sua educação, aprenderem a investigar e a construírem conhecimentos também das ciências. Visando uma educação que constitua os sujeitos como uma massa crítica para além de uma massa operária e para além de um grupo, com uma formação baseada apenas em uma alfabetização técnica que os restringe. Sendo também necessário, investir no ensino de ciências como forma de ampliar esse viés de uma alfabetização que forma apenas para a codificação de palavras. No episódio descrito na introdução deste trabalho, o que o professor emprestou ao aluno foi a habilidade de decodificação, de interpretar o texto a partir de significados adquiridos pela sua história educacional.
Por meio da Alfabetização Científica espera-se que o estudante possa usar essas informações das ciências para dimensionar as opções acerca de uma tomada de decisão. Pois, o termo 'científico', neste caso, está ligado à constante necessidade de construção de novos conhecimentos, por serem sempre inacabados, sempre passíveis de novas investigações que geram novos saberes. A Alfabetização Científica, portanto, é um processo que visa proporcionar ao aluno condições para ser inserido na cultura científica e na cultura como um todo, não limitando-os aos textos dos livros didáticos.
Esta proposição, não se restringe então ao ensino de ciências, mas sim, privilegia a construção do saber feita pelo aluno, dos entendimentos perante as ocorrências na natureza e do fazer científico perante estes fenômenos. Abrange e amplifica as práticas de construção de conhecimento, bem como, viabiliza o desenvolvimento de habilidades exploratórias nas inter-relações entre ciências, tecnologia e sociedade. Neste âmbito, o termo 'Alfabetização Científica' vem ajudar a defender uma educação que vise tornar estudantes em construtores de seus conhecimentos. Nesta perspectiva, os alunos aprendem a aprender, buscam informações, constroem seu próprio saber, aprendem a ser pesquisadores e articulam essas informações com o seu dia a dia.
Ao pesquisarmos no meio acadêmico, o termo 'Alfabetização Científica ', ele aparece com muitas nomenclaturas em diferentes estudos na Didática das Ciências, mas o que se pode constatar é que todas essas denominações definem o ensino voltado para a formação de sujeitos autônomos nas tomadas de decisões em sala de aula e no seu dia a dia.
## Segundo Driver e Newton:
Uma vez que a Ciência envolve um processo de construção social de conhecimento, isto significa que os termos, os modelos e modos de ver o mundo aprovados pelos cientistas são produtos humanos - eles não são percebidos diretamente da natureza. Dar aos aprendizes acesso a estes 'modos de ver', portanto, requer mais do que dar-lhes acesso a fenômenos. Significa induzir aprendizes no modo particular de representar o mundo
usado pelos cientistas e socializá-los para adotarem as ferramentas culturais daquela cultura. (Driver & Newton, 1997, p. 13)
Segundo Carvalho e Sasseron (2011), no Brasil alguns autores adotaram esses termos, mas também usam a expressão 'Enculturação Científica'. O termo 'Enculturação' enfatiza o ensino em ciências como formação do cidadão para o uso das ideias e conceitos científicos pertencentes em seu cotidiano. Neste processo de 'Enculturação' temos:
Como uma forma de cultura, a Ciência é construída socialmente, a partir do emprego de ferramentas culturais e práticas específicas, que são sustentadas pelo compartilhamento de valores. A abordagem da aprendizagem de ciências sob este ponto de vista permite abranger aspectos diversos da construção dos conhecimentos científicos, desde seu caráter de produção humana até sua natureza simbólica. (Capecchi, 2004, p. 22)
Outros autores defendem o 'Letramento Científico' e justificam o uso deste termo para enfatizar o resultado da ação de ensinar, ou aprender a ler e escrever, conteúdos científicos, ou ainda, segundo Kleiman, por ser um conjunto de práticas sociais que usam a escrita enquanto sistema simbólico. Já Carvalho e Sasseron (op. cit.) apoiam a terminologia 'alfabetização' na concepção de Paulo Freire perante o tema. Pois, este autor defende que alfabetização é mais que um simples domínio psicológico e mecânico de técnicas de escrever, mas sim uma 'autoformação' que implica na postura do sujeito perante os contextos.
Para as autoras:
(...) a alfabetização deve desenvolver, em uma pessoa qualquer, a capacidade de organizar seu pensamento de maneira lógica, além de auxiliar na construção de uma consciência mais crítica em relação ao mundo que a cerca. (Carvalho & Sasseron, 2011, p. 61)
No que tange aos primeiros anos do ensino fundamental, os professores polivalentes, geralmente, não possuem uma formação para o ensino de Ciências em suas graduações de Pedagogia. Com isso, tem-se, muitas vezes, uma falta de perspectiva para além dos moldes tradicionais. Tradicionais no sentido do professor como detentor do saber, e não como um auxiliador na busca por novos conhecimentos. Nos momentos em que esses professores ensinam ciências, acabam por trabalhar apenas na interpretação de textos prontos, não configurando uma aprendizagem sensibilizadora com as questões levantadas.
