PRÁTICAS INTEGRADORAS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO DE CIÊNCIAS E O ENFOQUE CTSA: A EXPERIÊNCIA DO MUSEU CATAVENTO CULTURAL DE SÃO PAULO NA INCLUSÃO SOCIAL, CULTURAL E CIENTÍFICA DE PÚBLICOS ESCOLARES
Anneliese De Oliveira Lozada, Daniela Lopes Scarpa
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 06/11/2012
- Linha de pesquisa
- Formais
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
PRÁTICAS INTEGRADORAS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO DE CIÊNCIAS E O ENFOQUE CTSA: A EXPERIÊNCIA DO MUSEU CATAVENTO CULTURAL DE SÃO PAULO NA INCLUSÃO SOCIAL, CULTURAL E CIENTÍFICA DE PÚBLICOS ESCOLARES
IINTEGRATED PRACTICES FOR IMPROVING THE QUALITY OF SCIENCE EDUCATION AND THE CTSA FOCUS: THE WORK OF CATAVENTO CULTURAL MUSEUM IN SÃO PAULO FOR SOCIAL, CULTURAL AND SCIENTIFIC INCLUSION OF THE STUDENTS
## Anneliese de Oliveira Lozada 1 Daniela Lopes Scarpa (Orientadora) 2
1Universidade Federal do ABC/e-mail: ans.lozada@gmail.com 2Universidade Federal do ABC/email: daniela.scarpa@ufabc. edu.br
## Resumo
Neste artigo, relatamos o trabalho realizado pelo Museu Catavento Cultural de SP para inclusão social, cultural e científica de públicos escolares por meio do Programa 'Lugares de Aprender' promovido pela Secretaria Estadual de Educação (SP). Para tanto, acompanhamos a visita ao Museu de um grupo de alunos do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual do ABC e o trabalho realizado nas aulas de Ciências para a integração entre o conteúdo escolar e os temas das exposições das seções do Museu Catavento Cultural, que é um espaço concebido sob o enfoque CTSA. Os resultados desta pesquisa demonstram que o trabalho integrado entre Museus de Ciências e a escola produz efeitos significativos no processo ensino - aprendizagem nas aulas de Ciências, sobretudo no que diz respeito à alfabetização científica e tecnológica, além de contribuir para a inclusão social e cultural do público escolar. Além do mais, a concepção das seções do Museu Catavento Cultural (Seções Engenho, Universo, Vida e Sociedade) sob uma perspectiva CTSA possibilita aos visitantes perceber as conexões entre a produção do conhecimento científico e seus reflexos para a evolução tecnológica, para a sociedade e para o meio ambiente, propiciando uma articulação de saberes e transformando as práticas pedagógicas. No entanto, as controvérsias científicas merecem maior ênfase nas exposições do museu e nos relatos dos monitores para que o público pudesse compreender o processo de desenvolvimento das ideias científicas que culminaram em teorias e grandes descobertas. Além do mais, a abordagem do contexto histórico, social e político também é um fator importante para melhor compreender aspectos da História da Ciência e da trajetória dos cientistas.
Palavras-chave : Ensino de Ciências. Museu Catavento Cultural. CTSA
## Abstract
The present report describes the work done by the Cultural Catavento Museum (SP) for social, cultural and scientific inclusion of the students through the
program "Places to Learn" sponsored by the State Education Department (SP). To do so, follow the visit to the museum a group of elementary school students from public school located in ABC and also followed the work done in science classes for school integration between content and themes of the exhibitions section of the Catavento Cultural Museum, what is a space designed with a focus CTSA. These results demonstrate that the collaboration between Science Museums and school produces significant effects on the teaching - learning process in science lessons, particularly with regard to literacy in science and technology, and contribute to social and cultural inclusion of students. Furthermore, the design of the sections of Catavento Cultural Museum (Sections Gadget, Universe, Life and Society) from a CTSA perspective allows visitors to understand the connections between the production of scientific knowledge and its consequences for the evolution of technology, society and for the environment, providing an articulation of knowledge and transforming practice pedagogical. However, the scientific controversies deserve greater emphasis in museum exhibitions and reports monitors so that the public could understand the process of developing ideas culminating in scientific theories and breakthroughs. Besides, the contextual approach historical, social and political is also an important factor to better understand aspects ofHistory of Science and trajectory of scientists.
