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ASPECTOS DO ENSINO DE FÍSICA NA REGIÃO DE CATALÃO - GO: O DISCURSO DO PROFESSOR DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO.

Ana Rita Pereira, Thiago Ferreira Da Cunha

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
06/11/2012
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ASPECTOS DO ENSINO DE FÍSICA NA REGIÃO DE CATALÃO - GO: O DISCURSO DO PROFESSOR DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO.

## ASPECTS OF THE TEACHING OF PHYSICS AT THE CATALÃO-GO: THE DISCOURSE OF THE TEACHERS OF PHYSICS INTO THE HIGH SCHOOL.

Ana Rita Pereira , Thiago Ferreira da Cunha 1 2

1 Departamento de Física, Campus Catalão, Universidade Federal de Goiás, anaritapr@gmail.com 2 Instituto de Física, Universidade de Brasília, thiagofc88@hotmail.com

## Resumo

Este trabalho resulta da realização de uma pesquisa de caráter diagnóstico, cujo objetivo foi ampliar a percepção sobre alguns aspectos que poderiam afetar o ensino de Física na região de Catalão - Goiás. Foi analisado o discurso de oito professores que atuam na área de física no ensino médio na região de Catalão, que responderam a um questionário, no qual expressaram suas opiniões sobre o ensino de Física. O questionário aborda aspectos relativos ao desenvolvimento das aulas de Física, interesse dos alunos, infraestrutura da escola, satisfação profissional dos professores, expectativas em relação à formação continuada e outros aspectos relacionados ao processo de ensino-aprendizagem da Física. Com base nas respostas obtidas são apontados alguns problemas e as possíveis causas destes. Verificou-se que a situação vivenciada pelo ensino de Física na região de Catalão é similar ao que acontece no restante do Brasil, e os principais problemas apontados são: alunos desinteressados, infraestrutura escolar bastante precária, professores sobrecarregados e mal remunerados, e especificamente no caso da Física, professores cuja formação inicial é em outras áreas. Todos estes aspectos resultam na má qualidade do ensino de física que é considerado pelos entrevistados como sendo o mais fraco da Educação Básica da região. Outro fato observado é que existe, por parte dos professores, uma grande expectativa no estabelecimento de parcerias com o Curso de Licenciatura em Física do Campus Catalão da Universidade Federal de Goiás, tanto em relação ao desenvolvimento de projetos de extensão nas escolas quanto na oferta de cursos de aperfeiçoamento, inclusive mestrado, estabelecendo assim uma relação que crie situações que promova melhorias na qualidade do ensino de Física nessa região.

Palavras-chave : Ensino de Física, Professor de física, atuação profissional.

## Abstract

This work results from the realization of a research of diagnostic character type, whose objective was encompass a perception on some aspects what could hit some effects the teaching of physics on the region of Catalão - Goiás. It was

analyzed the teachers' discourse of eight of them whom are acting into the teaching of physics area in high school at the Catalão region, whose answered to a questionnaire, into which they expressed their opinions about the teaching of physics. The questionnaire covers aspects relating to the development of the physics classes, students' interest, school's infrastructure, teachers' professional happiness, their expectations related to the continuous formation and another aspects related to the processes teaching-learning of physics. Taking into account the obtained answers, there are pointed some problems and the possible reasons for these ones. We verify that a situation experienced by the teaching of physics into the region of Catalão is similar to the one happened into the remaining of the country, and the principal problems appointed are: uninterested students, poor scholar infrastructure, teachers with overworked time classes and bad salaries, and specifically for the case of the physics course, teachers whose initial formation is related to areas very uncorrelated to physics. From all these aspects, it will result into the bad quality of the physics teaching which is considered by the interviewers as being the worst quality from basic education of the region. Another observed fact is that exist, from the side of teachers, a big expectation on the establishment of partnerships whit the teaching-learning course in physics at Catalão of the Federal university of Goiás, both in terms of development projects on extension issues in schools as on the offering refresher course, inclusive master degree, establishing in this way a relationship to create situations that promotes improvements to the teaching quality of the region.

