MITOS, ANEDOTAS E O CONHECIMENTO EM HISTÓRIA DA FÍSICA
Jennifer Mariane Galdino De Queiroga, Everton Lopes Batista, Priscila Taciane De Souza, Angela Emília De Almeida Pinto, Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 06/11/2012
- Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## MITOS, ANEDOTAS E O CONHECIMENTO EM HISTÓRIA DA F"SICA' MYTHS, ANECDOTES AND THE KNOWLEDGE IN THE HISTORY OF PHYSICS
## Jennifer Mariane Galdino de Queiroga 1, Everton Lopes Batista , Priscila 2 Taciane de Souza , Angela Emília de Almeida Pinto , Paula Mitsuyo Yamasaki 3 4 Sakaguti 5
- 1 UTFPR/Departamento AcadŒmico de Física/bolsista do PIBID, jennifer.queiroga@gmail.com
- 2 UTFPR/Departamento AcadŒmico de Física/bolsista do PIBID, evertonlopesbatista@gmail.com
- 3 UTFPR/Departamento AcadŒmico de Física/bolsista do PIBID, priscila\_tsouza@yahoo.com.br
- 4 UTFPR/Departamento AcadŒmico de Física/coordenadora do PIBID, angela.emilia@gmail.com
- 5 Instituto de Educaçªo do ParanÆ Prof. Erasmo Pilotto/Grupo de Recursos de Altas Habilidades/Superdotaçªo, paulasakaguti@uol.com.br
## Resumo
Este trabalho Ø o relato das atividades desenvolvidas em forma de oficina realizadas por acadŒmicos do curso de licenciatura em física, dentro da interaçªo com o Programa Institucional de Iniciaçªo à DocŒncia (PIBID), da Universidade Tecnológica federal do ParanÆ (UTFPR). A oficina com temÆtica em História da Física, mais especificamente mecânica, foi ministrada aos estudantes do grupo de altas habilidades do Instituto de Educaçªo do ParanÆ Professor Erasmo Piloto (IEPPEP), escola da regiªo central de Curitiba - ParanÆ, em um primeiro momento, após pouca adesªo, a oficina tambØm foi oferecida às turmas do ensino mØdio regular. Composta por cinco atividades, com temas como astronomia e seus precursores, discussıes sobre obra e vida de nomes mais conhecidos como: Galileu Galilei e Isaac Newton, em uma ordem cronológica. Os estudantes responderam um questionÆrio de conhecimentos prØvios, atravØs do qual Ø possível perceber certa insegurança com relaçªo aos temas da história da física sobre os quais foram questionados. Ao final das atividades, ainda coletamos os relatos dos participantes. O relato dos estudantes participantes nos indica que o ensino de física pode se tornar muito mais interessante e desafiante quando utilizamos elementos da história da ciŒncia. Quando Ø mostrado aos estudantes como se constrói uma ciŒncia, eles tambØm podem passar a vŒ-la de forma integrada com a história humana, desta forma a física nªo representa mais apenas um conteœdo a ser ensinado e aprendido, mas compreendido dentro de um contexto mais amplo. É importante ressaltar que as consequŒncias dos avanços da física podem ser mais facilmente identificadas pelo estudante se o professor apresenta este grande quadro da ciŒncia.
Palavras-chave : Ensino de Física, História da CiŒncia, PIBID
## Abstract
This work is a report of activities in the form of workshops conducted by graduate students of physics, in the interaction with the Institutional Program for New Teachers (PIBID), in the Federal University of Technology of ParanÆ (UTFPR). The workshop themed on the History of Physics, specifically mechanics, was given to students of high ability group of the Institute of Education of ParanÆ Erasmo Piloto
(IEPPEP), school in the central region of Curitiba -ParanÆ, at first, after noncompliance, the workshop was also offered to regular high school classes. Consisting of five activities, with topics such as astronomy and its precursors, discussions about work and life of the best known names as Galileo Galilei and Isaac Newton, in a chronological order. The students also answered a questionnaire on prior knowledge, through which you can see some uncertainty with respect to the history of physics topics on which they were questioned. At the end of the activities also collect the accounts of participants. The report of the students indicates that the teaching of physics can be much more interesting and challenging when using elements of the history of science. When students are shown how is build a science, they can also go to see it integrated with human history, so the physics is not only more content to be taught and learned, but understood within a broader context wide. Importantly, the consequences of advances in physics can be more easily identified by the student if the teacher presents this big picture of science.
