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PERFIL DOS MONITORES DA XIII MOSTRA DE FÍSICA DA UFES: UM ESTUDO A PARTIR DA VISÃO DOS VISITANTES

Ricardo Rodrigo Silva Lopes, Claytor Vieira Da Silva, Giuseppi Camiletti, Laércio Ferracioli

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
06/11/2012
Linha de pesquisa
Formais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PERFIL DOS MONITORES DA XIII MOSTRA DE FÍSICA DA UFES: UM ESTUDO A PARTIR DA VISÃO DOS VISITANTES

## PROFILE OF THE MONITORS OF XIII MOSTRA DE FÍSICA DA UFES: A STUDY FROM THE VISION OF VISITORS

## Ricardo Rodrigo Silva Lopes , Claytor Vieira da Silva , Giuseppi Camiletti³, 1 2 Laércio Ferracioli 4

1 PPGEnFis/UFES/EEEFM Benício Gonçalves/SEDU - ES, prof.ricardo.fisica@gmail.com

2 PPGEnFis/UFES/EEEFM Teófilo Paulino/SEDU - ES, claytor.vieira@gmail.com

³UFES/Departamento de Física/PPGEnFis, giuseppi.ufes@gmail.com

4 UFES/Departamento de Física/PPGEnFis, laercio.ufes@gmail.com

## Resumo

Este artigo apresenta os resultados de uma avaliação realizada com estudantes que visitaram a XIII Mostra de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) em outubro de 2011. O objetivo da avaliação foi investigar a atuação dos monitores, sob o olhar do visitante, em cada um dos ambientes de exposição da XIII Mostra tendo em vista a caracterização do perfil de monitor que o visitante gostaria de encontrar e o feedback para os organizadores da Mostra visando a promoção de melhorias para as futuras edições do evento. Para isso utilizamos uma metodologia de pesquisa Quali-Quantitativa para levantar percepções e entendimentos dos visitantes sobre a natureza geral do comportamento dos monitores das atividades de apresentação de experimentos. Os visitantes responderam as questões após visitarem as salas ambientes da Mostra as quais abordavam as seguintes temáticas: Mecânica , Fluidos, Ondas , Ótica, Eletromagnetismo , Física Moderna , Catapulta Trebuchet e Espelho de Som. Os resultados mostram que o perfil dos monitores em relação aos aspectos de compreensão do que eles apresentavam, da segurança que eles demostravam nos comentários, tempo gasto nas explicações, forma de apresentação dos experimentos e as características que o monitor deve possuir como determinantes para se atingir a forma adequada de mediação entre os experimentos e os visitantes e consequente sucesso de uma mostra científica junto ao público visitante. Mostrou também que atributos relacionados aparência a do monitor não parecem muito relevantes a este processo e os aspectos relacionados à linguagem usada pelos monitores, tais como o uso ou não de gírias, parecem dividir a opinião de uma parcela significativa dos visitantes.

Palavras-chave : Divulgação Científica, Mostra de Física, Espaços não formais de educação, Experimentos de Física.

## Abstract

This paper presents the results of a survey conducted with students who visited the XIII Mostra de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) in October 2011. The objective of the evaluation was to investigate the performance of monitors, under the point of view of the visitor, in each of the exposure environments of XIII Mostra in order to characterize the monitor profile that visitors like to meet and feedback to organizers of the exhibition aimed at promoting improvements for future editions of the event. For this we used a research methodology to raise QualiQuantitative visitor perceptions and understandings about the general nature of the behavior of the monitors the activities of present experiments. The visitors answered questions after visiting the rooms of the exhibition environments which addressed the following topics: Mechanics, Fluids, Waves, Optics, Electromagnetism, Modern Physics, Trebuchet and Catapult Mirror Sound. The results show that the profile of the monitors in relation to aspects of understanding of what they had, they demonstrate security in the comments, time spent in explanations, presentation of the experiments and the characteristics that the monitor must have as critical to achieving the proper way to mediate between the experiments and visitors and subsequent success of a scientific event with the visiting public. It also showed that appearance-related attributes of the monitor does not seem very relevant to this case and the aspects related to the language used by the monitors, such as the use of slang or not, seem to divide opinion in a significant number of visitors.

