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FORMAÇÃO, NEGOCIAÇÕES E CONSTRUÇÕES CONJUNTAS EM MUNDOS OBJETIVO, SOCIAL E SUBJETIVO: CONSIDERAÇÕES SOBRE FORMAÇÃO DE GRUPOS

Noemi Sutil, Lizete Maria Orquiza De Carvalho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
06/11/2012
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## FORMAÇÃO, NEGOCIAÇÕES E CONSTRUÇÕES CONJUNTAS EM MUNDOS OBJETIVO, SOCIAL E SUBJETIVO: CONSIDERAÇÕES SOBRE FORMAÇÃO DE GRUPOS

## FORMATION, NEGOTIATIONS AND JOINT CONSTRUCTIONS IN OBJECTIVE, SOCIAL E SUBJECTIVE WORLDS: CONSIDERATIONS ABOUT GROUP FORMATION

## Noemi Sutil , Lizete Maria Orquiza de Carvalho 1 2

1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná-UTFPR, Campus Curitiba/Departamento de Física Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'-UNESP, Campus Bauru/Programa de PósGraduação em Educação para a Ciência, noemisutil@utfpr.edu.br

2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'-UNESP, Campus Ilha Solteira/Departamento de Física e Química - Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'-UNESP, Campus Bauru/Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, lizete@dfq.feis.unesp.br

## Resumo

As proposições apresentadas neste trabalho são oriundas de pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' - UNESP - Campus de Bauru/SP. Essa pesquisa foi desenvolvida no contexto do curso de Licenciatura em Física, da Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' - UNESP Faculdade de Engenharia - Campus de Ilha Solteira no período 2007-2008, em processo de problematização da prática educacional, agregando estágio supervisionado e desenvolvimento de pesquisa em ensino de Física. O objetivo dessa investigação foi analisar processos de negociação vivenciados em uma concepção de formação de professores como ação dialógica - Paulo Freire - e ação comunicativa -Jürgen Habermas. A concepção de pesquisa utilizada foi a investigação-ação educacional de perspectiva emancipatória, em abordagem etnográfica. Os dados principais da pesquisa, explicitados neste trabalho, compreendem transcrições de áudio relativas a 03 (três) reuniões (2, 3 e 5) do Grupo de estudos composto por 04 (quatro) professores da área de ensino de Física. Os procedimentos para análise de dados constituíram-se com base nos pressupostos da ação dialógica e comunicativa, de investigação-ação educacional de perspectiva emancipatória, de referenciais sobre negociações, análise de conteúdo, estudo analítico de discursos e textos argumentativos. As análises apresentadas neste artigo se referem à formação e manutenção de grupos, na busca pela vivência da ação comunicativa, com a especificação de construções conjuntas. Destaca-se a instauração de discurso com a colocação de pretensões de validez para desencadeamento de negociações e os elementos de negociação envolvidos. Aspectos de desenvolvimento da relação entre participantes de negociação e elos de ligação estabelecidos são especificados. Competências comunicativa e linguística são compreendidas em referência a negociação de significados e de fundamentos.

Palavras-chave : Formação de professores. Ação comunicativa. Negociações.

## Abstract

In this work, it has been presented some research characteristics and considerations concerning research developed at Education for Science Post Graduation Programme - São Paulo State University - UNESP - Bauru Campus/SP. This research has been developed in the context of Physics teachers' education course, at São Paulo State University - UNESP - Ilha Solteira Campus/SP, in the period of the years 2007 and 2008, in an educational practice problem-posing process with supervised trainee and the developing of Physics teaching research. This investigation aimed to analyze negotiation processes in the developing of a teachers' education conception as dialogic action -Paulo Freire -and communicative action - Jürgen Habermas. The research conception was the educational action research in an emancipatory way, with ethnographic approach. Main data presented in this work are constituted by audio records transcriptions relating 03 (three) Physics teaching group meetings (2, 3 and 5) with 04 (four) teachers. Data analysis procedures were accomplished in the basis of dialogic and communicative action, educational action research in an emancipatory way, negociation theory, content analysis, analytical study of argumentative texts and discourses. Analysis presented in this article make reference to group formation and maintenance, in the search for communicative action living, with specification of joint constructions. We highlight the posing of discourse status with validity pretensions for negotiation development and the negotiation elements involved. Aspects concerning the development of the relation among participants and the established links are specified. Communicative and linguistic abilities are comprehended in reference to meaning and fundaments negotiation.

