A MOTIVAÇÃO PROPICIADA PELA ABORDAGEM DE UM TEMA DE FÍSICA MODERNA COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
Luciene Fernanda Da Silva, Alice Assis
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 06/11/2012
- Linha de pesquisa
- Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A MOTIVA˙ˆO PROPICIADA PELA ABORDAGEM DE UM TEMA DE F"SICA MODERNA COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
## THE MOTIVATION PROVIDED BY THE APROACH OF A THEME OF MODERN PHYSICS TO HIGH SCHOOL STUDENTS
## Luciene Fernanda da Silva , Alice Assis 1 2
1 USP / Pós-graduaçªo Interunidades em Ensino de CiŒncias / luciene.fernanda@usp.br
2 UNESP / Departamento de Física e Química / alice@feg.unesp.br
## Resumo
Para esta pesquisa, foi elaborada uma aula usando um tópico de Física Moderna - o efeito fotelØtrico - com uma sequŒncia didÆtica que procurou favorecer a interaçªo entre alunos e professor e gerar motivaçªo nos alunos, tªo importante para a aprendizagem dos conhecimentos trabalhados em sala de aula. Para a realizaçªo dessa aula, foi elaborado o material didÆtico que aborda o efeito fotoelØtrico e que permite ao professor a abordagem desse tópico de forma lœdica, o que pode contribuir de forma significativa para que o aluno permaneça atento, desde que esse material tenha características motivacionais. Esse material consiste em um experimento intitulado 'Ouça seu controle remoto!' e um texto, que foi escrito por uma das pesquisadoras após a escolha do experimento. Os sujeitos da pesquisa foram 14 alunos de uma sala de terceiro ano do Ensino MØdio, em uma Escola da Rede Estadual de ensino da cidade de GuaratinguetÆ - SP. A pesquisa Ø de cunho qualitativo e pode ser classificada como um estudo de caso. Os resultados desta pesquisa mostraram que o material utilizado apresentou, de fato, características motivacionais, bem como que a interaçªo entre professor e alunos, mediados pelo material utilizado (experimento e texto), gerou emoçıes positivas nos alunos, o que viabilizou a motivaçªo dos alunos em participarem ativamente da aula e aprenderem o conteœdo trabalhado. Lembrando-se de que esta foi uma intervençªo pontual, nos questionamos se esta motivaçªo continua a se sustentar por um longo período de tempo.
Palavras-chave : Ensino de Física, Física Moderna, Ensino MØdio, Motivaçªo.
## Abstract
In this research, we planned a class about a topic of Modern Physics - the photoelectric effect - with a didactic sequence that aimed to foster interaction between students and teacher and generate motivation among the students, so important to learn the concepts studied in the classroom. To carry out this class, we designed a teaching material about the photoelectric effect that allows the teacher to approach this topic in a playful manner, which can contribute significantly to the student to remain alert, since this material has motivational characteristics. This material consists of an experiment titled "Listen to your remote control!" and a text that was written by one of the researchers after the experiment was chosen. The
investigation subjects were 14 students in a classroom of the third year of high school in a state school education in the city of GuaratinguetÆ - SP. The research is qualitative and can be classified as a case study. Our results showed that the material presented motivational characteristics, as well as the interaction between teacher and students, mediated by the material used (experiment and text), generated positive emotions in students, which enabled the students' motivation to participate actively in class and learn the content studied. Remembering that this was a punctual intervention, we wondered whether this motivation continues to be sustained for a long period of time.
Keywords : Physics teaching, Modern Physics, High School, Motivation.
## Introduçªo
Muitos pesquisadores na Ærea de Ensino de Física (TERRAZZAN, 1992; CAVALCANTE, 1999; OSTERMANN e MOREIRA, 2001; REZENDE JÚNIOR e CRUZ, 2009) ressaltam a importância da inserçªo da Física Moderna (FM) no Ensino MØdio (EM).
