CONTROVÉRSIAS NA APRENDIZAGEM E NAS AVALIAÇÕES EM AULAS DE FÍSICA PARA O ENSINO MÉDIO
Erica Miranda Suckow, Joana Paula Tomaczski, André Luiz Bauer, Angela Emilia De Almeida Pinto, Jean Carlos Rodriguez
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 08/11/2012
- Linha de pesquisa
- Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CONTROVÉRSIAS NA APRENDIZAGEM E NAS AVALIAÇÕES EM AULAS DE FÍSICA PARA O ENSINO MÉDIO
## CONTROVERSIES IN LEARNING AND IN ASSESSMENTS IN PHYSICS CLASSES FOR HIGH SCHOOL
Erica Miranda Suckow , Joana Paula Tomaczski , André Luiz Bauer , Angela 1 2 3 Emilia de Almeida Pinto , Jean Carlos Rodriguez 4 5
1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, eri.suckow@hotmail.com 2 Universidade Tecnológica Federal do Paraná, joanapaulatomaczski@hotmail.com 3 Universidade Tecnológica Federal do Paraná, bauer\_fisica@hotmail.com 4 Universidade Tecnológica Federal do Paraná, angelae@utfpr.edu.br 5 Colégio Estadual José Busnardo, jeanrdz\_99@yahoo.it
## Resumo
A pesquisa realizada insere-se no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), do subprojeto de Física da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, financiado pela CAPES. O objetivo deste trabalho é aplicar uma metodologia alternativa de ensino que contemple uma avaliação continuada, que leve em consideração o crescimento e a evolução dos alunos, e pretende conduzir a resultados que possam potencializar e aprimorar a percepção sobre o planejamento das aulas dos professores de Física do ensino médio com relação à avaliação, aprendizagem e motivação de seus alunos. Foi aplicado um experimento para o conteúdo de MRU, e uma coleta de dados inicial foi realizada para traçar o perfil dos alunos. Um questionário foi aplicado, antes da realização da experiência, com o objetivo de investigar as opiniões dos alunos em relação às aulas e às avaliações da disciplina de Física. Após a realização da experiência pelos alunos, estes foram convidados a responder outro questionário, diferente do anterior, relacionadas agora às opiniões dos alunos em relação a validade do experimento de MRU. O professor da disciplina de Física também foi entrevistado, e deu a sua opinião sobre o desenvolvimento dessas atividades, incluindo uma visita dos seus alunos a um espaço não formal de ensino. Os dados desses dois questionários foram analisados, a entrevista do professor foi transcrita e os resultados mostraram que os alunos tem uma forte tendência a associar a Física somente a fórmulas e cálculos, desprovidos de conteúdos, e anseiam pela realização de atividades diferenciadas, com analogias a eventos presentes no seu dia-a-dia, e estão abertos a novas formas de aprendizagem. Embora tenhamos tido resultados muito positivos e que reforçam a discussão realizada, sabemos que ainda há muito que se investigar nessa área.
Palavras-chave: avaliação, aprendizagem, ensino de Física, metodologia
## Abstract
This research fits in the field of Institutional Program of Grants for Introduction to Teaching (PIBID) of Physics subproject developed at the Federal University of Technology, Paraná, supported by CAPES. The objective of this work is
to apply an alternative methodology that includes teaching a continuing evaluation that takes into account the growth and development of students, and aims to lead to results that can enhance and improve the perception of the planning of lessons for teachers of physics school in relation to assessment, learning and motivation of their students. An experiment was applied to the content of MRU, and an initial data collection was carried out to profile the students. A questionnaire was administered prior to the experiment, with the objective to investigate students' opinions regarding lessons and assessments of the discipline of physics. After the experiment by the students, they were asked to answer another questionnaire, different from before, now related to students' opinions regarding the validity of the experiment MRU. The teacher of Physics was also interviewed, and gave his opinion on the development of these activities, including a visit of students to an area non-formal education. The data from these two questionnaires were analyzed, the interview was transcribed teacher and the results showed that students have a strong tendency to associate only the physics formulas and calculations, devoid of content, and longing for the realization of different activities, with analogies present events in their day-to-day, and are open to new ways of learning. Although we had very positive results and reinforce the discussion held, we know that there is much to investigate this area.
