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DISCIPLINAS DE ASTRONOMIA E PROFESSORES DE ASTRONOMIA NOS CURSOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS.

Artur Justiniano, Daniel Dos Reis Germinaro, Thiago Henrique Reis, Sílvia Daiane Cândito

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
06/11/2012
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DISCIPLINAS DE ASTRONOMIA E PROFESSORES DE ASTRONOMIA NOS CURSOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS.

## ANALYSIS OF THE ASTRONOMICAL DISCIPLINES END TEACHERS OF ASTRONOMY DISCIPLINES IN TEACHER FORMATION COURSES IN PHYSICS IN BRAZILIAN UNIVERSITIES

Artur Justiniano , Daniel dos Reis Germinaro ,Thiago Henrique Reis 1 2 3, Sílvia Daiane Cândito 4

1

3

4

Universidade Federal de Alfenas/ICEx, arturjustiniano@gmail.com

2 Universidade Federal de Alfenas/ICEx, daniel.germinaro@hotmail.com

Universidade Federal de Alfenas/ICEx, thiago.henri.reis@gmail.com

Universidade Federal de Alfenas/ICEx, sil.unifal@hotmail.com

## Resumo

Este artigo apresenta os resultados de um levantamento sobre como as disciplinas com o conteúdo de Astronomia são oferecidas nas grades curriculares dos cursos de formação de professores de Física das universidades Federais. A proposta é averiguar a regularidade com que essas disciplinas são ofertadas e o seu perfil. Trata-se de um trabalho que busca entender como ocorre, e se ocorre, a formação básica em Astronomia nos cursos de formação de professores de Física. Os resultados alcançados até o momento indicam que apenas 12% dos cursos de Licenciatura em Física das universidades Federais têm na sua grade curricular pelo menos uma disciplina regular de Astronomia. Em relação às ementas das disciplinas observamos que elas buscam cobrir todo o conteúdo básico de Astronomia, apesar da carga horária semanal de aulas ser reduzida. Além disso, das 58 universidades Federais que compõem esse levantamento em 7 não existe curso de formação de professores de Física. Das 51 que têm esse curso, em 23 não existe nenhuma disciplina de Astronomia na grade curricular, nem mesmo como optativa. Os resultados dessa pesquisa indicam que apesar do ensino de Astronomia estar recebendo uma atenção cada vez mais acentuada nos últimos anos. Fato observado pelo volume aumentado de trabalhos apresentados em eventos e publicações da área, assim como das sugestões de conteúdo de Astronomia nos Parâmetros Curriculares Nacionais e da presença desse conteúdo em alguns livros do Programa Nacional do Livro Didático, as grades curriculares dos cursos de formação de professores de Física das universidades Federais ainda não acompanham essa tendência. Além disso, os professores que trabalham nessa área estão concentrados em poucas instituições, principalmente nas regiões Sul e Sudeste e mesmo assim, são raros os cursos de Licenciatura em Física das instituições desses professores que têm uma disciplina de Astronomia na grade curricular do curso.

Palavras-chave : Licenciaturas; ensino de Astronomia; Formação inicial de professores;

## Abstract

This article presents the results of a survey on how the disciplines of Astronomy with the content are offered in the curriculum of courses for physics

teachers of federal universities. The proposal is to ascertain the regularity with which these disciplines are offered and profile. This is a work that seeks to understand how it occurs, and occurs in basic training in astronomy courses for physics teachers. The results obtained so far indicate that only 12% of undergraduate courses in physics have federal universities in their curriculum at least one regular discipline of astronomy. Regarding menus observe the disciplines they seek to cover all the basic content of astronomy, despite the weekly schedule of classes to be reduced. Moreover, the 58 universities that make up this federal survey in seven no training course for teachers of physics. Of the 51 who have this course, 23 there is no discipline of astronomy in the curriculum, even as optional. The results of this survey indicate that although the teaching of astronomy to be receiving attention increasingly pronounced in recent years. Fact observed by increased volume of papers presented at events and publications in the area, as well as suggestions of content for Astronomy in the National Curriculum and the presence of content in some books of the National Program of Textbooks , the syllabuses of courses training of teachers for Physics of federal universities still do not follow this trend. In addition, teachers who work in this area are concentrated in few institutions, mainly in South and Southeast regions and even then, few undergraduate courses in physics institutions these teachers who have a discipline of astronomy in the curriculum of the course.