Muitos autores em seus trabalhos destacam as dificuldades enfrentadas por professores para a inserçªo da FM no EM, tais como Ostermann e Moreira (2000) e Rezende Jœnior e Cruz (2009). Entre essas dificuldades, podemos citar: falta de tempo para a abordagem de assuntos novos de Física nªo presentes no currículo tradicional, devido à baixa carga horÆria dedicada a essa disciplina nas escolas; falta de materiais didÆticos sobre FM adequados para o EM; dificuldade em abordar com os alunos assuntos tªo abstratos. Embora tendo de enfrentar essas dificuldades, a abordagem de tópicos da FM no EM pode propiciar que os alunos pensem e interpretem o seu cotidiano. Segundo Terrazzan (1992), esse cotidiano
inclui nªo só aspetos derivados do sistema produtivo e da realidade geral em que vivemos, mas tambØm a satisfaçªo da curiosidade natural inerente ao ser humano, que o impulsiona na busca do conhecimento, e a satisfaçªo das solicitaçıes incentivadas pelos meios de comunicaçªo (TERRAZZAN, 1992, p.213).
Tendo em vista que esses aspectos podem viabilizar o interesse do aluno em sala de aula, neste trabalho analisamos a utilizaçªo de um material didÆtico (experimento e texto) que aborda um tópico de FM, com alunos do terceiro ano do EM, a fim de verificarmos se a interaçªo entre professor e alunos, mediados por esse material, propiciou a motivaçªo dos alunos em participarem ativamente da aula e aprenderem os conhecimentos trabalhados.
## Referencial Teórico
Para analisar os dados da presente pesquisa, utilizamos como referencial teórico a Teoria Sócio-Histórica de Vigotski. De acordo com essa teoria, a interaçªo social Ø fundamental para a aprendizagem de novos conceitos. No entanto, essa interaçªo social deve ser assimØtrica, ou seja, ao menos um parceiro mais capaz, aquele que domina o conteœdo desenvolvido na interaçªo, deve participar dela (MONTEIRO et al., 2008)
No contexto escolar, o professor atua na maioria das vezes como o parceiro mais capaz. A presença e atuaçªo do parceiro mais capaz sªo fundamentais, pois ele Ø o responsÆvel por orientar, por meio da linguagem, a relaçªo entre o aprendiz e o novo conceito. Em outras palavras, podemos afirmar que 'o meio social Ø determinante do desenvolvimento humano e que isso acontece fundamentalmente pela aprendizagem da linguagem, que ocorre por imitaçªo' (NEVES e DAMIANI, 2006, p.6). O aprendiz imita o parceiro mais capaz num primeiro momento atØ que o desenvolvimento das novas estruturas mentais desencadeadas pela aprendizagem se complete. Uma vez que essas novas estruturas estejam totalmente desenvolvidas, podemos dizer que a aprendizagem do novo conceito se concretizou.
Nesse processo, Ø importante considerar os conceitos espontâneos, que resultam da relaçªo direta do sujeito com o mundo que o cerca. O conceito científico, por sua vez, Ø um conceito nªo-espontâneo, apresentado no ensino formal. Sobre esses dois tipos de conceitos e suas relaçıes, Vigotski (2003) escreve:
Pode-se remontar a origem de um conceito espontâneo a um confronto com uma situaçªo concreta, ao passo que o conceito científico envolve, desde o início, uma atitude 'mediada' em relaçªo a seu objeto.
Embora os conceitos científicos e espontâneos se desenvolvam em direçıes inversas, os dois processos estªo estreitamente relacionados. [...] Ao forçar a sua lenta trajetória para cima, um conceito cotidiano abre o caminho para um conceito científico e o seu desenvolvimento descendente. Cria uma sØrie de estruturas necessÆrias para a evoluçªo dos aspectos mais primitivos e elementares de um conceito, que lhe dªo corpo e vitalidade. Os conceitos científicos, por sua vez, fornecem estruturas para o desenvolvimento ascendente dos conceitos espontâneos da criança em relaçªo à consciŒncia e ao uso deliberado (p. 135-136).