Keywords : Teachers education. Communicative action. Negotiation.

## Formação e ação comunicativa

Formação? Formar professores agrega controvérsias sobre a razão de ser dos processos formativos que mobilizam esforços e recursos no contexto da educação em Física. Nesse cenário controverso se lança uma pretensão de validez concernente ao mundo objetivo: o que se entende por formar? A que ou a quem se refere essa formação? Explicita-se uma perspectiva de compreensão dessa formação: a ação comunicativa habermasiana. A ação comunicativa, nas proposições de Jürgen Habermas, agrega formação de cultura, sociedade e personalidade, de responsabilidade e autonomia. Formação de professores de Física, nessa proposta, significa-se em termos de processos formativos contínuos abrangendo os âmbitos objetivo, social e subjetivo; envolve a formação e manutenção de grupos colaborativos.

Habermas (2001, 2002) delineia a ação comunicativa na utopia da existência de uma comunidade ideal de comunicação, livre de coerção. Ação e discurso distinguem-se na perspectiva habermasiana. Ação expressa aspecto contínuo das práticas comunicativas cotidianas. Discurso compreende a suspensão desse caráter contínuo e a colocação em argumentação de pretensões de validez.

Racionalidade comunicativa se define em aspecto negociativo ou argumentativo; compreende 03 (três) tipos de racionalidade, cognitivo-instrumental, prático-moral e estético-expressiva, que se relacionam com as pretensões de validez

de verdade (mundo objetivo), retitude normativa (mundo social) e veracidade (mundo subjetivo), respectivamente.

A vivência da ação comunicativa se reporta às capacidades linguística e comunicativa. À capacidade linguística agrega-se uma pretensão de validez de inteligibilidade. Competência comunicativa relaciona as pretensões de validez de verdade, retitude normativa e veracidade.

Pretensões de validez podem ser associadas a elementos de negociação. Elementos de negociação podem ser compreendidos como recursos disponibilizados no decorrer de um processo de negociação. Inteligibilidade se relaciona a elementos linguístico-culturais; verdade a elementos epistemológicos; retitude normativa a elementos sociológicos; veracidade a elementos subjetivos.

A pretensão de validez de inteligibilidade pode ser associada à negociação de significados. A colocação de pretensões de validez de verdade, retitude normativa e veracidade se reporta a negociação de fundamentos.

Quadro 1: Pretensões de validez - Fonte dos autores.

## A pesquisa

A pesquisa, destacada neste trabalho, foi desenvolvida no contexto do curso de Licenciatura em Física, da Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' - UNESP - Faculdade de Engenharia - Campus de Ilha Solteira no período 2007-2008, em processo de problematização da prática educacional, agregando estágio supervisionado e desenvolvimento de pesquisa em ensino de Física. O objetivo dessa investigação foi analisar processos de negociação vivenciados em uma concepção de formação de professores como ação dialógica - Paulo Freire - e ação comunicativa - Jürgen Habermas.

A concepção de pesquisa utilizada foi a investigação-ação educacional de perspectiva emancipatória, em abordagem etnográfica. Os dados principais da pesquisa, explicitados neste trabalho, compreendem transcrições de áudio relativas a 03 (três) reuniões (2, 3 e 5) do Grupo de estudos composto por 04 (quatro) professores da área de ensino de Física e 01 (uma) reunião entre 03 (três) desses professores e alunos de graduação do Curso de Licenciatura em Física.

A escolha de trechos para análise foi realizada com a identificação de indicadores de negociação. Ventura (2001) propõe como indicadores de negociação: interação (conflito), discurso, temporalidade e obra [construção conjunta]. O desenvolvimento de visão geral analítica (VAN EEMEREN & GROOTENDORST,

2004) teve início com a verificação de ponto de partida, com referência a pretensões de validez, em que se destaca a instauração de discurso, seguido da identificação de estrutura de argumentação. Especificam-se, neste trabalho, os seguintes aspectos relacionados à estrutura da argumentação: elementos de negociação; reconstrução da história e sequência de argumentos; delineamento do encaminhamento da reunião; envolvimento mundos objetivo, social e subjetivo; deslocamento, adaptação e naturalização; elos de ligação. Principais características das construções conjuntas são ressaltadas em relação aos mundos objetivo, social e subjetivo.