Keywords: assessment, learning, physics studies, methodology
## Introdução
Atualmente, pais, alunos e boa parte do corpo docente das escolas, estão mais preocupados com os resultados e bons índices de aprovação em vestibulares do que com a própria aprendizagem dos conteúdos. Então, se a avaliação é colocada apenas como uma função classificatória, a mesma acaba freando o processo de crescimento da autonomia do aluno, e faz com que passe para fins de mera competência e não de função diagnóstica dos conteúdos não assimilados pelos alunos (LUCKESI, 2006).
Assim, é necessário que ocorra uma maior preocupação com o significado 'qualitativo' da nota e não somente o 'quantitativo', bem como citado por Melchior (1994):
'A avaliação necessária é muito mais do que aplicar uma prova, fazer uma observação ou atribuir uma nota . A avaliação necessária é aquela que consegue verificar como o aluno é capaz de movimentar-se num campo de estudos e estimulá-lo, através de uma reflexão conjunta sobre o que ele realizou, a encontrar os caminhos do seu próprio desenvolvimento.' (MELCHIOR, 1994, p.18).
A partir desse contexto, se faz necessário que o processo avaliativo como um todo, permita ao professor realizar diagnósticos sobre a real compreensão de seus alunos sobre os temas estudados. Mas como desenvolver um processo avaliativo que não recaia nas formas tradicionais que tendem a fazer os alunos apenas reproduzirem textos prontos, decorados, mecanizados, assim como afirma Barros Filho e Silva (2002):
'(...) muitos professores de física aplicam provas 'objetivas', que primam pela solicitação de conhecimentos memorizados ou a aplicação mecânica de equações matemáticas para a resolução de exercícios padronizados. Por outro lado, os alunos buscam formas cada vez mais elaboradas para obterem sucesso nesses exames. Surgem as 'colas' e as chantagens
emocionais. Essas práticas avaliativas geram um desgaste emocional muito grande para professores e alunos.' (BARROS FILHO & SILVA, 2002, p. 28).
Dessa forma, a avaliação escolar do desempenho dos estudantes tem sido um dos aspectos mais complexos e controversos das práticas pedagógicas (JORDÃO, 1995). Assim, nos últimos anos várias propostas de ensino baseadas em pressupostos construtivistas têm surgido com o objetivo de conduzirem os alunos a exporem suas ideias e conhecimentos prévios. Mas, embora a elaboração de práticas docentes adequadas tente desafiar essas ideias gerando conflitos cognitivos, fomentando o trabalho em pequenos grupos colaborativos, fazendo os alunos formularem e testarem suas hipóteses, construindo os seus próprios métodos de trabalho, as avaliações ainda apresentam estruturalmente as mesmas características dos cursos tradicionais (Alonso et al., 1992).
Sair da monotonia das aulas, trazer mais curiosidade e motivação, entrelaçando o cotidiano do aluno com a disciplina ministrada é uma tarefa difícil, porém necessária, para facilitar o aprendizado dos alunos, bem como, permitir ao professor realizar o processo de avaliação continuada. Nesse sentido Menegotto e Filho (2008) afirma que:
'Uma aula executada com métodos criativos, com objetivos claros, que despertam a atenção e o interesse, pode facilitar o processo avaliativo e garantir a permanência e o entusiasmo dos estudantes na escola, além de possibilitar e facilitar a emancipação e habilidade de auto - aprender.' (MENEGOTTO & FILHO, 2008, p. 310).
Ainda, segundo o mesmo autor:
'De fato, a avaliação não precisa ser realizada somente por meio de provas e trabalhos, ela pode considerar o crescimento e evolução dos alunos em suas formas de pensar os assuntos relacionados à Física.' (MENEGOTTO & FILHO, 2008, p. 307).