Keywords : Science Education. Cultural Catavento Museum. CTSA..
## Introdução
Ao longo dos tempos os museus de Ciências têm sido um importante espaço de promoção da educação não-formal, diminuindo a distância entre a Ciência e a sociedade, contribuindo para a alfabetização científica e tecnológica e propiciando o lazer e inclusão social e cultural dos visitantes (SILVA, COIMBRA e CAZELLI, 2009; MOREIRA, 2006). Dessa maneira, os museus de Ciências têm contribuído expressivamente para a divulgação e popularização da Ciência (NAVAS, 2008), uma vez que os acervos trazem objetos e artefatos de diferentes épocas do desenvolvimento da Ciência mundial. Representam dessa forma, um resgate da História da Ciência e da própria história da humanidade por meio das exposições, que muitas vezes enfocam a trajetória dos cientistas, de suas descobertas e do contexto histórico, político, econômico e social de uma determinada época, enfatizando 'o significado social e cultural da ciência como atividade humana, socialmente condicionada e possuidora de uma história e tradições (...)' (MOREIRA, 2006, p. 1). Nesse sentido, exposições com enfoque CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente) possibilitam que os visitantes desenvolvam uma visão crítica das implicações do desenvolvimento científico e tecnológico para a sociedade e seus impactos para o meio ambiente, além do exercício da cidadania (PRAIA, GILPEREZ e VILCHES, 2007; CONTIER e MARANDINO, 2009).
Para que as pessoas possam ser mais críticas em relação às questões de C&T é importante evidenciar os processos envolvidos na construção do conhecimento científico e tecnológico nos diferentes locais nos quais se entra em contato com temáticas de C&T, ou seja, é importante que as instituições ligadas de alguma forma ao compromisso da educação e comunicação em ciência exponham e debatam essas questões. Por outro lado, a adoção de novas formas de comunicação das exposições, com o uso de tecnologias e mídias interativas, possibilitam aos visitantes a manipulação de objetos e realização de experimentos,
colocando os visitantes em contato com procedimentos científicos, contribuindo para desmistificar a imagem de que todo experimento científico é complexo, e muitas vezes proporcionando a reprodução em sala de aula pelo professor. (CHINELLI, PEREIRA e AGUIAR, 2008) Por conseguinte, a multiplicação dos museus de Ciências itinerantes tem possibilitado o acesso da população de regiões distantes ao conhecimento científico, gerando impactos para a democratização da cultura científica e inclusão social (FERREIRA, SOARES e OLIVEIRA, 2007).
O movimento de interiorização de popularização da ciência deve se constituir em uma prioridade, pois fortalece o processo de democratização da cultura científica. Além do mais, as iniciativas do Ministério da Ciência e Tecnologia por meio do programa 'Apoio à Criação e ao Desenvolvimento de Centros e Museus de Ciência, Tecnologia e Inovação' tem expandido a rede de museus de Ciências no Brasil e demonstrando a importância da promoção de políticas públicas que estimulem a criação e fomento à visitação aos museus de Ciências. Dessa forma, neste artigo relatamos o trabalho realizado pelo Museu Catavento Cultural de SP para inclusão social, cultural e científica de públicos escolares por meio do Projeto 'Lugares de Aprender' promovido pela Secretaria Estadual de Educação (Governo do Estado de SP). Para tanto, procedemos a uma pesquisa qualitativa que contemplou o acompanhamento a uma visita ao museu Catavento Cultural de um grupo de alunos do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual de um munícipio da região do ABC paulista, que nos conduziu ao seguinte questionamento: Quais são os impactos gerados pela integração dos conteúdos escolares aos temas das exposições do Museu Catavento Cultural para o processo ensino-aprendizagem nas aulas de Ciências e para a prática docente?
