A EVASÃO NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ.
Amanda Romão De Paiva, Agenor Pina Da Silva, Luciano Fernandes Silva, Mikael Frank Rezende Júnior, Newton Figueiredo
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 06/11/2012
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A EVASÃO NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ UNDERGRADUATE PHYSICS STUDENT ABANDONMENT AT UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÀ
Amanda Romão de Paiva 1 , Agenor Pina , Luciano Fernandes Silva , Mikael 2 3 Frank Rezende Júnior 4 , Newton Figueiredo 5
1
UNIFEI/ICE/DFQ, amanda-romao-paiva@hotmail.com
2
UNIFEI/ICE/DFQ, agenor@unifei.edu.br
3
UNIFEI/ICE/DFQ, mikael@unifei.edu.br
4
UNIFEI/ICE/DFQ, lufesilva@uol.com.br
5
UNIFEI/ICE/DFQ, newton@unifei.edu.br
## Resumo
Os cursos de Física da Universidade Federal de Itajubá, Licenciatura e Bacharelado, foram criados em 2002. Verifica-se que os índices de evasão nesses cursos são elevados, assemelhando-se aos números apresentados por outras instituições de ensino do país. A primeira etapa deste trabalho foi conhecer o perfil dos alunos ingressantes no período de 2002 a 2012. Para esses alunos, preocupamo-nos em saber o sexo, a idade, a cidade de origem e as características de sua procedência escolar. Esses dados foram coletados no sistema acadêmico da universidade. O passo seguinte foi calcular as taxas de evasão dos cursos das turmas de 2002 a 2008. Essa escolha se deve ao fato de que, para esse intervalo, podemos definir os parâmetros da pesquisa: número de alunos formados, número de retidos e número de evadidos (alunos que foram desligados ou que se transferiram de curso). Em nosso caso, verificamos que, no período de 2002 a 2008, aproximadamente 23% dos ingressantes concluíram o curso de Bacharelado e 47% o de Licenciatura. A parte final do trabalho visou identificar as possíveis causas que podem contribuir para essa evasão. Isso foi realizado a partir de um questionário aberto com cinco perguntas que foi aplicado aos alunos das turmas de 2011 e 2012. Os resultados preliminares permitem identificar, entre outras coisas, que: a maioria dos ingressantes deseja cursar outros cursos da instituição, sobretudo os de engenharia; as dificuldades em conciliar trabalho e estudo e cursar as disciplinas dos anos iniciais para ter uma boa base para participar de um novo ENEM e ingressar em outros cursos da universidade estão entre os principais motivos que levam à evasão observada.
Palavras Chaves: Desistência, Evasão; Curso de Física
## Abstract
Universidade Federal de Itajubá offers since 2002 two undergraduate Physics programs: a B.A. for those willing to work as High School teachers and a B.Sc. for those who want to work as researchers. Both programs show a high abandonment rate, which similar to the rates at other Brazilian universities. The initial step in this work was to survey the profile of first year students from 2002 to 2012 regarding gender, age, residence city and school background. These data were
collected at the university academic record database. Next step was to calculate the abandonment rate for those who joined the Physics programs from 2002 to 2008, the range for which we were able to calculate the parameters concerning to this research: number of students who had graduated, who were still enrolled and who had abandoned the program. We have noticed that, for the B.Sc. program, about 23% of the newcomers had graduated, compared to 47% for the B.A. program. The last step of the research was to identify the reasons for the abandonment. To do so, we have prepared a five-question open questionnaire that was answered by newcomers in 2011 e 2012. Our preliminary results allow us to identify that the main reasons for abandonment is that most freshmen actually want to join other undergraduate programs (mainly Engineering), they find it difficult to work and study at the same time and that they are willing to get a strong background in the first two year subjects in order to be able to try to change to another program.
Keywords : Abandonment; Withdrawal; Undergraduate Physics programs.
## Introdução
O alto índice de evasão no ensino superior na maioria dos cursos universitários no país é um problema preocupante que afeta tanto as instituições públicas quanto as particulares. Esse fato torna-se mais preocupante ainda quando passamos a considerar os cursos na área de exatas, em particular os de Licenciatura (FLI) e Bacharelado (FBA) em Física. Em sua grande maioria, principalmente nas universidades públicas, esses cursos apresentam baixo índice de procura nos processos de ingresso e altos índices de reprovação.