Partindo do exposto, este trabalho tem como objetivo aplicar uma metodologia alternativa de ensino que contemple uma avaliação continuada, que leve em consideração o crescimento e a evolução dos alunos, e pretende conduzir a resultados que possam potencializar e aprimorar a percepção sobre o planejamento das aulas dos professores de Física do ensino médio com relação à avaliação, aprendizagem e motivação de seus alunos.
## Metodologia
Neste trabalho, as observações das aulas do professor foram realizadas no período de fevereiro a abril de 2012. O grupo acompanhou duas aulas semanais, cada qual com 50 minutos de duração, com uma turma de 1º ano de ensino médio. Nesse período, os conteúdos ministrados pelo professor foram Movimento Retilíneo Uniforme (MRU) e o Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV).
A metodologia do professor pode ser classificada como tradicional, mas em muitos momentos o professor contextualizava e trazia exemplos do cotidiano dos alunos para as aulas.
Para essa turma foi aplicado um experimento para o conteúdo de MRU. Este experimento contou com uma avaliação da atividade e uma consequente análise dos dados. Realizou-se um levantamento das dúvidas, angústias e dificuldades dos alunos durante a realização do experimento, e na medida do possível tentamos sanar todas elas.
## Questionários do experimento de MRU
Nessa intervenção realizou-se o levantamento do perfil dos estudantes, através da aplicação de um questionário que permitiu a coleta de dados sobre nome, sexo, idade e tipo de escolas cursadas até o presente momento (pública, particular, mista).
A seguir, aplicou-se o questionário pré-experimento de MRU. Este questionário continha nove questões em escala Likert, relacionadas às opiniões dos alunos em relação às aulas e às avaliações da disciplina de Física. Cada questão do questionário pré-experimento possuía cinco níveis de respostas, a saber: Concordo Plenamente, Concordo, Sem Opinião, Discordo e Discordo Plenamente.
Finalmente, aplicou-se o questionário pós-experimento de MRU. Este questionário continha as nove questões em escala Likert, diferente do anterior, relacionadas agora às opiniões dos alunos em relação a validade do experimento de MRU. Cada questão do questionário pós-experimento possuía também cinco níveis de respostas, a saber: Concordo Plenamente, Concordo, Sem Opinião, Discordo e Discordo Plenamente.
## O experimento de MRU
Esse experimento sobre MRU teve como objetivos medir intervalos de tempo com cronômetro digital, calcular velocidades de movimentos observados e classificar um movimento quanto ao comportamento da sua velocidade.
Os alunos foram divididos em grupos de 5 integrantes, e cada um deles tinha um cronômetro digital. Uma trena foi utilizada para fazer marcações em linha reta no chão, a cada 5 m, até atingir 25 m, obtendo assim 5 deslocamentos. Cada integrante do grupo foi orientado a andar em linha reta e com velocidade constante ao longo desse percurso, e marcar o tempo gasto para percorrer cada deslocamento, totalizando 5 medidas de tempo para cada deslocamento. As médias de tempo para cada deslocamento foram calculadas, e de posse dos valores médios de tempo e dos deslocamentos, foi possível calcular a velocidade média dos estudantes e obter o gráfico da posição em função do tempo.
O professor avaliou os alunos através de um roteiro do experimento que os alunos deveriam preencher com os dados e responder a três questões a respeito do conteúdo presente no experimento, a saber:
- 1. O que se pode concluir a respeito dos valores de velocidade média?
- 2. Que tipo de movimento é este?
- 3. Teve aceleração nesse movimento?
O diferencial neste experimento, é que as dúvidas dos alunos sobre a tomada de dados, o preenchimento do roteiro, a análise dos dados e a conclusão foram sendo sanadas imediatamente, promovendo, quando fosse o caso, discussões sobre os dados obtidos.