Keywords
: Physics Teaching, History of Science, PIBID
## Introduçªo
A ciŒncia nªo Ø isolada dos processos históricos e nem do contexto social em que Ø desenvolvida, pelo contrÆrio, ela interage com os elementos sociais, culturais, políticos e históricos. Infelizmente, grande parte dos currículos escolares e prÆticas docentes no ensino de Física nªo incluem história da ciŒncia em seu programa. PorØm, um ensino que nªo leva em consideraçªo os processos históricos pode nªo contribuir para que o estudante desenvolva uma visªo crítica e bem fundamentada, pois dificulta a percepçªo da ciŒncia (MARTINS, 2005; ZANETIC, 2005).
De acordo com os PCN, Ø necessÆrio que o Ensino de Física:
'(...) contribua para a formaçªo de uma cultura científica efetiva, que permita ao indivíduo a interpretaçªo dos fatos, fenômenos e processos naturais, situando e dimensionando a interaçªo do ser humano com a natureza como parte da própria natureza em transformaçªo' (Brasil, 2002, p.229).
O Ensino de Física deve, portanto, considerar a sua história, pois alØm de equipar o estudante com ferramentas prÆticas o ajuda a entender como Ø a construçªo da ciŒncia. Segundo Mozena (2009, pg. 231), os conteœdos de Física quando apresentados isolados de sua história e filosofia, podem sofrer simplificaçıes que ocultam significados profundos de seus conceitos.
Torna-se assim necessÆrio apresentar aos estudantes de forma dialógica que 'a Física, como todas as ciŒncias, desenvolve-se gradualmente ao longo do tempo, passando por crises, avanços e retrocessos, fracassos e sucessos.' (MARTINS, 2005). A visªo de ciŒncia pronta e acabada que Ø frequentemente encontrada na Física escolar precisa ser revisitada e reformulada.
O uso da história da ciŒncia no processo de ensino-aprendizagem da Física torna o estudo mais atrativo ao descaracterizar a visªo de ciŒncia como o produto de ' insights' geniais. Sabemos que a inclusªo da história da ciŒncia nªo irÆ solucionar todos os problemas do ensino de Física, mas irÆ complementÆ-lo, tornando as aulas mais intrigantes, participativas e colaborativas (MATTHEWS, 1995). Quando explicitamos a ciŒncia como produçªo humana, ou seja, passível de erros,
mostramos que o esforço e a dedicaçªo sªo os principais componentes para o Œxito do trabalho dos cientistas. O estudo dos episódios históricos contribui para a formaçªo de uma visªo mais ampla das relaçıes entre ciŒncia, tecnologia e sociedade (MARTINS, 2006).
Tendo como base as discussıes realizadas acima, este trabalho tem como objetivos inserir a história da ciŒncia no processo de ensino-aprendizagem em aulas de Física do ensino mØdio, e a partir da exposiçªo de fatos da história da Física procurar evidenciar o carÆter humano e colaborativo desta ciŒncia, abordando de maneira concisa a história da Física, discutindo as falhas e mitos pertinentes na realizaçªo do trabalho científico.
Algumas questıes serviram para nortear nossos estudos. A primeira questªo a ser levantada Ø se a abordagem histórico-filosófica em aulas de Física para o ensino mØdio promove o entendimento, pelos estudantes, de que essa Ø uma ciŒncia com limites e possibilidades. A segunda questªo conduz a uma discussªo sobre quais obstÆculos precisam ser ultrapassados para que as aulas de Física tornem-se espaços efetivos de reflexªo do conhecimento científico.
Nossa hipótese Ø de que os resultados obtidos neste trabalho possam contribuir em parte na resposta a essas questıes, mas que, acima de tudo, possa dar direçıes sobre a controversa relaçªo entre a necessidade de se trabalhar uma abordagem histórico-filosófica em aulas de Física e a resistŒncia oferecida por professores da educaçªo bÆsica.