As possíveis causas responsáveis pelas altas taxas de evasão nesses cursos são discutidas e analisadas, entre outros, nos trabalhos de Barroso e Falcão (2004), Ataíde, Lima e Alves (2005), Ataíde, Lima e Alves (2006), Pereira e Lima (2007), Gomes e Moura (2008), Portilho et al. (2008), Gomes, Moura e Ferreira (2010) e Joele, Castro e Brito (2011). As mais evidenciadas por esses autores são: questões socioeconômicas; dificuldades em conciliar trabalho e estudo; decepções com o curso; frustração das expectativas com o curso; exigência de dedicação exclusiva ao curso ser incompatível com necessidades profissionais, familiares e pessoais; decepção com a Universidade; as dificuldades de adaptação ao novo ambiente escolar; a falta de estrutura oferecida pela Universidade; e o relacionamento distante entre professor e aluno.
Esses trabalhos também indicam que os cursos FLI e FBA possuem umas das mais altas taxas de evasão entre os cursos superiores do país. Para esses cursos, essas taxas se encontram próximas a 60% (FAZZIO et al ., 2007; BRASIL, 2007; ARRUDA et al ., 2006; PORTILHO et al ., 2008; BARROSO e FALCÃO, 2004). Podem-se destacar ainda o trabalho de Gomes, Moura e Ferreira (2010), que apresenta uma taxa de desistência de 84,4% na turma do primeiro semestre de 2006 e o de Ferreira, Silva e Gomes (2011) que apresenta taxas relativamente menores do que as são encontradas em outros cursos de Física do país: 33% para a turma de 2005 e de 47,5% para a de 2006. Estes resultados, segundo eles, podem ser reflexos da formação interdisciplinar adotada no curso, com ênfase na área ambiental.
Alguns desses trabalhos, como exemplo em Barroso e Falcão (2004), indicam que a desistência é maior nos primeiros períodos, sendo os principais responsáveis por esse resultado a não identificação com o curso e as altas taxas de reprovação em disciplinas como Física e Cálculo.
Assim como em todos os cursos de graduação em Física do país, a evasão nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Física na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) também é bastante elevada. Esses cursos tiveram início em 2002 e são oferecidos apenas no período noturno. O ingresso nestes cursos foi realizado pelo vestibular tradicional até 2009, sendo que a partir de 2010 passou a ser adotado apenas o SISU/MEC 1 . O número de vagas oferecidas varia de acordo com a modalidade: de 2002 a 2009, 20 em cada curso; 2010 e 2011, 20 em FLI e 25 em FBA e em 2012, 20 em FLI e 30 em FBA. Além do bacharelado encontrado na maioria dos cursos de Física, o curso da UNIFEI permite que os estudantes complementem a sua formação optando entre as ênfases de Astrofísica e Materiais. Para obter a habilitação numa das ênfases, o aluno deve cumprir 360 horas em disciplinas específicas das áreas. Os cursos apresentam duração de 8 semestres e período de integralização máximo de 8 anos.
Apesar da constatação de que o fenômeno da evasão é bastante preocupante na UNIFEI, nenhum estudo sistemático no intuito de analisar as possíveis causas que levaram os alunos a abandonarem os cursos dessa instituição havia sido realizado até 2010. A partir dessas considerações, elaboramos esta pesquisa que tem por finalidade descrever: o perfil dos ingressantes; os dados que mostram a evasão; e o estudo que está sendo realizado para diagnosticar as principais causas que poderão levar à evasão. Para finalizar, também é discutida a reforma curricular que foi adotada para o ano de 2012.
## Procedimentos Metodológicos
Os dados apresentados e analisados neste trabalho correspondem ao período de 2002 a 2012 e foram coletadas no sistema acadêmico da universidade.
A primeira etapa do trabalho foi conhecer o perfil dos alunos ingressantes nos cursos FLI e FBA de 2002 a 2012. Para esses alunos, preocupamo-nos em saber o sexo, a idade, a cidade de origem e as características de sua procedência escolar.