Key words : Undergraduate; Astronomy Education; Initial training of teachers.

## INTRODUÇÃO.

A inserção de conteúdos de Astronomia na disciplina de Física no ensino médio é uma necessidade cada vez maior. Já há algum tempo que essa necessidade de se valorizar o ensino de Astronomia tem sido observada pelos órgãos reguladores que têm orientado para que os conteúdos de Astronomia sejam inseridos na disciplina de Física no ensino médio. Esse apontamento foi feito nas Orientações Educacionais Complementares dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) para o Ensino Médio, onde os conteúdos de Astronomia formam um dos temas estruturadores do ensino de Física [ 5 ]. Os PCN+ orientam para que se trabalhe com os alunos desde os conteúdos relacionados a Astronomia do dia a dia, como fases da lua, eclipses e estações do ano, passando pela formação do sistema solar, evolução estelar, galáxias até cosmologia onde se trata da origem e evolução do universo. De acordo com o texto desse documento:

É indispensável uma compreensão de natureza cosmológica, permitindo ao jovem refletir sobre sua presença e seu 'lugar' na história do Universo, tanto no tempo como no espaço, do ponto de vista da ciência. Espera-se que ele, ao final da educação básica, adquira uma compreensão atualizada das hipóteses, modelos e formas de investigação sobre a origem e evolução do Universo em que vive com que sonha e que pretende transformar. Assim, Universo, Terra e vida passam a constituir mais um tema estruturador. [2]

Para acomodar tais orientações, o Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), implantado pelo governo federal em 2004, tem selecionado algumas obras que atendem alguns aspectos dos PCN+ para o ensino de Astronomia. Na sua tese de mestrado Simões [9] fez uma pesquisa para identificar os conteúdos de Astronomia nos livros didáticos e observou que há elementos de Astronomia nos livros do PNLEM, só que eles são apresentados apenas como forma de contextualizar um modelo físico. Nas palavras da autora:

Eles existem ao longo de todo o texto, porém, não estão sendo empregados com o objetivo de evidenciar a astronomia, mas como forma de contextualizar ou exemplificar aplicações dos modelos físicos abordados nestes livros. Por esta razão, passam despercebidos não sendo explorados como astronomia durante as aulas de física do ensino médio.

No entanto, uma duas obras do PNLEM de 2012 [ 4 ] , o livro Quanta Física, tem no seu segundo volume um capítulo específico de Astronomia. A unidade 2, Os Astros e o Cosmo , trata, exclusivamente, de assuntos relacionados ao tema Astronomia. Nesse capítulo são explorados assuntos como visões do céu, a visão moderna do sistema solar, a Via-Láctea: nascimento, vida e morte das estrelas e evolução do universo. Essa obra é diferente porque não apresenta a Física de forma tradicional, como é ensinada no ensino médio. Esse fato é um avanço, em se tratando da importância que se começa a dar a Astronomia no ensino médio.

Por outro lado, as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Física [3], documento que norteia a elaboração dos cursos de Licenciatura em Física, não mencionam nada a respeito da obrigatoriedade de oferecer disciplinas de conteúdo exclusivo de Astronomia. As Diretrizes orientam para que os cursos de Licenciatura tenham um núcleo de disciplinas comuns, que são as físicas básicas, mais a física moderna e contemporânea e as matemáticas. Além dessas, o núcleo de disciplinas de formação do físico educador, onde estão as disciplinas pedagógicas e específicas para a formação desse profissional. Somado a essas disciplinas está o estágio supervisionado e as atividades complementares [1,3]. Nas Diretrizes, o ensino de Astronomia não é sequer mencionado, em contrapartida, os Parâmetros orientam para que essa ciência seja ensinada.