## Metodologia
Em nosso trabalho no PIBID de Física fomos convidados por uma escola estadual situada no centro de Curitiba, para ministrar uma Oficina para um grupo de estudantes com altas habilidades/superdotaçªo. Essa escola da rede pœblica estadual do ParanÆ, alØm das turmas regulares do ensino mØdio, tem como proposta pedagógica o enriquecimento extracurricular atravØs da oferta de Oficinas diversas, abertas a estudantes de toda a rede estadual, identificados como superdotados (BLOG IEPPEP; RENZULLI, 2004).
Assim foi planejada e ofertada uma Oficina para os estudantes do grupo de altas habilidades do Instituto de Educaçªo do ParanÆ Professor Erasmo Piloto (IEPPEP) com o tema História da Física, com uma carga horÆria total de 5 horas (foi planejada a aplicaçªo de cinco atividades, uma por semana com duraçªo de uma hora cada). A Oficina recebeu o nome de 'Sobre Ombros de Gigantes' em uma referŒncia a frase atribuída a Isaac Newton.
- O programa era composto por cinco atividades: i) Introduçªo à Oficina; ii) CopØrnico, Kepler e uma introduçªo à astronomia; iii) PlanetÆrio: construçªo de um sistema solar; iv) Galileu Galilei e finalmente v) Isaac Newton. Nestas atividades tambØm foram apresentados vídeos, textos e aplicativos relacionados aos assuntos.
Tendo a Oficina, a princípio, pouca adesªo (apenas dois estudantes do grupo de altas habilidades se inscreveram inicialmente), o convite foi estendido aos demais estudantes do ensino mØdio da escola. Estes estudantes passaram a acompanhar a
Oficina, no contra turno das aulas, a partir da terceira atividade, e finalizamos as atividades com seis estudantes.
## O desenvolvimento da Oficina
Antes do início dos trabalhos foi traçado o perfil dos estudantes atravØs da aplicaçªo de um questionÆrio contendo informaçıes sobre sexo, idade e tipo de escola cursada durante todo o ensino fundamental (pœblica, particular ou mista).
Na avaliaçªo das concepçıes prØvias dos estudantes sobre o conhecimento de temas, fatos e curiosidades da História da Física, abordados em cada uma das atividades da Oficina, foi elaborado um questionÆrio em escala Likert organizado em onze questıes separadas por grupos de conhecimento, onde cada questªo continha cinco níveis de resposta, sendo 5 (Concordo Plenamente), 4 (Concordo), 3 (Sem Opiniªo), 2 (Discordo) e 1 (Discordo Plenamente). No questionÆrio impresso preenchido pelos participantes da Oficina as questıes estavam dispostas aleatoriamente.
Aplicamos tambØm um questionÆrio com questıes abertas após o tØrmino de cada atividade, onde o estudante fazia sua avaliaçªo pessoal sobre o que foi desenvolvido.
No primeiro encontro foram aplicados os questionÆrios de perfil e de concepçıes prØvias. Em seguida foi apresentada uma breve introduçªo à oficina atravØs de um vídeo; os estudantes se apresentaram bastante curiosos em relaçªo ao tema, demonstrando interesse e disposiçªo em aprender e interagir com o grupo no decorrer da oficina.
A segunda atividade se baseava em uma introduçªo à Astronomia relatando sua história e principais precursores. Neste dia, o foco esteve sobre Kepler e CopØrnico, suas biografias e contexto histórico no qual estavam inseridos enquanto realizavam seus estudos. Os estudantes demonstraram surpresa ao tomarem conhecimento de alguns aspectos da história destes cientistas. Com a ajuda do aplicativo Stellarium alguns conceitos bÆsicos de astronomia foram ensinados nesta atividade.
A construçªo do planetÆrio ocorreu no terceiro dia de oficina utilizando um móbile montado com esferas de isopor e massa de modelar representando o sistema solar. Com as informaçıes fornecidas aos estudantes a respeito das características dos planetas, eles utilizavam as massas para modelar de diversas cores para compor a representaçªo dos mesmos, bem como escolhiam a esfera de isopor que possuía o tamanho adequado para o planeta.