Keywords : Teaching of physics, teacher of physics, professional performance.

## INTRODUÇÃO

O estudo da Física sempre foi problemático para os estudantes, e o que se verifica é que existe um grande desinteresse, sentimento de inutilidade e repulsa por parte dos alunos do ensino médio em relação à aprendizagem da Física, sendo esta considerada pela maioria como uma 'matéria' complexa, que requer muita dedicação para ser aprendida, ou seja, é um problema que deve ser superado para se concluir o ensino médio e prosseguir no ensino superior, de modo que na visão de muitos a Física é o 'monstro' do ensino médio.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (BRASIL, 2002) rediscutiu e propôs os conteúdos a serem trabalhados no Ensino Médio. Em relação ao ensino de Física, o ponto central desse documento oficial é a contextualização do ensino a partir de situações vivenciadas no cotidiano pelo aluno, propondo ser esse o principal norteador das ações a serem realizadas em sala de aula. Segundo essa visão o ensino busca a formação de um cidadão que compreenda melhor o meio em que vive e que seja capaz de se posicionar através de atitudes críticas diante de questões e acontecimentos envolvendo conhecimentos científicos e tecnológicos (CACHAPUZ et al., 2005 ). Diz que as atividades desenvolvidas na escola devem auxiliar os estudantes a compreenderem o processo histórico de evolução das ideias científicas, a natureza da ciência e da tecnologia, e o papel das mesmas na vida pessoal e no meio ambiente (CACHAPUZ; PRAIA, e JORGE, 2000). Esses objetivos serão atingidos se os estudantes perceberam a escola como um desafio que influenciará o seu crescimento pessoal e intelectual, e para isso é necessário que os professores trabalhem conceitos e problemas apropriados ao nível dos estudantes.

No entanto, cerca de uma década depois do lançamento dos PCN's e dos vários documentos subsequentes, o que se observa é que ainda existem diversas dificuldades na aplicação destes parâmetros nas salas de aulas (RICARDO, 2002; RICARDO e ZYLBERZSTAJN, 2002). Entre essas dificuldades merece destaque a infraestrutura deficiente das escolas, as condições de trabalho dos professores, a resistência às mudanças curriculares, a quantidade de temas e conceitos exigidos, o tempo de duração e o número insuficiente de aulas. E em relação à área de Física, soma-se a todas essas questões o fato de que uma parcela significativa de docentes tem uma formação inadequada na área. Na região de Catalão - Go, segundo um levantamento realizado junto a subsecretaria de Educação do estado de Goiás, nenhum professor de Física que atua na rede pública é licenciando (ou bacharel) em Física, apontando ainda que cerca de 7% dos professores de física sequer são graduados (PEREIRA et al., 2009).

Toda a problemática envolvendo o processo de ensino-aprendizagem da Física, principalmente sobre a precariedade do ensino de física na região, relatadas pelos professores supervisores das escolas durante as atividades de Estágio, foi pauta de várias discussões, realizadas nas aulas de Prática de Ensino de Física e de estágio do curso de licenciatura em Física do Campus Catalão da Universidade Federal de Goiás (CAC/UFG), e motivou o desenvolvimento desta pesquisa. Assim foi elaborado um questionário com objetivo de conhecer o processo de ensinoaprendizagem de Física na região de Catalão, identificar quais os fatores estaria afetando a formação dos estudantes no ensino médio, e com base na análise da atual situação do ensino buscar elaborar e propor ações que possam contribuir para mudar essa realidade. A pesquisa foi realizada com 08 professores, sendo que destes 05 atuam em Catalão, 01 em Ipameri e 2 em Pires do Rio. Estes professores responderam um questionário abordando aspectos relativos ao desenvolvimento das aulas de Física, interesse dos alunos, infraestrutura da escola, satisfação profissional, formação continuada e outros aspectos relacionados ao processo de ensino-aprendizagem da Física. Entre os professores pesquisados 05 são formados em matemática, 01 em Pedagogia e os 02 professores de Pires do Rio são egressos do curso de Física do CAC/UFG. O tempo destes na docência varia entre um ano a vinte e um anos, e 03 professores afirmaram possuir outro tipo de trabalho.