- O passo seguinte foi calcular as taxas de evasão dos cursos das turmas de 2002 a 2008. Essa escolha se deve ao fato de que, para esse intervalo, podemos definir os parâmetros utilizados na análise da evasão dos cursos, o que nos permitiu dividir os alunos nas seguintes categorias:
- a) ingressantes (NI): alunos que ingressaram no curso em cada ano, seja via vestibular ou transferência externa ou interna;
- b) retidos (NR): alunos que continuavam matriculados passado o tempo mínimo de integralização (4 anos);.
c) diplomados (ND): alunos que concluíram o curso dentro do prazo máximo de integralização (8 anos);
Essa taxa foi calculada utilizando o modelo usado em Brasil (1997) e Ferreira et al. (2011), sendo, neste caso, a evasão dada por:
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A evasão, nesse caso, é definida como o abandono do curso. Dessa forma, mesmo a transferência interna entre os cursos FLI e FBA, corresponde à evasão. Alunos desligados por insuficiência acadêmica ou por não concluíram o curso no tempo de integralização máximo também representam evasão.
A parte final deste trabalho visou identificar as possíveis causas que podem contribuir para a evasão. Isso foi realizado a partir de um questionário aberto aplicado aos alunos das turmas de 2011 e 2012. Neste questionário foram feitas as seguintes perguntas: Por resolveu fazer o curso de Física (Licenciatura ou Bacharelado)? O que você espera do curso? Você pretende prestar vestibular/ENEM para outro curso? Qual? Você exerce atividade remunerada? Quantas horas por dia você se dedica a esta atividade?
## Perfil dos Alunos
Para começar a diagnosticar as causas da evasão, preocupamo-nos em estudar o perfil dos alunos ingressantes nos cursos de FLI e FBA. A partir da análise dos dados, verificamos que aproximadamente 77% (FLI) e 82% (FBA) são do sexo masculino. Esses resultados são consistentes com os encontrados em Barroso e Falcão (2004), Portilho et al. (2008) e Joele et al. (2011). Outro ponto a ser destacado é que em torno de 80% dos ingressantes encontram-se na faixa de 18 a 24 anos para ambos os cursos. Além disso, percebe-se que não existe uma diferença muito acentuada entre o número de ingressantes provenientes de escolas públicas e particulares: aproximadamente 68% na FLI e 59% no FBA são provenientes de escolas públicas.
Ao analisar a cidade de origem dos estudantes observa-se que o curso de Física na UNIFEI pode ser considerado como um curso regional, isso é, um curso que é procurado por alunos que, em sua maioria, são residentes num raio de até 250 km de Itajubá. Os resultados encontram-se na Figura 1. Nessa figura também estão mostradas as regiões nas quais os alunos foram divididos por origem. Essa situação não foi alterada com o início do processo seletivo através do ENEM/SISU, que ocorreu nos anos de 2011 e 2012.
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Figura 1: Cidade de origem dos ingressantes nos cursos FLI e FBA
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## Evasão
A partir dos dados coletados no sistema acadêmico, foi possível verificar os índices de evasão nesses cursos. No intervalo considerado de 2002 a 2008, aproximadamente 23% dos alunos concluíram o curso de Bacharelado e 45% o de Licenciatura (31 concluíram o Bacharelado e 64 a Licenciatura). As taxas de evasão para essas turmas estão mostradas na Figura 2. Pode-se perceber que as taxas são condizentes com as encontradas em outras instituições. Um ponto que chama a atenção é que a taxa de evasão da FLI é menor do que a do FBA em todos os períodos analisados.
Figura 2: Taxa de evasão nos cursos
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A situação dos alunos ingressantes de 2009 a 2011 é mostrada na Figura 3. Para essas turmas ainda não é possível determinar as taxas de evasão. Entretanto, pode-se perceber que os dados são preocupantes. Para a turma de 2011, somente 8 alunos permaneciam matriculados em FLI no início do segundo período. Esse
quadro também é consistente com o que se observa em outras instituições brasileiras.
Figura 3: Situação dos alunos nos cursos FLI e FBA
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## Possíveis Causas da Evasão
Nesta parte são apresentados os resultados preliminares a respeito do diagnóstico das possíveis causas que motivam os alunos a se desligarem do curso. Os resultados apresentados referem-se apenas às turmas de 2011 e 2012 e estão baseados nas respostas apresentadas às perguntas de um questionário que foi aplicado a 55 alunos no curso de FBA e 40 alunos de FLI. Para cada questão foi permitido que o aluno apresentasse apenas uma resposta.