A quarta e a quinta atividades foram biogrÆficas referindo-se a Galileu e Newton. Utilizamos vídeos, trechos de textos históricos e exposiçªo dialogada nestes encontros. Ao final da atividade discutiu-se a influŒncia do meio e do contexto na produçªo de um cientista, mas especificamente neste caso, nas produçıes científicas de Newton e Galileu.
A problematizaçªo inicial foi um recurso utilizado em todas essas atividades e os estudantes foram questionados com frequŒncia com relaçªo às suas concepçıes. Grande parte das respostas baseava-se na imagem midiÆtica e escolar (professores e livros didÆticos) sobre a genialidade dos filósofos naturais e a forma como a ciŒncia Ø construída.
## Apresentaçªo e AnÆlise dos Resultados
A Oficina foi realizada no contra turno das aulas dos estudantes e foi aberta, ou seja, só participava da Oficina os alunos que realmente se interessassem pelo assunto. Isto porque as atividades realizadas pelo grupo de altas habilidades da instituiçªo acontecem em uma sala de recursos da escola. Por este motivo, o estudo em questªo contou com um grupo reduzido de participantes, composto, nas duas primeiras atividades por dois estudantes com superdotaçªo, oriundos de escola pœblica, e a partir da terceira atividade com mais quatro estudantes do ensino regular do colØgio, sendo todos do primeiro ano do ensino mØdio, com idades variando entre 14 e 16 anos. Desses, 86,3% eram majoritariamente do sexo feminino (5 indivíduos do sexo feminino) e apenas 13,7% era do sexo masculino (1 indivíduo do sexo masculino).
Em nosso primeiro dia de atividades, os participantes da Oficina responderam um questionÆrio com onze questıes, cujo objetivo era reconhecer as concepçıes dos estudantes com relaçªo a fatos da história da física que nªo sªo amplamente divulgados ao pœblico em geral. Reproduzimos na Tabela 1 as questıes que constituíram o questionÆrio em escala Likert respondido pelos estudantes.
Tabela 1: QuestionÆrio de concepçıes prØvias dos estudantes
Questªo 1: A seguinte frase: "Se vi mais longe foi por estar de pØ sobre ombros de gigantes" Ø atribuída ao filosofo natural inglŒs Isaac Newton (1643 - 1727) e reflete o carÆter colaborativo da ciŒncia.
Questªo 2: A ciŒncia como qualquer outra empreitada humana estÆ sujeita a erros e falhas.
Questªo 3: De acordo com fontes bibliogrÆficas Aristarco de Samos (310 - 230) propôs que a terra gira em torno do sol hÆ mais de 2000 anos.
Questªo 4: Nicolau CopØrnico (1473 - 1543), a partir dos estudos sobre o modelo de Aristarco de Samos, propôs o modelo chamado 'heliocŒntrico'.
Questªo 5: O astrônomo dinamarquŒs Tycho Brahe (1546 - 1601) realizou medidas astronômicas precisas por um período de 20 anos e forneceu a base do modelo estrutural aceito atualmente para o sistema solar.
Questªo 6: O astrônomo alemªo Johannes Kepler (1571 - 1630), que foi assistente de Tycho Brahe, adquiriu os dados astronômicos de Brahe e gastou cerca de 16 anos tentando deduzir um modelo matemÆtico para o movimento dos planetas.
Questªo 7: A afirmaçªo de que todos os corpos, quando soltos, caem em direçªo à Terra com uma aceleraçªo aproximadamente constante foi primeiramente feita por Galileu Galilei (1564 - 1642).
Questªo 8: Galileu Galilei foi condenado pela igreja católica por defender o modelo heliocŒntrico.
Questªo 9: As realizaçıes de Galileu Galilei na mecânica prepararam o caminho para Isaac Newton no desenvolvimento de suas leis do movimento.
Questªo 10: A lei da gravitaçªo universal de Isaac Newton, juntamente com suas leis do movimento, fornece a base para uma representaçªo matemÆtica completa do movimento dos planetas e satØlites.
Questªo 11: AlØm de física, matemÆtica, filosofia e astronomia, Isaac Newton estudou tambØm alquimia, astrologia, cabala, magia e teologia, e era um grande conhecedor da Bíblia.