Nesse contexto temos uma controvérsia diante de duas realidades diferentes. Uma é a dos cursos de formação de professores de física, que não têm regulamentado uma orientação para que ofereçam uma formação básica mínima em Astronomia para os seus egressos. Do outro lado temos os PCN+ onde existe uma orientação para que os conteúdos de Astronomia sejam trabalhados na disciplina de Física no ensino médio. Essa orientação já é seguida em algumas obras do PNLEM [3], onde os conteúdos de Astronomia estão ocupando cada vez mais espaço.

Nesse trabalho vamos apresentar os primeiros resultados de uma análise das grades curriculares dos cursos de Licenciatura em Física das universidades federais. O objetivo é realizar um levantamento quantitativo sobre como as disciplinas com o conteúdo de Astronomia são oferecidas e averiguar a regularidade com que essas disciplinas são ofertadas assim como o seu perfil. Trata-se de um trabalho que busca entender como ocorre, e se ocorre, a formação básica em Astronomia dos egressos dos cursos de Licenciatura em Física. Antes de apresentar os resultados da análise das grades curriculares vamos apresentar um breve panorama de como está a distribuição, entre as instituições de ensino superior no Brasil, dos professores e pesquisadores em Astronomia .

## BREVE PANORAMA DA DISTRIBUIÇÃO DOS PROFESSORES DE ASTRONOMIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO.

De acordo com o censo da Astronomia Brasileira de 2012 [10 ] a maioria dos professores doutores que trabalham nas diversas áreas da Astronomia - que são, presumidamente, os mais bem preparados para ministrar disciplinas desse conteúdo e também, presumidamente, os mais interessados que elas existam nos cursos de

formação de professores de Física - estão nas universidades Federais, como pode ser observado na Tabela 01.

Tabela 01: Distribuição dos professores e pesquisadores em Astronomia, Sócios da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), de acordo com a categoria institucional que trabalham . 1

Essa Tabela mostra que no Brasil são 224 doutores, sócios da Sociedade Astronômica Brasileira, que trabalham em universidades públicas ou privadas. Além disso, existem 76 pesquisadores nessa área que trabalham em institutos de pesquisa. Nesses institutos não há cursos de graduação, por isso eles não são contabilizados nessa pesquisa. Assim, podemos observar que 58% (115) dos professores doutores que trabalham com Astronomia em instituições públicas estão nas universidades federias.

Em princípio parece que esse número não é tão significante. Mas é importante observar que, de acordo com os dados do senso [10], só no Instituto Astronômico e Geofísico, da Universidade de São Paulo (IAGUSP) estão 40 doutores, ou seja, quase 50% dos 83 que trabalham em universidades estaduais. A outra metade está distribuída entre os estados da Bahia (14), São Paulo (10), Paraná (5), Rio Grande do Norte (4), Rio Grande do Sul (3), Santa Catarina (3), Rio de Janeiro (3) e Piauí (1). Ou seja, 77% dos professores doutores que trabalham com Astronomia em universidades estaduais estão distribuídos entre três instituições USP, UNESP e a Universidade do Estado da Bahia.

Entre as universidades particulares, 77% dos professores (20) estão distribuídos em três instituições paulistas: 10 professores na UNIVAP, 5 na UNICSUL e 5 na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Nenhuma dessas instituições tem tradição de cursos de Licenciatura em Física.

Entre as universidades Federais são 115 professores distribuídos em 30 instituições diferentes (Tabela 02). Atualmente o Brasil possui 58 universidades federais. Isso significa que, praticamente a metade dessas instituições de ensino não possui um professor de Astronomia no seu corpo docente. Na Tabela 02 podemos observar que quase a metade desses professores está na região sudeste e que as regiões mais carentes desse profissional são as regiões norte e nordeste, considerando o número de instituições nessas regiões.