Ao final da atividade, aplicamos o questionário pós-experimento, buscando assim perceber se a aplicação desta atividade foi importante para modificar o aprendizado dos alunos.
Após a aplicação das atividades, o professor foi entrevistado e deu sua opinião sobre a realização dessas atividades e se elas de fato contribuíram de alguma forma para a melhora do processo de ensino e aprendizagem.
## Apresentação e Discussão dos Resultados
Este trabalho foi realizado com uma turma do primeiro ano do ensino médio de Física do Colégio Estadual José Busnardo, na periferia de Curitiba. Era uma turma mista com 11 estudantes, sendo composta majoritariamente, 63,6%, por estudantes do sexo feminino (7 indivíduos do sexo feminino) e 36,4% estudantes do sexo masculino (4 indivíduos do sexo masculino), com idades variando entre 14 e 18 anos, com idade média de 15,2 anos. Desses, 81,8% estudaram sempre em escolas públicas (9 alunos) e 18,2% estudaram tanto em escolas públicas quanto particulares (2 alunos).
Na Tabela 1 são apresentados os questionários utilizados para o levantamento dos dados na experiência de MRU.
Na tabela 2 são apresentados os resultados do questionário em escala Likert pré experimento sobre as opiniões dos alunos em relação às aulas e às avaliações da disciplina de Física.
Tabela 2: Resultados do questionário pré experimento de MRU, sobre as opiniões dos alunos em relação às aulas e às avaliações da disciplina de Física.
Através dos resultados da questão 1 da Tabela 2, pode-se verificar que as opiniões dos alunos se dividem nas duas categorias abaixo.
A Física seria melhor sem as contas: a maioria dos alunos (seis) dizem não gostar de Física porque tem muitas contas, em contrapartida, quatro alunos discordam dessa opinião, segundo a questão 3.
Evidente que, seguindo uma tendência do questionário em rejeitar os cálculos na Física, na questão 4 verifica-se que somente dois alunos dizem gostar de Física porque gostam também de matemática, enquanto a grande maioria (oito alunos), dizem não gostar da Física porque também não gostam da matemática. Esta questão foi colocada de propósito para verificar se há uma tendência em aceitar melhor a disciplina de Física aqueles alunos que tem mais facilidade na execução de cálculos e gostam de matemática.
A questão 5 esclarece a discussão realizada acima sobre a questão 4, pois fica evidente que os alunos se dividem quanto a gostar da Física, mas não gostar de fazer contas. A conclusão a que podemos chegar é que de uma forma geral eles até gostam da Física, desde que ela não venha acompanhada das contas.
A questão 7 reforça essa opinião sobre as contas, e seis dos onze alunos acham que as avaliações não deveriam contemplar somente questões que envolvam cálculos, já quatro alunos concordam que este tipo de prova.
Na questão 8 as opiniões se dividem, pois quatro alunos acreditam que a avaliação deveria conter tanto contas como conceitos, e cinco não aprovam essa ideia.
A confirmação final de que os alunos definitivamente não gostam de realizar contas na Física vem com a questão 9, onde sete dos onze alunos preferem uma prova conceitual em detrimento da prova com cálculos.
Preferência pela realização de mais experimentos e de um ensino contextualizado: nesse contexto, percebe-se que os alunos anseiam por aulas mais dinâmicas, com um ensino contextualizado, e que fujam às tradicionais aulas de giz e lousa, como podemos observar pelas respostas dadas à questão 1, onde seis dos onze alunos acreditam que é difícil compreender o conteúdo porque ele não tem ligação com o seu dia-a-dia, dois não tem opinião formada e três discordam.
Aliada à este assunto, temos a questão 6, onde nove dos onze alunos (a grande maioria) prefere aulas com conteúdos contextualizados, ligados a eventos do dia-a-dia, com a realização de mais atividades que não envolvam tantos cálculos (dentro e fora da sala de aula).