## AS AULAS DE FÍSICA

Em relação às aulas de Física foi questionado como os professores avaliam o interesse dos alunos, o uso do livro didático, o conteúdo ministrado, as habilidades e competências que os alunos devem desenvolver, e sobre a infraestrutura que a escola oferece para o desenvolvimento das atividades de ensino.

De forma geral as respostas foram semelhantes. Quanto ao interesse dos alunos, na opinião dos professores, o que se verifica hoje nas escolas é um desinteresse crescente e não apenas pela Física, mas de uma forma geral o interesse pela escola é cada vez menor. Segundo o professor A: 'A cada ano o desinteresse vem aumentando'. Segundo os professores com mais tempo de profissão nos anos anteriores o interesse dos alunos era maior, para a professora B: 'Quando iniciei como professora, os alunos tinham mais interesse pela disciplina, hoje isso não ocorre mais, são poucos interessados' . Especificamente em relação à Física, alguns professores associam esse desinteresse, também, às dificuldades encontradas pelos estudantes em interpretar textos e em realizar cálculos

matemáticos, para o professor C: 'A disciplina desperta pouco interesse, mas não pelos conteúdos que a disciplina apresenta, mas sim pelas dificuldades encontradas na execução dos cálculos'. Porém um professor destaca que consegue despertar o interesse e aumentar a participação dos alunos quando ele ministra aulas diferenciadas e atrativas: 'Em regra geral existe um descaso pela educação em todas as disciplinas, mas o processo com aulas atrativas consegue ter um rendimento satisfatório com boa parte da turma' .

Quanto à utilização do livro didático, verifica ser este o principal recurso usado pelo professor. Em geral todos os alunos recebem o livro didático, sendo este um reflexo positivo do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), através do qual o Ministério da Educação, desde 2009, envia às escolas livros de Física [à exceção dos alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) que não recebem os livros]. Apenas um professor citou a utilização de outras metodologias e estratégias de ensino: 'Utilizamos vários recursos, inclusive o livro didático, cada aluno tem um livro, mas não é o principal recurso, utilizo outros recursos (Internet, Laboratório Línguas, Laboratório Física, Laboratório Informática, data show)'.

Como é comum, principalmente na educação pública, não é ministrado aos alunos todo o conteúdo de Física previsto pelas diretrizes curriculares, e segundo as respostas dos professores isso ocorre porque o tempo destinado às aulas é insuficiente para desenvolver adequadamente todo o conteúdo programático exigido. Segundo o professor A: 'Temos apenas 2 aulas por semana. Nosso planejamento é flexível, priorizamos os conceitos, os fenômenos, a interpretação e passamos os conteúdos que ficariam para trás em forma de seminários'. A solução encontrada pelos docentes é priorizar determinados conteúdos em detrimento de outros, de forma a 'cobrirem' todo o conteúdo, como é observado na resposta do professor B: 'As aulas não são suficientes para ministrar todos os conteúdos. Cabe ao professor selecionar os mais importantes. Como seleciono os conteúdos mais importantes, então consigo aplicar o conteúdo até o fim do livro'.

Para alguns professores o numero insuficiente de aulas, conjugado às deficiências dos alunos em português e matemática, complica ainda mais a situação precária do ensino de Física, segundo o professor D: 'Talvez um dos principais problemas seja a dificuldade do aluno de ler e compreender o que leu e isto o faz achar mais difícil do que é de fato'. E alguns citam que fazem revisões dos conteúdos de matemática para ajudar os alunos a entenderam à Física. Somente três professores afirmaram terem discutidos outros tópicos de Física que não estava na ementa escolar do ensino médio, porém isso ocorreu apenas como parte de projetos desenvolvidos, como em feiras de ciências, na escola.