Keywords : Science Communication, Mostra de Física , Non-Formal Education Spaces, Experiments of Physics.

## 1 - Introdução

A educação não formal pode ser definida como a educação em espaços fora do contexto escolar, tais como museus, mostras científicas, centros de ciências, exposições itinerantes, que podem contribuir para educação formal, escolar. Esses espaços têm um importante fator motivacional e podem, também, instigar a curiosidade do visitante para uma busca do saber científico, visto que como alguns autores sugerem que aprender, ou não, é uma decisão do aluno (CACHAPUZ et. al , 2005).

Como a temática espaços não formais de educação não apresentam referenciais teóricos bem delimitados (NASCIMENTO & REZENDE JUNIOR, 2010), parte dos eventos realizados nestes ambientes ocorrem sem a devida reflexão sobre quais atributos dos monitores o expectador espera encontrar durante a visitação. Portanto, a falta da abordagem desse aspecto pode vir a resultar no despreparo dos monitores e possível insatisfação dos visitantes.

Assim, esse artigo apresenta um estudo a partir da opinião do público visitante a respeito da atuação dos monitores na XIII Mostra de Física e Astronomia , cujo detalhamento pode ser conferido no site (www.cce.ufes.br/mostra), realizada na Universidade Federal do Espírito Santo UFES, de 17 a 21 de outubro de 2011, e que será descrita em mais detalhes na seção 3.

## 2 - Referencial Teórico

Os Espaços não formais de educação se apresentam como espaços físicos com o objetivo de pesquisar, difundir, expor, colecionar e principalmente educar (FERREIRA et all, 2008). Sob essa perspectiva, pode-se entender um evento tal como a Mostra de Física da UFES como um dos espaços não formais de educação temporários. Para Marandino (2002), esses locais funcionam como espaços que oferecem ao visitante educação de forma lúdica. Segundo a autora, esses espaços, tais como museus de ciências, podem ser considerados locais de sedução e provocação onde as diversas interações entre os estudantes e os aparatos presentes nesses tipos de exposições aumentam a curiosidade e estimulam o comportamento investigativo dos visitantes.

A proposta desses espaços não formais de educação é promover a divulgação do conhecimento científico que, via de regra, é restrito a universidades e inacessível ao grande público, buscando promover, de forma adequada e não banalizada, sua integração no cotidiano desse público.

Nesse ambiente de entretenimento e educação surge a figura do mediador ou monitor. O trabalho de mediação e/ou monitoria tem o claro objetivo de contribuir com o desenvolvimento da competência pedagógica e auxiliar os acadêmicos na apreensão e produção do conhecimento (SCHNEIDER, 2006) para sua apresentação e promoção de sua apreensão por parte do público visitante (MARANDINO, 2002). Gaspar (1993) ressalta que o nível de exigência de um visitante em relação a uma explicação depende do nível de conhecimento individual. No entanto, ao estudar um determinado assunto relacionado a um experimento o aluno-monitor acaba aprimorando seus próprios conhecimentos.

É importante que um monitor perceba que, muitas vezes, o público que vai a um museu não procura uma continuação da escola mas, sim, algo que a escola não está oferecendo. O monitor deve desempenhar o papel de um mediador entre a exposição/experimentos e o visitante. Deve ter em mente que o aluno-visitante cria a sua definição em relação a uma demonstração experimental em dois momentos: ao vê-la, pelo que lhe parece ser aquele objeto e em seguida ao ouvir a descrição e objetivos dessa demonstração (GASPAR, 1993). Assim, um monitor deve estar preparado para apresentar seus conhecimentos em diferentes níveis de compreensão e necessidade de cada público.