Através da questão 2, pode-se verificar que 6 dos onze alunos acreditam que seria mais fácil entender os conceitos da disciplina, se houvesse a realização de
mais experimentos. Dois deles não tem opinião, e três não concordam com a opinião dos demais.
Na tabela 3 são apresentados os resultados do questionário em escala Likert pós experimento sobre as opiniões dos alunos em relação à validade do experimento de MRU.
Tabela 3: Resultados do questionário pós experimento de MRU, sobre as opiniões dos alunos em relação à validade do experimento de MRU.
Basicamente, analisando as respostas dos alunos, a opinião geral deles só vem a reforçar a discussão anterior.
Verificamos, nesse caso, que todas as respostas apontam para a atividade experimental como sendo necessária em aulas de Física.
Nesse sentido, na questão 1, nove dos onze alunos solicitam mais experimentos nas aulas, como o de MRU. Nenhum aluno contesta essa opinião, e dois não tem opinião formada.
Na questão 2, oito alunos acreditam que a experiência contribuiu para a fixação dos conceitos sobre MRU, ninguém contestou essa opinião, enquanto 3 não tem opinião formada sobre o assunto.
Quando o assunto contempla as contas na questão 4, novamente os alunos se dividem, e cinco deles afirmam que gostaram da atividade mas não de fazer a análise dos dados através das contas, sendo que quatro dos alunos discordam dessa opinião, e dois não tem opinião formada.
Nas questões 6 e 8 também vemos opiniões positivas sobre a experiência. Dos onze alunos cinco concordam que a experiência ajudou a compreender os conceitos sobre MRU e eles entendiam o porque das contas e sabiam como fazêlas, somente dois alunos discordam dessa opinião e quatro ficaram indecisos. Ainda, sete alunos concordam que aprenderam mais com essa atividade do que aprenderiam com qualquer outra, um aluno não concorda com essa afirmação e três não tem opinião.
Por outro lado, as questões que tinham caráter negativo a respeito da realização da experiência, tiveram pouca concordância pelos alunos.
Na questão 4, seis alunos não concordam com a afirmação de que não entenderam nada da experiência e nem das contas, três discordam dessa opinião e dois não tem opinião formada.
Nas questões 5, 7 e 8 vemos respostas a favor da realização de experimentos, pois ninguém concorda que não gostou da experiência sobre MRU,
oito discordam dessa afirmação e dois não tem opinião formada. Novamente, ninguém concorda que as aulas de Física são melhores essas atividades, nove alunos discordam dessa afirmação e dois não tem opinião formada. E por último, ninguém concorda que se aprende melhor os conceitos de Física através da realização de atividades mais tradicionais como lista de exercícios, textos para leitura, prova, trabalhos, etc., sete alunos discordam dessa afirmação e quatro não tem opinião formada. Vemos aqui que alguns alunos ainda tem enraizado o conceito das aulas tradicionais, e o fato de quatro alunos não opinarem na questão 8, pode significar o conflito interno existente entre a abertura para o novo e a forma tradicional de ensino e aprendizagem, devido a anos de condicionamento nessa última forma de ensino.
Em uma entrevista realizada para a nossa equipe de avaliação em relação as atividades no colégio onde fizemos nossas observações e realizamos as atividades, o professor comenta o seguinte sobre o PIBID e o desempenho das turmas avaliadas:
'Já tive turmas de 1º ano com bons desempenhos e com maus desempenhos em termos de nota e comprometimento com os estudos, isso é muito relativo, varia de ano para ano e de turma para turma. Mas o que mais me chamou a atenção nos últimos 4 anos de magistério, foi este 1ºB (2012 - Colégio Estadual José Busnardo) pois no início era uma turma apática e indiferente a qualquer estímulo externo, não faziam nada, nem conversar eles faziam.... dava-se a impressão de que as Leis de Newton atuavam mais fortemente sobre eles.... porém depois de algumas intervenções dos grupos do PIBID, hoje é uma turma muito participativa em todas as atividades que se propõem, desde as teóricas até às experimentais... foi de uma melhora inacreditável. '
- O professor comenta também em entrevista que a forma de avaliar os alunos mudou com a presença do PIBID conforme mostra a Tabela 4.