Os professores entrevistados entendem que o ensino de Física deve proporcionar aos alunos o domínio dos princípios da Física e a capacidade de analisar os fenômenos cotidianos utilizando tais princípios. Para o professor E, os alunos deveriam aprender a '1 -Descrever e explicar fenômenos naturais, processos e equipamentos tecnológicos em termos de conceito, teoria e princípios físicos gerais; 2 - Dominar princípios gerais e fundamentais da Física, estando familiarizado com suas áreas clássicas e modernas entre outros'. Para o professor F a Física ajuda os alunos na 'Compreensão dos fenômenos naturais, uso das tecnologias, compreensão das grandezas e forças fundamentais da natureza, resolução de problemas e aplicação da Física no cotidiano'. E o professor C destaca

que 'Os alunos ainda se ligam muito aos cálculos e dificuldades em matemática. Habilidade mais importante é o desenvolvimento do pensamento lógico em Física. Saber relacionar à Física ao seu cotidiano'. Alguns entendem que vários alunos não conseguem adquirir estas habilidades e competências devido às deficiências que carregam quanto à capacidade de interpretar um texto e realizar cálculos matemáticos, o que acaba por prejudicar seu rendimento em Física.

Chama atenção nas respostas o fato de que, em geral, os professores destacam pontos propostos nos PCN's, citando a contextualização do ensino a partir de situações vivenciadas no cotidiano pelo aluno, a capacidade de interpretação dos fatos, fenômenos e processos naturais, porém nenhum ressalta que um dos objetivos da Física é estimular o desenvolvimento do senso crítico dos jovens estudantes, possibilitando aos mesmos a obtenção dos conhecimentos, habilidades e atitudes científicas na compreensão da natureza, da ciência e da tecnologia, e o papel das mesmas na vida pessoal e no meio ambiente. Ou seja, passado mais de uma década do lançamento dos PCN's, apesar dos professores entenderam a importância das diretrizes ali propostas, ainda não conseguiram colocá-las em pratica, existindo muitas dificuldades na sua utilização, conforme já foi citado por outros autores (RICARDO, 2002; RICARDO e ZYLBERZSTAJN, 2002).

Em relação aos conteúdos de Física Moderna e Contemporânea, somente três professores já discutiram estes nas aulas, porém apenas na forma de pesquisa e seminários. Mas todos são unânimes em afirmar a importância destes conteúdos e que estes estão entre os que mais despertam o interesse dos alunos, porém, novamente é citado o pouco tempo para desenvolver todos os conteúdos de Física. O principal argumento para não trabalhar esses conteúdos é que, normalmente, esses tópicos são os últimos dos livros adotados, e com o número insuficiente de aulas eles não são abordados devido à falta de tempo. Porém todos os professores entendem que a falta destes conteúdos podem prejudicar o desenvolvimento do conhecimento científico do aluno.

Considerando o número de aulas e recursos insuficientes para o desenvolvimento das aulas, como os professores entrevistados afirmam, é compreensível que as escolas não utilizem, como estratégia de ensino, atividades experimentais. Metade dos entrevistados afirma que em suas escolas existem laboratórios com 'kits' de Física, mas que dificilmente os utilizam, tanto pela falta de tempo quanto pelo despreparo do professor. O professor B afirma: 'A escola dispõe de alguns recursos, mas às vezes falta tempo e objetos para experimentos', e segundo o professor F: 'A escola adquiriu equipamentos laboratoriais ótimos, mas que foram pouco utilizados até o momento, principalmente por falta de tempo hábil dos professores' e para o professor E: ' Ainda falta muita infraestrutura como laboratórios e uma sala especifica além de mais cursos de aprimoramento profissional para professores graduados em outra área'. De forma geral dificilmente aplicam atividades experimentais nas aulas.

Uma alternativa aos que não possuem um laboratório seria utilizar experimentos confeccionados com materiais de baixo custo e/ou sucatas. Todavia, poucos professores fazem uso destes experimentos, sendo que apenas um destaca que isso ocorreu durante o projeto PIBID desenvolvido na escola ' Foi utilizado somente no período do projeto PIBID, desenvolvido na escola de 2009 a 2011' e outros o fazem para eventos escolares, como as feiras de ciências, mas na maioria das escolas (cinco) as feiras realizadas não discutem os conteúdos da Física: 'Sim,

durante as feiras de ciência. Não na área de Física, mas em áreas de biologia, teatro, geografia'.