A estrutura cerebral jÆ formada Ø chamada Zona de Desenvolvimento Real e compreende todos os conceitos jÆ apreendidos e dominados pelo indivíduo. Assim, ele sozinho Ø capaz de resolver problemas desde que sejam problemas relacionados aos conceitos dentro dessa zona. AlØm dessa estrutura jÆ consolidada estÆ a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que representa o potencial de formaçªo de novas estruturas cognitivas, desde que com a colaboraçªo de um parceiro mais capaz, que se dÆ por meio da interaçªo social.
A motivaçªo Ø outro elemento decisivo para a efetivaçªo da aprendizagem. Para a ocorrŒncia da aprendizagem, Ø importante que o aprendiz esteja envolvido no processo, ou seja, que seja ativo, estando disposto a interagir com o parceiro mais capaz. Essa predisposiçªo envolve as emoçıes e as necessidades do aprendiz, aspectos os quais o professor tambØm deve atentar em sala de aula. Segundo Vigotski (2003, p.187), 'pensamento propriamente dito Ø gerado pela motivaçªo, isto Ø, pelos nossos desejos e necessidades, os nossos interesses e emoçıes'.
Segundo Monteiro e Gaspar (2007), algumas emoçıes positivas, tais como respeito, surpresa, indignaçªo e solidariedade, desencadeiam a interaçªo na sala de aula e, portanto, auxiliam no processo de aprendizagem. Outras emoçıes, as negativas, tais como indiferença, embaraço e frustraçªo, dificultam o estabelecimento da interaçªo na sala de aula, atrapalhando a aprendizagem.
É importante ressaltar que a interaçªo social mediada por algumas estratØgias de ensino podem gerar emoçıes positivas e, consequentemente, motivaçªo nos alunos em aprender. Segundo Laburœ (2006), hÆ uma 'certa relaçªo
de dependŒncia entre estratØgias eficientes e a capacidade das mesmas em potencializar a motivaçªo de grande parte dos alunos' (p.384). No ensino de CiŒncias, normalmente, as atividades experimentais trazem grandes expectativas aos alunos, gerando inicialmente curiosidade e motivaçªo em aprender. No entanto, o grande desafio Ø ir alØm do despertar a curiosidade e a motivaçªo inicial no aluno. É necessÆrio manter a sua atençªo, instaurando 'processos motivacionais que tendam a se realimentar nos alunos. Assim, a motivaçªo para aprender conteœdos curriculares necessita ser estimulada por diversas açıes mutuamente dependentes' (TAPIA; FITA, 2001, apud LABURÚ, 2006, p.385). Segundo Laburœ (2006), deve-se
procurar ativar a curiosidade dos alunos, em momentos do processo de ensino, utilizando experimentos com formato cativante, que atraiam e prendam a atençªo. Na medida em que se passa a planejar experimentos com essa orientaçªo, ultrapassando a preocupaçªo de adequÆ-los apenas ao conteœdo ou ao conceito de interesse, pode-se ajudar a abalar atitudes de inØrcia, de desatençªo, de apatia, de pouco esforço, servindo esses experimentos, inclusive, de elo incentivador para que os estudantes se dediquem de uma forma mais efetiva às tarefas subseqüentes mais Ærduas e menos prazerosas (p.384).
Nessa perspectiva, o uso de recursos, tais como atividades experimentais e leitura de textos em sala de aula pode contribuir de forma significativa para que o aluno permaneça atento, desde que essas atividades tenham características motivacionais, ou seja, nªo Ø suficiente despertar a atençªo do aluno, Ø necessÆrio manter a sua atençªo (LABURÚ, 2006). Ressaltamos, porØm, que essas características podem ser favorecidas pela a interaçªo entre professor e alunos, de modo que o primeiro promova a participaçªo ativa dos alunos, no sentido de levÆ-los a colocar as suas concepçıes, o que pode facilitar que o professor atue na ZDP.