As dificuldades em conciliar trabalho e estudo são evidenciadas como uma das responsáveis pelo abandono do curso por outros autores. Em nosso caso, 82% (FBA) e 79% (FLI) dos alunos declararam que não exercem qualquer atividade remunerada. A carga horária das atividades declaradas pelos outros alunos corresponde em média a 8 horas diárias. Pode-se constatar que o abandono e a repetência entre os que trabalham foi aproximadamente de 80%.
As respostas à primeira pergunta estão mostradas na Tabela 1. Um ponto que chama atenção é que apenas 3 alunos do curso de Licenciatura em Física declararam que pretendem se tornar 'Professor de Física'. Isso é, de fato, um aspecto muito relevante nas respostas apresentadas pelos estudantes, sobretudo porque esse é o objetivo fundamental do curso. Considerações dessa natureza também foram salientadas nos trabalhos de Joele, Castro e Brito (2011), Fazzio et al . (2007) e Gomes e Moura (2008), entre outros. É relevante indicar que esse aspecto nos auxilia a compreender parte dos índices que apontam o grande déficit de professores de Física para atuar no Ensino Médio. Todavia, é também reconhecido que esse déficit também está relacionado com os baixos salários, a violência que assola várias escolas e a perspectiva de uma profissão que exige muita dedicação.
TABELA 1 - Por que resolveu fazer o curso de Física (Licenciatura ou Bacharelado)?
Outro ponto interessante é a grande quantidade de respostas que mostram interesse em se formar na área (35 em FBA e 19 em FLI). É relevante apontar a discrepância entre o número de alunos que pretende graduar-se na Licenciatura (19) com os que manifestam o desejo de exercerem a profissão de professor no Ensino Médio (apenas 3). Essa expectativa manifestada por ocasião do ingresso no curso também é observada entre os egressos, já que apenas 24% dos licenciados em Física pela UNIFEI atuam no Ensino Médio. Para o curso FBA, 93% dos egressos continuaram seus estudos em nível de pós-graduação em algumas das mais importantes universidades do país.
Uma boa base para progredir profissionalmente e uma formação sólida e abrangente para seguir os estudos em pós-graduação são as principais respostas que encontramos em relação à pergunta que procurava inferir sobre a expectativa que os alunos do FBA e FLI tinham em relação ao curso. Para o curso FLI, também encontramos 3 respostas relacionadas a uma formação sólida que permita se tornar um bom professor de Física. Além dessas, alguns alunos responderam que a expectativa deles era aproveitar as disciplinas para ter uma boa base para participar de um novo ENEM e ingressar em outros cursos da universidade, sobretudo nos das engenharias.
Entrar no curso de Física para posteriormente se transferir para outro curso, na mesma instituição, é uma opção utilizada por vários alunos que não conseguem vaga nos cursos mais concorridos nas universidades públicas. Isso é uma realidade também na UNIFEI. Apesar de 35 alunos (FBA) terem dito que querem se formar na área, apenas 17 informaram que não pretendiam prestar o ENEM para outro curso. Entretanto, 24 alunos responderam que pretendiam fazer outro curso, todos para engenharia. No caso do curso FLI, 16 alunos pretendiam prestar novo processo seletivo para outro curso (14 para engenharia) e 17 informaram que iriam continuar no curso em questão. Os outros alunos não responderam à questão.
Percebemos que a maioria dos ingressantes deseja cursar outros cursos da instituição, sobretudo as engenharias. De fato, esta é uma realidade que conhecemos desde o início do curso de Física em 2002. A partir de 2006, os colegiados de FBA e FLI conseguiram, junto à Pró-Reitoria de Graduação, a proibição de transferências para outros cursos da instituição.
Os dados apresentados nos levam a refletir que os cursos de Física não são atraentes do ponto de vista das possíveis perspectivas profissionais, sobretudo o curso de licenciatura. Entendemos que os estudantes também buscam, além dos desafios acadêmicos, a possibilidade de ter uma profissão reconhecida socialmente e financeiramente. Contudo, esses aspectos fogem, em muito, às possibilidades de a universidade atuar em favor desses cursos, sobretudo porque exige vontade política de todo um país.