Tabela 4: Composição da avaliação da turma de 1º ano de Física da escola José Busnardo antes e depois da atuação do grupo de avaliação do PIBID.
## Avaliações das turmas após a atuação do PIBID:
Percebe-se que o professor substituiu a lista de exercícios pelo experimento descrito neste trabalho e por outro que nós o ajudamos a elaborar, sobre MRU.
Outro ponto interessante da entrevista é a motivação dos discentes, quando perguntamos ao professor 'Quais eram as ações do professor nas turmas em que lecionou antes e depois da intervenção dos alunos do PIBID?' ele nos disse que:
'Antes dava aulas apenas teóricas, tendo em vista o calendário e os conteúdos a serem cumpridos no ano / ou semestre. Nas turmas em que o PIBID atua junto comigo, fizemos (os alunos do PIBID e eu) alguns
experimentos que julgamos ser úteis na aprendizagem de determinados conteúdos, o que motivou a turma a participar e sempre querer participar mais e mais, pois eles sempre se oferecem até mesmo para serem voluntários nos experimentos. Agora as aulas são mais dinâmicas e os alunos estão gostando mais de Física...'
Assim, percebe-se que atividades não apenas teóricas podem incentivar o aprendizado do educando e que a avaliação continuada fica mais fácil de ser realizada, pois existe maior participação dos alunos nas aulas.
## Considerações Finais
Detectamos uma forte tendência dos alunos associarem a Física somente a fórmulas e contas, em parte devido às aulas do professor que têm forte característica tradicional. Pelas respostas analisadas no questionário pré experimento, fica nítido que os alunos anseiam pela realização de atividades diferenciadas, tais como experimentos, exemplos que façam analogia com eventos presentes no seu dia-a-dia, e estão abertos a novas formas de aprendizagem como, por exemplo, a aprendizagem em espaços não formais de ensino.
Ainda promovemos uma visita dos alunos do 1º ano de Física desse professor ao Parque da Ciência, em Curitiba, e os alunos voltaram diferentes. O próprio professor comenta a mudança positiva no comportamento, atitude e motivação dos alunos após a realização de todas essas atividades, para uma turma antes apática e desmotivada para qualquer estímulo externo.
Com relação à realização do experimento sobre MRU, constatamos que os alunos, em sua grande maioria, gostaram da prática e anseiam por mais atividades como essa. O professor motivado pelos resultados obtidos resolveu adotar a metodologia para as demais turmas, incorporando o resultado dessas nas avaliações bimestrais. Embora tenhamos tido resultados muito positivos e que reforçam a discussão realizada, sabemos que ainda há muito que se investigar nessa área.
## Referências
ALONSO, M., GIL-PEREZ, D., TORREGROSA, J. M. Los exámenes de física por transmisión y en la enseñanza por investigación . Enseñanza de las Ciencias. 10(2): 127-138. 1992.
BARROS FILHO, J.; SILVA, D. Buscando um sistema de avaliação contínua: ensino de Eletrodinâmica no ensino médio . Revista Ciência e Educação, v. 8, nº 1, p. 27-38, 2002.
JORDÃO, M. A. Avaliação no ensino secundário: português no quadro dos novos programas. Avaliar a avaliação. Cadernos Pedagógicos, Número 14. Segunda Edição, p. 57-62, 1995.
LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições . 18ª edição. São Paulo: Cortez, 2006.
MELCHIOR, M. C. Avaliação Pedagógica . Porto Alegre: Mercado Aberto, 1994.
MENEGOTTO, J.C; FILHO,J. B.R. Atitudes de Estudantes do Ensino Médio em Relação à Disciplina de Física . Revista Eletrônica de Enseñanza de lãs Ciencias. Vol.7 nº2, 2008.
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