## A Pesquisa
Nesta pesquisa foi elaborada uma aula usando um tópico de FM (efeito fotelØtrico) com uma sequŒncia didÆtica que procurou favorecer a interaçªo entre alunos e professor e gerar motivaçªo nos alunos. Segundo Barojas (1988, apud OSTERMANN e MOREIRA, 2000), dentre as inœmeras razıes para a inserçªo da FM no EM destaca-se a de que podemos, com o ensino de tópicos da FM, 'despertar a curiosidade dos estudantes e ajudÆ-los a reconhecer a Física como um empreendimento humano e, portanto, mais próxima a eles' (p. 24).
Verificamos se a interaçªo entre professor e alunos, mediada pelo uso do experimento e do texto, pode gerar emoçıes positivas, de modo a viabilizar a motivaçªo dos alunos em participarem ativamente da aula e aprenderem o conteœdo trabalhado. Os sujeitos da pesquisa foram 14 alunos de uma sala de terceiro ano do Ensino MØdio, em uma Escola da Rede Estadual de ensino de GuaratinguetÆ/SP.
A pesquisa Ø de cunho qualitativo (BOGDAN e BIKLEN, 1982) e pode ser classificada como um estudo de caso. Segundo Merriam (apud BOGDAN e BIKLEN, 1982, p.89), o estudo de caso 'consiste na observaçªo detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma fonte de documentos ou de um acontecimento específico'. Em nosso caso, o acontecimento específico observado Ø a aula sobre efeito fotoelØtrico.
Para a realizaçªo da aula, elaboramos o material didÆtico que aborda de forma lœdica o efeito fotoelØtrico. Esse material consiste em um experimento
intitulado 'Ouça seu controle remoto!', inspirado em um experimento apresentado por Cavalcante e Tavolaro (2007) e um texto. É um experimento de demonstraçªo montado com materiais de baixo custo. A escolha de um experimento de demonstraçªo se deu por dois motivos. Primeiro, porque grande parte dos alunos nunca teve contato com aulas experimentais. Segundo, porque o objetivo da aula era dar Œnfase conceitual ao efeito fotoelØtrico. Na Figura 1, apresentamos uma foto e um esquema do experimento utilizado (SILVA e ASSIS, 2012).
AlØm disso, usamos a leitura de um texto escrito por uma das pesquisadoras após a escolha do experimento. É uma história de ficçªo em que dois personagens, Bichano e Latim, discutem o fenômeno que observam no experimento. O texto foi elaborado de forma a viabilizar a articulaçªo do seu conteœdo com os conceitos envolvidos no experimento e com os assuntos abordados na aula. Alguns quadros ao longo do texto contŒm explicaçıes mais detalhadas dos conceitos físicos discutidos pelos personagens. Perguntas realizadas pelos personagens serviram de gancho para que os alunos e o professor explorassem os conteœdos abordados.
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Figura 1 : à esquerda: foto do experimento 'Ouça seu controle remoto!', confeccionado com materiais de baixo custo; à direita: esquema do circuito do experimento.
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As carteiras dos alunos foram dispostas na sala na forma de um semicírculo (forma de U), a fim de facilitar a interaçªo entre alunos e professor e a visualizaçªo do experimento. Cada aluno leu uma parte do texto. O professor fez vÆrias pausas ao longo da leitura para discussªo do que foi lido e para articulaçªo entre texto e experimento.
Ao longo da leitura do texto, o professor realizou uma revisªo sobre alguns conteœdos estudados anteriormente pelos alunos. Essa articulaçªo entre o assunto novo (efeito fotoelØtrico) e assuntos jÆ estudados (presentes no currículo tradicional: alguns conceitos de ondulatória, o espectro eletromagnØtico e corrente elØtrica) foi proporcionada pelo próprio texto. Essa revisªo permitiu ao professor identificar a ZDP dos alunos e avaliar a profundidade que seria dada ao assunto da aula. Acreditamos que esse material permite a associaçªo entre o ensino dos conteœdos tradicionais e o ensino do conteœdo de FM, numa tentativa de contornar alguns dos problemas enfrentados pelo professor na inserçªo da FM no EM, como a falta de tempo para a abordagem de assuntos novos em suas aulas.