## Considerações Finais
Este estudo mostrou um quadro conhecido de todos os envolvidos nos cursos de Física Licenciatura e Física Bacharelado na UNIFEI, que é o alto índice de evasão. Apesar de ser um problema antigo, o tema evasão nos cursos de Física, principalmente nos de licenciaturas, continua inquietando diversos segmentos da sociedade que procuram mecanismos para minimizar os efeitos sociais que geram e que são ocasionados quando um estudante, principalmente aqueles em condições socioeconômicas menos favorecidas, abandona o curso de graduação. Entendemos que não basta apenas procurar identificar as causas responsáveis por esse quadro, deve-se, também, procurar, mecanismos que permitam minimizar esse quadro.
Partes dos resultados dessa pesquisa já estão se revertendo em modificações em nossos cursos de graduação em Física. Durante o ano de 2011 os órgãos colegiados dos dois cursos se reuniram para discutir, entre outros aspectos, os altos índices de evasão da Física. Um dos resultados dessas reuniões foi a modificação da estrutura curricular desses cursos.
A disciplina de Calculo 1, por exemplo, saiu do primeiro período para o segundo e, no lugar dela, foi colocado uma disciplina de matemática básica. Essa decisão foi tomada por conta dos altos índices de evasão e desistência verificada na disciplina de Calculo 1, sobretudo como decorrência da ausência de uma base mais sólida em matemática básica. Essa decisão também foi influenciada pelo fato de muitos estudantes utilizarem esse primeiro período do curso para 'adiantar' disciplinas obrigatórias das engenharias. Ou seja, muitos deles acabam por cursar apenas aquelas disciplinas do primeiro período que são comuns com as engenharias.
No Bacharelado, além das modificações ocorridas com a disciplina Cálculo 1, também foram criadas e inseridas no primeiro período três novas disciplinas voltadas para apresentar e discutir os principais campos de pesquisa em Física existentes na UNIFEI: teoria de campos, astrofísica e física dos materiais. O objetivo da introdução dessas disciplinas é incentivar os alunos, desde o primeiro semestre, a permanecer no curso, sobretudo apresentado aspectos relativos às possibilidades de pesquisas que existem na UNIFEI.
Consideramos que essas modificações na estrutura curricular refletem, de modo mais explícito, alguns dos impactos da pesquisa que estamos realizando no curso sobre o tema evasão. Os próximos passos da reestruturação desses cursos consistem no repensar dos Projetos Políticos Pedagógicos.
## Referências
ARRUDA, S.M. et al . Dados comparativos sobre a evasão em Física, matemática, química e biologia na Universidade Estadual de Londrina: 1996 a 2004. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.23, p.418-438, dez. 2006.
ATAÍDE, J.S.P; LIMA, L.M.; ALVES, E.O. A repetência e o abandono escolar no curso de licenciatura em física: um estudo de caso. Revista Physicae 6 - 2006
BARROSO, M. F; FALCAO, E. B. M. Evasão Universitária: o caso do Instituto de Física da UFRJ . In: IX ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 2004, Jaboticatubas, MG, 2004.
BRASIL. Ministério da educação. Conselho Nacional de Educação. Secretaria de Educação Básica. Escassez de professores no Ensino Médio : Propostas estruturais e emergenciais. Brasília, 2007
FAZZIO, A. et al . Ciência para um Brasil competitivo: o papel da física: estudo encomendado pela CAPES visando maior inclusão da física na vida do país. Brasília: CAPES, 2007.
FERREIRA, L.S; SANTANA, N.S.; GOMES, N.F. Análise da evasão no curso de licenciatura em Física da UFOPA. XIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Foz do Iguaçu, PR, 2011.
GOMES, F.C.F; MOURA, D.H. Investigando as causas da evasão na Licenciatura em Física do CEFET-RN . In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Curitiba, PR, 2008
GOMES, F.C.F; MOURA, D.H.; FERREIRA, J.M.H. O mapa da desistência na Licenciatura em Física do IFRN . In: XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Águas de Lindóia, SP, 2010.
PORTILHO, O. et al ., Relatório à comissão de graduação do instituto de física: um estudo da evasão no curso de graduação em física da UnB. Brasília, 2008.
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