## Visão geral analítica

## Reunião 2: Negociação de significados

O ponto de partida das negociações desenvolvidas na Reunião 2 compreendeu a colocação de pretensão de validez alocada no limite entre inteligibilidade e verdade. A pretensão de inteligibilidade é reconhecida quando P3 questiona a concepção de formação associada ao curso de Licenciatura em Física.

A Reunião 2 se caracterizou pelo imenso aporte a elementos linguísticoculturais nas negociações, particularmente, na especificação de características do curso de Licenciatura em Física. Elementos epistemológicos se referiam a construção de concepção sobre formação de professores de Física, envolvendo estágio e pesquisa. Elementos de negociação sociológicos estiveram relacionados a propostas de organização do grupo e do curso, por meio da ação dos professores da área de ensino de Física. Negociação de significados é preponderante em relação à negociação de fundamentos.

P3 problematiza as concepções de estágio e pesquisa; propõe teorização sobre o Curso de Licenciatura em Física (elementos epistemológicos). P4 e P2 explicitam características do curso de Licenciatura em Física; envolvem-se em delineamento de concepção de formação (elementos linguístico-culturais, sociológicos, epistemológicos). P1 se insere nas discussões sobre o curso, estabelecendo relações com sua própria prática educacional e experiência pessoal (elementos sociológicos, epistemológicos e subjetivos). P3 procura manter o foco no mundo objetivo, o que se traduz na sua insistência em trazer as discussões e explicitações sobre o curso para o âmbito da elaboração de teorias (elementos epistemológicos).

As discussões do grupo de estudo em ensino de Física foram possibilitadas por elo estabelecido com base em aspectos do mundo social, circunscrevendo o curso de Licenciatura em Física. Deslocamento, adaptação e naturalização de proposições permearam o processo de construções conjuntas.

P3 inicia a discussão propondo construções no âmbito objetivo, para subsidiar pesquisa em ensino de Física e a própria prática educacional, porém, aumenta sua participação no âmbito social para possibilitar o envolvimento de P4, P2 e P1; P2 apresenta disponibilidade de compartilhamento da preocupação de P3 no âmbito objetivo e possui interesse na abordagem do mundo social. O envolvimento de P4, por meio da abordagem do mundo social, promove participação no âmbito objetivo. O envolvimento de P1, por meio de preocupações sobre sua própria prática educacional e experiência pessoal, corresponde à ampliação de sua participação no mundo social.

## Construções conjuntas

No mundo objetivo, agregando a possibilidade de construção de teorias foram delineadas: concepção de formação, associada a estágio curricular supervisionado e pesquisa em ensino de Física. O delineamento dessa concepção de formação agregou proposições de perfil de aluno em formação e abordagem de conteúdos de Física.

P3 refere-se a uma concepção de formação de sociedade, cultura e personalidade, responsabilidade e autonomia. P3 relaciona formação de professores de Física com processo de ruptura com concepções de ciência, aprendizagem, normas e direitos.

Foram destacaram como características atribuídas ao aluno em formação as possibilidades de: domínio de conteúdos de Física e a expressão oral e escrita; atuação social, argumentação, criatividade; crítica na construção e utilização de experimentos; elaboração de discursos desafiadores; relacionamento entre pessoas.

No que concerne à abordagem de conteúdos de Física, P4 situa experimentação, abordagem das relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente e criatividade. De acordo com P4, os experimentos precisam estar acompanhados de discursos desafiadores, problematizadores e fundamentados. P1 apontou a utilização de materiais e equipamentos multissensoriais, como inclusivos.

- O curso de Licenciatura em Física, nessa reunião, constitui-se predominante nas propostas de construção conjunta, no que concerne ao mundo social, e deveria apresentar as seguintes características: bacharelado e licenciatura fortes e integrados; base sólida em conteúdos de Física e desenvolvimento de expressão oral e escrita, aspectos que possibilitem interligar preocupações de docentes de diversas áreas; ampliação de espaço para criatividade por parte dos demais professores da instituição e de diálogo entre esses docentes. História da Física, estudo das relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente, instrumentação para o ensino de Física e inclusão comportam aspectos associados às disciplinas do curso ressaltados na reunião.