Tabela 02: Distribuição dos professores e pesquisadores em Astronomia por estado da Federação, sócios da Sociedade Astronômica Brasileira . 2

## AS DISCIPLINAS DE ASTRONOMIA NOS CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS.

Foi realizada uma pesquisa no sítio do MEC (Ministério da Educação) para 3 identificar quais são e quantas são as universidades federais. A partir da identificação das 58 instituições foram feitas consultas nas páginas de cada uma delas a procura de informações sobre a existência do curso de Licenciatura em Física na modalidade presencial e dos cursos de Ciências com Habilitação em Física. Nas instituições que identificamos a existência desses cursos procuramos localizar o seu Projeto Político Pedagógico (PPP) e sua grade curricular. Com essas informações conseguimos identificar quais são os cursos que têm na sua grade curricular pelo menos uma disciplina de Astronomia, seja regular ou optativa, e aqueles cursos que não possuem nenhuma disciplina de Astronomia.

As disciplinas regulares são aquelas que fazem parte da grade curricular do curso. O discente é obrigado a cursá-la e ser aprovado para poder obter o diploma. As disciplinas optativas ou eletivas são aquelas que estão listadas no PPP do curso e o aluno tem a opção de escolher qual ou quais delas deseja cursar. Elas podem ser oferecidas regularmente ou esporadicamente e podem nunca terem sido oferecidas. A oferta de disciplinas optativas ou eletivas difere de curso para curso. Isso depende de ter alunos interessados em cursá-las e também do perfil do corpo docente. Ou seja, se há professor capacitado e disposto em oferecê-las.

Para identificar uma disciplina como de Astronomia procuramos selecionar apenas aquelas em que a ementa tenha um ou mais dos seguintes assuntos: astronomia do dia a dia, astrometria, sistemas planetários, estrelas, galáxias, cosmologia e astrobiologia. Não fazem parte desse levantamento as disciplinas básicas de física e nem a mecânica clássica, a física moderna e contemporânea que tratam de forma superficial alguns conteúdos de Astronomia.

Os dados dessa pesquisa foram extraídos das páginas da internet dos cursos e, quando necessário, de correspondências eletrônicas trocadas com as universidades. Nesse levantamento conseguimos obter as informações necessárias para esse trabalho de todas as instituições pesquisadas.

Das 58 universidades federais, encontramos que 47 possuem cursos de Licenciatura em Física, 4 possuem cursos de Ciências com habilitação em Física e 7 não possuem cursos de Licenciatura em Física. As universidades que não têm curso de Licenciatura em Física são: a Universidade Federal da Grande Dourados, Universidade Federal Vale São Francisco, Universidade Federal Rural da Amazônia, Universidade Federal Vale do Jequitinhonha, a Universidade Federal Porto Alegre, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Universidade Federal Rural do Semi-Árido.

As quatro universidades que possuem cursos de Ciências com habilitação em Física são: a Universidade Federal São Paulo campus Diadema, Universidade Federal Oeste do Pará, Universidade Federal da Integração Latino Americano, e a Universidade Federal da Fronteira do Sul. Esta última é a única que possui uma disciplina obrigatória de Astronomia na sua grade curricular. Nos outros cursos dessa categoria a disciplina de Astronomia não é oferecida nem como optativa.

Das 47 universidades Federais que possuem curso de Licenciatura em Física e mais as 4 que possuem cursos de Ciência com habilitação em Física, ou seja, das 51 instituições, em 22 a disciplina de Astronomia não é oferecida nem como optativa. Em 23 ela aparece apenas como optativa e em 6 ela está na grade curricular do curso como uma disciplina obrigatória. Como pode ser obervado na Figura 1, das 51 instituições, apenas 12% têm pelo menos uma disciplina obrigatória de Astronomia. Em cerca de 45% existe uma possibilidade de que um estudante tenha contato com esse assunto durante o curso e em 43% essa possibilidade é praticamente zero. É evidente que estamos tratando aqui apenas de disciplinas. Existe a possibilidade de que a Astronomia seja introduzida através de outras atividades, como por exemplo, em projetos de extensão e atividades complementares. Mas essas informações não constam nessa pesquisa.