Embora seja fundamental que o monitor conheça de forma ampla os conceitos científicos de uma determinada mostra, dominar um conteúdo relacionado a um experimento não é sinônimo de uma boa intermediação. Para Soares (2003), uma preocupação pertinente a um monitor é o de emocionar o público no sentido que ele possa despertar a curiosidade para ir além do que está posto, contribuindo para que ele faça conexões com situações cotidianas e tenha prazer nessa descoberta.

Segundo Marandino (2003), para entender a produção museal de saberes é imprescindível que educadores de museus investiguem cada vez mais os elementos que compõem essa cultura, de modo a esclarecer os aspectos a serem considerados no estudo da produção de saberes nesses espaços. Se estas afirmações forem estendidas para os espaços não formais temporários, pode-se considerar que há a necessidade de estudo dos elementos que compõem uma Mostra de Física para que o evento possa obter êxito nas atividades propostas.

## 3 - Concepção do Estudo

Neste contexto, esse estudo investigou a atuação dos monitores, sob o olhar do visitante, em cada um dos ambientes de exposição da XIII Mostra de Física da UFES tendo em vista a caracterização do perfil de monitor que o expectador gostaria de encontrar e o feedback para os organizadores da Mostra visando a promoção de melhorias para as futuras edições do evento.

## Descrição do Evento

A XIII Mostra de Física e Astronomia da UFES é um dos eventos integrantes da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e ocorre no Centro de Ciências Exatas da UFES. Ela tem duração de uma semana e é direcionada principalmente a estudantes e professores do Ensino Médio. Durante a visita, o público pode visualizar e manipular um grande número de experimentos de Física cuja lista pode ser conferida no site do evento. O objetivo principal do evento é despertar a curiosidade do público visitante para a busca do entendimento dos fenômenos físicos subjacentes a estes experimentos. Desde 1997, este evento é organizado por estudantes e professores do Departamento de Física da UFES e com o apoio do Programa Pós-Graduação em Física - PPGFis (www.cce.ufes.br/pgfis) e Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física - PPGEnFis (www.ensinodefisica.ufes.br). Durante o evento, as salas de aulas e áreas externas do prédio do CCE são utilizadas para abrigarem os experimentos a serem visitados e alunos do Curso de Física da UFES atuam como monitores na apresentação dos mesmos. Este esquema de organização permite que os grupos visitem cada sala contendo os experimentos em um tempo aproximado de 20 minutos, pré-determinado pela organização do evento. Das atividades desenvolvidas durante a XIII Mostra de Física, oito atividades foram consideradas neste estudo, a saber: seis salas temáticas: Mecânica , Ondas , Fluidos , Ótica , Eletromagnetismo e Física Moderna; e dois experimentos denominados Catapulta Trebuchet e Espelho de Som realizados na área externa do prédio. Em todas as edições da Mostra, o público visitante tem sido de aproximadamente 2.000 visitantes/evento.

## Logística de Visitação das Atividades

Os professores interessados em visitar o evento foram solicitados a efetuar a inscrição no site da Mostra (ibid.) de modo a receber um login e senha. Em seguida deviam cadastrar sua(s) respectiva(s) escola(s) e estudantes em grupos de no máximo vinte e por último a escolha das visitas às atividades de interesse. O horário de visitação esteve compreendido entre 9:00h e 11:30h e entre 14:00h e 16:30h. Cada escola pôde cadastrar mais de um professor responsável, permitindo que diversos grupos da mesma instituição de ensino pudessem participar da visitação. No momento de chegada à Mostra de Física, os grupos eram recebidos pelo monitor responsável e conduzidos aos ambientes de exposições agendados àquele horário. De 30 em 30 minutos aproximadamente, havia a troca de sala para dar sequência ao cronograma programado através do agendamento on-line do site da Mostra da UFES.