Um dos objetivos da escola é promover o desenvolvimento dos alunos, não somente durante as aulas, mas em todo ambiente escolar. Nas respostas dos professores, alguns afirmaram que o ambiente escolar é propício, mas que as condições de infraestrutura das escolas são precárias e que tem muito a melhorar para desenvolvimento ideal das habilidades e competências dos alunos. Em especial eles citam que sejam ofertados cursos de ' aprimoramento profissional para professores graduados em outra área ' como citou o professor D.

Na opinião dos professores eles não tem tido sucesso em desenvolver plenamente a capacidade de seus alunos, apesar destes conseguirem rendimento dentro de média estabelecida pela secretaria de educação. Foi colocado pelo professor F que um dos motivos para este fracasso é externo a escola, estando associado à forma de educação que as crianças recebem da família, ou seja, 'Falta de apoio e participação da família do estudante em sua vida escolar e pouca liberdade da escola para de fato disciplinar o aluno' e segundo o professor D 'Acredito que o problema maior da educação hoje é o excesso de liberdade dada ao aluno sem que lhe fossem dadas responsabilidades reais: ganhou direitos sem deveres, sob o olhar complacente dos pais comodistas e despreparados'. Nas respostas obtidas e em conversas com os docentes nota-se que o fato de não conseguirem um melhor rendimento dos alunos provoca angustia e depressão, sendo enfatizado o fato de sempre estarem buscando novas formas de incentivarem os alunos.

## PROBLEMAS DO ENSINO DE FÍSICA

Em relação aos principais problemas e carências que afetam o ensino de Física foram apontados pelos professores três: a falta de laboratórios, o desinteresse dos alunos e a falta de tempo do professor. Todavia estas três questões são interligadas, pois a existência de um laboratório de Física poderia proporcionar aulas mais atrativas e interativas, podendo assim despertar e motivar o interesse dos alunos. Mas, para realizar atividades experimentais o professor necessitará de mais tempo para prepará-las e ministrá-las. Assim verifica-se que o ensino de Física se encontra num circulo vicioso: aulas desinteressantes, alunos desmotivados, professores sobrecarregados e mal pagos e escolas com infraestrutura precária. A consequência disto é a realidade vivenciada pelo ensino de Física e da educação em geral, ensino ruim e alunos que terminam o ensino básico carregando sérias deficiências.

E o resultado dessa situação para os professores é uma enorme insatisfação pessoal e profissional, principalmente considerando que às más condições de trabalho e precariedade das escolas, acrescenta-se a falta de reconhecimento por parte dos alunos de dos pais frente ao esforço despendido e a má remuneração do professor, pois os salários pagos aos profissionais da educação no Estado de Goiás são extremamente baixos. De acordo com o professor C 'p rofissionalmente tenho algumas deficiências, mas, no geral, estou satisfeito em trabalhar na educação. Insatisfações: baixo salário e pouco reconhecimento por parte de muitos alunos e pais '. Assim com um salário insuficiente para cobrir suas despesas o professor se vê obrigado a assumir muitas vezes uma carga horária excessiva de trabalho (Três professores exercem outras atividades) o que o deixa sem tempo para se dedicar à

preparação das aulas ou mesmo para se atualizar profissionalmente, levando a uma depreciação cada vez maior do trabalho docente, como apontado pelo professor E ' Bom se tivesse o curso de capacitação as dificuldades encontradas seria a falta de tempo, pois a maioria dos professores estão sobrecarregados, seria necessária a dispensa em colaboração c/ o estado p/ fazer tais curso. E a falta de tempo que se tem. Pois, o professor trabalha com carga horária altíssima' .