Figura 01: Disciplinas de Astronomia nas universidades federais.

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As universidades federais que possuem pelos menos uma disciplina obrigatória na sua grade curricular são: a Universidade Federal de Alfenas, a Universidade Federal de Itajubá, a Universidade Federal do Triângulo Mineiro, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal da Fronteira do Sul. A Tabela 03 apresenta os dados gerais sobre as disciplinas de Astronomia de cada instituição. Nota-se que não há uma uniformidade entre as instituições sobre o momento do curso em que as disciplinas são ofertadas. Há disciplinas no primeiro período como no caso de Itajubá e disciplinas com ementas parecidas a essa (Tabela 03), como no caso de Alfenas e Triângulo Mineiro que são do sétimo e do quinto períodos, respectivamente.

Tabela 03: Ementas das disciplinas regulares de Astronomia dos cursos de Física Licenciatura das universidades federais.

Quanto a carga horária, podemos observar que nesse caso também não há uniformidade. As disciplinas são de 30, 45, 60 ou 90 horas aulas por semestre. Como há semelhanças nas ementas (Tabela 03), pode-se concluir que cada curso o professor dá o aprofundamento e a ênfase em determinado assunto de acordo com que ele acha pertinente. Isso é diferente, por exemplo, das disciplinas básicas de Física, que independente de cada curso e instituição, há uma certa uniformidade na ementa, carga horária, livro texto básico e no aprofundamento dos conteúdos. Devese destacar a Universidade Federal do Rio Grande do Sul que tem 3 disciplinas de Astronomia de 60 horas aula como obrigatórias no curso de Licenciatura em Física.

Nas Instituições onde as disciplinas de Astronomia são optativas observamos que as ementas são semelhantes às das Instituições onde essas disciplinas são obrigatórias. Quanto a carga horária existe uma forte tendência para disciplinas de 60 horas aula. Como são disciplinas optativas ou eletivas, não há indicação de período. Em alguns cursos existe uma orientação de qual é o melhor momento para cursá-las, mas no geral isso depende do formato do PPP do curso. Em diversas instituições a disciplina aparece no rol de disciplinas optativas, mas não existe uma ementa definida e ela nunca foi oferecida. Isso foi observado e confirmado através de troca de correspondências com os coordenadores dos cursos.

Pela Tabela 04 é possível observar que nas regiões norte e nordeste cerca de 80% dos cursos não tem disciplinas de Astronomia. Em apenas uma instituição no nordeste, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, há disciplinas regulares de Astronomia na grade curricular do curso de Licenciatura em Física. No Norte, apenas a Universidade Federal de Rondônia tem uma disciplina optativa de Astronomia. No sul e no sudeste, onde estão concentradas 53% dos cursos de Licenciatura em Física, são poucas as instituições que não possuem disciplinas de Astronomia. No sudeste são: a Universidade Federal de Ouro Preto, a Universidade Federal de São João Del Rei, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de São Paulo - graduação em Ciências-Campus Diadema. No sul apenas a Universidade Federal de Integração Latino Americano.

Tabela 04 : Distribuição das disciplinas de Astronomia por região.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Das 51 Instituições pesquisadas em apenas 6, ou seja, 12% é possível afirmar que os alunos dos cursos de formação de professores de Física terão uma formação mínima em Astronomia. Em 45% dos cursos pode-se dizer que existe uma possibilidade que isso aconteça e em 43% é muito forte a possibilidade de que esse futuro professor não tenha contato algum com uma capacitação mínima nesse assunto durante a graduação. No geral, 88% dos estudantes dos cursos de formação de professores de Física das universidades federais não têm garantido uma formação mínima em Astronomia.