## Amostragem

A amostragem da pesquisa consistiu de visitantes da Mostra, majoritariamente, alunos do Ensino Médio de escolas públicas e/ou privadas dos diversos grupos agendados.

## Estratégia de Coleta de Dados

Durante as visitações em cada um dos oito ambientes da Mostra, os visitantes foram convidados a preencher um questionário visando a coleta de dados para a avaliação da atuação dos monitores do respectivo ambiente. O questionário foi divido em duas partes: Na primeira, havia cinco questões de múltipla escolha que foram usadas para avaliar o desempenho dos monitores em diversos aspectos daqueles ambientes de exposição. Na segunda, havia uma pergunta solicitando a indicação de quais as características os monitores da Mostra deveriam possuir. Os resultados são apresentados na próxima seção.

## 4 - Análise dos Dados & Discussão

Os questionários respondidos foram separados por sala ambiente e os dados obtidos a partir das cinco primeiras questões estão mostrados no Quadro 01. É importante ressaltar que, como os questionários eram respondidos após a visita a uma determinada sala ambiente, o número de questionários respondidos variou de um ambiente para outro, como pode ser verificado na Tabela 01. As respostas da Questão 06 estão mostradas no Gráfico 01.

Através da análise do Quadro 01, pode-se notar que em relação à Questão 01 , a maioria do público entrevistado considerou de fácil entendimento a fala dos monitores. Por outro lado, nas salas de Mecânica, Eletromagnetismo e Física Moderna, uma parcela considerável de visitantes assinalou a opção mais ou menos . Portanto, há a possibilidade de que nesses ambientes o monitor não tenha utilizado a linguagem e/ou o grau de aprofundamento teórico adequado para aquele grupo de alunos. Apenas na sala de Física Moderna, os percentuais de respostas se mostraram bem diferentes, o que pode ser um indicativo de falhas no processo de mediação nesta sala ambiente. O Espelho de Som permite a comunicação entre duas pessoas a uma distância aproximada de 200 metros enquanto que e a Catapulta Trebuchet permite o lançamento de um pequeno objeto a uma distância aproximada de 50 metros. Assim, acreditamos que eles podem causar grande surpresa aos visitantes e essa pode ser a justificativa para os resultados altamente positivos encontrados para estes dois experimentos.

Com relação às respostas da Questão 02 , pode-se notar proporções semelhantes aos percentuais encontrados na Questão 01 . Assim, a questão da segurança demonstrada pelos monitores sobre o que dizem parece estar diretamente relacionada ao sucesso no processo de mediação com o público.

Os resultados da Questão 03 mostram que, no geral, houve uma boa avaliação sobre o tempo gasto em cada visita. No entanto, para as salas de Ótica e Física Moderna o maior percentual de respostas foi razoável . Isso é um indicativo de que os visitantes, de modo geral, podem ter ficado insatisfeitos com o tempo utilizado pelos monitores nos experimentos dessas duas salas.

Quadro 01 : Resultados das cinco questões do questionário aplicado aos visitantes dos oito ambientes da XIII Mostra de Física da UFESTabela 01 : Número total de respostas da cinco questões do Quadro 01 dadas pelos visitantes nos oito ambientes da XIII Mostra de Física da UFES.

A Questão 04 foi relacionada à forma de apresentação dos experimentos e, de modo geral, os resultados indicam que a atuação dos monitores prendeu a atenção da maioria dos expectadores. Por outro lado, nas salas de Mecânica , Ótica , Eletromagnetismo , Ondas e Física Moderna , o número de respostas para a opção

perguntassem pouco superou a da opção perguntassem muito . Este resultado sugere que a atuação dos monitores nesses ambientes pode ter desmotivado as iniciativas de questionamentos pelos expectadores. E ainda, na sala de Física Moderna , uma parcela considerável dos visitantes escolheu a opção achassem chato . Esse resultado pode estar relacionado ao longo tempo gasto na apresentação, que foi discutido na Questão 03, o que possivelmente tornou a apresentação enfadonha. Por outro lado, o tempo gasto nas apresentações não pode ser atribuído como causa principal ou exclusiva pelo insucesso dos monitores dessa sala de exposição, tendo em vista a existência de outros fatores que podem gerar insatisfação nos alunos e que não foram investigados neste trabalho.