A aula foi gravada na íntegra, em Æudio e vídeo, e teve duraçªo de cerca de 100 minutos. Após duas semanas, uma atividade escrita com questıes conceituais sobre os conteœdos trabalhados foi realizada pelos alunos, bem como uma pesquisa sobre as opiniıes dos alunos a respeito da aula e dos recursos utilizados em sala. Os instrumentos que constituíram os dados deste trabalho, especificamente, foram a
transcriçªo da aula e as opiniıes dos alunos acerca da mesma. A seguir, destacamos alguns resultados da anÆlise dos dados obtidos na pesquisa.
## AnÆlise dos dados
Os dados foram obtidos a partir da transcriçªo dos diÆlogos e da observaçªo dos gestos e expressıes dos sujeitos, presentes na gravaçªo da aula e a partir de uma avaliaçªo escrita realizada pelos alunos em formato de pesquisa de opiniªo a respeito da atividade desenvolvida. Nessa atividade escrita, os alunos foram encorajados a escrever o que quisessem, destacando os pontos positivos e negativos da aula, alØm de dar sugestıes. Começamos destacando alguns recortes dos episódios da aula analisados na seçªo a seguir.
## AnÆlise dos episódios
Dividimos a aula em um total de sete episódios. Por limitaçªo de espaço, destacamos a seguir apenas dois recortes de um desses episódios (o episódio 4), onde identificamos indícios de motivaçªo por parte dos alunos.
No recorte 1, transcrito no Quadro 1 , o professor começa a explorar o funcionamento do experimento após leitura de partes do texto e discussıes sobre conceitos de ondulatória, de corrente elØtrica e do efeito fotoelØtrico.
Quadro 1: Recorte 1 do episódio 4 - Entendendo o funcionamento do experimento
148. Professor - Entªo a pergunta Ø essa: vocŒ tem elØtrons percorrendo esse fio, seguindo esse caminho, mas por que vocŒ nªo estÆ ouvindo nada na caixinha de som, enquanto eu nªo aperto o controle? É essa a pergunta que a gente deixa pra vocŒs. VocŒs vªo me ajudar a respondŒ-la mais tarde, tÆ bom?
149. Luc - Mas professor, quando... tÆ fora da bateria e quanto só encosta e dÆ um movimento nªo faz um barulho? A parte da bateria, que tÆ ligada à bateria!
150. Professor - Isso aqui?
151. Luc - Isso. Quando vocŒ tira e encosta aí, nªo faz um barulho?
152. Professor - Vamos testar! (tira o suporte da bateria, e coloca de novo) Isso, ó. VocŒs ouviram na hora que eu tirei? Ó... (alunos ouvem um ruído) Só de raspar aqui, vocŒ estÆ gerando... Entªo realmente... Opa, vocŒ tocou num aspecto bom. Por que quando eu raspo ou, por exemplo, quando eu encosto o sensor... o conector na bateria, por que aparece esse barulho na caixinha? Vamos entender o que faz o som passar na caixinha. A gente vai fechar isso no final. O que faz aparecer o som aqui na caixinha. A gente vai entender daqui a pouquinho. Pode continuar... (continuaçªo da leitura do texto)
Nesse episódio, verificamos que o aluno Luc, que permanecia quieto desde o início da aula apenas observando o professor, começou a participar ativamente (participaçªo que se estendeu atØ o final da aula), perguntando algo que ele observou na execuçªo do experimento (momentos 149 e 151). Vemos, pela qualidade da pergunta realizada, que ele se encontrava realmente motivado e atento ao experimento. Ressaltamos que nªo fosse o uso do experimento em sala de aula, provavelmente esse aluno continuaria assistindo à aula de modo passivo.
O recorte 2 ilustra com outro exemplo a motivaçªo dos alunos demonstrada no decorrer da aula. A sua transcriçªo se apresenta no Quadro 2 , a seguir.