## 1. Apontamentos sobre os Museus de Ciências e o enfoque CTSA
O movimento CTS teve sua origem nos Estados Unidos e na Europa na década de 70 e ganhou destaque na década de 80. A dimensão social que a Ciência adquiriu decorrente, sobretudo do desenvolvimento econômico e político de certas nações, conduziu à comunidade acadêmica à preocupação com os impactos dos avanços científicos para a sociedade e se estendeu também para as questões ambientais, o que denotou a concepção CTSA (SANTOS, 2007). Dessa maneira, formar cidadãos que passassem a refletir e questionar tais avanços e que pudessem intervir em sua realidade tornou-se um desafio para a escola (AULER e BAZZO, 2001). Assim, as questões relacionadas à Ciência e Tecnologia foram incorporadas ao currículo escolar (SANTOS, 2007). Dessa maneira, os museus de Ciências passaram a repensar a organização de suas exposições, deixando de ser apenas um acervo de objetos para voltar-se de modo expressivo para a alfabetização científica e tecnológica, onde o processo de comunicação e interação com os visitantes e a abordagem com questões que relacionam a Ciência com a sociedade e com o Meio Ambiente emergiram. Dessa forma, no Brasil os primeiros museus de Ciências de caráter interativo e com enfoque pedagógico despontam na década de 80 (CAZELLI et al, 2002; MARANDINO, 2005) e tinham foco a tecnologia e um olhar dinâmico caracterizado pela preocupação em mostrar-se como espaços de comunicação, educação e difusão cultural e científica. Seria uma resposta a todo um processo iniciado na década de 60, época em que os museus de Ciências assumiram um papel preponderante em relação à educação científica dos jovens atraindo-os as carreiras pertinentes à área. Nesse sentido, percebemos que houve
uma maior preocupação na concepção e organização dos espaços e das exposições dos museus. Há séculos são estudados os tipos de exposição existentes em um museu de Ciências, e em princípio são apresentadas três classificações, como descrito por McManus (1992) apud Chelini e Lopes (2008) que as separa em três gerações de exposição. A primeira geração é voltada para os chamados Gabinetes de Curiosidades, que eram exposições com excesso de objetos apresentados, vinculadas às academias e universidades. Na segunda geração, de acordo com McManus (op.cit), as exposições são marcadas pela demonstração de maquinário resultante de avanços tecnológicos, momento em que surge o princípio de interatividade, que tem por caráter histórico o fato de retratar por meio de elementos de manipulação o desenvolvimento tecnológico existente nessa época. E, a terceira geração tinha como objetivo o ensino de conceitos científicos através da substituição de objetos por ideias, sendo exposições de cunho interativo e formativo. A terceira geração alia os aspectos da 1ª e da 2ª somando-se com a preocupação com o desenvolvimento da educação científica em um espaço não-formal, ou seja, fora do ambiente escolar. Essa geração dá início aos atuais centros de ciência. Já em relação às exposições, o autor destaca que estas podem ser divididas em ecológicas ou sistemáticas, culturais ou científicas e que quando mescladas acabam se tornando mais dinâmicas. As exposições também podem ter um caráter permanente ou temporário, dependendo dos objetivos aos quais os museus pretendem atingir.
Contier e Marandino (2009) realizaram um estudo no qual identificaram atributos para exposição museal sob o enfoque CTS. Concluímos que o Museu Catavento Cultural concentra a maior parte de seus atributos no primeiro grupo: I) debates sociais externos à ciência (impacto social do desenvolvimento de C&T, resolução de problemas sociais, práticos e cotidianos, questões de cunho ambiental, questões controversas - na seção Sociedade, no espaço Jogos de Poder, estímulo à participação do público, por exemplo, havendo necessidade de maior ênfase nos relatos das controvérsias científicas, uma vez que são necessárias para que o público compreenda que a ciência é uma construção humana, e que as descobertas muitas vezes nasceram de divergências e de muito trabalho), debates sociais internos à ciência (características pessoais dos cientistas) e debates de cunho histórico e filosófico sobre a ciência (dimensão histórica, natureza da ciência).