Os resultados obtidos nos dois questionÆrios (prØ e pós-atividades) podem ser observados na Tabela 2. Por possuir poucos dados foram calculados apenas a mØdia e o desvio padrªo para cada questªo.
Tabela 2: Resultados da aplicaçªo do questionÆrio de concepçıes prØvias.
O que prevalece nas respostas destes estudantes Ø a falta de opiniªo com relaçªo à maioria das questıes. Embora todas estas afirmaçıes sejam verdadeiras, os estudantes discordam de algumas delas, e desconhecem alguns fatos importantes na construçªo da Física. Isto estÆ exemplificado na quarta e na sØtima questıes, que tratam respectivamente do sistema heliocŒntrico e da queda de corpos, assuntos que sªo essenciais para primeiro ano do ensino mØdio.
No entanto, durante a realizaçªo das atividades, percebemos que eles possuíam dœvidas sobre os temas das questıes e, suas respostas tenderam ao 'sem opiniªo' devido à insegurança.
Como controle do andamento das atividades foi entregue aos estudantes uma ficha. O intuito desta ficha era acompanhar a compreensªo que os estudantes estavam desenvolvendo a respeito dos temas trabalhados. A ficha nos dava o feedback com relaçªo a desmistificaçªo de suas concepçıes. Ao final de cada atividade fizemos a seguinte pergunta aos estudantes: o que vocŒ aprendeu com esta atividade?
Abaixo, seguem algumas das repostas dos estudantes selecionadas em cada atividade.
## Atividade 1: Exposiçªo sobre a Oficina
Podemos apresentar as seguintes opiniıes dos estudantes quando indagados o que aprenderam com essa atividade:
'Foi muito boa a explicaçªo da introduçªo e saber o porque foi estudado a Astronomia. Na questªo do PlanetÆrio, acho que poderiam explicar melhor o porque foi introduzido o PlanetÆrio e porque o usamos atØ hoje. Nas teorias de Galileu faltou a parte da história, de porque ele fez teses e um pouco da história dele. Foi explicado muito bem o 'Sobre Ombros de Gigantes' e a frase ficou bem clara para mim. (...) [aprendi] que toda a ciŒncia Ø desenvolvida atravØs de estudos por interesse dos físicos. ' Estudante 1.
'A principal ideia absorvida foi a de que a ciŒncia Ø construída lentamente e todas as pessoas deste meio 'se ajudam' para que a ciŒncia siga em frente.' Estudante 2.
Nas opiniıes acima expressas pelos estudantes, pode-se notar nestas respostas que passam a aparecer palavras como 'desenvolvimento' e 'construçªo', contrariando o senso comum a respeito de como se faz ciŒncia. O carÆter colaborativo da ciŒncia fica evidente atravØs das respostas dos estudantes. TambØm a ideia de que Ø necessÆrio ter interesse em estudar ciŒncia para que se possa fazer ciŒncia aparece na segunda resposta, superando a visªo do cientista apenas como um gŒnio.
Evidente tambØm Ø o interesse em saber mais sobre os fatos históricos, e que o primeiro encontro da Oficina teve Œxito no sentido de despertar a curiosidade dos estudantes para as atividades a serem trabalhadas nos próximos encontros.
## Atividade 2: Introduçªo à Astronomia
Podemos apresentar as seguintes opiniıes dos estudantes quando indagados o que aprenderam com essa atividade:
'Aprendi tudo, pois nªo conhecia nada sobre este assunto e o que foi apresentado nªo me deixou dœvidas de nada. (...) [o filme ajudou no desenvolvimento da atividade] porque atØ na forma de ver as órbitas dos planetas Ø necessÆrio alguma imagem, pois fica difícil de só imaginar. Estudante 1.
'Tudo que foi mostrado aprendi. (...) e gostei da atividade, pois aprendi vÆrias coisas de uma forma diferente da sala de aula'. Estudante 2.
