Uma contribuiçao da História da Ciência para a pesquisa em Ensino de Ciências
Valéria Silva Dias, Alberto Villani
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- IX
- Ano
- 2004
- Data
- 28/10/2004
- Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Das Ciências No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
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## UMA CONTRIBUIÇÃO DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA PARA A PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS
Valéria Silva Dias a [mfedias@uol.com.br] Alberto Villani b [avillani@if.usp.br]
a Doutorado em Educação para a Ciência, UNESP, Bauru (SP) b Instituto de Física, USP, São Paulo (SP)
Este trabalho é resultado de uma pesquisa de mestrado já finalizada, onde investigamos a relação do estudante com o laboratório didático, enquanto experiência de aprendizagem. Nosso olhar esteve subsidiado pela História da Ciência, através do trabalho experimental produzido por Michael Faraday. Como fonte de dados, tomamos seus cadernos de laboratório contendo relatos de suas investigações experimentais sobre eletromagnetismo, do período de 1820 a 1831, e acompanhamos (com uma abordagem etnográfica) os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes da disciplina Física Experimental VI - Laboratório de Estrutura da Matéria e Física Moderna, oferecido a alunos de graduação da Universidade de São Paulo.
Através de movimentos de idas e vindas entre as duas fontes, a bibliografia primária de Faraday que foi preservada e o exercício etnográfico realizado no laboratório, coletamos dados que analisamos a partir da construção de três eixos: cuidado experimental, registro da atividade e relação professor/aluno. Para essa análise utilizamos alguns conceitos do referencial psicanalítico lacaniano, que nos ajudaram na compreensão do processo de constituição do sujeito e sua progressiva conquista de autonomia.
Nossos resultados sugerem que a história do trabalho de Faraday, por suas características pessoais como excelente pesquisador experimental, pode fornecer elementos que permitem compreender alguns aspectos da experimentação desenvolvida no laboratório didático. E, particularmente, sua relação com seu mentor intelectual, Humphry Davy, favorece a construção de analogias com a relação transferencial estabelecida entre alunos e professores de laboratório, no Ensino Superior.
Além disso, concluímos que o laboratório deve recuperar a idéia de um estilo docente, atualmente limitada, nos casos mais felizes, ao ensino da teoria. Ou seja, o laboratório poderia se tornar o lugar onde os professores mostram sua relação intensa e livre com o conhecimento experimental. Se isso acontecer, o caminho natural da aprendizagem, desde a transferência imaginária inicial até uma relação entre professor e alunos orientada por uma assessoria, talvez seja percorrido por muitos aprendizes, de maneira semelhante ao processo vivenciado por Faraday no laboratório de Davy. Atentar para essa necessidade seria importante no intuito de aumentar as possibilidades de aprendizagem num espaço educacional tão valorizado teoricamente e tão pouco explorado praticamente.
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