## 2. Programa Lugares de Aprender (SEE) e o Museu Catavento Cultural: políticas públicas para inclusão social, cultural e científica
O Museu Catavento Cultural e Educacional é uma organização social criada por meio de uma parceria entre as Secretarias de Estado da Cultura e da Educação, e que se encontra sob a supervisão da Secretaria da Cultura. Inaugurado em 2009, foi concebido com a função de integrar a Ciência e os problemas sociais de uma maneira atraente e interativa, com cerca de 250 atrações em quatro seções cujos assuntos se interligam: Universo, Vida, Engenho e Sociedade. O Museu Catavento Cultural está localizado no Palácio das Indústrias, antiga sede da Prefeitura do município de SP. Em sua concepção, o Museu Catavento Cultural contou com o apoio de instituições como o Instituto de Astronomia da USP, na seção Universo, a Fundação Faculdade de Medicina da USP, na seção Vida, a Escola Politécnica da USP, na seção Engenho, e o Instituto Kaplan, na seção Prevenindo a Gravidez Juvenil, além do Instituto Sangari e da doação de uma réplica do Espaço
Nanoaventura que pertence ao Museu Exploratório de Campinas da UNICAMP. Em 2011, o Catavento Cultural recebeu o acervo do Museu de Tecnologia, com 36 objetos de pequeno e grande porte, como o avião DC-3, utilizado na Segunda Guerra Mundial. O Museu possui cerca de 180 funcionários, dentre estes cerca de 120 são os estagiários que atuam como monitores. Os monitores são universitários de diversos cursos a citar Física, Química, Biologia, Pedagogia, História, Geografia. A cada seção do Museu, há troca de monitores, sendo assim em toda visita monitorada, o grupo passa pelo menos por quatro monitores. O Museu possui uma infraestrutura que conta com estacionamento para ônibus e carros particulares, lanchonete, acessibilidade para portadores de necessidades especiais (elevadores), além de enfermaria para atendimento ao público. Essa infraestrutura é essencial, pois o Museu recebeu cerca de 2000 visitantes por dia.
O Museu Catavento Cultural está inserido num projeto do Governo do Estado de São Paulo que faz parte 'Programa Cultura é Currículo' da Secretaria Estadual de Educação e que inclui o Projeto 'Lugares de Aprender'. O 'Programa Cultura é Currículo' (SÃO PAULO, 2010) tem como objetivos: a democratização do acesso de professores e alunos da rede pública estadual a equipamentos, bens e produções culturais que constituem patrimônio cultural da sociedade, tendo em vista uma formação plural e a inserção social; o fortalecimento do ensino por meio de novas formas e possibilidades de desenvolvimento dos conteúdos curriculares em articulação com produções socioculturais e fenômenos naturais, diversificando-se as situações de aprendizagens; desenvolvimento da aprendizagem por meio de interações significativas do aluno com o objeto de estudo/conhecimento de disciplinas reforçando-se o caráter investigativo da experiência curricular. O Projeto 'Lugares de Aprender' (SÃO PAULO, 2010) tem como objetivo promover o acesso de professores e alunos da rede pública estadual paulista de ensino a museus, centros, institutos de arte e cultura e a parques, como atividade articulada ao desenvolvimento do currículo, e foi concebido em acordo com a Proposta Curricular do Estado de São Paulo, observando as orientações pedagógicas da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas - CENP. O Museu Catavento Cultural consta da lista de lugares que poderão ser visitados pelas escolas estaduais. O Museu fomenta a visitação do público escolar, por meio da concessão de transporte gratuito às escolas públicas estaduais em visitas monitoradas, o que facilita o acesso ao espaço.