'Aprendi mais sobre o processo de descobrimento dos planetas, a sequŒncia que foram sendo
É interessante observar que a escolha de apresentaçªo de slides sobre os precursores da Astronomia, com Œnfase em Kepler e CopØrnico, com o posterior uso do aplicativo Stellarium para explicar alguns conceitos bÆsicos de astronomia como a órbita dos planetas, foram importantes para fixar conteœdos e visualizar imagens difíceis de compreender 'só imaginando' como disse a estudante 1. Essa metodologia tambØm foi diferenciada pois, segundo o estudante 2, nªo Ø a utilizada comumente em sala de aula.
## Atividade 3: PlanetÆrio
Podemos apresentar as seguintes opiniıes dos estudantes quando indagados o que aprenderam com essa atividade:
'[aprendi] que os planetas tem cada um uma rotaçªo diferente, com atraçıes diferentes'. Estudante 1 .
'Aprendi mais sobre o processo de descobrimento dos planetas, a sequŒncia em que foram sendo reconhecidos e como surgiram seus nomes. Isso relacionado à metodologia grega que tambØm conhecemos um pouco mais.' Estudante 2 .
Durante o desenvolvimento desta atividade, onde os estudantes foram convidados a participar da construçªo do planetÆrio utilizando um móbile montado com esferas de isopor e massa de modelar representando o sistema solar, a partir das informaçıes fornecidas a eles a respeito das características dos planetas, foi nítido o interesse na descoberta de cada informaçªo e a motivaçªo pelo trabalho em grupo.
Analisando as opiniıes dos estudantes, verifica-se que a metodologia escolhida, diferente daquela praticada em sala de aula, foi capaz de promover a aprendizagem dos conteœdos propostos.
AtravØs do uso das massas para modelar de diversas cores para compor a representaçªo dos planetas, bem como das esferas de isopor de diferentes tamanhos que eles tinham que escolher de acordo com o planeta a ser 'modelado', foi possível notar pela fala da estudante 2 que houve a aquisiçªo de conhecimentos que vieram a completar os jÆ apreendidos.
## Atividades 4 e 5: Galileo Galilei e Newton
Podemos apresentar as seguintes opiniıes dos estudantes quando indagados o que aprenderam com essas atividades:
'Aprendi sobre Galileu Galilei, como foi sua vida e suas descobertas em relaçªo à Astronomia, Quais foram suas verdadeiras descobertas e quais foram as descobertas que ele 'prosseguiu' e 'terminou'.' Estudante 1.
'Com a atividade pude aprender o que aconteceu com Galileu e que a lei da inØrcia nªo foi criada por Newton'. Estudante 2 .
'Que a lei da inØrcia nªo foi desenvolvida por Newton, mas tambØm por outros cientistas. (...) Eu nªo diria que aprendi com esta atividade, mas aprendi com toda a Oficina que a Física estÆ presente em tudo e nªo Ø algo divino Ø algo que tem toda uma trajetória'. Estudante 3 .
Nas opiniıes expressas pelos estudantes podem-se identificar aspectos interessantes, como o entendimento de que o cientista Ø um ser humano que pode ter sua produçªo científica totalmente influenciada pelo meio, pelos acontecimentos políticos e sociais da Øpoca em que vive.
TambØm ficaram espantados ao saber que a lei da inØrcia nªo foi criada por Newton, pois segundo eles seus professores e os livros de Física que utilizam levam a acreditar o contrÆrio.
Finalmente, na fala do estudante 3, ficou claro que para ele a Física Ø uma ciŒncia sujeita a acertos e erros, e que continua em constante evoluçªo e mutaçªo.
## Conclusªo
Sabemos que as ementas em quase nada se diferem da metodologia utilizada desde que a disciplina foi imposta no ensino pœblico e particular dØcadas atrÆs. Mesmo que os documentos oficiais sugiram a inclusªo da História da Física para que o ensino seja mais contextualizado, nªo reconhecemos nas falas dos estudantes o uso regular desse mØtodo de ensino, e quando utilizada Ø por meio de anedotas e mitos, gerando assim concepçıes errôneas a respeito dos fatos históricos que marcaram a construçªo desta ciŒncia.
Devido a esta deficiŒncia observada, nossa pesquisa trata de uma iniciativa de problematizaçªo em relaçªo aos estudos de Física na escola bÆsica pœblica, utilizando uma dinâmica e metodologia diferenciadas em um ambiente formal de ensino, que considera o uso da História da Física.