Quadro 2: Recorte 2 do episódio 4 - Entendendo o funcionamento do experimento
169. Die -Professor, aqueles aparelhos que medem radiaçªo, eles possuem o fotossensor?
170. Professor - É, nªo sei exatamente se Ø esse o nome: 'fotossensor'. Mas eles tŒm que possuir um elemento desse tipo que seja sensível à radiaçªo nessa frequŒncia aqui, nessa frequŒncia mais alta, a radiaçªo gama. Esse aparelho, esse que a gente tem aqui, ele Ø sensível para frequŒncias desse tipo, ele fornece elØtrons pro circuito quando vocŒ joga sobre ele radiaçªo que tÆ nessa frequŒncia.
171. Die - Por exemplo... Se pegar, por exemplo, o urânio... Vamos pegar o polônio! Se eu pegar o polônio e colocar perto, daí ele vai sair barulho?
172. Professor - Só se o polônio emitir infravermelho.
173. Die - Infravermelho...
174. Professor - É! Porque assim: provavelmente o polônio vai estar emitindo ondas de frequŒncias muito altas, certo? Se por acaso ele emitir o infravermelho, aí ele vai sensibilizar esse fotossensor. O fotossensor Ø preparado para receber o infravermelho. Nessa frequŒncia.
175. Die - Cada medidor de radiaçıes Ø preparado em um intervalo.
176. Professor - Isso...
No momento 169, a aluna Die fez uma pergunta relacionando o que estava sendo discutido em aula (sensibilidade do fotossensor para algumas faixas de frequŒncia) com seus conhecimentos anteriores. A pergunta realizada por ela tambØm Ø um indício de motivaçªo despertada pelo experimento e pelo tema da aula. A discussªo subsequente com o professor tambØm pode tŒ-la ajudado a entender melhor o funcionamento do fotossensor como fica subentendido em suas falas (momentos 171, 173 e 175).
## AnÆlise da avaliaçªo dos alunos sobre a atividade
Nesta seçªo, destacamos alguns dos comentÆrios dos alunos colhidos na avaliaçªo escrita sobre a atividade. No Quadro 3 , a seguir, destacamos alguns desses comentÆrios.
Quadro 3: opiniªo de alguns alunos sobre a aula e as atividades realizadas
Die: [Sobre o tema da aula] Curiosa e a experiŒncia . [Sobre o experimento] Uma coisa do cotidiano que se for parar para pensar tem muita física. [Críticas e sugestıes] Aumentar o nœmero de aulas e fazer mais experimentos .
Luc: [Sobre o tema da aula] Que bom... professores, tema, dinâmica. Que pena... tempo (muito pouco). Que tal... aumentar o tempo para aprofundar no assunto. [Sobre o experimento] Que bom... facilitou a aprendizagem e facilitou mais a aula. Que tal... ensinar a montar um passo a passo.
Gra: [Sobre o tema da aula] É um tema interessante pois sªo coisas que encontramos no nosso cotidiano e que nunca paramos para pensar como tal coisa
acontece. [Críticas e sugestıes] Esse tipo de aula Ø muito œtil para se ter um bom aproveitamento das matØrias dada em aula, pois faz com que os alunos aprendam de uma maneira interativa e divertida o conteœdo programado pelo professor. Outra dica interessante Ø que todos os professores de todas as escolas utilizassem esse tipo de aula porque hÆ um melhor rendimento e os alunos aprendem muito mais só assim a educaçªo desse país vai melhorar.
Jos: [Críticas e sugestıes] Foi uma aula extra excelente mas para complementar venho a sugerir o texto 'Efeito fotoelØtrico/quantum de radiaçªo' do autor e professor 'Dr. Luiz Peduzzi' que atua no departamento de física da Universidade de Santa Catarina, o texto original Ø extenso mas Ø muito interessante pra se comentar, quem nªo leu procure ler pelo menos alguns fragmentos.
Os comentÆrios de todos os alunos (14) foram unânimes: todos gostaram e se mostraram interessados com o tema da aula e com os materiais didÆticos que foram utilizados.