## 3.1. Descrição das seções do Museu Catavento Cultural
Ao agendar a visita monitorada o professor pode montar um roteiro e escolher as seções a serem visitadas, permitindo desta forma uma articulação da exposição com o conteúdo que está sendo abordado nas aulas de Ciências. São 4 seções existentes no Museu Catavento Cultural que descrevemos a seguir.
Fig. 1- Seção Universo
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Na seção Engenho, o público pode interagir com os experimentos de Física e aprender os princípios da Mecânica, Som, Óptica, Eletromagnetismo, Calor, entre
outros, momento em que podem constatar que nem sempre foram necessários experimentos complexos para a descoberta dos fenômenos e perceber que tais fenômenos contribuíram também para o desenvolvimento tecnológico. Na seção Universo, o espaço é bastante descritivo com diversos painéis, alguns com relatos pontuais sobre o desbravamento do sistema solar e da história da astronomia. Os monitores relatam brevemente aspectos da História da Ciência e também dos percalços passados por cientistas para efetivação das teorias como o foi o caso de Galileu Galilei e também das viagens espaciais bem sucedidas e daquelas que acabaram em tragédias, como o caso da Challenger. Há também um espaço voltado para as paisagens terrestres, com uma maquete que mostra as relevo e a vegetação do planeta Terra. Na seção Vida, temas como biomas e diversidade, fotossíntese, teoria da evolução, corpo humano e genoma humano, vacinas, entre outros estão expostos. Aqui a atração fica por conta de um aquário que abriga o peixe palhaço, que constantemente é lembrado pelos monitores como sendo o peixe do filme 'Procurando Nemo' e para o terrário de bichos-paus. Aspectos das espécies animais são abordados, e há um painel sobre Darwin e a evolução das espécies, além da abordagem do desenvolvimento de vacinas com o veneno de cobras. O espaço reservado para o Genoma Humano expõe a evolução das pesquisas e foi concebido com o apoio da Faculdade de Medicina de USP. Os alunos podem visualizar as células por meio de microscópios. Por fim na seção Sociedade, temas como política, história, nanotecnologia, química e suas aplicações no dia a dia, sustentabilidade, preservação do Meio Ambiente, Passeio Digital (tecnologia 3D), Estúdio de TV, doenças, sexualidade, drogas e educação são abordados. Aqui, é dado um enfoque mais crítico aos fatos histórico-sociais. Há vídeos que narram fatos históricos e jogos interativos. No espaço sobre educação personalidades como Anísio Teixeira tem sua trajetória brevemente tratada em vídeo. Há também o espaço reservado à Nanoaventura, que por meio de jogos ensina ao público conceitos de Nanociência e de Nanotecnologia. No espaço sobre drogas, há um imenso mural com personalidades que foram vítimas do consumo de álcool, substâncias entorpecentes e medicamentos, como Michael Jackson e Amy Whinehouse. Aqui a exposição sobre os efeitos dessas substâncias é plenamente abordada, sobretudo, porque o público que freqüenta o Museu é majoritariamente formado por adolescentes. As questões ambientais também são abordadas no espaço 'Preservando a Terra', no qual o público pode aprender sobre os impactos das ações humanas sobre o Meio Ambiente em grandes painéis e vídeos.
No entanto, observamos nos espaços do Museu Catavento Cultural que a História da Ciência e as controvérsias que surgem no processo das descobertas científicas são pontuais. Em geral, os fatos histórico-científicos estão registrados em painéis e são brevemente comentados pelos monitores. O mesmo ocorre com as controvérsias que são brevemente relatadas pelos monitores. Muitas vezes, de acordo com a demanda de visitantes do Museu os monitores encurtam os relatos e muitas informações deixam de ser veiculadas.