Almejando uma intervenção mais eficaz, dentro dos limites possíveis e para conquistar melhores patamares em relação a este ensino defasado, é preciso se investir em formação de professores e sensibilizá-los para essas questões, levando em conta, as particularidades vividas por esses profissionais. Como eles lidam com o não saber e como constroem o conteúdos que irão ensinar? Este aspecto se contrapõem com uma intervenção apenas de interventores externos, e sim propõem uma busca pela mobilização dos docentes da escola para criar, junto ao pesquisador, soluções tangíveis. Portanto, torna-se importante não apenas fomentar uma formação que relate os pontos necessários de mudança e transmita um modelo externo, mas sim que possibilite co-construir as soluções possíveis para um determinado grupo. Ou mesmo, viabilize o compartilhar das experiências vividas como forma de trocar soluções tangíveis que sempre carecem de transposição para o dia a dia de cada um.
Sociodrama e formação de professores.
## Ao falar de formação continuada de professores,Thurler afirma que:
- (..) esses dispositivos atuais [de formação] restringem-se, na maioria das vezes, a algumas seções de formação, centradas em três ou quatro dias, ou seis a oito jornadas parciais durante o ano escolar, e visam, exclusivamente, à adoção por parte dos professores de modelos didáticos e pedagógicos pontuais e precisos que, ou não correspondem nem às suas prioridades, ou exigiriam um esforço, sustentando para evitar a mera 'colagem' sobre práticas preexistentes. (THURLER apud PERRENOUD, 2002, p. 90)
## A autora completa ainda:
- (...) hoje sabemos que é primordial que os professores não sejam mais vistos como indivíduos em formação, nem como executores, mas como atores plenos de um sistema que eles devem contribuir para transformar, no qual devem engajar-se ativamente, mobilizando o máximo de competências e fazendo o que for preciso para que possam ser construídas novas competências a curto ou médio prazo. (THURLER apud PERRENOUD, 2002, p. 90)
A partir destas considerações, propomos as seguintes questões: de que forma viabilizar a mobilização dos professores, priorizando as particularidades vividas por eles em sala de aula?; como considerar as diversidades existentes no dia a dia de cada participante da formação e, com isso, construir novas competências a curto ou médio prazo?; como aproveitar as competências já existentes, identificando-as e valorizando-as perante o grupo?; como realizar uma investigação e, ao mesmo tempo, uma intervenção formadora desses professores, debatendo as divergências cotidianas, inviabilizadoras de uma continuidade do trabalho em sala de aula, sem paralisá-los frente às dificuldades?
- O método selecionado para nortear uma formação continuada de professores, abrangendo os pontos elencados nas questões do parágrafo anterior, é o Sociodrama contido na Teoria Socionômica, mais conhecida como Psicodrama. Muito autores (ALVES, 2008; FÉO, 2009; MARRA e FLEURY et al., 2010; entre outros), que constituem um grande grupo de psicodramatistas no Brasil desde 1970, apresentam as vantagens e o potencial da utilização desta Teoria e Prática Psicodramática.
Assim como Freud criou a Psicanálise, o Psicodrama foi criado pelo Psiquiatra Romeno Jacob Levi Moreno em 1º de Abril de 1921 em Viena. Ele foi o primeiro psiquiatra a realizar psicoterapia de grupo e a romper com os modelos clínicos individuais unicamente realizados em consultório. Sua teoria tornou-se uma abordagem da Psicologia Clínica e Social, apesar de ter sido concebida de forma interdisciplinar entre Psicologia e a Sociologia. Inclusive Moreno denominou-a por Socionomia baseado no sociólogo americano Lester Ward (1941-1915).
Socionomia vem da junção de duas palavras: socius (do latim) que significa companheiro, grupo, e nomos (do grego) que significa regra, lei. Socionomia, portanto, é o estudo das leis que regem as ações sociais e grupais. Esta teoria divide-se em três grandes áreas de estudo: sociodinâmica , que está relacionada ao funcionamento das relações sociais, sociometria tendo a perspectiva de medir as relações por meio de testes sociométricos que as quantificam, e a sociatria cujo foco é a terapêutica das relações sociais, pois baseia-se nos conflitos intra e inter psicossociais. Esta última, que tange ao tratamento grupal e/ou individual, concentra tanto a metodologia de intervenção psicodramática (foco na vida privada dos sujeitos) quanto a sociodramática (foco na vida pública dos sujeitos).