A Questão 05 aborda de maneira direta a preferência do aluno, já que pergunta francamente se os monitores em suas salas correspondentes são legais ou se são chatos. É possível notar que, de modo geral, a maioria dos monitores da XIII Mostra de Física da UFES foram considerados legais, na visão dos expectadores. Entretanto, mais uma vez a sala de Física Moderna apresentou resultados discrepantes das demais atividades.

De modo geral, os resultados das Questões 01 a 05 podem ser um indicativo de que os monitores exerceram seu papel de mediador entre os experimentos e o público visitante de modo satisfatório na maioria das atividades. No entanto, em algumas atividades específicas, os resultados parecem indicar também que houveram falhas no processo de mediação relacionadas à segurança com o conteúdo apresentado, ao tempo gasto na apresentação e a empatia dos apresentadores com o público. Portanto, esses resultados relativos ao comportamento dos monitores, se constituem de importantes informações para os mediadores e organizadores da próxima edição do evento para a melhoria da qualidade do trabalho desenvolvido durante a Mostra de Física.

Os resultados para a Questão 06 estão apresentados no Gráfico 01, onde foi solicitado aos visitantes que escolhessem as características que o monitor deveria possuir durante a apresentação dos experimentos . No eixo horizontal do gráfico pode-se visualizar as opções que os visitantes podiam assinalar, podendo , escolher quantas opções julgasse pertinentes. A altura das barras reflete a frequência das respostas encontradas.

Ao todo 148 pessoas responderam essa questão. Dentre as características que os monitores devem possuir, de acordo com visitantes questionados, as de maior frequência foram: 80,4% acham que os monitores devem ser engraçados ; 77,0% consideram importante que os monitores saibam do que estão falando ; 58,8% acham que eles devem ter voz audível ; 57,4% indicam que os mediadores devem permitir todas as perguntas que surgirem; 50% afirmam que eles devem ter capacidade de improvisação ; 45,9% dos entrevistados assinalaram que eles devem falar pausadamente .

A grande frequência destas características citadas é um indicativo das qualidades desejadas pelos visitantes aos mediadores de modo a proporcionarem uma boa apresentação dos experimentos. O fato de aparecerem várias características com alta frequência, parece indicar também que o monitor deve possuir, pelo menos algumas delas, para uma boa mediação entre o experimento e o visitante. Um monitor que apenas seja engraçado, ou que saiba do que está falando ou que fale alto, provavelmente não será visto como um bom mediador pelo público visitante.

Gráfico 01 : Opiniões de 148 visitantes relativas às características consideradas mais importantes nos monitores.

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Em contrapartida, os atributos relacionados a aparência do monitor, tais como ter a barba feita, ter o cabelo cortado, ser bonito, parecem não ser muito relevantes para uma boa mediação. Outros aspectos relacionados à linguagem, usada pelos monitores, tais como o uso ou não de gírias parecem dividir a opinião de uma parcela significativa dos visitantes.

Estes resultados da Questão 06 , poderão ser utilizados pelos organizadores da próxima edição da Mostra de Física da UFES no corrente ano, como um indicativo dos comportamentos que um monitor deve apresentar para promover uma boa mediação com o público durante a apresentação dos experimentos.