## 3.2. A pesquisa qualitativa e os resultados
Em outubro de 2011, acompanhamos a visita ao Museu de um grupo de alunos do 7º ano (antiga 6ª série) do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual de um município do ABC, visando analisar e o trabalho realizado nas aulas de Ciências para a integração entre o conteúdo escolar e os temas das exposições
do Museu Catavento Cultural, bem como analisamos o impacto da prática pedagógica para o processo ensino-aprendizagem de conteúdos científicos. Por outro lado, também pudemos observar as características do local, a interação dos alunos com os objetos e com os monitores, além da forma com que as exposições estão organizadas e como os monitores conduzem as visitas. Na ocasião, a professora de Ciências estava desenvolvendo o conteúdo sobre seres vivos e os alunos estavam realizando pesquisas sobre a biodiversidade, a classificação dos seres vivos, estudando as famílias, classes, filos e reinos. Este conteúdo está em consonância com a Proposta Curricular para o Ensino de Ciências (SÃO PAULO, 2008) utilizada pelas escolas públicas do Estado de SP. No 7º ano os conteúdos a serem desenvolvidos são: elementos astronômicos visíveis, elementos do sistema solar, seres vivos (evolução, características, diversidade), a tecnologia e os seres vivos, saúde e cidadania. Anteriormente à visita ao museu, os 36 alunos do 7º ano responderam a um questionário cujo intuito era verificar se os alunos haviam visitado algum museu de ciências e que conteúdos já haviam aprendido nas aulas de
Ciências, como veremos a seguir:
Dos 36 anos, apenas 30 alunos visitaram ao Museu. Dois roteiros foram seguidos: um grupo visitou a Seção Vida, Seção Universo e Seção Sociedade, enquanto o outro visitou a Seção Vida e a Seção Universo. Esses roteiros ficam condicionados à disponibilidade e fluxo de visitantes na ocasião, e muitas vezes o roteiro solicitado pelo professor não pode ser cumprido integralmente. Após a visita, os alunos responderam a outro questionário, no qual foram identificados quais foram os temas de interesse dos alunos e se houve articulação com o conteúdo escolar.
## 4. Considerações finais
Pelas respostas, constatamos que houve articulação entre o conteúdo escolar - seres vivos - e as exposições dos espaços da Seção Vida. Esta articulação produz uma mudança não só curricular, com a inclusão das visitas aos museus nos planos de ensino, mas também se reflete nas práticas pedagógicas, tornando as aulas de Ciências mais dinâmicas e transdisciplinares, além de levar o professor a desenvolver novas estratégias de ensino. Por outro lado, os alunos que visitaram o Museu também puderam recordar conteúdos aprendidos em séries anteriores, como Planeta Terra (Crosta Terrestre) aliando com conteúdos da disciplina Geografia (relevo), além de despertar o interesse por conteúdos que ainda serão desenvolvidos na série seguinte e que são muitas vezes o foco da atenção dos adolescentes como o corpo humano e a prevenção sobre as drogas. Temas que envolvem o cotidiano e o mundo que cerca os alunos despertam maior interesse, o que demonstra que a contextualização no Ensino de Ciências produz maior significado aos conhecimentos científicos e senso crítico. Além do mais, os alunos puderam observar a contribuição da evolução científica para a sociedade, com o desenvolvimento de vacinas e da nanotecnologia, o que demonstra a importância da abordagem CTSA nas exposições do Museu. Nesse sentido, a abordagem CTSA nas exposições dos museus conduz a uma alfabetização científica e tecnológica com enfoque crítico, levando os visitantes a refletirem sobre os impactos do desenvolvimento tecnológico e científico ao longo da história da humanidade, além de possibilitar ao professor que articula o conteúdo escolar ao tema das exposições 'ampliar o olhar sobre o papel da ciência e da tecnologia na sociedade e discutir em sala de aula questões econômicas, políticas, sociais, culturais, éticas e ambientais.'(SANTOS, 2007, p.10), produzindo uma ressignificação social dos conteúdos. Após a visita, a professora solicitou aos alunos que elaborassem uma redação e realizassem várias atividades sobre a visita ao Museu, momento em que pode avaliar a aprendizagem dos conhecimentos científicos, e que constitui a continuidade deste trabalho de pesquisa.
## 5. Referências
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