Podemos ver pelos comentÆrios de Die e Gra, que consideraram o modo como a aula foi conduzida boa e que seria ótimo se tivessem mais aulas como essa. Luc tambØm sugeriu aumentar o nœmero de aulas e o tempo dedicado ao tema estudado para aprofundamento. Esse aluno tambØm expressou vontade em aprender a montar o experimento utilizado na aula. Gra comentou que o conteœdo apresentado em aula fez com que ele notasse o quanto de física aparece em acontecimentos cotidianos. Jos demonstrou ter ido alØm do que foi estudado em aula, procurando na internet mais textos sobre o efeito fotoelØtrico.
## Consideraçıes finais
Nesse trabalho, propomos uma soluçªo para alguns dos problemas relacionados à inserçªo da FM no EM, como os citados na introduçªo. Para tanto, montamos o experimento com materiais de baixo custo e de fÆcil aquisiçªo, trabalhamos o conteœdo de FM (efeito fotoelØtrico) associado aos conteœdos do currículo tradicional (corrente elØtrica e alguns conceitos de ondulatória) e contextualizamos esse conteœdo, ao exploramos as suas aplicaçıes tecnológicas. Foi possível observar que o material utilizado apresentou características motivacionais.
Julgamos ser importante o professor estar ciente de que, como a aprendizagem Ø um processo complexo, ela envolve outras variÆveis alØm daquelas relacionados ao material utilizado. Os sentimentos dos alunos com relaçªo à aula tambØm Ø algo que deve ser considerado com cuidado. Os resultados desta pesquisa mostraram que a interaçªo entre professor e alunos, mediada pelo material utilizado (experimento e texto), gerou emoçıes positivas nos alunos (MONTEIRO E GASPAR, 2007), o que viabilizou a motivaçªo dos alunos em participarem ativamente da aula e aprenderem o conteœdo trabalhado. Mas, cabe ressaltar de que esta pesquisa tratou de uma intervençªo pontual. Assim, nos perguntamos se a motivaçªo gerada por este material se sustenta por um longo período de tempo. Provavelmente, o professor deve utilizar ainda em outros momentos outros materiais potencialmente motivacionais, a fim de conseguir realmente 'cativar' o aluno para o estudo da física.
Para finalizar, destacamos que nªo fizemos uma anÆlise acerca da ocorrŒncia ou nªo a aprendizagem dos conceitos trabalhados, pois esses foram estudados somente no período da aula analisada, um período muito curto para a efetivaçªo da aprendizagem.
## Agradecimentos
Gostaríamos de agradecer à Fundunesp pelo apoio na divulgaçªo deste trabalho.
## ReferŒncias bibliogrÆficas
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CAVALCANTE, M.A. O ensino de uma nova física e o exercício da cidadania. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol. 21, no. 4, Dezembro, 1999.
CAVALCANTE, M.A., TAVOLARO, C.R.C. Física Moderna Experimental . 2' Ed. Barueri: Editora Manole, 2007.
LABURÚ, C.E. Fundamentos para um experimento cativante. Caderno Brasileiro do Ensino de Física , v. 3, n. 3: p. 382-404, dez. 2006.
MONTEIRO, I.C.C., GASPAR, A. Um estudo sobre as emoçıes no contexto das interaçıes sociais em sala de aula. Investigaçıes em Ensino de CiŒncias , v. 12(1), pp. 71-84, 2007.
MONTEIRO, I.C.C., VILLANI, A., MONTEIRO, M.A.A, GASPAR, A. Motivaçªo e interaçªo social em aulas expositivas: algumas reflexıes. Comunicaçªo oral apresentada no XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2008. Curitiba. Disponível em: <
http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/epef/xi/atas/resumos/T0113-1.pdf> Acesso em: 12 mai. 2012.
NEVES, R.A., DAMIANI, M.F. Vygotsky e as teorias de aprendizagem. UNIrevista . v. 1, n. 2, abr.2006.
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VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. 2' ed. Sªo Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.