## PERSPECTIVAS FUTURAS DO PROFESSOR

Um ponto colocado pelos professores foi o fato de não terem acesso a um centro de apoio e referência ao professor. Na verdade em poucas regiões do país existem esses centros, de modo que na maioria das vezes os professores tem como apoio sua própria experiência, pois existem muitas dificuldades para uma formação continuada.

Em relação aos programas de formação continuada e de qualificação na área de Física os professores afirmaram serem estes bastante escassos. Somente dois professores citaram ter participado de atividades dessa natureza (sendo que um professor citou a participação no SNEF 2011, que não é um evento com essa finalidade). O outro professor fez um curso de especialização em Física, pois é graduado em pedagogia e não teve contato com os conteúdos de Física durante a graduação. Este professor, apesar de ter aproveitado as atividades ofertadas na especialização, acha que deve ser oferecidos métodos mais inovadores para a aprendizagem dos alunos: ' A verdade é que a maioria dos professores não são formados em Física e não tem nenhuma capacitação para melhorar suas aulas e acredito que a Física não é ensinada de forma adequada. Para que pudéssemos realizar um trabalho mais dinâmico e que despertasse nos alunos um maior interesse pela disciplina de Física, seria indispensável um laboratório de Física para que além da teoria os alunos pudessem verificar na prática algumas aplicações Físicas. Sem contar com materiais de mídia (CDs, vídeos mais adequados aos conteúdos, um data show por sala, etc.), as limitações para o desenvolvimento de uma aula mais atrativa são diversas '.

Merece destaque a grande expectativa destes professores em receberem apoio do curso de Licenciatura em Física do Campus Catalão da UFG. Todos mencionaram que espera do curso de Física do CAC/UFG apoio para a realização de atividades experimentais, tanto na forma de treinamento para utilizarem os laboratórios já existentes nas escolas quanto na forma de realização de oficinas para ensinar a elaborar experimentos de baixo custo, esperam a oferta de cursos de aperfeiçoamento e capacitação, e até mesmo um mestrado na área de ensino de Física. Conforme é apontado pelo professor A: ' Gostaria de conhecer metodologias práticas, simples e produtivas no ensino de Física' , ou seja, existem expectativas por parte desses professores quanto a uma maior integração entre a educação básica (escola) e o ensino superior (Universidade).

Quando instados a falar sobre o que pensam do ensino de Física verifica-se que o professor é bem consciente da real situação vivenciada, inclusive dizem que a formação inadequada dos mesmos faz que a Física não seja ensinada de forma adequada. E isso faz com o ensino de Física seja considerado por eles como sendo o mais fraco da educação básica na região e também o que provoca maior aversão por parte dos alunos, como é citado pelo professor G: ' A educação vem se arrastando por longos anos, décadas, ou melhor, séculos. Mas aos poucos acredito

que irá acontecer uma revolução. O ensino de Física é o mais fraco dentro da educação básica. Isso se resume pela a falta de desinteresse do aluno, e também por falta de recursos didáticos '. De modo que os professores percebem e se sentem angustiados com as deficiências enfrentadas no desenvolvimento das aulas de física, mas não sabem como mudar essa realidade.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

As respostas fornecidas pelos professores ao questionário realizado possibilita o entendimento de alguns aspectos do ensino de Física em Catalão, principalmente por considerar a opinião de quem está mais envolvido e apto a discutir esta situação, o professor que atua nas escolas de ensino médio, pois este é o principal ator no processo de ensino - aprendizagem dos alunos. Isto é importante considerando que a situação do professor, e sua atuação dentro da sala de aula, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das potencialidades dos alunos podendo inclusive motivar o interesse destes por uma determinada carreira, em especial pelas carreiras das áreas científicas, como a física.