Expressividade e posicionamento nas discussões perpassaram o âmbito do mundo subjetivo, compreendendo: a disposição para construção da própria prática educacional e da prática educacional coletiva, o recurso às experiências subjetivas para atribuição de sentidos, o questionamento e a explicitação de intenções no processo.

## Reunião 3: Teorização sobre a prática educacional

- O ponto de partida das negociações desenvolvidas na Reunião 3 compreendeu a colocação de pretensões de validez de verdade e retitude normativa. Tais pretensões de validez são reconhecidas quando propõe discutir o papel do estágio em processo de formação e problematização, associando características do curso de Licenciatura em Física.

A Reunião 3 se caracterizou pela alternância constante entre elementos de negociação epistemológicos e sociológicos, com a explicitação, em determinados momentos, de elementos subjetivos. Existe ampliação da negociação de fundamentos, conferindo à reunião o caráter de teorização sobre a prática educacional.

P2 e P3 fazem esforço para compreender o processo vivenciado em perspectiva teórica. P3 busca compreender essa problemática recuperando concepção de aprendizagem; procura explicitar como os alunos de graduação concebem o desenvolvimento da pesquisa em ensino de Física. P1 destaca a intencionalidade nesse processo. P4 situa estágio, pesquisa e outras atividades em processo de problematização, destacando características do curso de licenciatura (elementos epistemológicos, sociológicos).P3 procura concluir o papel do estágio e problematização na perspectiva do grupo; busca situar essa abordagem de problematização associada a um processo amplo, o estágio e a pesquisa (elementos epistemológicos).

As discussões do grupo de estudo em ensino de Física foram possibilitadas por elo estabelecido envolvendo mundos social e objetivo, perpassando o curso de Licenciatura em Física e a construção de teorias. Em relação aos aspectos de deslocamento, adaptação e naturalização, destaca-se que P3 e P1 demonstraram maior preocupação com o curso, enquanto P4 se envolveu de forma mais contundente na construção de concepções.

## Construções conjuntas

No mundo objetivo, se destaca o delineamento de uma concepção de problematização da prática educacional, suas relações com estágio, pesquisa e formação. Problematização da prática educacional esteve relacionada a: colocação de grandes questões no estágio e pesquisa em ensino de Física; conjunto de atividades educacionais envolvendo estágio, pesquisa, disciplinas; questionamento das relações com o sistema, posicionamento em situações reais diante das instituições.

Formação, inicial e continuada, foi associada a um processo de problematização, envolvendo discussão com os alunos em formação inicial e formados. P4 ressaltou a formação para a inquietude em relação às questões escolares. P2 ressaltou a necessidade de sair do discurso ingênuo e ir para o discurso crítico, argumentação. Esse posicionamento nas escolas de Educação Básica, contudo, perpassa a formação sólida em Física e o desenvolvimento de atividades educacionais, conforme P2 e P4.

- O estágio curricular supervisionado foi situado em contexto de problematização da prática educacional, podendo ser associado à pesquisa em ensino de Física. P1 reforçou o papel do estágio como possibilidade de estabelecimento de relação entre teoria e prática, de reflexão sobre a prática. P3 comentou sobre a necessidade de enfrentamento dos problemas escolares. P1 e P2 destacaram o estágio como espaço para o professor da escola se envolver na construção de uma proposta educacional própria. Os professores questionaram a tendência à adaptação, característica de concepção tecnicista de estágio.

A pesquisa em ensino de Física, de acordo com P2, deveria colocar a pessoa na perspectiva de fazer questões; possibilitar compromisso e ética, trabalho social e coletivo, autoavaliação e posicionamento. P2 explicitou a relação de problematização com a própria universidade. P3 conclui situando essa pesquisa no contexto de problematização da prática educacional, podendo ser associada ao estágio curricular supervisionado.

As construções conjuntas em relação ao mundo social comportaram proposições de desenvolvimento de pesquisa em ensino de Física e estágio curricular supervisionado e o delineamento de objetivo do grupo de estudo em ensino de Física. Aspectos de negociação com as instituições escolares de Educação Básica na realização dos estágios foram explicitadas, tais como, a impossibilidade dos alunos de graduação assumirem aulas na escola e no desenvolvimento de minicursos.