Dependendo do público alvo em questão, ou dos locais onde ocorrerão as sessões socionômicas, alguns fatores precisam ser levados em conta na escolha do método. O local, os objetivos e as características do grupo são fatores determinantes na escolha do método, pois muitas das vezes, a sessão não se configura em uma abordagem psicoterápica de tratamento psicológico. Em situações profissionais, não se indica, apesar de sempre haver exceções, a realização do método psicodramático, mas sim a realização do método sociodramático. Neste, o conflito é um levantamento público das questões do grupo, não havendo necessidade de sigilo entre os membros, pois não se trata de um trabalho focado nas questões pessoais de vida, mas sim em conflitos emergidos das vivências do papel social, por exemplo, no papel profissional de professor. Algumas das vantagens da teoria socionômica e seus métodos são: desvelar fenômenos psicossociais; criar uma realidade suplementar focada na ação dos participantes; intervir no 'aqui e agora', por meio de ações dramáticas, e viabilizar a coexistência, em um mesmo local, de múltiplas linguagens e conhecimentos diversos.
## A investigação de um programa de formação de professores envolvendo sociodrama
A partir das considerações anteriores, sobre a necessidade de uma formação continuada que contemple as demandas coletivas e reconheça as habilidades já existentes dos professores, assim como, elabore novas propostas de ensino, é pertinente uma proposta de realizar uma programa de formação envolvendo o sociodrama. Além disso, o foco deste artigo é a apresentação de uma questão de pesquisa para investigar: no que a socionomia pode ajudar os professores do Ensino Fundamental I no enfrentamento das dificuldades vividas ao implementarem uma didática focada na alfabetização científica?
Para focar a pesquisa no processo de levantamento de dificuldades individuais e coletivas dos professores e na co-construção de soluções pelo próprio grupo envolvido no programa de formação continuada, foi selecionado um grupo de professores que já concluíram um curso sobre Ensino de Ciências pelo viés da Alfabetização Científica, com duração de dois anos e em caráter de pós-graduação (especialização).
Muitas pesquisas sobre a vantagem do ensino com o objetivo na alfabetização científica já foram realizadas, e comprovam a sua eficácia. Foram também encontrados trabalhados focados na investigação das dificuldades enfrentadas pelos professores no Ensino de Ciências. Além disso, foram encontrados resultados que demonstram as vantagens das formações reflexivas, com foco no compartilhar de experiências próprias. Não foram encontrados trabalhos com uma proposta de investigação do papel do sociodrama como instrumento para fomentar a formação continuada de professores sob o viés da alfabetização científica. Cabendo assim justificar esta pesquisa por ser o sociodrama uma possibilidade de desvelar fenômenos grupais e por potencializar os sujeitos ao enfrentamento das dificuldades diárias.
## Bibliografia
ABIB, M.L.V.S; CARVALHO, A.M.P. Formação Continuada de Professores Dificuldades e Elementos Estimuladores na Implementação de uma Proposta Para o Ensino Fundamental. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, VIII., 2002. Anais... São Paulo: Sociedade Brasileira Física, 2002.
ALVES, L.F. Estratégias de direção: modelo protagônico. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICODRAMA, XVI., 2008. Anais...São Paulo: FEBRAP, 2008.
ARAÚJO. R; REZENDE, F. Formação Continuada de Professores de Física em um Ambiente Virtual Construtivista de Aprendizagem: Analise da Progressão do Conhecimento Profissional. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, X., 2006. Anais... Paraná: Sociedade Brasileira Física, 2006.
ASSISA, A;TEIXEIRA, O.P.B.; Contribuições e Dificuldades Relativas à Utilização de um Texto. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, IX., 2004. Anais...Minas Gerais: Sociedade Brasileira Física, 2004.
BARANA, A.C.M.S.; LOPES, D.P.M. Temas de Física no Ensino de Ciências: Formação Continuada a Distância de Professores do Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental Associada à Inclusão Digital. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, XI., 2008. Anais...Curituba: Sociedade Brasileira Física, 2008.
BRASCHER, A.C. Objetivos socioeducacionais das Atividades de Conhecimentos Físicos. Ciência e Educação , São Paulo, v.6, n.2, p. 75-87, 2000.
CAPECCHI, M.C.V.M. Aspectos da Cultura Científica em Atividades de Experimentação nas Aulas de Física. São Paulo, 264 p., 2004. Tese de Doutorado - Universidade de São Paulo.
CAPECCHI, M.C.V.M.; CARVALHO, A.M.P. Argumentação em uma Aula de Conhecimento Físico com Crianças na Faixa de Oito a Dez Anos. Investigações em Ensino de Ciências, São Paulo, v.5, n.2, 171-189, 2000.