Entre os principais problemas e carências que afetam o ensino de Física, três se destacam: a falta de laboratórios, o desinteresse dos alunos e a falta de tempo do professor. E de certa forma estes se interligam, pois o professor sobrecarregado, ministrando um número excessivo de aulas semanais (alguns com 42 horas-aula semanais em sala, trabalhando em 03 turnos), não tem tempo para preparar adequadamente suas aulas, se atualizar sobre as novas tecnologias de informação e comunicação, sobre as novas descobertas científicas ou até mesmo para preparar experimentos que desafiam os alunos a explicarem os fenômenos físicos, e assim suas aulas se tornam maçantes e repetitivas, o que não contribui para despertar o interesse dos jovens cada vez mais indiferentes e egocêntricos.

Observou-se que na visão dos docentes o pouco tempo destinado às aulas de Física é fonte de diversos problemas, e não permite o desenvolvimento adequado de todos os conteúdos de Física. Contudo, aumentar o número de aulas não é trivial, pois isso depende de aspectos legais, além de que esse aumento também deveria ocorrer em outras áreas: química, biologia, inglês, etc., e deste modo haveria uma expansão da carga horária em todas as áreas, o que seria complicado para as autoridades. Além do que isso não garante uma melhoria da qualidade do ensino, além de acarretar um aumento do número de docentes, que atualmente, no caso da Física, já é bastante deficitário. Em geral, os professores de física não são formados na área e, em sua maioria, lecionam o número máximo de aulas permitidas por semana.

Todos esses problemas não serão solucionados, a não ser que haja um conjunto de ações adotadas pelo professor, pelas escolas, pelas instituições governamentais da área de educação, e também pelas universidades. O apoio da universidade é de fundamental importância, não só na formação inicial como também para a formação continuada dos professores e através de projetos de extensão desenvolvidos nas escolas. Foram destacados pelos docentes os resultados positivos das atividades desenvolvidas em projetos pontuais das quais eles participaram, como o PIBID, enfatizando a necessidade da consolidação de programas desta natureza.

Melhorias no ensino de Física necessitam também de um numero maior de professores qualificados e bem remunerados, além de possibilitar aos mesmos o tempo necessário para se dedicarem a sua atividade, com tempo para planejar melhor suas aulas, cumprindo todo o conteúdo, e assim temas como Física Moderna não ficaria de fora do conhecimento dos alunos.

Concluindo os problemas enfrentados pelo Ensino de Física na região de Catalão não é diferente da situação vivenciada no restante do país, e o que foi descrito pelos professores entrevistados nesta pesquisa são questões e situações semelhantes à realidade do ensino de Física mencionado em diversos textos e artigos produzidos em várias regiões do país. Os resultados corroboram a necessidade urgente de uma reformulação geral da educação no país em todas as áreas, principalmente em relação às áreas mais carentes como a Física, além de enfatizar que a implantação de uma política eficaz de valorização do docente e do ambiente escolar é extremamente necessária para produzir mudanças positivas na qualidade da educação Brasileira.

## AGRADECIMENTOS:

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) pelo apoio financeiro.

## REFERÊNCIAS

BRASIL, MEC, SEB. Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais . Ministério da educação. Secretaria da Educação Fundamental. 2002.

CACHAPUZ, A.(Org.); PRAIA, J.; JORGE, M.. Perspectivas de ensino . Porto: Estudos de Educação em Ciências, 2000.

CACHAPUZ, A.; GIL-PÉREZ, D.; CARVALHO, A. M. P.; PRAIA, J.; VILCHES, A. (Org.). A necessária renovação do ensino de Física . São Paulo: Cortez, 2005.

PEREIRA, A. R.; ALVES, J. P. G.; DUTRA, J. C. B., ORTIZ, J. S. E.. Perfil dos professores de Física no Ensino Médio na região de Catalão-GO . XVIII Simpósio nacional de Ensino de Física, Vitoria, ES, 2009.

RICARDO, E. C.; ZYLBERZSTAJN, A.. O Ensino das Ciências no Nível Médio: um estudo sobre as dificuldades de implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais . Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.19, n.3, p.351370, 2002.

RICARDO, E. C.. As Ciências do Ensino Médio e os Parâmetros Curriculares Nacionais: da proposta à prática. Ensaio: avaliação e políticas publicas em educação . Rio de Janeiro, v.10, n.35, p.141-160, 2002.

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