Aspectos subjetivos podem ser relacionados à expressão de objetivos, intenções e características associadas às construções conjuntas e à prática educacional, coletiva e individual.

## Reunião 5: Avaliação

Ponto de partida : O ponto de partida das negociações desenvolvidas na Reunião 5 compreendeu a colocação de pretensões de validez de retitude normativa. Tais pretensões são reconhecidas quando P2, P3 e P4 expressam dificuldades envolvendo o processo de desenvolvimento das pesquisas em ensino de Física pelos alunos de graduação.

Essa reunião se destaca pela imensa colocação de elementos de negociação sociológicos. A reunião assume caráter avaliativo, do processo e da consecução de objetivos em relação à formação, e prospectivo, no sentido de proposição de ações a curto e longo prazo. Problemas identificados no processo de problematização da prática educacional foram expostos. A compreensão desses problemas possibilitou a proposição de modificações no curso de Licenciatura em Física e no processo vivenciado; subsidiou o delineamento de atitudes associadas à ação dos formadores. Negociação de fundamentos é preponderante na reunião.

P3 reclama da entrega com atraso dos textos escritos com apresentação das pesquisas desenvolvidas, por parte dos alunos de graduação. P2 defende a importância de diferenciação de casos. P3 e P4 defendem necessidade de regulamentações. P1, P2, P3 e P4 expressam propostas de modificação no curso de Licenciatura em Física em relação ao processo de pesquisa em ensino de Física e estágio supervisionado (elementos sociológicos). P2 retoma concepção de formação para envolver a formação do formador (elementos epistemológicos). P1, P2, P3 e P4 analisam atitudes relacionadas à ação dos formadores (elementos subjetivos).

As discussões do grupo de estudo em ensino de Física foram possibilitadas por elo estabelecido envolvendo mundos social e subjetivo, perpassando o curso de Licenciatura em Física e o delineamento de atitudes. Deslocamento, adaptação e naturalização compreenderam o deslocamento de P3 e P4 de uma visão de processo para uma perspectiva de diferenciação de casos no desenvolvimento das pesquisas em ensino de Física, pelos alunos de graduação, conforme proposto por P2, e o envolvimento em aspectos subjetivos pelo grupo.

## Construções conjuntas

No âmbito do mundo objetivo, a verbalização de aumento da concepção de formação e a especificação de pesquisa em ensino de Física são preponderantes. A colocação de proposições em relação ao curso de Licenciatura em Física, do processo desenvolvido e reanálise do objetivo do grupo constituem aspectos de construção conjunta no domínio do mundo social. Aspectos subjetivos podem ser

relacionados à explicitação de intenções e sentimentos, abordagem das próprias práticas educacionais e autoavaliação.

Formação inicial e continuada de alunos, formandos e formados, e de formadores corresponde à concepção de formação explicitada. A problematização da prática educacional precisa abranger o mundo objetivo, o social e o subjetivo. Na vivência desse processo, de acordo com os professores da área de ensino de Física, precisa considerar a continuidade, os processos individuais e as regulações.

Os principais problemas explicitados por esses professores, em relação ao processo de problematização da prática educacional, se referem à falta de posicionamento e envolvimento dos alunos de graduação. Do ponto de vista do mundo objetivo, tais aspectos estiveram relacionados à proposição de questões de pesquisa, referencial teórico e análise de dados; considerando o mundo social, descumprimento de normas e prazos; no âmbito subjetivo, a falta de enfrentamento, a encenação e a não realização de atividades.

Modalidades de envolvimento em relação à origem de questões de pesquisa agregam: discussões em sala de aula; experiência pessoal; prática educacional, individual e coletiva. De acordo com os professores da área de ensino de Física, em relação ao referencial teórico, os alunos de graduação: precisam posicionar-se diante de texto de outro; investir na revisão de literatura; apropriar-se de referenciais. Esses docentes destacaram a necessidade de efetiva orientação, associando a realização da pesquisa a normas que pudessem garantir a formação. Eles ressaltaram as diferenças de aprendizagem entre os alunos de graduação, situando a pesquisa como aspecto formativo, associado a envolvimento.