CARVALHO, A.M.P.; CAPECCHI, M.C.V.M. Relação entre o discurso do professor e a argumentação dos alunos em uma aula de física . Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências , São Paulo, v.2, n.2, 2002.
CARVALHO, A.M.P.; LOCATELLI, R.J. Uma análise do raciocínio utilizado pelo alunos ao resolverem os problemas propostos nas atividades de conhecimento físico. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, São Paulo, v.7, n.3, 2007.
CARVALHO, A.M.P.; OLIVEIRA, C.M.A. Escrevendo em aula de ciências . Ciência & Educação , São Paulo, v.11, n.3, p. 347-366, 2005.
CARVALHO, A.M.P.; SOUZA, L.S. Ensino de ciências e formação da autonomia moral . In: IX Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física. Minas Gerais: SBF. 2004.
DRIVER, R.; NEWTON, P. Establishing the norms of scientific argumentation in classrooms. In: ESERA Conference, 1997. Rome. Paper... Rome, 1997.
FÉO, M.D.S. Direção Socionômica Multidimensional Agruppaa e a Fé Tácita no Eterno Retorno. In: Revista Brasileira de Psicodrama . Vol 17. No 1. São Paulo: Federação Brasileira de Psicodrama. 2009.
FREITAS, L. C. Responsabilização, meritocracia e privatização: conseguiremos escapar ao neotecnicismo? In: SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO BRASILEIRA: SIMPÓSIO PNE: DIRETRIZES PARA AVALIAÇÃO E REGULAÇÃO DA EDUCAÇÃO NACIONAL, III., 2011. São Paulo: CEDES, 2011.
GALINDO, M.A. VITAL, M.L. Formação Continuada de Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental: o Ensino de Física Como Duplo Desafio. In:
ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, XI., 2008. Anais...Paraná: Sociedade Brasileira Física, 2008.
MARRA, M.M; FLEURY, H.J. (orgs.). Sociodrama: um método, diferentes procedimentos. São Paulo: Ágora, 2010.
MENDES, R.M.B.; MENDES, G.M.F. Dificuldades dos Alunos do Ensino Médio com a Física e os Físicos. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO EM FÍSICA, XVII., 2007. Anais...São Luiz: Sociedade Brasileira Física, 2007.
MELO, L.A.R.; SILVA, M.F.V.; A Superação das Dificuldades dos Professores de Biologia Para Ensinar Física na 8ª Série - um Estudo de Caso. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO EM FÍSICA, XVIII., 2009. Anais...Espirito Santo: Sociedade Brasileira Física, 2009.
PERRENOUD, Ph; THURLER, M.G; MACEDO, L.D., MACHADO, N.J; ALLESSANDRINI, C.D. (2002). As Competências para Ensinar no Século XXI. A Formação dos Professores e o Désafio da Avaliação. Porto Alegre: Artmed Editora.
PINTO, S.P.P.; VIANNA, D.M.V. Formação Continuada de Professores: Analisando uma Prática Pedagógica Após Oficina de Astronomia. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, IX 2004. Anais...Minas Gerais: Sociedade Brasileira Física, 2004.
PUZZO. D.; TREVISAN. R.H.; LATARI, C.J.B.; LIMA, E.J. Dificuldades e qualidades na aula de astronomia no ensino fundamental. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, IX., 2004. Anais...Minas Gerais: Sociedade Brasileira Física, 2004.
RICARDO, E.C.; SILVA, R.C.E.; COSTA, I.F. O Ensino das Ciências no Nível Médio e a Tecnologia: um Estudo de Caso Sobre as Dificuldades e as Concepções dos Professores. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO EM FÍSICA, XVII., 2007. Anais...São Luiz: Sociedade Brasileira Física, 2007.
SANTOS, M.S.; LINHARES, M.P. Análise de uma Experiência de Formação Continuada Prático Reflexiva de Professores de Física. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, VIII., 2002. Anais...Águas de Lindoia: Sociedade Brasileira de Física, 2002.
SASSERON, L.H. Alfabetização Científica no Ensino Fundamental: Estrutura e Indicadores deste processo em sala de aula. São Paulo, 267 p., 2008. Dissertação (Doutorado) - Universidade de São Paulo.
SILVA, E.L.; PACCA, J.L.A. Ensinando e Aprendendo em Grupo - uma Experiência de Formação Continuada. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, XI., 2008. Anais...Paraná: Sociedade Brasileira de Física, 2008.
SOUZA, L.S. Compreensão leitora nas aulas de ciências . São Paulo, 217 p., 2010. Dissertação (Doutorado) - Universidade de São Paulo.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.