## 5 - Conclusão

Esse artigo relatou a avaliação realizada pelos visitantes da Mostra de Física, majoritariamente, alunos do Ensino Médio de escolas públicas e privadas dos diversos grupos agendados, cujo enfoque foi no perfil e na atuação dos monitores durante a apresentação dos experimentos. Os resultados mostraram que o comportamento dos monitores da Mostra de Física da UFES, em 2011, apesar da natural e contínua demanda por reajustes e acertos, foi adequado segundo a ótica das amostras que responderam as Questões de 1 a 5 (ver tabela 01) e da amostra de 148 estudantes que responderam a Questão 6 (ver Gráfico 01).

A proposta do planejamento e implantação de um contínuo processo avaliativo de uma iniciativa de divulgação científica, tal como a Mostra de Física da UFES, tem seu embasamento na literatura que aponta o perfil dos monitores com relação aos aspectos de compreensão do que eles dizem, da segurança que eles demostram nos comentários, tempo gasto nas explicações, forma de apresentação dos experimentos e as características que o monitor deve possuir como determinantes para se atingir a forma adequada de mediação entre os experimentos

e os visitantes (MARANDINO, 2003). Os resultados amplamente positivos nesses aspectos aqui apresentados corroboram essas diretrizes da literatura.

Dessa forma, no contexto de espaços não formais de educação, tal como a Mostra de Física da UFES, um amplo e contínuo processo avaliativo diagnostica pontos frágeis e passíveis de melhor organização e direciona o processo de reestruturação para se atingir adequadamente os objetivos da divulgação científica. Sejam esses objetivos relacionados à promoção de um maior interesse pelo conhecimento científico ou à busca de conhecimento ligado ao cotidiano do visitante.

Assim, nessa perspectiva da divulgação científica cuidadosamente organizada para promover cidadãos esclarecidos, independentes, inovadores e capazes de compreender o mundo que o cerca, e devidamente articulada a um contínuo processo avaliativo visando assegurar os objetivos das atividades de divulgação pode contribuir para a construção de terceira cultura com o foco no público publicentrismo - (FERRACIOLI, 2010) e na avaliação de suas atividades.

## 6 - Referências

CACHAPUZ, A. et al. A Necessária Renovação no Ensino Ciências . São Paulo: Moderna, 2005.

COLOMBO JUNIOR, P. D.; AROCA, S. C. &amp; SILVA, C. C. Educação em centros de ciências: visitas escolares ao observatório astronômico do CDCC/USP. Investigações em Ensino de Ciências , vol 14(1), pp. 25-36, 2009.

FERRACIOLI, L. Albert Einstein: Ciência, Cultura e Arte . In KNOBEL, M. &amp; SCHULZ, P. Einstein: Muito Além da Relatividade. São Paulo: Instituto Sangari. 2010. Cap. 1, p. 19-33.

FERREIRA, T.; BONFÁ, M.; LIBRELON, R.; JACOBUCCI, D.; MARTINS, S.: Formação de monitores do museu de ciências da DICA: Preparo além da prática. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2008, Curitiba. Disponível em: http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=epef&amp;cod=\_formacaodemonitor esdomus. Acesso em: 18 de novembro 2011.

GASPAR, A.: Museus e Centros de Ciências - conceituação e proposta de um referencial teórico. 1993. Tese (Doutorado em Didática) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993.

MARANDINO, M.: Biologia nos Museus de Ciências: a questão dos textos em bioexposições. Ciência &amp; Educação , Bauru, v. 8, n. 2, p. 187-202, 2002.

MARANDINO, M.: Enfoques de Educação e Comunicação nas Bioexposições de Museus de Ciências. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , Bauru, v. 3, n. 1, p. 103-109, 2003.

NASCIMENTO, T. G. &amp; REZENDE JUNIOR. A produção sobre divulgação científica na área de educação em ciências: referencias teóricos e principais temáticas. Investigações em Ensino de Ciências , vol 15(1), p. 97-120, março 2010.

SCHNEIDER, M. S.: Monitoria: instrumento para trabalhar com a diversidade de conhecimento em sala de aula. Revista Eletrônica Espaço Acadêmico , v. 65, p. 01, 2006.

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