Como apontado anteriormente, as concepçıes dos estudantes estavam de acordo com os mitos e anedotas divulgados por diversos meios. Mesmo assim os estudantes foram cooperativos com a nossa proposta o que pode ser notado em seus relatos.
Desenvolvemos trabalho semelhante em outra instituiçªo de ensino, no entanto, o trabalho era realizado de maneira formal, com interaçªo nas aulas de física em breves inserçıes de História da Física, com o professor regente os conteœdos programÆticos. Traçando paralelos em relaçªo ao ensino formal vivenciado neste outro ambiente escolar, e a realidade de ensino nªo formal, propiciada pelo envolvimento na oficina com estudantes de altas habilidades, podemos perceber que o professor influencia de modo crucial o envolvimento dos estudantes na prÆtica das atividades. Mesmo que a oficina tenha sido ofertada em um ambiente formal a temÆtica e a liberdade em poder exprimir suas dœvidas, os
tornaram mais participativos. Os participantes sentiam-se instigados a responder suas dœvidas, e nªo sentiam, como os estudantes do ensino formal, 'forçados' a participar das atividades, com uma promessa de nota, por desenvolver conosco uma atividade dirigida.
Entretanto, o envolvimento do professor Ø de suma importância para o desenvolvimento da atividade, mas como supra relatado, suas formaçıes muitas vezes rasas em relaçªo a História da Física, torna o trabalho com a mesma, sofrível, e de certo modo inviÆvel. Pois mesmo que bons textos sejam produzidos na Ærea de história da ciŒncia, o professor que nªo estÆ acostumado com mØtodos de ensino diferenciados, nªo possui autonomia suficiente para discernir entre materiais de confiança, ou materiais muito divulgados, que trazem uma versªo caricata da ciŒncia. Assim temos a necessidade de um maior envolvimento entre os licenciados em física, que participam do PIBID e seus supervisores na escola, para que haja uma troca de saberes, e uma mudança educacional, mesmo que momentaneamente regional, satisfatória para estudantes e professores.
Os resultados positivos nªo sªo apenas percebidos nos estudantes, mas em nós como acadŒmicos de Licenciatura em física tambØm, pois passamos a discutir novas formas de contribuir efetivamente para nossas percepçıes sobre a docŒncia atravØs do trabalho direto com os estudantes e a pesquisa em Ensino da Física, complementando assim nossa formaçªo acadŒmica.
## ReferŒncias
BLOG IEPPEP. Blog de atendimento educacional especializado, Grupo de Altas Habilidades/Superdotaçªo . Disponível em:
http://sraltashabilidades.blogspot.com.br/. Acesso em 04/06/2012.
BRASIL. PCN+ Ensino MØdio: Orientaçıes Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: CiŒncias da Natureza, MatemÆtica e suas Tecnologias, MEC-SEMTEC, Brasília, 2002.
MARTINS, R. A. Física e História . CiŒncia e Cultura , V. 57, N. 3, Sªo Paulo, 2005.
MARTINS, R. A. In : Estudos de História e Filosofia das CiŒncias: Subsídios para Aplicaçªo no Ensino , organizado por C. C. Silva, Ed. Livraria da Física, Sªo Paulo, 2006.
MATTHEWS, M. R., História, Filosofia e Ensino de CiŒncias: A TendŒncia Atual de Reaproximaçªo. Caderno Catarinense de Ensino de Física. V. 12, N. 3, P. 164214, dez 1995.
MOZENA, E. R. A História e a Filosofia da CiŒncia nos Manuais DidÆticos Sobre o Problema da Radiaçªo do Corpo Negro (PRCN): Por Que Nªo Oferecer a Física Como Cultura? In : Física Ainda É Cultura? Organizado por AndrØ Ferrer P. Martins, Ed. Livraria da Física, Sªo Paulo, 2009.
SILVA, C. C. et al. Estudos de história e filosofia das ciŒncias : subsídios para aplicaçªo no ensino. 1. ed. Sªo Paulo: Editora Livraria da Física, 2006.
ZANETIC, Joªo. Física e Cultura . CiŒncia e Cultura , V. 57, N. 3, Sªo Paulo, 2005.
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