Os resultados desse trabalho mostram que a metade das universidades que oferecem disciplinas de Astronomia como regular nas grades curriculares dos cursos, estão no estado de Minas Gerais, mas não são nessas instituições que estão os grandes grupos de docentes da área de Astronomia. Pelo contrário, a pesquisa mostrou que em quase todas as intuições que possuem esses grupos e também observatórios e planetários, disciplinas de Astronomia são optativas ou não fazem parte da grade curricular dos cursos de Licenciatura. Isso mostra que não é

só a falta de professores da área que inviabiliza a existência de disciplinas de Astronomia nos cursos de Licenciatura em Física. Isso porque muitas das instituições que têm esse profissional não possuem essa disciplina na grade curricular do curso. Falta também uma maior participação e interesse por parte dos docentes astrônomos pelos cursos de formação de professores. Nos estados da região norte e nordeste a situação é ainda mais crítica, uma vez que além das disciplinas de Astronomia faltam professores com formação nessa área.

Os resultados desse trabalho mostram que não existe nos cursos de formação de professores de Física no Brasil uma preocupação generalizada em dar uma formação em Astronomia para esses futuros profissionais. Esse desapreço existe, apesar do ensino de Astronomia ser um dos temas estruturadores dos PCNs+ para o ensino de Física e esse assunto estar regularmente nos meios de comunicação. Trabalhos recentes apontam para essa realidade [ 2,6,7,8 ] e algumas propostas para melhorar essa situação estão sendo feitas [7,8]. Entretanto, nenhuma dessas propostas faz uma reflexão sobre o papel do docente astrônomo no ensino de Astronomia nos cursos de formação de professores. Isso é controverso, uma vez que não se pode ensinar astronomia com qualidade sem a participação dos astrônomos.

Com a expansão do ensino superior e o aumento do número de vagas nos cursos de Licenciatura [6] é necessário que o ensino de Astronomia acompanhe essa evolução para que no futuro não tenhamos uma defasagem ainda maior entre o que se aprende na universidade e o que se deve ensinar no ensino médio.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .

[1] ARAUJO. R.S. VIANNA D. M. A história da legislação dos cursos de Licenciatura em Física no Brasil: do colonial presencial ao digital a distância. Revista Brasileira de Ensino de Física. V. 32, n. 4. (2007).

[2] BRETONES. P.S. Disciplinas Introdutórias e Astronomia nos Cursos Superiores do Brasil . Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas, 1999.

[3] BRASIL. Ministério da Educação- Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física. Brasília . MEC/SEMTEC. 2001. Disponível em : http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES1304.pdf . Acesso em 30 de maio de 2012

[4] BRASIL. Ministério da Educação. Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio . Brasília . MEC/SEMTEC. 2004 . Disponível em :

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com\_content&amp;view=article&amp;id=12371&amp;Item id=584 . Acesso em 30 de maio de 2012.

[5] BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnologia. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais:Ciências da Natureza , Matemática e suas Tecnologias. Brasília . MEC/SEMTEC. 2008 .

[6] GOBARA. S. T.; GARCIA J. R .B. As licenciaturas em física das universidades brasileiras: um diagnóstico da formação inicial de professores de física . Revista Brasileira de Ensino de Física. V. 29, n. 4 p. 519-525. (2007).

[7] GONZAGA. E. P.; VOELZKE. M. R.. Análise das concepções astronômicas apresentadas por professores de algumas escolas estaduais . Revista Brasileira de Ensino de Física. V. 33, n. 2 p. (2011).

[8] LANGHI. R.; NARDI. R.. Ensino de Astronomia no Brasil: Educação Formal, Informal, não formal e divulgação científica . Revista Brasileira de Ensino de Física. V. 24, n. 4. p. (2009).

[9] SIMÕES , C. C. Elementos de Astronomia nos Livros Didáticos de Física. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2008.

[10] SAB. Sociedade Astronômica Brasileira. Senso da Astronomia Brasileira 2011. São Paulo -2012. Disponível em: http://www.sabastro.org.br/levantamento\_2011.htm. Acesso em 30 de maio de 2012.

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