No domínio do mundo social, com base nos problemas identificados no processo, foram sugeridas modificações em relação ao curso de Licenciatura em Física: disponibilização de espaço para envolvimento em leitura escrita de textos; ampliação das discussões sobre referenciais teóricos; necessidade de documento, atestando orientação; aprovação poderia ser condicionada à efetivação de alterações nos trabalhos desenvolvidos; ampliação de tempo disponível para análise de dados.

Perpassando o âmbito subjetivo, atitudes destacadas associadas aos formadores foram: possibilitar que o aluno desenvolva sua pesquisa, incentivando a atividade de orientação e colocando desafios aos alunos; apontar problemas e reagir a eles; manter-se em contínuo processo de convite para posicionamento e envolvimento; enfrentar a falta de entrega dos alunos de graduação; pensar no processo e no sujeito, diferenciando os casos.

Foram apresentadas possibilidades de alteração no desenvolvimento de estágio curricular supervisionado: verificação de alternativas, além de minicurso; ampliação do contato com a sala de aula real; pode ser desenvolvido com maior autonomia pelos alunos de graduação; considerar relacionamento com a escola como parte da formação; ampliação das possibilidades de locais para estágio. Assim como nas Reuniões 2 e 3, buscou-se concretizar o objetivo do grupo.

P2: [...] a gente aqui seria um grupo operativo, onde cada um está aqui com interesse da autonomia, discussão, ouvir o outro. E está tudo aquela discussão, argumentação de alto nível do Habermas lá e nesse sentido nós somos um grupo operativo de formadores. Então, nós teríamos que o nosso grupo trata do que é ser formador.

## Considerações finais

Na formação de grupos, a negociação de significados tende a intensificar no início das práticas comunicativas e reduzir no decorrer do processo, cedendo lugar à negociação de fundamentos. Negociação de fundamentos depende de negociação de significados. Nas reuniões 2, 3 e 5 houve alternância em relação à predominância de tipos de elementos de negociação. Na Reunião 2, os elementos linguísticoculturais associados à negociação de significados foram predominantes, garantindo o desenvolvimento de um quadro comum de referência aos sujeitos envolvidos. Com o compartilhamento de aspectos linguístico-culturais, foi possível aprofundar a construção de concepções e teorias sobre a prática educacional envolvida, como verificado na Reunião 3. Na Reunião 5 houve drástica redução dos elementos linguístico-culturais e epistemológicos; a ênfase situou-se na construção do mundo social, de normas, regras, regulamentações, com preponderância de elementos sociológicos. Na Reunião 5, todavia, chama a atenção a proposição de atitudes a serem desenvolvidas pelos formadores, de forma negociada, considerando as construções desenvolvidas em relação aos mundos objetivo e social; essa proposição de atitudes perpassa o âmbito subjetivo não apenas em caráter expressivo, porém, negociativo. Negociações de significados predominaram na Reunião 2. Nas reuniões 3 e 5, destacaram-se negociações de fundamentos.

A compreensão da formação, em ação dialógica comunicativa, sob a perspectiva de negociações, perpassa a viabilização de requisitos necessários a esse processo. Possibilitar a vivência desses processos implica instaurar diálogo, comunicação. Essa vivência demanda formação e manutenção de grupos; implica atitude de busca por entendimento e necessidade de estabelecimento de perspectiva intersubjetiva e de interesses comuns. A constituição de perspectiva intersubjetiva e de interesses comuns, contudo, pode atribuir aos grupos a tendência de naturalização e uniformização. Constituição e manutenção desses contextos dialógicos, comunicativos exigem desenvolvimento de competência linguística e comunicativa.

## Referências

HABERMAS, J. Racionalidade e Comunicação. Lisboa: Edições 70, 2002.

\_\_\_\_\_\_. Teoría de la acción comunicativa, I: racionalidad de la acción y racionalización social. 3.ed. Madrid: Taurus, 2001.

VAN EEMEREN, F. H.; GROOTENDORST, R. A systematic theory of argumentation: the pragma-dialectical approach. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

VENTURA, P. C. S. La négociation entre le concepteur, les objets et le public dans les musées techniques et les salons professionnels. 2001. Tese (Doutorado em Comunicação e Informação) - Université de Bourgogne, Dijon, 2001.

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